Filha de muitos ventres

Minha Santa Barbara!

Aceita mais essa menina, filha de muitos ventres

Dê-me licença para rogar por tua intercessão

Livrai-me dos raios e tempestades dessa vida, mas torna-me iluminada e forte como eles

Concede o teu desejo de saber, conhecer, agregar.

Que a tua sabedoria, força e coragem estejam presentes em meus caminhos Que as tuas aguas de chuva recaiam sobre meu coração expulsando todo e qualquer mal sentimento; não recebendo inquilinos trazedores de magoas e dores, e ainda que ferido, com a fé em prova e alma inquieta, que a tua intercessão seja deferida por Deus, pois a Este cabe toda graça, amor e misericórdia.

Salve a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo

Serena mãe, serena, serena e sorri junto a mim diante do oásis, da bonança, da relva verdejante após a chuva que abençoa a terra.

Faz de mim uma de tuas meninas, concedendo-me a graça de morar em teus olhos.

Senhora do amor desinteressado, da dança bonita de frente do mar, senhora das rosas vermelhas! Chama de amor!

Oyá!

Deus Seja Louvado!

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É!

_  Quantos encontros mais ficarei te olhando? Trabalho árduo te procurar nas redes depois daquela tarde de samba, precisei do auxilio de investigadores virtuais atentíssimos a muitos detalhes.

Encontrada!

E então o que fazer?

Ir a luta! Adicionar, visualizar, e em minha condição de timidez poética e orgulhosa inveterada esperar que você me enxergasse, mas notei que a quantidade de likes, seguidores, etc eram enormes e então seria eu apenas mais uma na sua multidão virtual, portanto, já que estamos no mesmo local novamente, acho que o mundo real é o que realmente nos espera! Fica aqui o meu convite!

_ Você! Convite para o mundo real?

_ Sim!

_ Convite aceito, mas o que iremos fazer?

_ Além de continuar nos olhando?

_ Sim!

_ Continuar nos olhando! (kkkkkkkkkk). Quero ouvir o som da sua voz. Ouvir você pronunciar o meu nome. Sabe como me chamo?

_ Sim! Você é diferente, não tive tempo de olhar o seu perfil, mas isso o que fez, o que esta acontecendo, a forma como propõe tudo é divertido e encantador, parece a narrativa de um livro

_ Diferente? Posso considerar como um elogio?

_ Deve! O mundo esta repleto de pessoas iguais, comuns e monótonas. Estou ansiosa, com o coração acelerado. Acredite se quiser!

_ Estou vendo você sorrir, alias que belo sorriso você tem!

_ O seu também é muito bonito, largo, profundo, seus olhos se apertam, todo seu corpo sorri, parece uma orquestra, e olha que meio que entendo de musica

_ Meio? Isso é serio? Você que toca violino, e me diz que “meio” que entende de musica?

_ Você me vigiou?

_ Não seria essa a palavra, mas olhei suas fotos, precisava saber o porquê de tanto encanto, alguma coisa em você desde o primeiro momento…

_ E o que achou?

_ Só irei descobrir se você permitir

_ Fala por alto! A primeira impressão… dizem é a que fica

_ Vem até aqui! Estamos a menos de vinte passos de distância, e conversando pelo celular. Não faz sentido!

_ Você esta com seus amigos, sou um pouco tímida, vem até aqui você. Por favor!

_ Você também esta com seus amigos, e sou um pouco tímida, mas uma de nos precisa dar o primeiro passo

_ Tive uma ideia!

_ Fala!

_ Você disse que estamos a uns vinte passos de distância, fazemos assim: você conta dez passos, eu conto dez passos e nos encontramos

_ Que ótima ideia!

_ Então até daqui a dez passos no mundo real

_ Até “sempre” na vida!

D.S.L

Em um mundo de telas brilhantes e frias, encontros guiados por aplicativos de relacionamentos, buscas, mapas, encontrar-se diante de uma troca de olhares é raro e completamente encantador!

 

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Você chegou!

A tua oração foi respondida porque não perdeste a fé em Meu nome.

Javé

Vem…

Não demora mais não!

Preciso escrever os versos que guardo pra ti

Vem…

Preciso conhecer, pronunciar as palavras novas que irei saborear após beijar tua boca

Vem…

Quero debruçar sobre ti meu carinho.

Fazer de nossa cama meu ninho

Vem…

Que não suporto mais minhas manhãs de domingo s/ teu riso, sem teus ruidos, sem tua preguiça Sem tua mão enlaçada com a minha

Vem…

Chega de demora

Chega de minha vida sem você

Chega de se esconder

Preciso dos teus olhos da tua paz, dessa plenitude

Vem…

Chega devagar, bem mansinho, arruma essa casa que ficou bagunçada por tanto te esperar

Perdoa meus enganos, perdoa ter machucado tanto esse coração tão teu

Vem…

Vem…

Vem…

D.S.L

Bachianina

Aria IV corda

Toquinho

27/10/2019

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A luz da primeira estrela

É seu aniversário neste plano terreno: setenta anos.

Cedinho telefonei “ai pra cima”, a ligação foi completada e após muitas chamadas um anjo atendeu

_ Ele saiu para cuidar dos pássaros sobre sua guarda

Só então entendi o porquê de cantarem tão mais forte e cedo nessa manhã;

O anjo infelizmente não pode chama-lo

_ Tudo bem! Caso seja permitido posso saber como será o seu dia?

Ele sorriu e muito calmamente…

Contou-me que você está de folga dos trabalhos evolutivos, espirituais e estudiosos, portanto após tratar dos pássaros que lhe foram confiados e que voam livres, Nossa Senhora Aparecida o aguardara em sua morada para o café da manhã, Ela preparou uma broa de milho na noite anterior, com erva doce e raspas de limão, quando você chegar a encontrara a porta e após a benção sentarão a mesa, conversarão durante algum tempo e ao se despedir ela passara a mão por seus cabelos, beijara seu rosto e olhando seus negros e profundos olhos marejados e brilhantes lhe confessara:

_ Ela. A primeira menina pediu que lhe presenteasse com esse afago.

Ele consentira com a cabeça enquanto Nossa Senhora subira novamente aos céus com seu manto sagrado cravejado de pedrinhas de luz, deixando nos corações de todo universo seu olhar sereno de amor e paz enquanto retoma seus trabalhos diários e incessantes

Ficara o resto da manhã deitado na rede, ora cochilando, ora recebendo as orações que lhes serão permitidas ouvir e sentir no dia de hoje

No almoço sua avó Zezé lhe fara um prato farto de angu molinho, galinha cozida, couve, arroz fresco e feijão temperado na hora com muito alho

Ao entardecer sairá para um banho bom de cachoeira com seu amigo irmão, aquele mesmo que lhe fazia dupla nas estripulias terrenas

A noite todos estarão reunidos e Jesus lhes prometeu levar vinho para se alegrarem e dançarem, aqui não é um lugar triste, tão pouco sem festa, dança e música, Altemar Dutra comparece com sua voz inconfundível, Clara Nunes trará os chocalhos de angola, e sua Irene enfeitara a casa com bonina

Ao final do relato perguntei ao anjo se poderia deixar ao menos um recado, ele pediu que esperasse um instante, ouvi quando consultou alguém sobre meu pedido e só com esse consentimento me permitiu falar.

Antes de começar perguntei como ele sabia dos acontecimentos de todo o dia

_ O tempo de vocês é outro. Como orientação para que seu recado seja ouvido, não pronuncie palavras, mentalize-as com o coração

Pai quando de sua atual esfera de vida avistar a primeira estrela do céu que partilharemos, olhe com muita firmeza para sua luz, feche os olhos, e que lhe seja permitido sentir todo meu amor e todas as orações que faço a ti nesses tempos desde sua partida onde uma saudade bonita fortifica nosso laço de carinho e caminhada. Desejo-lhe luz, paz e muito aprendizado. Estou seguindo bem, tentando cuidar com muito afinco da missão terrena a mim confiada. Seja luz meu velho! Que possamos sempre enxergar o brilho de uma mesma estrela não somente nesse dia, pois assim de alguma forma, seja como for, estaremos sempre unidos até nosso reencontro na mesma morada.

Um forte abraço fraternal

Deus Seja Louvado

 

BONINA

 

Aprenderei a tocar violão para ter um jeito novo de falar sobre nós

Seus muitos anos não lhe impediram de permanecer a seu lado até o último segundo de toda uma vida.

Não termina aqui!

Uma história de muitos capítulos e personagens: filhos, netos, família, amigos de um que se tornaram amigos em comum.

A mim a dádiva de capturar o ultimo olhar partilhado com seu grande amor nesse plano: grato ainda que incrédulo de sua partida; saudoso como sempre foi ainda que diante a uma distância de horas; amor, só o amor sabe olhar daquela maneira.

O sentimento que me preenche: gratidão! Por certo permanecerão a se olhar, o amor transcende, mas poder apreciar ainda que triste a importância dessa imensidão que tanto nos amedronta pela imperfeição, pelos enganos e tropeços ao longo da vida, pelas histórias que ouvimos de dor e solidão, de apatia e abandono, de caminhos e escolhas erradas por falta de consciência; não é o amor que provoca dor, é a falta de consciência que mascara a importância de quem realmente nos completa.

De todas as palavras que escreverei nessas linhas, guardem essa frase: não se perca, nem se deixe perder de um grande amor!

Amor é perdão, e partilha, e perdão novamente, e partilha, (qualquer dia desses terei a oportunidade de perguntar a dona daquele olhar quantas vezes ela o perdoou); e partilhar  é estar alegre por tudo com o outro; amor é olhar devagar, e olhar um pouco mais e sorrir, e errar, e pensar que não tem mais jeito, que já não se pode mais, e perdoar outra vez, e querer partilhar, e sonhar partilhar por saber que toda a sua história não terá sentido nenhum caso o amor não seja protagonista.

Afinal por que o amor? Por que o escolhe-lo como matéria prima, meta de vida, sonho, paixão, ideal. Afinal por que o amor?

Assunto exageradamente cotidiano, cantado, tocado, reincidente em meus fones de ouvido, por que o amor? Espalhado em cores em meus quadros abstratos sem forma aparente, sem ideia justificada não passiveis de entendimento mas concreto em sentimentos, em sentir. Aprenderei a tocar violão para ter um jeito novo de falar sobre nós.

Afinal por que o amor? Porque não há dinheiro, poder, beleza, status, sucesso, fama, atuação, não há nada capaz de comprar, ou mensurar um olhar repleto de tamanha luz, dedicação e força.

Não há nada que supere o olhar de um grande e verdadeiro amor. Nada! Nem mesmo a morte.

D.S.L

Obrigada Jorge Amado e Zelia, Caymmi e Stella, Rita Lee e Roberto, Orfeu e Euridice, Deborah e Natalia, Cida e Jair, Alexandre e Natalia, obrigada você.

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Monstrinho

Monstrinho completou dezoito anos.

Gestação não planejada, despreparada consumiu todas as minhas forças, alimentou-se de meu fígado, de meus olhos, de meu sangue, de todos os meus órgãos e sentidos. Monstrinho nasceu exageradamente forte, grande, intenso, tão maior, tão imenso, não condizia com meus poucos anos, um tamanho desproporcional que chocou o mundo, muitos acreditaram em minha morte: enfraqueci, empalideci, não comia, não dormia, não sorria, completamente sem forças, inerte enquanto Monstrinho se agigantava dentro de mim sem noção de tamanho.

Ainda que forte, pensei que não vingaria, eram enormes os obstáculos ao qual enfrentaria antes mesmo de engatinhar, mas Monstrinho vingou e cresceu: pernas tortas, respiração cansada, dificuldades para se movimentar, tonto, não falava, não sorria, pouca visão, babava, esperneava, gritava, Monstrinho rastejava, era trabalhoso cuida-lo, sempre sujo, indomável, desorientado, apanhou muito, ninguém o respeitava, não tinham por ele compaixão, era bobo, inocente e a crueldade a sua volta tremenda.

Monstrinho era desobediente, ainda assim quando retornava para casa era cuidado, banhava-o com muita paciência e carinho, o alimentava com música, poesia, novas visões, ensinei Monstrinho a ler e escrever, a desenhar, pois ainda que soubesse falar não o fazia, não conheci sua voz até os onze anos, quando a porta de casa encarou meus olhos, ergueu a cabeça e para meu espanto disse que estava indo embora, foi assombroso ver Monstrinho partir; Esperei tanto tempo para ouvir sua voz vociferar um adeus.

Não o esqueci completamente, mas precisei seguir adiante, minha criação era livre, Monstrinho precisava partir para experimentar, sonhar, crescer, sua lembrança vestia-se de várias formas: saudade, preocupação, cuidado, oração, tristeza, alegria, lagrimas, fiquei anos sem estar com Monstrinho, sem vê-lo, toca-lo, mas mantinha em mim as poucas vezes que ele recebeu meu amor, as poucas chances que tive de o abraçar e beijar, guardei em um azul infinito todos os momentos a seu lado.

Diante de todo o tempo decorrido rebatizei-o dando-lhe um sobrenome: Monstrinho Nunca Mais.

Nenhum telefonema, recado, carta, ninguém sabia dele, parecia existir somente em meus pensamentos e orações, as vezes julguei ter enlouquecido e inventado sua existência. Algumas vezes sentia-o morto dentro de mim, pressentia seu sofrimento longe de meus cuidados, várias manhãs chorei suas lagrimas mesmo sem saber e entender, é loucura mas sentia Monstrinho, gravei o som de seu adeus, mas ouvia seus gritos, chamava por mim, porém não sabia como voltar, estava perdido.

Monstrinho voltou após dezesseis anos com a promessa de que viveríamos juntos, felizes, fortes.

Carinhoso, lindo, surpreendente, encantador, larguei tudo para ficar com ele, enfim a chance de ser feliz a seu lado. Ó Deus! Um sonho realizado, um conto de fadas, que história fantástica essa nossa Monstrinho! Entreguei-me de olhos fechados, senti seu amor, seus olhos me enxergavam, queriam a mim, desejava estar comigo para sermos enfim nós; mas Monstrinho estava doente, muito doente, fraco, cuidei-o com todas as minhas forças e amor, mas não foi suficiente; parou de andar, falar, comer, revoltou-se muitas vezes, indócil, triste, doente, muito doente, febril, agressivo, sangrei novamente, Monstrinho consumiu todas as minhas forças, mas dessa vez tive muito medo e então me afastei, precisei tranca-lo com meu medo em lugar muito escuro e frio e isso também quase me fez morrer novamente, ainda que ele não entenda ou jamais acredite. Monstrinho precisava curar-se, mas ninguém poderia sangrar por ele, ou junto a ele.

Um dia volto a falar sobre essa história, por enquanto não sei o que irá acontecer, tão pouco consigo imaginar, o que sei é que Monstrinho merece ser feliz, muito feliz, sobre muita luz, proteção e verdade. Monstrinho é bom, lindo, apaixonante, romântico, parte de mim, cheio de fé e otimismo e esperança, e festa e música e dança e vida e sonhos, por isso quando completamente curado saberá exatamente que direção seguir…

D.S.L

MONSTRINHO

*foto: desenho feito por Monstrinho aos 7 anos

 

 

 

A caixinha branca

 

Ouvi uma música nova essa semana, domingo início de noite para ser mais exata, a letra é a nossa cara, e a melodia o nosso embalo, então pensei em te enviar na mesma hora, por mensagem, sei lá, pensamento, sinal de fumaça, serenata…

Passei por uma vitrine outro dia e te imaginei no lugar do manequim, sua cor preferida combinou muito bem com o sorriso imaginário de um momento irreal em que saíamos para jantar e comemorar a gente

Chove e faz frio desde segunda feira, é primavera, mas o tempo está louco e desajustado feito a nossa história, a primavera está escondendo a sua beleza e harmonia como fez o nosso amor.

A noite em casa, quando a campainha tocou, corri, sorri, ajeitei o cabelo, esqueci que pedi comida, lembrei que não era você

Cortei o dedo em um pedaço de vidro quebrado na cozinha, e enquanto o sangue não estancava lembrei de todas as vezes em que ao tentar colar os seus pedaços eu sangrei. Sangrei para aprender que amor não cura sozinho, não é super-herói para salvar alguém, tão pouco merece viver de lagrimas no passado, amor não faz milagre, não substitui espiritualidade, terapia, escola, trabalho, o amor nos ensina muito, mas não substitui nada, é uma dadiva que desconhece a autossuficiência, ele tem o seu lugar majestoso, iluminado, merece respeito, aconchego, valor, carinho, merece olhares tontos, bobos, e apaixonados, merece ser abraço sonolento durante a madrugada onde a saudade de horas me desperta concorrendo com o relógio só para ter você antes dos primeiros raios de sol, só pra ter você antes do café, do transito, do trabalho, só pra ter você

As vezes fecho os olhos bem forte para te lembrar, nunca precisei abri-los enquanto te beijava, abraçava, ou fazia amor, pois sentia exatamente o que estava tocando, conheço todos os caminhos e o destino à minha frente era único: o amor, você

Fui apresentada rapidamente a sua nova criatura: inteira, refeita, ciente e consciente, é um sonho antigo te ver feliz, livre de cegueiras, amarras, passado. Quem sabe essa pessoa sem pedaços me convide para jantar uma noite qualquer, com o desejo verdadeiro de se apresentar para alguém que aprendeu a não sangrar pelo outro, e a nossa história venha de fato a vencer o tempo para enfim realizar seu único propósito: ser bonita, plena, ser amor em um presente que conjugue o infinito.

D.S.L

 

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