O convite esta aceito

Talvez eu esteja delirando tal qual Michelangelo após esculpir Moises, e encantar-se de tal maneira com a beleza de sua escultura a ponto de golpear a estatua com um martelo gritando: porque não falas?

À maioria basta o silencio de não se interrogar, afinal a paz pode morar no esquecimento, na displicência de não precisar saber, para que violar a calmaria procurando a direção do vento, içar as velas e navegar é tudo o que você tem, portanto retire a ancora e vá sem mais intuições, desapegue, finde em seu mundo oceânico onde ali sim tudo é possível, este é um convite para viver a sua loucura, apenas aceite.

O que podes fazer com tua existência tão transparente ao mundo? Tantas vezes invisível, e quando vista nua envergonhada, despreparada, não sabes ser, não é como os outros.

Junte-se aos demais, detendo-se apenas com o que é palpável, junte-se aos outros, navegue querendo chegar, para que se preocupar tanto com o caminho, com quem deixou de embarcar, desprenda-se, deixe de querer abraçar o mundo, carregá-lo, colocá-lo no colo para que se torne um menino mais bondoso, igual e sempre belo, deixe de se perguntar por que ele continua assim mesmo com tantas qualidades para ser melhor, preferindo estampar jornais cinza, com noticias cada vez mais sangrentas, desoladoras, inacreditáveis, o mal vem sendo a face que ele escolheu, faça como os outros aliene-se, não sofra, não pense.

Estes sonhos, esta angustia que tem flertado com o desespero ainda ira consumir-te, é de certo o que ira te matar.

A vida é o que é! Todos parecem viver em silencio, e em mim ecoam milhares de gritos, inúmeras palavras, então será que sou apenas isso: inúmeras palavras? Repetidas, inquietantes, aceleradas, rabiscadas, sempre inacabadas, são elas que se inquietam em busca do que jamais poderás decifrar: como pode um coração desejar o mal de maneira tão gratuita e natural? A psicopatia humana tem alcançado níveis altíssimos, caso Deus tenha pensado em acabar com tudo, creio que não terá muito trabalho, afinal escolhemos destruir, amontoando dinheiro, explorando o escárnio, cultuando uma beleza passageira e fétida, cada vez mais rasos, egocêntricos e distantes, olhando pacificamente a extinção da raça mais desumana que a historia já assistiu.

Em meio a tantas coisas boas e belas, escolhemos a lama, a desesperança, o sofrimento do outro, é preciso hastear a bandeira branca, mas a quem fora dado esse dever esta ocupado demais vivendo a vida em prol do próprio umbigo, repousando tranquilamente sobre suas convicções que só favorece a seus interesses, a paz jamais será possível enquanto for ofertada a poucos, estamos criando monstros, o mundo esta doente de alma, quem dera fosse essa uma realidade inventada, ou quem sabe um pesadelo do qual um dia todos nos iremos acordar.

O barco o qual navego suporta todas as tempestades, pois a fé e a esperança são a razão dos ventos de minha vida, findo em meu mundo oceânico: o convite esta aceito.

D.S.L