Flutua

Doeu! Não foi bom, teve medo, ansiedade, pavor, momentos insanos de pânico e tremor.

Doeu de maneira visceral, de fazer chorar no chão de um banheiro sujo, doeu de sentir abandono, doeu de gritar, de babar, doeu!

Doeu de pensar em desistir, de não encontrar sentido, de entristecer, de não querer mais…

Doeu!

Questionei os céus, implorei, supliquei por luz, por orientação, por explicação, mas Ele não se explica.

Em delírio de febre diante de um coração dilacerado e complemente cheio de fé, Ele sentou a meu lado em uma madrugada, tocou minhas mãos, secou minhas lágrimas, mas não me permitiu dizer nenhuma palavra, Ele sabia que o silencio falaria bem mais alto, beijou minha testa, deu-me um meio sorriso e saiu pela porta de meu quarto, tal qual só um Pai pode fazer com um filho.

Na manhã seguinte quando acordei, meu corpo estava gelado, as roupas ensopadas de suor, mas já não sentia frio, a febre havia cedido, amanheci faminta depois de muitos dias sem fome, amanheci sorrindo após muitos dias de lágrimas, amanheci viva após tantos dias embriagada pela morte, amanheci grata novamente!

Ele me escreveu, deixou uma pequena carta sobre a cabeceira de minha cama. Misterioso não disse quase nada sobre o futuro, pediu cautela para o presente, e esquecimento ao passado, sobre o que vira disse que será bom, feliz, alegre, e que fará o possível para amenizar todo sofrimento que houver, que estará sempre a meu lado quando for preciso abraçar, que o amor sempre estará presente e constante em minha vida, e que um novo olhar surgira para partilhar muitas coisas bonitas, disse até que esse olhar já está por vir, ou que já chegou, mas que talvez ainda não tenha sido notado, falou sobre Irene, sobre tudo que amo, sobre meus raros, caros, e incondicionais amigos, prometeu-me momentos maravilhosos ao lado deles, e por fim me fez um pedido inesperado:

Cante! Reúna os seus e cante, e dance, e celebre, pois, quando isso acontece a pureza do coração dos que estão a teu lado, sempre contigo, também celebrando e festejando clamam a mim, fazendo-me lembrar porque a criação ainda me emociona.

Respondi prometendo amanhecer cada vez mais grata!

Deus Seja Louvado!

Tenham fé, pois o que vira de alguma forma será bom! Tenham positividade, reciprocidade, empatia, simpatia, verdade, cresçam, agigantem-se, sejam bonitos, sejam lindos, sejam de verdade, por dentro, tenham esperança, esperança, esperança, esperança, esperança, sejam do bem, da paz, do amor, creiam no poder que apenas ele pode emanar, creiam no amor de todos, para todos, iluminem-se!

Atendendo ao pedido do Pai, celebrem e cantem!

“Um novo tempo há de vencer
Pra que a gente possa florescer
E, baby, amar, amar, sem temer

Eles não vão vencer
Baby, nada há de ser, em vão
Antes dessa noite acabar
Baby, escute, é a nossa canção

E flutua, flutua
Ninguém vai poder, querer nos dizer como amar
E flutua, flutua
Ninguém vai poder, querer nos dizer como amar

Como amar
Como amar
Ninguém vai poder, querer nos dizer como amar
Como amar
Como amar
Ninguém vai poder, querer nos dizer como amar

Como amar
Como amar
Ninguém vai poder, querer nos dizer como amar
Como amar
Como amar
Ninguém vai poder, querer nos dizer como amar” ( J. Hooker)FLUTUA

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O senhor das frases inacabadas

O seu coração nunca ira parar, não há silencio em minha saudade!

Queria te dizer que meus cabelos estão ficando brancos, e imagine só: não vou lutar de maneira alguma contra a natureza.

“Não se preocupe tanto! O que você tiver que “ser” nessa vida será”

“Sempre compre assento no meio do ônibus, do lado do motorista, caso aconteça um acidente as chances de se machucar são menores”

“Dirija em uma velocidade media de 80 km, qualquer imprevisto você consegue controlar melhor o carro”

“Seus textos são muito grandes, sei que são bonitos, mas não consigo ler”

“Inteligente igual a mim”

“Não consegui assistir sua apresentação de poesia porque sinto muito orgulho e não sei o que fazer nessas horas, nem o que te dizer”

“Não esquece do pai”

Ao longo dos anos essas foram algumas das coisas que ouvi de você, sempre temeroso, meio sem saber o que fazer com uma menina; Não era isso, não era o que você esperava, um menino seria tão mais simples: futebol, cuecas, carrinhos, mulheres – muitas se possível-  nenhum romantismo, sem histórias de amor, sem tocar sentimentos profundos;

Mas…  Fui uma criança muito menina: bonecas, choros desenfreados, mimos, sempre buscando um colo, sem nenhuma simpatia por esportes – ainda mais futebol – dirigir? Ah isso nunca foi para mim, mas ainda assim aprendi com você!

Um turbilhão de sentimentos, profundidades. Você me olhava assustado, podia ler seus pensamentos: ou é lunática, ou é doida, de onde vem tanta inovação e criatividade para sonhar?

Feminista, louca por livros e músicas, desconstruindo todas as suas certezas com uma frase, as vezes com um olhar. Insegura, mas forte, cautelosa, mas corajosa, fiel, argumentativa, sonhadora, romântica. Uma espécie tão estranha e nascida de uma parte de mim, como isso pode ser?

O que faço com você, como nos entenderemos se os meus pés chegam apenas a beira do lago, e você já esta tão no meio do oceano, buscando descobrir. Que gana é essa de ir, de não temer se machucar, de tirar o véu e mostrar o rosto nu, sem maquilagem, sem falsas promessas? Só a verdade. Porque você não mente um pouco e me deixa mais tranquilo?

Eu lhe disse tudo: aos gritos, aos prantos, em meio a sorrisos encantados pelos seus olhos, em silencio, sempre te disse tudo, ainda que em palavras incompreensíveis, sempre te disse tudo, sempre, sempre, sempre e para sempre, e agora meus cabelos estão ficando brancos…

D.S.L

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Incidental

Queria chamar você para sair…

Sei lá…

Pode soar estranho, parece inconveniente, até um tanto brega, não sei se as pessoas fazem isso hoje em dia pois tudo esta tão rápido, direto, pratico, mas caso lhe convide, o que verdadeiramente tem pouquíssimas chances de acontecer, de inicio você precisa saber que sou brega e que não me envergonho nenhum pouco disso, e que além de brega sou uma boba irrecuperável em todos os sentidos mais profundos da palavra, e desajeitada com qualquer questão que precise de exatidão, rapidez ou praticidade. Mergulho em tudo, mesmo sem noção de como emergir, pois após naufragar já não tenho medo, mantenho-me respirando com a inconsequência do sonho.

As vezes pareço seria, mas consigo com muito sarcasmo rir do que de pior me acontece, sou bem normal e ate um pouco careta para um tanto de coisas… Caso de fato esse convite aconteça, você poderá tirar suas próprias conclusões e isso é incrível, pois nos conhecemos bastante através do outro, eu acredito nisso e queria saber o que seus olhos perceberiam de mim.

Queria chamar você para sair, tenho pensado bastante nisso, mas o que fazer com o temor das palavras sem som que formulam frases apenas em meu pensamento, o que fazer com a timidez, com o medo de te olhar demais, o que fazer com o rubor de te olhar mais de perto, tenho medo de me perder no teu cheiro, medo de te assustar com a minha simplicidade tosca… Um bar? Cinema? Teatro? Algum parque da cidade de tardezinha até o anoitecer, queria conversar um pouco, te ver mais de perto, te olhar por dentro, permitir que alguém novamente possa tocar algo que foi tão machucado em mim: a esperança.

Queria chamar você, queria um nome, um numero de telefone, um endereço de e-mail, as suas redes sociais, saber que você existe, que habita esse planeta, ou essa esfera de vida, queria saber se vive nesse século, na cidade onde moro, ou em qualquer outro canto do mundo, não sei se você existe ou a minha imaginação insiste em te inventar em qualquer olhar por ai para que assim eu adormeça menos solitária.

Queria o som do teu nome, você a meu lado em um fim de tarde de domingo de primavera ouvindo Maria Bethânia, encantada pelo por do sol, alimentando a alma de musica, poesia… Debruçada em uma varanda, bebendo qualquer coisa, falando sobre a semana, sobre a vida, o capitulo da novela, pontuando sobre o livro novo que você começou a ler, peço sua mão e nos dançamos, e nos olhamos tanto, e sorrimos em silencio, a graça da minha teimosia de cantar desafinada, gosto de imaginar que um dia você estará presente em um momento como esse, e ao segurar minha mão me presentear com a certeza de que existe fora de mim.

D.S.L

por do sol

 

A Mulher do Pau Brasil

A rede no centro do palco é iluminada com muita doçura, uma luz que parece guardar um segredo; Vermelha, brasileira, bordada, ela repousa num balanço muito sutil, o teatro em silencio absoluto aguarda. Os mais sensíveis ouvidos captam a respiração junto ao balanço da rede, ela repousa tranquila, enquanto todos anseiam pela sua entrada – consigo imagina-la cerrando os olhos, respirando profundamente, tomando para si a atmosfera que lhe aguarda – uma das mãos surge pelo tecido, ela o aperta impulsionando o corpo que começa a se erguer, então o sapato vermelho toca o chão, o piso, o palco, ela se ergue munida de sua guitarra rente ao corpo. A rede solitária baila no ar, enquanto ela caminha para frente do palco; a luz antes doce, agora lhe evidencia poeticamente nua diante de todos.

No ar os primeiros acordes ecoam todos os espaços daquele encontro, e nos convida para viajar além mar, além dela, além de nós e de seus grandes olhos oceânicos.

O convite é aceito, e a rede que balançava solitária agora é ocupada pelo imaginário dos presentes, cada um se balança de alguma maneira, enquanto os olhos e ouvidos atentam para um deleite de beleza antropofágica, e de melodia, poesia, luz, e ela.

Ela tão plural, tão muitas, e tão ela, tão de todos, e tão ela, cada um parece lhe trazer um pedido diferente com os olhos e o pensamento, todos a querem mais de perto, e ela retribui tocando-nos com cada palavra: nítida, doce, forte, ela nos explode de encanto, nos engloba em beleza, vida e historia, ela se divide em muitas, mas permanece tão ela, mesmo sendo tão nossa.

O batom vermelho, a cara pálida, índia ao avesso, brasileira, mesclada de todas cores e etnias, ela carrega a diversidade de tudo o que seus olhos já observaram pelo mundo, aprendiz andante, ela dança, se balança única, batuca, risca o prato, e então é coroada pela sua sede de gente, de palavras, de sons, cores.

Ela hipnotiza; nos da passagem para o sonho de amor romântico, nos traz saudade, todos cantam, ela silencia, cada canto de cada lugar é diferente, ela sente, cerra os olhos, respira, enfim A Mulher do Pau Brasil esta plena, ciente de que o seu trabalho da orgia, da folia, da poesia, do ócio, esse trabalho de tocar a vida das pessoas esta cumprido.

A sua arte permanece em nós como a cor vermelha do batom de sua boca; A Mulher do Pau Brasil germina.

D.S.L

calcanhoto*Foto: Léo Aversa/ Divulgação

Nós vencemos!

Uma grande ressaca para milhões de brasileiros, brasileiras e afins, foi esse o estado que nos invadiu após as eleições desse ano de dois mil e dezoito, tanto aos que apoiaram a direita, quanto aos que apoiaram a esquerda.

Dias após o fatídico vinte oito de outubro acompanhei um bate papo em um teatro com Nelson Motta e Zuenir Ventura; “Zu” como é carinhosamente chamado, falou um pouco sobre seu romance, 1968 O ano que terminou, e comparou o ano de 68 com um personagem que teima em não ter fim, o qual sempre esta entre nós de alguma maneira, o romance é incrível, uma leitura imprescindível.

Foi preciso estômago forte para não vomitar durante todo esse período eleitoral.

Haviam dois extremos, de um lado flores, do outro armas, de um lado musica, do outro marcha militar, de um lado a cor preponderantemente violeta, do outro o cinza fardado; haviam dois extremos, muitas mentiras, muito dinheiro, corrupção, escândalos, falta de escrúpulos,  promessas que causam medo, tontura, apatia. Haviam dois extremos, e no meio deles uma nação, desacreditada, cansada, revoltada com todos os fantasmas que a anos assombram e negligenciam uma gente que ainda assim crê em um amanha melhor. Particularmente preciso acreditar que o voto dos milhões que elegeram o novo presidente provem tão somente de um desejo de mudança,.

Velhos monstros os quais acreditávamos estar trancafiados saíram de seus porões berrando e salivando, loucos para devorar quem quer que fosse na primeira oportunidade, monstros míticos, como aquele que se corta a cabeça e imediatamente uma outra nasce. Fomos bombardeados sem argumentação plausível, muitas vezes com ofensas dilacerantes enquanto segurávamos flores, tentando manter no coração uma esperança ainda que remota de virarmos o jogo e vencer. E vencemos!

Vencemos de maneira tão relevante, tão bonita, digna e histórica. Vencemos as ameaças cantando, escrevendo, fazendo musica, poesia, discursando, sentando para uma conversa acompanhada de café e bolo no meio de uma praça, de uma rua; vencemos ainda que decepcionados com tantas pessoas próximas as quais desprezam a sensibilidade e o entendimento de que um pais muda verdadeiramente quando olha para a sua gente, quando cresce economicamente e socialmente, pois caso contrario seremos um pais de investimentos milionários, conceituado como uma moeda forte, reconhecido internacionalmente, mas que abrigara uma triste nação, amordaça, perseguida, desacredita e injusta como ser humano, se não olharmos para a dor do outro não seremos nada mais do que um punhado de ouro oco, frio e sem brilho.

Não adianta ter valor sem luz, e o brilho vem da educação, da compreensão, da reciprocidade, do amor a todo tipo de ser vivente, a luz provem da liberdade, da igualdade, do desejo insaciável de ser melhor como gente, como próximo, essa luz trás consigo a esperança, a oportunidade que precisa ser comum a todos, os direitos que precisam respeitar a todos, as leis que precisam ser para todos, e caso você faça parte da dita “maioria”, cuidado: o poder, o topo, a vaidade, e a soberba costumam estar acompanhas pela solidão, com a mira apontada para seus próprios tetos de vidro.

Nos vencemos quando nos abraçamos desconhecidos e solidários nas ruas, vencemos ao cantar: ele não, ao gritar: ele jamais, ao explodir: ele nunca! Vencemos ao unir as cores, os sexos, os jeitos, o coração em brasa pelas ruas tantas desse imenso pais, vencemos com dialogo, argumento, historia, educação, vencemos ao olhar no olho, ao acolher a diversidade ao invés de tentar mata-la, vencemos ao semear esse instinto humano de proteção a todos.

Vencemos quando enfim prometemos naquele inicio de noite nos darmos as mãos e continuar.

D.S.L

ninguem solta

imagem da tatuadora Thereza Nardelli

 

 

 

1968 – O ano que não terminou

Você não deve se lembrar que me emprestou um livro de Zuenir Ventura, 1968 o ano que não terminou, não deve lembrar porque é professora, e ainda que aposentada jamais perdera esse titulo tão honroso, mas você não deve se  lembrar porque foram muitos os empréstimos literários, a inúmeras pessoas, acredito eu.

Esse livro marcou a minha vida, gosto de lembrá-lo, Zuenir é um mestre, e você também marcou a minha vida em muitos sentidos, são inúmeras as boas lembranças e conversas que tivemos, gosto de recordar uma tarde em que estávamos observando um por do sol e você disse: “nessas horas eu acredito na existência Dele, porque homem nenhum poderia fazer algo tão bonito”, naquele instante me dei conta de que você era a ateia mais fajuta da face da terra, pois sem saber, seu coração já acreditava.

Voltando a historia do livro, por ele quis conhecer mais a fundo tudo o que aconteceu na historia do Brasil naquela época, assisti filmes, conheci grandes cantores, procurei por documentários, relatos, e conversei tanto com você sobre isso, tornou-se um assunto recorrente em nossos encontros, você me dizia: “naquela época ninguém era santo, tudo era muito sexo, drogas e rock in roll, mas o pessoal lia muito, tinha gana por conhecimento, por artes, por tudo”. Ouvir você, acompanhar suas ideias, criticas, dicas, sempre fizeram brilhar meus olhos. Sua consciência de que a política brasileira “foi feita para não funcionar”; minha admiração por você era poesia em mim, porque de certa maneira sempre me transformou, tocou, afagou, mas hoje golpeou.

De todas as coisas que já foram ditas nessas eleições, chego a seguinte conclusão: nada será como antes! Ninguém será o mesmo, vamos todos melhorar ou piorar, crescer ou encolher, falar ou calar!

Conheço todas as suas razões para não votar no PT, pois tenho as minhas próprias razões para isso também, conheço todas as suas razões para não votar em branco ou nulo, pois nulidade nunca foi nem o seu, nem o meu forte. O que desconheço, o que não entendo, o que me assombra, são as inúmeras razões que você criou para apoiar alguém tão diferente de você, de sua historia, formação, vivencia, gostaria de lhe perguntar onde esta a fã de rock, a professora criativa e dedicada, livre, culta, onde esta uma das mulheres mais inteligente e independente que conheci, onde esta a mestra, a “militante” anti caretice, onde esta você, onde toda essa lama lhe afundou?

Nada será como antes, e que Deus seja Louvado e nos abençoe!

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Ao bom velhinho!

Querido Papai Noel,

 

O senhor já deve saber que estamos em ano eleitoral, bem… Muito tumulto, muita polêmica, muita confusão, e pouco dialogo, o senhor acredita que tem candidato que não comparece a debates? Mas antes de mais nada, preciso explicar porque após tantos anos sem lhe escrever uma cartinha, voltei a acreditar novamente no senhor: por tudo que estou ouvindo nessas eleições, o senhor ficaria pasmo, porque tudo é tão improvável quanto a sua existência.

Prometo ser breve, mas vou lhe contar alguns casos: tínhamos um candidato  a presidência que está preso, e alguns tantos outros que também deveriam estar presos mas que foram eleitos. Contraditório, não é? Mas dizem por aqui que a lei é para todos… Seguimos.

União das Republicas Socialistas da América Latina, é uma tal de URSAL que até então não se tinha notícias, mas que veio a tona nessas famigeradas eleições, o senhor saberia me dizer do que se trata? Tem candidato que evocou “sinais”, o senhor saberia me explicar mais a fundo essa questão de “sinais”? Tem a candidata que não aparece nem de ano em ano igual ao senhor, só nas campanhas presidenciais, e este ano pasme ela conseguiu ser menos votada que o invocador da URSAL.

Papai Noel, dentre os candidatos há um que é um perigo a sua fofurice, um senhorzinho muito legal, o qual ofereço cargo para tornar-se meu vovô, não pretendo destituir o senhor de seu folclore, mas cuidado, todo mundo apela para ele quando a coisa aperta, igual estou fazendo esse ano ao lhe escrever essa cartinha.

Prometo ser breve em pedido, mas meu querido Papai Noel, fatos perigosos estão acontecendo; em pleno século XXI estamos fazendo uma mistura bombástica, a qual historicamente não deu certo: religião, militarismo, política, falta de diálogo, violência, armas, preconceitos, ocultação de reais intenções, machismo, autoritarismo, fala-se em autogolpe, fascismo, ditadura, enquanto pasme: há um candidato o qual a maioria acredita tratar-se de uma profecia divina, onde seu próprio nome invoca o salvador da pátria, quiçá do mundo – não ria Papai Noel – eu ouvi isso, é sério! Defendido cegamente, de maneira assustadora e assombrosa, sem argumentos, o qual será paladino da justiça, da moral e bons costumes. Querem elegê-lo para combater a corrupção, mas tínhamos outras opções, doze para ser exata, e o que me entristece meu bom velhinho, é que falta a essas pessoas que irão votar no tal “coiso”, assumirem seus próprios fantasmas: racismo, homofobia, machismo, violência, arrogância, autoritarismo, falta de empatia, humanidade, falta-lhes assumir que o outro pouco os importa, não sou gay, não sou negro, não dependo de programas sociais, como se o pais fosse igualitário, dando a todos as mesmas oportunidades, mas sabemos que o nosso “buraco” é bem mais em baixo. O que me entristece é esse discurso de ódio: insano, surdo e cego, o qual ecoara por muito tempo, pois muitas coisas foram ditas, e tais palavras não poderão ser apagadas, declarações fantasmagóricas saíram dos armários de todos nós, e esses fantasmas irão nos provocar muito medo por muito tempo.

Querido Papai Noel, não sei dizer se fui uma boa menina, mas meu pedido é breve: #elenao!

D.S.L

PAPAI NOEL