Você venceu!

Nunca foi fácil, mas esse ano… (cada um complete de acordo com os próprios sentimentos). Aquela corda bamba quase arrebentou, a lagrima que tentamos segurar por fortaleza rompeu os olhos, o inimaginável sacudiu a realidade muitas vezes de forma negativa.

Neste mesmo dia a um ano atrás convidava 2015 para ser lindo, o melhor de todos os anos, mas ele não compareceu a essa festa, não aceitou o convite, ou talvez, não tenha encontrado o endereço, quem sabe seu atraso termine após 365 dias, torço para que ele venha, encontre o caminho do tempo, pois novamente vou convida-lo a ser lindo, a ser o melhor de todos os anos, e se ele vier dessa vez com toda certeza tentara compensar essa espera com um ano iluminado, sem limites para momentos felizes, boas noticias, realização de velhos sonhos e “um tanto” sem tamanho de sonhos novos.

Pode parecer bobo acreditar em novos dias, mas que seja, o importante é ter no que acreditar, triste é não se apegar a essa ideia de dias melhores, decepção é não ter o que comemorar nunca, é estar sempre fadado a enxergar o lado ruim de tudo, deixa chover através dessa nuvem cinza sobre você, pois só assim o sol vira, descarregue-se, chore se for necessário, lave seus olhos: a vida é linda!

Hoje quero falar pra você que chegou aqui após tantas lutas, obstáculos e ainda assim amanheceu com o peito cheio de esperança, com os olhos iluminados e sentindo cheiro de felicidade, paz e amor no ar: você venceu!

Essa foi a maior vitoria de 2015: manter viva a esperança.

Luz, sucesso, paz, harmonia, saúde, alegria, felicidade, prosperidade, beleza, boas surpresas, otimismo, amor, vida, amor, paz, vida, vida, PAZ!

Deus Seja Louvado.

Rita deixa eu te levar pra casa?

Sabe Rita… Queria te levar pra casa, não sei, mas toda vez que te vejo pelas ruas o temor de algo lhe acontecer abala meus sentidos. Vem comigo Rita, vamos pra casa, deixemos as convenções: ainda que os laços de sangue não nos una, os laços de nossos abraços e olhares nos movimenta, nos preenche nesse enlace que nasceu assim, ao acaso, se é que ele existe.

Posso sentar aqui do seu lado Rita? Deixa saber o que aconteceu com você: desistiu ou se libertou? Quem te causou mal? O que você vê e sabe da vida é muito mais, é alem da compreensão de qualquer físico quântico fodastico e chato. Mesmo sem saber muito sobre você peço a Deus para te cuidar, em oração quando te penso nunca vejo trevas, mas luz, uma luz tão doce e bonita. É isso Rita, você veio nos ensinar alguma coisa, mas olha o preço que você paga por isso… Não Rita, não pode ser ensinamento de nada, não quero aprender nada dessa forma.

Lembro dos seus olhos assustados e carentes me pedindo um abraço, fui tão privilegiada por ter sido escolhida em meio a tantas pessoas para te abraçar. Você é tão melhor do que tanta gente que passeia de terno e gravata, tão mais humana, tão mais limpa do que quem toma banho todos os dias, você é digna Rita, outro dia passou por mim toda orgulhosa levando um balde cheio de macarrão instantâneo que alguém cozinhou pra você, era sua janta, e você me chamou pra jantar, você sabe dividir Rita!

Ah como eu queria te levar pra casa, te dar o que vestir, tirar de você esse anestésico que sempre lhe mantém fora da realidade, o que houve com a sua realidade pra você escolher fugir dela quase todo o tempo Rita? Conta! Quem sabe tem jeito, quem sabe você não muda de vida, queria te dar uma casa, um sofá e uma varanda com rede, queria te dar mais que um abraço, ou roupas, ou algum trocado, ou comida, queria que todo mundo te olhasse sem nojo, sem te achar uma indigna, uma mendiga qualquer, você não é qualquer uma, você é a Rita.

Tem musica com seu nome sabia? E musica das boas… Acho que tem poema também, mas se não tiver não tem problema faço um pra você, sou uma pobre pecadora, cheia de defeitos e contradições demais Rita, mas Deus sabe o quanto queria te levar pra casa.

É Natal Rita, você não quer brincar de família comigo? Talvez você nem ligue para essas coisas, mas não quero acreditar que você desistiu, que não quer ter uma cama limpa e cheirosa, não quero acreditar nisso, porque você é muito gente  para ser o tipo de pessoa que desisti, que perde a luta e entrega os pontos.

Que Deus te de sonhos Rita, pois só Ele pode te levantar, ainda que você não queira, só Ele tem essa força motriz que nos impulsiona a viver mais um dia, sem arregar para a realidade que é sempre tão difícil, hostil, cruel. É a Esse mesmo Deus que peço para proteger a você e seus cachorros, a Esse mesmo Deus suplico condições de te ajudar sempre, ainda que você só queira de mim um abraço.

D.S.L

Hoje o luto é de palavras bonitas.

É golpe! Não é golpe! É pedalada fiscal, mas o esporte não é ciclismo, é MMA contra uma nação inteira. Tem aeroporto no quintal do tio, do alto é melhor “cagar”, (pode falar cagar? Não é chulo? Defecar é mais politicamente correto? Vão me censurar nas redes sociais?) na cabeça desses bestas, tem que ter aeroporto particular afinal o povo estava conseguindo passear de avião e isso não é coisa pra pobre, se continuar assim eles vão ser elite, e nos seremos o que? Não tem conta com milhões na Suiça, é só uma poupança familiar, um dinheirinho, quem é que não tem? A saúde não tem, a educação não tem, a segurança não tem, é dinheiro do povo seu sínico!
Bandido fora do congresso esta com medo de assaltar político e ser roubado.
Não é recessão é só uma marolinha, os filhos enriqueceram com o suor do trabalho, juro pelos dedos que tenho na mão, opa, mas já falta um! Tudo certo então. A classe artística não esta de boca calada em troca das faraônicas leis de incentivo que transbordam suas contas, é apenas uma performance de como aumentar esse lixo cultural, esse lixo de gente, esse escárnio com um pais inteiro.
Ladrões! Ratos! Nojentos!
E agora quem poderá nos salvar? Não tem o Chapolin Colorado, serve o Tiririca?
O que diria Cazuza depois de a tua piscina esta cheia de ratos? O que diria Renato Russo, depois de que pais é esse? E o Raul? Eu não sou besta pra tirar onda de herói? Eu estou sendo besta Raul? Não sou herói Raul… Meu herói morreu na cruz, desde sempre o povo prefere o bandido, não sabe votar: crucifica o barbudo, cabeludo, que prega amor, desapego e paz, crucifica Ele, Ele não quer comercio nos templos, Ele não quer terno de grife, Ele não tem motorista, Ele não quer sapato, Ele quer que amemos o próximo! Isso não pode! Como amar o próximo se o meu umbigo é mais bonito?
Cadê a bancada evangélica? Roubar o pais inteiro pode, ser gay é que o problema máster monstruoso do Brasil.
Vai ter recesso no congresso, então melhor deixar para depois do carnaval, depois do carnaval vai, vai dar tudo certo no final, Deus é brasileiro…
É golpe, sou inocente, é tudo coisa de coxinha! E o clássico: eu não sabia de nada.
E cadê o pessoal dos vinte centavos? Cadê o gigante que acordou? Compraram um castelo no azul pra ele? Tem jeito de chamar João para plantar feijão, subir aos céus e ir acorda-lo?
E essas palavras? Resolvem o que? Vão aonde? E esse texto? Vai falar de coisa bonita hoje não? Vai falar de sonho não, de amor, de musica, de pássaros e primavera? Vai falar dessa sujeira pra que? Já tem gente demais falando desse deboche, e no mais você também defendeu ela, comprou esse discurso furado de social, e de melhora de vida dos mais necessitados, você comprou, você acreditou, você é uma boba!
Vai falar de esperança! Vai vestir a tua camisa de poesia e tentar enxergar o mundo mais bonito, vai menina, porque é esse o teu caminho e não essa sujeira.
Hoje não dá! O nó na garganta supurou. A tristeza frente a todo esse descaso escurece a beleza dos olhos, emudece a poesia, hoje não dá, hoje não pode.
Hoje o luto é de palavras bonitas!
Hoje não dá!
D.S.L

O silencio

Relutei em escrever sobre o caos em que vivem e são recebidos os refugiados de todo mundo.

Não quis falar sobre política, governo, e toda essa situação de deboche que nos apresenta nossos governantes.

Não reagi em redes sociais sobre a catástrofe na cidade mineira de Mariana, não compartilhei fotografias do mar de lama que tomou conta do oceano, invadindo as águas do Espírito Santo.

Fiquei em silencio diante dos atentados a Paris.

Estou em silencio a muito tempo, pois todas essas situações não podem ser traduzidas, não há opinião a ser dada, não existe   outro sentimento diferente de tristeza.

Tristeza, com todas as letras, sons, significados e sentimento.

Destino, catástrofe, acidente, atentado, erro, não, é bem mais que isso, é o mal mostrando sua face carniceira e sarcástica, é o mal rindo de todos nos, gargalhando da miséria, do descaso, é como se uma mão visível, entrevada, seca e fria, estivesse aniquilando o mundo e transformando a terra em um lugar cada vez mais sombrio, com cenas de barbárie e desespero cada vez mais próximas.

Estamos todos sozinhos, abandonados a própria sorte, e o silencio me devassa, assim como um temporal, que ao invés de arruinar paredes e moveis, desconstrói  a alma.

Escrever o que caros senhores? Aonde mais podemos encontrar palavras de esperança, otimismo, como pensar na beleza da vida diante de tamanha desolação, como falar de beleza, de poesia, como ter graça? Eis minha inquietação, eis minha ruína, tudo que vejo esta cinza, tudo que sinto esta triste.

Nobres senhores o ser humano perdeu o sentido, e a vida o rumo, somos todos culpados. Vamos todos naufragar, todos nós: corruptos, infiéis, invejosos, desumanos, alienados, egoístas, vamos todos morrer diante dos incalculáveis questionamentos e opiniões fuleiras e sem sentido que enfeitam as redes sociais. Dispensamos as portas dos banheiros para que o mundo conheça nosso lixo de pensamento, nossa pobreza de alma, pois na verdade estamos todos preocupados apenas com o próprio umbigo, o lixo esta apodrecendo tão fetidamente que em breve ira nos tirar o ar, nos levando a insanidade.

Estou em silencio, acreditando como sempre no impossível, tentando emanar bons fluidos e sentimentos de luz diante do caos, através da oração, sim senhores, em silencio tenho orado não contra alguém, ou governo, ou estado mas sim a favor do bem e da transformação que depende de todos nos.

D.S.L

As ultimas jogadas

Novembro é como aquele jogador que entra em campo aos trinta minutos do segundo tempo para tentar ganhar o jogo, marcando gols, estruturando jogadas, tentando a todo custo mudar o placar, transformando o empate em um a zero que seja, ou revertendo a perda.

Senhor novembro as expectativas são grandes, nãos nos decepcione.

Dois mil e quinze, e o ano do tudo é possível.

Triste constatar que a maioria dos acontecimentos possíveis nos trouxe somente dor, desesperança, decepção, não foi um bom ano, fato inegável para qualquer um no planeta, outro dia li na coluna da Tati Bernardi que ninguém poderá ser feliz esse ano após a morte do menino Sírio afogado na Turquia tentando fugir da guerra com sua família, ninguém neste universo pode ser feliz em um ano que sentimos uma imagem tão aterrorizante.

Somos todos culpados, e nossa culpa não tem fim. São inúmeras atrocidades que lemos silenciosamente todos os dias, agregando a garganta mais um nó, ao rosto mais uma lágrima, e ao coração mais uma cicatriz, nos comovemos muito, comentamos, brigamos nas redes sociais, mas ninguém quer de fato ir a luta, continuamos acreditando nas mudanças naturais, mas a verdade é que parecemos ter iniciado um processo de auto destruição não só da natureza, mas de nossa própria espécie.

Nada fazemos! Nada muda e o desrespeito pelo humano permanece. O povo brasileiro vem sendo mutilado na alma por seus governantes, somos abatidos como animais, e o jogo político não para: seja por dinheiro, ou poder, não importa: nossos governantes, todos eles jogam no time que apenas ganha, pois o perdedor já esta comprado por falsas promessas, falsos projetos, todos os nossos governos, leia-se desde o Brasil Império nos domesticou tão bem que acreditamos nas mudanças que uma hora ou outra sempre caem por terra, tal como um castelo de areia. Recebemos as sobras, as migalhas dos roubos faraônicos, o um por cento, enquanto vemos tudo acabar: água, saúde, educação, segurança, paz.

Um amigo sempre diz: o Brasil tem tudo para dar errado e da certo. Por quê? Porque acreditamos nessa gente fora do congresso: feliz, talentosa, solidária, acolhedora, humana, trabalhadora, é por essa gente que o sol nasce, e a chuva ainda abençoa a terra, é por essa gente que Deus age.

É por essa gente senhor novembro que  deves cumprir a missão de fazer justiça, e de fazer bem mais: devolver a esperança perdida, a fé abalada, o sonho adiado, ainda temos tempo de salvar o ano.

Clamo por um ato que seja de coragem, sei que não conseguiremos modificar tudo de uma só vez, mas encerre dois e mil e quinze com algo tão magnífico que seja capaz de nos fazer sorrir e dizer: valeu a pena, ou simplesmente seguir acreditando que o ano seguinte será de mudanças efetivas, não apenas no Brasil, mas em toda a humanidade, pois tudo depende de pessoas e é nisso que precisamos todos melhorar.

D.S.L

Antes que o ano termine

Ainda que não exista tanto o que comemorar, ainda que não tenhamos tanto tempo. O tempo não é de boas novas (ainda), antes que o ano termine que as tardes chuvosas de primavera nos presenteei com noites enluaradas e frescas, que haja tempo para deitar na rede e esquecer do dia, da vida, da lida.

Que as janelas estejam abertas para escutar a chuva.

Antes que o dia termine e que outro dia amanheça a sabedoria de cantar pelo sol e sorrir para as nuvens em uma espécie de agradecimento silencioso do qual somente um olhar é capaz.

Antes que o tempo se acabe, antes da meia noite, da virada que os pés estejam repostos e satisfeitos com o caminho que se pode trilhar, que sejam curados os passos mal dados, perdoados os espinhos plantados, que voltemos a respeitar o tempo de olhar a si próprio, de olhar para o outro.

Antes que o ano termine que a paz nos visite o coração, que o sorriso nos preencha o vazio dos olhos , e novos ventos façam velejar os barquinhos de papeis de todas as crianças, que as pipas possam ter mais espaço no céu, que deixem a salvo ruas sem saída, sem carros, para que chinelos se transformem em traves de um grande estádio, e o copo de água gelada após a vitoria seja a taça do vencedor do maior campeonato do mundo, que nenhuma criança precise temer uma infância invadida, violentada, roubada, escravizada, que nenhuma criança pereça por falta de amor.

Sejamos mais coloridos, tenhamos mais alivio no peito, antes que o ano termine uma coleção de fotos que relembre ainda que com dificuldade que conseguimos sorrir, e vencer tanta tristeza, descaso, incompreensão, antes que o ano termine…

Que tenhamos mais sonhos ao invés de frases feitas, de efeito, que a poesia nos toque, ou melhor, nos transborde, e que a musica nos acalente a alma, nos embale o corpo, nos flutue e nos deixe sonhar.

Ora essa que pecado há no sonho?

Antes que o ano termine, permita-se driblar todas essas tristeza, faça a moça na janela soltar uma gargalhada involuntária, que ela saiba o quanto o mundo aprecia sua presença, diga a todos: moças e moços nas janelas de suas pequenas caixas: é permitido sonhar antes que o ano termine.

Antes que termine: banho de chuva, de balde, banho de alegria, felicidade, triunfo, solidariedade, paz, sucesso, antes que termine uma nova amizade, um novo olhar, amor, paixão, sonho, sonho, sonho… Antes que o ano termine.

D.S.L

O segredo

Um dia em uma roda amigos, tarde de sábado, calor, céu azul, cerveja gelada, alguém me perguntou como imaginava meu futuro, o interlocutor dessa pergunta a fez com tanta autoridade, com uma espécie de rio x da alma, como se ele soubesse a resposta por detrás da resposta, pois sempre vamos alem dentro de nos mesmos e ele parecia visualizar claramente este alem, já o citei em outras linhas, estive com ele apenas uma vez, mas sua figura sabia e ao mesmo tempo angelical tem rondado meus pensamentos desde esse encontro e pelo que me conheço rondara a vida inteira.

Esse encontro não foi um caso isolado, houve outros, e creio que sempre haverá. Pessoas que surgem inesperadamente como num passe de mágica, e que deixam pra sempre algo em mim, um sinal, um recado, uma orientação, acho que alguém no céu ainda não se cansou das minhas infinitas perguntas, e vez outra para acalmar um pouco esse pensamento maluco que trabalha descompassado ao coração que pede calma, traduz a fala dos anjos, permitindo que eu entenda e acolha a esperança tal qual alguém que guarda uma pétala seca, para cheirá-la vez ou outra trazendo a memória o perfume das flores que outrora sorriram.

 Como imaginar o futuro em meio a tantas possibilidades, otimista incorrigível acredito que será surpreendentemente feliz, bonito, tão imenso que não cabem em meus sonhos, imagino tantas formas e todas sempre acabam aqui, em frente a uma folha branca, com os olhos brindados de encanto mesmo quando tudo esta empoeirado e o corpo cansado, tão cansado que chora, geme, inquietasse por não saber, por ter apenas vontade de correr e abandonar-se no tempo até descobrir o segredo, mas qual segredo? Da vida? Da loucura? Dos céus? Do amor?

 Abandonar-se no colo de um anjo e adormecer sem mais perguntas, o silencio, a luz, a melodia das águas, a beleza imensurável de quando florescem as orquídeas e assim voar tal qual os pássaros ainda que na chuva.

Conheço bem meu segredo, ainda que dessa vez não tenha idéia alguma do que ele quer de mim, vou segui-lo, esperar o próximo sinal, encontro, olhar, quantas vezes bastou-me o olhar para ele ser descoberto, e dessa vez não será diferente.

Quanto ao futuro… Seja lá como Deus quiser meu amigo, pois Ele o quer cheio de bem, de sonhos, de sorrisos e toda a magnitude da vida, afinal a especialidade dos céus é realizar o impensável e estarrecer os olhos de beleza e imensidão.

D.S.L

O convite esta aceito

Talvez eu esteja delirando tal qual Michelangelo após esculpir Moises, e encantar-se de tal maneira com a beleza de sua escultura a ponto de golpear a estatua com um martelo gritando: porque não falas?

À maioria basta o silencio de não se interrogar, afinal a paz pode morar no esquecimento, na displicência de não precisar saber, para que violar a calmaria procurando a direção do vento, içar as velas e navegar é tudo o que você tem, portanto retire a ancora e vá sem mais intuições, desapegue, finde em seu mundo oceânico onde ali sim tudo é possível, este é um convite para viver a sua loucura, apenas aceite.

O que podes fazer com tua existência tão transparente ao mundo? Tantas vezes invisível, e quando vista nua envergonhada, despreparada, não sabes ser, não é como os outros.

Junte-se aos demais, detendo-se apenas com o que é palpável, junte-se aos outros, navegue querendo chegar, para que se preocupar tanto com o caminho, com quem deixou de embarcar, desprenda-se, deixe de querer abraçar o mundo, carregá-lo, colocá-lo no colo para que se torne um menino mais bondoso, igual e sempre belo, deixe de se perguntar por que ele continua assim mesmo com tantas qualidades para ser melhor, preferindo estampar jornais cinza, com noticias cada vez mais sangrentas, desoladoras, inacreditáveis, o mal vem sendo a face que ele escolheu, faça como os outros aliene-se, não sofra, não pense.

Estes sonhos, esta angustia que tem flertado com o desespero ainda ira consumir-te, é de certo o que ira te matar.

A vida é o que é! Todos parecem viver em silencio, e em mim ecoam milhares de gritos, inúmeras palavras, então será que sou apenas isso: inúmeras palavras? Repetidas, inquietantes, aceleradas, rabiscadas, sempre inacabadas, são elas que se inquietam em busca do que jamais poderás decifrar: como pode um coração desejar o mal de maneira tão gratuita e natural? A psicopatia humana tem alcançado níveis altíssimos, caso Deus tenha pensado em acabar com tudo, creio que não terá muito trabalho, afinal escolhemos destruir, amontoando dinheiro, explorando o escárnio, cultuando uma beleza passageira e fétida, cada vez mais rasos, egocêntricos e distantes, olhando pacificamente a extinção da raça mais desumana que a historia já assistiu.

Em meio a tantas coisas boas e belas, escolhemos a lama, a desesperança, o sofrimento do outro, é preciso hastear a bandeira branca, mas a quem fora dado esse dever esta ocupado demais vivendo a vida em prol do próprio umbigo, repousando tranquilamente sobre suas convicções que só favorece a seus interesses, a paz jamais será possível enquanto for ofertada a poucos, estamos criando monstros, o mundo esta doente de alma, quem dera fosse essa uma realidade inventada, ou quem sabe um pesadelo do qual um dia todos nos iremos acordar.

O barco o qual navego suporta todas as tempestades, pois a fé e a esperança são a razão dos ventos de minha vida, findo em meu mundo oceânico: o convite esta aceito.

D.S.L

Sobre balões perdidos

Ainda gosto de sorvete, ontem sorri ao céu quando o vi novamente cheio de estrelas, afinal foram quase dez dias de chuva, hoje as nuvens brancas enfeitam nossas cabeças, o azul celeste resplandece por sobre as arvores, gosto dessa visão que mescla verde com azul, os pássaros estão felizes, a vida precisa de sol, luz… Dias nublados tem lá seu romantismo, e sua beleza, mas a alegria combina com as cores vivas que só um dia ensolarado pode trazer. É setembro, é mês de primavera, e não: não me canso de dizer e pensar isso.

É o mês mais bonito do ano.

Continuo sem entender uma porção de coisas: calculadora científica, egoísmo, ingratidão, uniões por interesse, o mal, a inveja, dias sem sorrisos, a morte, continuo sem entender a vida, ao passo que é tão bela, é tão sem sentido, não a lógica pra nada, parece não ocorrer acasos e mesmo assim não acredito que tudo possa ter sido previamente escrito, será mesmo que precisa ser assim?

Fico tímida quando preciso falar, principalmente quando preciso falar de mim, gosto de abraços, eterna apaixonada pelo por do sol, vez ou outra ainda sento sozinha no fim de tarde de frente pra ele de olhos fechados, e a luz parece invadir minhas pálpebras, e ao invés do breu enxergo uma cor laranjada gosto da sensação e fico por horas, uma espécie de transe, ao passo que meus olhos são aquecidos o por do sol em minha imaginação é ainda mais bonito, pois meus pensamentos me transportam pra um lugar que só a saudade pode nos levar: as lembranças.

Sinto saudades de muita gente, gente que convivi por anos e que os rumos da vida levaram pra longe, gente que encontrei durante horas num dia qualquer, uma amiga de infância em especial, Aline, morava no prédio em frente a minha casa, quando foi embora chorei por dias, ela me deixou um urso de pelúcia o qual o tempo também levou. Sinto saudades de uma tarde, era verão minha irmã e eu de bicicleta na calçada, tinha em torno de oito anos, mas o que torna rara essa lembrança é que meus pais estavam em casa preparando o café da tarde, juntos e felizes.

Deve haver um espaço no céu de balões perdidos, deve ser lá também que os meninos e meninas que partem precocemente brincam, soubesse disso outrora não teria passado tantas horas tristes.

Sinto a mesma euforia de menina quando vejo o mar. Ainda sou chorona, talvez mais do que quando criança, na tenra idade tinha a sorte de não saber, de correr para casa ao mínimo de perigo e adormecer esquecida no ventre de minha mãe, a diferença nos dias de hoje é que o choro é silencioso, escondido, cruelmente entoado de um conhecimento exato da dor, sem dramas ou manhas, nem inocências.

D.S.L

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O sussurro

Onde estão os dias azuis, com direito, ou melhor, dever de por do sol de frente pro mar.

A companhia que entende “um não”, “talvez”, “não sei”, e que mesmo diante de qualquer vacilo, não titubeei em permanecer com os sentimentos intactos, afinal de contas onde esta o amor que não sufoca, nem obriga, ou que por tão pouco desencanta.

Ninguém pode ter o outro como um relógio de pulso, o qual se acerta, encaixando-se ao tempo que se pensa controlar.

 É real a capacidade de amar sem se fazer entender? Sem cobranças, de maneira suave, um toque na pele ao invés de um puxão de orelhas.

Esconder-se no bem querer de um abraço, permanecer ali parado, em silencio, sem interesse, cobiça ou qualquer outro arranjo tão destoante das cores que um dia se fez pintar na imensidão de um encontro.

É possível viver em paz com o mundo inteiro? Quem calara os fantasmas dentro de mim? Quando louca desabafo com eles.

Quando a realidade mostra-se nua, quando a vontade de desistir ameaça o sonho, quando todo mundo lamenta suas ilusões com frases ocultas, um nevoeiro cresce espalhando dor, desesperança, medo, embotando seus olhos areia fétida e sangrenta, não à escapatória, não para você, pois a fé te faz cerrar os olhos e mesmo que a areia chicotei seu corpo talhando sua carne profundamente o sonho persiste porque a fé não morre.

Esta é a resposta para todas as perguntas, duvidas, e descrenças: a fé não morre! Escapa soberana, triunfante, é tão magnânima que nos faz acreditar que a vida não termina na morte, sangrada seja a alma do homem que aceita sua cruz, sagrado seja o momento de seus joelhos esfolados que clamam, que choram, gritando a quem quiser ouvir: a fé não morre.

Onde esta o tempo em que o sorriso da vida será farto? O riso imaginado, tratado em promessa, selado pela cera da vela, testemunha sobre a luz que matou a escuridão, a chama da fé, o berro da Santa em proteção.

A exaustão dos dias desperdiçados com poeira e insônia, o cansaço do corpo, a dor na alma, a duvida, o rubor de tropeçar, não conseguir, não saber. A inquietação, a lagrima que começa na garganta, o grito entalado nos olhos.

Após o tormento a voz que sussurra sem cessar: o sonho, o sonho, o sonho, o qual a fé não deixa morrer… O sonho, o seu sonho, a sua vida, que te faz uma vez mais ter o coração batendo forte como se estivesse na palma de sua mão, que acelera os pulmões, te entontece. O sonho e a fé que não te permitem desistir: viva enquanto é tempo!

D.S.L