José, “aquele que acrescenta”, “acréscimo do Senhor”, meu amado neto…

Minha partida deixara tristeza por algum tempo no coração de muitos, mas em breve dará lugar a uma saudade bonita a qual não permiti que o amor deixe de existir com a ausência daqueles que passam por nossas vidas.
É José… A vida é passageira!
Dirijo-me a você, pois te esperei por tantos anos, e a vida nos deu tão pouco tempo para desfrutarmos do que com toda certeza seria uma grande amizade, guardei pra você um amor diferente, maior, distante das preocupações de te educar como filho, longe da severidade de ensinar praticidades e objetividades, para nós sonhei uma parceria, algo imenso: ser seu melhor amigo.
Você é um dos melhores presentes que a vida poderia ter me dado, serei eternamente grato a Deus por ter tido você em meus braços, reconhecendo em seu rosto meus traços. Contemplar seu pequeno sorriso trouxe paz aos meus dias, senti seu coração bater junto ao meu nas vezes em que cessei seu choro com o amor dentro de meu peito, o brilho dos teus olhos, mesmo tão pequeno você trouxe essa alegria fantástica de vida, de renascimento e continuidade, pois de certa forma meu querido José eu continuarei em você.
Perdoa-me por não poder ficar, não era esse o meu plano, perdoa-me, pois não estarei presente no seu primeiro dia de aula, não discutiremos futebol, falando em futebol, Flamengo é meu time do coração, quem sabe você não será mais um apaixonado pelo rubro negro? Não poderei te ajudar a entender a vida quando ela ficar complicada, não brincaremos juntos, não lhe ensinarei a dirigir, ou a ter fé, não estarei aqui quando você sentir medo, nem acompanharei seus primeiros passos, mas acredite a vida não acaba aqui, e aonde quer que eu continue estarei te acompanhando em bons pensamentos e orações para que você se torne um bom homem, distante do mal, honroso com seu pai e sua mãe, carinhoso para com a família e feliz; Que você seja uma pessoa feliz, pois a vida é linda e merece ter de nos o melhor. De onde eu estiver tentarei ouvir você me chamar de vovô quando alguém falar sobre mim mostrando-lhe alguma fotografia.
Sou grato por ter tido tempo de te conhecer, de estar com você, senti-me amado através dos teus olhos, e de tuas mãos pequenas que tantas vezes se agarraram as minhas, desejo meu pequeno que você consiga sentir o meu amor, pois ele com toda certeza transcenderá essa linha tênue que nos separa momentaneamente, afinal um dia estaremos novamente juntos, e dessa vez sem dizer adeus.
Viva José, viva muito! Longos, felizes e sábios dias, aproveite todas as emoções e sentimentos, cuide de sua família, da minha família, da nossa família que durante todo esse tempo em terra foi minha maior missão e paixão.
Estarei sempre com você, viverei eternamente no coração dos que me amam.
Até a próxima vez.
D.S.L

 

Essa é minha pequena homenagem a meu Tio Totonho, conhecido por muitos como Antonio da Purina, vereador da Câmara Municipal de Alem Paraíba o qual nos deixou no dia 25/07/2015. José seu neto, nasceu a poucos meses, trazendo grande alegria a ele e a toda família.
Vai em paz Ti Totonho! Obrigada! Que Nossa Senhora Aparecida lhe receba conduzindo-te a graça do Pai.

Uma velha de trinta e poucos anos…

Não se pode mais calar, isolar-se às vezes, estar sozinho, afinal de contas para que serve estar sozinho?

Autoconhecimento, ou reconhecer-se em alguma coisa que não envolva o mundo inteiro esta completamente fora de cogitação.

Sempre tive uma queda muito estranha pela solidão, pelo silencio, pela falta de palavras, não essas rabiscadas, a palavra em si, falada, rasgada, gritada, não me recordo de ter gritado, mesmo quando o pensamento preso, confuso e irracional parecia querer explodir minha cabeça, não sei gritar, e confesso: falar ainda é muito difícil.

Ultimamente são poucas as pessoas que guardam alguma coisa, no sentido total da palavra, não sabemos mais caminhar pelo simples fato de estar indo a algum lugar, apreciando o dia, em compasso com os próprios pensamentos, ouvindo musica, vendo o mundo parar enquanto você simplesmente caminha, pois tudo o que é palpável para, fica pra trás enquanto você passa.

Decidimos eternizar toda a vida em fotos, em fatos, em vídeos, em posts, curtidas, comentários, como é chato ser publico, como é chato precisar ser publico, ter um publico e saber que esse publico como diria o meu bom amigo Cazuza: os fãs de hoje são os linchadores de amanha, sim, esse mesmo publico dos pequenos mundinhos que criamos nos devorarão no primeiro tropeço, na primeira palavra mal escrita, naquela foto que quase ninguém curtiu porque você exibiu algumas celulites, espinhas, ou ficou estranho, o ângulo não foi legal.

“O segredo é a alma do negocio”, eis uma frase pouco praticada ultimamente.

O que estamos fazendo com nossa memória? Será que essa multiplicação de imagens é mesmo tão necessária, nem mesmo o tão comum pão com manteiga escapa, outro dia vi um cachorro latindo ferozmente para seu dono quando ele mirou o flash para seu focinho, os bebes nem abriram os olhos, mas já reconhecem o bip de um celular apostos para fotografá-los, é selfie pós sexo, pós termino, selfie pedido de casamento, selfie de velório, na praia, no bar, na noite, nunca sozinho, nunca para si mesmo, já pensou em quantos minutos você perde de uma boa conversa enquanto fotografa?

O que acontece depois do sorriso forçado para a foto? Quem é você atrás do biquinho, da careta, da língua de fora, quem é você depois da roupa nova ainda na cabine da loja, quem é você para esse publico todo que curti, mas não acrescenta, não alimenta, nem encanta.

Sou uma velha de trinta e poucos anos que aprendeu a guardar um amontoado de coisas boas em silencio, sem ninguém saber, e acreditem apaixonada por um bom clique, recordo que antigamente as pessoas guardavam álbuns de fotografias em casa, os quais eram exibidos para as visitas amigas, aquelas intimas que teciam comentários sinceros submersos em uma energia que emanava bondade e bem querer, em outra época onde as pessoas estavam interessadas em uma boa companhia e nada mais.

D.S.L

Antes, muito antes, mesmo sem sentido.

Foi naquele inicio de noite a alguns tantos anos atrás que a encontrei pela primeira vez, sua chegada foi fulminante, meteórica, algo que não pude evitar, pois a magia se fez presente naquele momento onde desenhei a lua ouvindo a melodia do coração tocada por Deus…  Antes, muito antes soube que não seria preciso me fazer entender, apenas sentir.

Encontrei-a novamente nos olhos de minha mãe, depois nas mãos envelhecidas pelo tempo de minha avó as quais contam sua historia através dos anos, logo em seguida do alto das costas de meu pai reconheci no horizonte o despertar de um sonho que carregarei por toda minha vida, antes, muito antes, soube que não precisaria fazer sentido.

Quantas e quantas vezes ela se fez presente em um por do sol, tantas outras anulava todos os meus sentidos me fazendo tropicar em meus próprios passos pelas ruas perdida nos mistérios tão claros de uma lua plena e soberana no céu, as estrelas que tantas vezes bailaram por minha cabeça, cantando, brincando comigo, falando ao meu ouvido que um querubim meio tonto, daqueles perdidos de amor, louco, estava na verdade passeando a meu lado, antes, muitos antes, comunguei em não fazer sentido.

Perco-me em praças observando as crianças brincarem com baldes de areia, sorrio para qualquer bicho que a carrega nos olhos, encontro-a na mão estendida, na vontade de vida, no ultimo desejo, e desde sempre é meu vicio, meu sentido, minha vida, desde muito antes mesmo sem fazer sentido.

Busco-a através da janela em movimento, na musica que toca inesperadamente o que preciso ouvir, ela é a vida, mesmo sem sentido, antes, muito antes, nas orquídeas, nos pássaros, no vôo tão rente a terra de meus pensamentos que vão alem do vento emaranhados de sonhos, ela esta no circo, no riso do palhaço, na virtude da verdade, na saudade do poeta, antes, muitos antes, mesmo sem sentido.

Esta nos olhos, nas mãos, no abraço, no beijo desesperado que suplica: fica, fica pra sempre, mesmo sem sentido; faz morada nas mãos que acariciam a terra, no riso inocente e despretensioso de um bebe que não conta a ninguém qual sentido do seu riso, antes, muito antes, mesmo sem sentido.

Na angustia, na solidão, na dor, no aceno em uma espécie de casamento o qual ninguém deseja ser a noiva, esta nas paredes de uma prisão, na passagem do tempo, na amplidão da musica, no perfume de quem partiu, na fé, na oração, no manto de Nossa Senhora Aparecida, na chama da vela que guarda o segredo da gratidão, tudo isso antes, muito antes, sem fazer sentido, vira poesia, vive palavra, torna-se verso, rima, prosa, conto, romance, novela, filme, antes, muito antes, mesmo sem sentido, o que cresce; o que transborda num suspiro, o que naufraga nos olhos é poesia, antes, muito antes, mesmo sentido, e ainda assim há quem não enxergue.

D.S.L

Sobre portas

Não é possível atravessar uma porta sem antes colocar a mão na maçaneta, movimentando-a para baixo, e ainda assim é necessário empurrar ou puxar a porta.

Empurrar ou puxar…

Abrir! Antes de abrir pensar: o que estará atrás da porta…

Nada disso importa, na verdade todas as portas nos levam a um outro lugar e assim deve ser quando deixamos a vida: uma porta para um novo lugar. E o costume tamanho de abrir uma porta pode não nos assustar tanto, porem essa será a ultima, depois dela nada mais haverá.

Não me canso de dizer o quanto acho triste a morte, acredito em outra esfera, creio na reencarnação, aprimorar o espírito é necessário, e em uma única vida, não há tempo para tudo o que uma pessoa precisa aprender, o mundo é vasto, a vida intensa, todas as emoções, gostos, lugares, sentimentos.

A coragem raramente se mistura com a paciência, o bem jamais se mescla com o mal, a luz não flerta com as trevas, o amor não tem morada em um coração cheio de ódio, tal qual a soberba, a vaidade não caminha com a solidariedade, gentileza não se faz cúmplice de quem não tem sabedoria, perdoar o ato mais difícil e que tantas vezes precisa ter ares de insanidade para ser verdadeiro, o perdão sem limites.

O que importa quando a vida termina?

Dinheiro, poder, beleza, fama, sucesso, uma carreira promissora, um carro do ano, uma vida inteira pela frente, sem contar com o fato de que a morte pode chegar a qualquer momento e atrapalhar o plano daquela viagem internacional, da aquisição de um barco, aquele casaco, a ultima prestação…

Sabemos o hoje, ou melhor, sabemos desse milésimo de segundo.

O que importa quando a vida termina?

Quais relatos farão sentido contar a quem estiver do outro lado da ultima porta? O que você tem para dizer para Deus? O que Ele terá para dizer a você?

Faça as contas de quantas pessoas você pode ajudar até agora? Quantas almas você consolou? Quantas vezes o seu coração transbordou de amor, serenidade, humanidade? Quantas mentiras você contou? A quantos apontou o dedo? Semeou o ódio, a discórdia, a soberba, plantou armadilhas?

Você esta lendo essas palavras, acredite: ainda há tempo de fazer alguma coisa caso as respostas dessas perguntas lhe deixem em duvida sobre o que pensar, ou melhor, sobre o que importa quando a vida termina.

D.S.L

 

A Cruz de Cristo não é cenário!

Quem esta na Cruz do calvário?

Quem pode ser crucificado, ou melhor, quem agüentaria ser crucificado, xingado, cuspido, flagelado, julgado, rejeitado pelos que estavam a seu lado, quem pode ser culpado por disseminar a paz, o perdão, a cura, e um amor imensurável que nenhum ser humano é verdadeiramente capaz de sentir.

Ser crucificado foi o destino que impusemos a Jesus, o salvador, o messias, o filho de Deus, Ele também não conseguiu fugir ao livre arbítrio e ao julgamento da humanidade, acredito que Deus o fez homem vivente para além de salvar a todos nos dar exemplo de resignação e amor, pois seja lá como for tudo debaixo do sol é vaidade, e essa vaidade nos dias atuais é o calvário do mundo.

As paradas gays mundo afora sempre tiveram minha simpatia, sou a favor de estar na rua dizendo: olha nos estamos aqui, nos existimos, e queremos tão somente direto a vida, a felicidade, ao amor, veja como somos alegres, leves, somos normais, mais normais do que muita gente imagina, é bacana e legitimo lutar por direitos ainda tão abalados por quem também deveria se ocupar em disseminar bons sentimentos.

No Brasil até mesmo um comercial festivo torna-se palco de uma discussão boba, infantil, uma marca de perfumes foi apedrejada por mostrar em um abraço o afeto homo afetivo.

O fato é que ninguém deve ocupar, ou sentir-se no direito de ocupar a mesma cruz que pertenceu a Cristo, ninguém tem esse direito, seja cantor, jogador de futebol, ator, papa, seja quem for, ninguém pode ocupar esse lugar, a causa de Cristo vai muito alem de todas as nossas vaidades e banalizar isso em um show, em uma capa de revista, em uma parada gay é sim muito triste.

É legitimo que muitos homossexuais, trans, travestis, são hostilizados, mortos, assassinados com requintes de crueldade, os esforços contra a homofobia são ainda muito brandos, quase nulos, poucos se importam verdadeiramente, mas colocar alguém em uma cruz no contexto de uma festa mundana para protestar não foi legal, não pegou bem, é desnecessário, provocativo demais, ainda mais por vir dessa comunidade que se mostra tão especial, que luta por um Brasil laico, que não concorda em misturar política e religião.

Todos nos simbolicamente carregamos uma cruz, cada um sabe o peso da sua, mas nenhuma delas foi tão pesada quanto a de Cristo.

Não estou interessada em julgamentos, longe disso, não acho que ninguém deva apontar o certo ou o errado, a consciência de cada um deve ser medida individualmente, não devemos julgar, mas não foi simpático, não foi legal, somente desnecessário, pois a cruz não pode ser objeto de protesto, não a Cruz de Cristo, temos outras armas contra a homofobia esse tipo de laço entre religião e política é que o verdadeiramente tem aprisionado gays, mulheres, crianças, negros, e todas as ditas minorias a violência e ao desrespeito.

D.S.L

Sorria de volta

Hoje a noite o céu sorriu. Não, dessa vez não foi um devaneio, ele de fato sorriu, parece que duas estrelas resolveram se juntar a lua crescente, enquanto o planeta Venus brilhando intensamente comprometeu-se a fazer o papel de nariz do esboço de rosto que clareou o breu da noite. Esse espetáculo pode ser visto a olho nu, por qualquer um que por algum motivo, ainda que distraído voltasse o olhar em busca da companhia de algo que lhe tire um pouco da terra.

As estrelas sempre me levam para algum lugar: para uma lembrança bonita do passado, uma saudade boa de ter, ou o vislumbre de um sonho, é quando a realidade adormece e deixa a porta entre aberta, e por essa fresta espio algum momento que meus olhos querem enxergar, o qual todas as noites em oração suplico que aconteça.

O céu sorriu, e quem sabe a vida não comece a imitá-lo e enfim sorria, ou melhor, gargalhe, quem sabe não seja esse um anuncio de que tudo ficara mais harmônico, quem sabe a partir de agora as noticias comecem a melhorar, e a vida intensifique o seu brilho constrangendo esses tantos acontecimentos de imensurável tristeza que os jornais estampam: descaso, desamparo, corrupção, e mentiras as quais por sua vez contaminam a vida com uma incredulidade em um amanha melhor.

Pasmem, mas o vento já conversou comigo, ordens divina obviamente, e no bailar de suas folhas sobre o chão de asfalto ele me declarou que tudo daria certo, não sei dizer o que esse “tudo” significa; mistérios divinos obviamente.

Certa vez a pétala de uma flor curou-me uma ferida na alma com sua beleza. A chuva já secou meu rosto de tantas lagrimas, e o mar noutra ocasião mandou embora uma tristeza terrível que por muitos dias fez de mim um deserto.

O sol todas as manhas ilumina meus passos, é esta a melhor parte do dia, quando meu rosto parece tomar a luz acendendo a minha alma perdida ainda em algum sonho confuso da madrugada, a vida, o amanhecer que ainda não faz idéia do que trará de novo, ou do que manterá de velho, a luz do dia, os pássaros, o cheiro de orvalho ainda fresco sobre o mundo, o silencio da manha, a vida chegando novamente, fazendo-se acreditar de novo, e mais um pouco e novamente, e mais uma vez, em uma espécie de teste de paciência e fé, para então um dia explodir tão linda e extremamente impossível como fogos de artifício em uma noite de ano novo.

Meus olhos conversam com o mundo, e assim tudo em mim é um oceano cheio de vida e mistérios.

Hoje o céu enfim simplesmente respondeu meu sorriso.

D.S.L

M-Ã-E

Deveríamos ser ensinados a falar o quanto amamos algumas pessoas todos os dias, elas nos ensinaram isso, mas às vezes esquecemos.

Na correria do tempo, na caminhada desenfreada do cotidiano, a atitude de abraçar, e de comemorar o presente nos passa despercebido, e então um belo dia olhamos tudo ao redor e alguém nos falta, sendo esse alguém o primeiro e mais verdadeiro amor de nossas vidas, não importa se consangüíneo ou não, pois ao longo da vida vamos conhecendo varias outras pessoas que nos acolhem dando-nos o sentido maternal e angelical que a elas divinamente são entregues como missão.

Elas não deveriam partir, a vida precisava ter uma lei: que todas as mães fossem eternas. Iniciamos o caminho com elas e na maioria das vezes, somos deixados antes de terminarmos nossa missão, não deveria ser assim, devíamos tê-las sempre por perto até o dia da viagem final. Em meu imaginário creio que são elas que nos vem buscar, em forma de anjo, dando-nos a mão para que mais uma vez o medo não nos trave diante do novo caminho que dará continuidade a uma vida sem dor, sem fim, e sem adeus.

São elas que nos pegam pela mão todas as vezes que não enxergamos saída, foi assim no primeiro dia de aula, é assim todas as vezes que o mundo nos desafia.

Elas têm um cheiro diferente de todo mundo, um perfume próprio que nos enfeitiça a alma com paz; a elas cabem um amor nos braços, nos olhos, nas palavras, no coração que a mais ninguém foi dado, é o balsamo da vida que nos cura e nos liberta.

Tantas vezes nos enlouquecem com seus medos, com uma proteção desesperada em uma busca perdida para que sua cria não sofra, não chore, não se machuque, quantas vezes não compreendemos, quando mais tarde sabemos que todas as vezes que nosso espírito é quebrantado o delas foi feito em frangalhos, elas sofrem por nos, choram, e  enfrentam uma trincheira de guerra se for necessário para nos salvar, para nos livrar de qualquer perigo, elas são loucas, tão doidas que só vêem sentido na própria vida se a felicidade fizer morada na estrada de seus filhos.

Não a na vida amor maior que o delas, não existe bem querer tão imenso quanto o de uma mãe, todas as outras pessoas podem lhe deixar, lhe esquecer, mas o amor de uma mãe nem mesmo a morte é capaz de vencer, seja como for elas são eternas, aqui ou em outra esfera de vida, aonde quer que elas estejam seus olhos sempre estão voltados em oração e proteção para com seus filhos.

Salve a todas essas rainhas, salve Maria mãe de todos nos, salve a tantas mães que me cuidaram em meu caminho.

D.S.L

Rasgando as vestes

Não sei o sentido, tão pouco a direção, o mundo as vezes é tão pequeno quanto a janela do meu quarto, lá não estou, jamais estive escondida atrás de qualquer moldura, o horizonte por mim não é observado , o que me motiva é essa obstinação de meus passos em busca do infinito.

O peito as vezes sufoca e então o desejo latente de rasgar as vestes fazendo-se assim enlouquecer diante da luz, do calor, do frio, da chuva, do vento; não importa pois a ânsia de sentir todas as emoções rente a pele quase que dilacerando a alma é imensurável, tão sublime quanto a beleza de um arco íris quando corta os céus, o qual a ciência tenta explicar, mas a mim resumisse em beleza e divindade.

A ciência que cuide de sua ciência tão contestável, tão duvidosa, e tantas vezes fadada ao fracasso em busca de mistérios que não se explicam, pois a vida é um labirinto infinito de novos acontecimentos.

Que se danem as lógicas, as razões, as equações, as probabilidades, a mim já não importa o que precisa ser ou ter, tudo o que me basta é irreal e ainda que se desfaça em uma fração de segundos, existe, persiste, acelera o coração e encanta a alma que aos berros clama pelo que os olhos incrédulos alheios a fé julgam impossível.

Que a matemática se entenda com suas probabilidades, quero o que não é exato, o ponto de reticências, a conta que não fecha, mas sim a que transborda sempre positivamente como o sol que se derrama no entardecer sem calcular sua posição exata. Tudo o que pode ser medido não se faz belo.

Perca as contas, viaje sem números, ponteiros, perca-se, pois só assim ganhara a vida e ao final das contas não matemáticas saberá que ela valeu a pena ainda que finda.

Vem dos anjos, vem de Deus, é o que faz o coração pulsar, é o momento da vida pelo qual respirar faz sentido, é o amor, o bem, a paz!

Escapo de pensamentos sombrios. Aqueço as mãos geladas e tremulas diante de palavras que rabiscam mais que uma folha em branco: ditam as coordenadas ora fazendo sorrir, ora fazendo chorar, tantas vezes angustiadas sem liberdade, pois o sentido não tem rota, e então devanear faz-se necessário para sobreviver a esse amontoado de gente perdida que caminha inutilmente em busca de uma vida sem sonhos, encanto ou poesia.

Fez-se em mim todo o encanto, o bom, o humilde, o belo, não flerto com o mal, não durmo com meus erros, adormeço em meus sonhos, acreditando que o sol os trará a qualquer hora do dia para bem mais perto de meus olhos, eis que os tenho em mim e isso não é o que me resta, pelo contrario é o que me sobra.

Espalhe sonhos, pulverize bons pensamentos, tenha a fé como escudo e assim também serás capaz de enxergar a beleza dos anjos.

D.S.L

O que importa

“O que importa é que estou feliz”.

Em algum momento de nossas vidas proferimos essa frase que na verdade nos serve como mascara para ocultar algum sentimento ou problema o qual não queremos enxergar.

Não. Você não esta feliz, mas por algum motivo, precisa pensar que sim, que apesar disso ou daquilo a felicidade caminha ao seu lado, e mesmo que raramente esse sentimento venha acompanhado de plenitude evidentemente ele precisa estar acompanhado da verdade, mas declarar-se triste, desestimulado, sem esperanças é como ser excluído, mantido em separado como se estivesse infectado por uma doença contagiosa.

Não se engane ninguém: ninguém que mereça sua importância se afastara de você por suas tristezas, decepções, derrotas, ao contrario: ao seu lado permaneceram todos os que lhe querem bem de verdade.

Ninguém vive nesse mundo de fotos, pensamentos conexos, e declarações eternas e exageradas de amor, amizade, força, fé e esperança, esse é tão somente o papel das redes sociais, o próprio nome já diz: mundo virtual, portanto não é real, e na maioria dos casos não é verdade.

Implantou-se em nossas vidas um desejo de auto satisfação, um individualismo precário e desesperado, declaramos sem dó, nem piedade: não preciso de ninguém para ser feliz (e lá se vão vinte curtidas), serei o mesmo até o fim (aplausos, afirmações positivas, quinze curtidas), todos me amam e me querem (joga na cara deles o recalque, cinqüenta curtidas), freqüento os melhores lugares, estou ao lado dos mais belos (preciso criar um laço mais estreito com esse cara, cento e cinqüenta curtidas em menos de dez minutos). A menina que declara não precisar de ninguém para ser feliz acabou de saber que o namorado a traiu, esta chorando em frente ao computador apagando todas as fotos, pensando em suicídio. O cara que pensa que todas as mulheres do mundo estão lhe desejando esta sozinho em pleno sábado a noite, de pijamas, e todas as suas ex namoradas curadas do trauma de se ter deixado envolver por um imbecil, o sociável rodeado de pessoas bonitas e influentes, viagens a praia, internacionais, os melhores restaurantes, engoli todos os dias ao menos dois comprimidos para suportar a solidão de sua alma.

Não se engane, não lute para ser aceito, não mude para se encaixar na vida de alguém, o  amor raramente exige de você alguma mudança em sua essência, um ajuste aqui, outro acolá, e aos poucos nos mesmos vamos talhando aquilo que ele soberanamente espera de nos, ele lhe acolhe e de algum jeito lhe faz enxergar o que é melhor para você e somente o amor próprio, a auto estima e o sentimento de luta, fé e sabedoria lhe mostram o que não é bom, tão pouco verdade.

O que importa é se aceitar, e entender que a vida é feita de fases, de momentos.

 A felicidade depende em grande parte de nossa própria verdade.
Quem é você quando se encara no espelho?

D.S.L

Todo dom assombra

Quem não conhece aquele tipo de pessoa que parece não temer nada, cabeça sempre erguida, o corpo ocupando o espaço perfeito por onde passa, sem tropeços, sem meios termos, a visão sempre além, olhando para o futuro, encarando o que esta por vir, não existe indecisão, nem motivos para lamentar-se, não se surpreendem, tão pouco se distraem com o que quer que seja, ansiedades tolas definitivamente não fazem parte de seu cotidiano, afinal não existe tempo para tolices, apenas para a realidade. Quem não conhece alguém assim? Pois bem, sou o oposto disso.

Vagueio entre a realidade e a ilusão, tenho medo, muitos e de vários tamanhos, penso a cada passo e temo por todos eles, sou um poço de perguntas sem respostas, muitas delas não me servem de nada e incrivelmente conseguem atravancar-me o coração que permanece feito ancora em alguma questão que me esmorece o sentido de tudo, chego ao cumulo de perguntar-me o porquê de tantas perguntas, é essa a grande questão de tantos pensamentos.

Acredito no impossível, e os que me acompanham sabem o quão essa crença pode ser perigosa. Levanto-me com ele, dormimos juntos, sorrimos, e as vezes a realidade o desfaz em questão de segundos, prometo não o querer mais, não flertar, mas quando retorno para casa ele esta a minha espera, sorrateiro e languido encostado na porta principal, não tenho como fugir, e então me deixo seduzir, fascinar, deixo-o entrar novamente em minha vida, permitindo a bagunça conhecida que faz morada em minha alma, tento aconselhá-lo para que tome mais cuidado ao se desfazer, mas ele é indomável chega como uma brisa e vai embora como um furacão, e quando menos espero lá esta: batendo em minha janela como alguém que foi convidado, não o abandono pois sei que por mais bagunça e indecisão que ele possa trazer, sua existência a mim é essencial e quando acontece faz um bem tão grande a alma quanto a vida.

O impossível é um pensamento forte que decidiu existir, é fé, é alma, é sonho e sonhar é a resposta do que somos, realizar sonhos é confirmar o que temos de melhor, de mais brilhante e sincero em nós.

Sigo amedrontada, roendo unhas, tropeçando, tentando me encaixar nos espaço onde a maioria se sente tão bem, e que a mim transborda facilmente, não pertenço a nenhum padrão, o que tenho é feito de coração e este segue apesar de tudo voltado para o bem. Não quero poder de mando, não quero matéria, tenho total desinteresse por tudo o que não é verdade, toca-me a fé, o encanto, minha busca é a conquista do que deslumbra os olhos, o reconhecimento do belo, do divino que a mim o qual estampo em brancas folhas que tantas vezes me causam paúra.

Será que todo dom assombra?

Seja como for estes fantasmas certamente serão dissipados pelos bons ventos que ainda hão de soprar e desta vez a melodia será regida pelo bater de asas dos pássaros que voam na chuva.

D.S.L