Alguma poesia…

* Aos plebeus, nobres e princesas

Eu que sempre fui vista como princesa, me vejo render sempre aos plebeus.
Eu que sempre não tive meio termo, decreto em mim, enfim, que a vida me leve, livre.
De princesa destituída de qualquer outro trono que não seja o sonho, encontro-me vezes perdida ao tentar desvendar meus próprios segredos.
Visto-me de princesa, diva para muitos e tão relis diante do espelho.
Face, rosto, boca, naris, dorso, quando tudo o que sou é colo o tempo inteiro.
Que o mundo pare, que a vida me espere, que o sonho nunca acabe.
Que eu valse, valse, valse, nesta ciranda louca, neste carrossel sem rumo, para no fim, no fundo, eu também possa ver a mim ornamentada de princesa.
D.S.L

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Vestirei asas

O tempo e tudo mais andou seco, perdendo a vida, o tom, uma luz fosca pairou no céu esbranquiçado pela poeira, o dia já não tinha cheiro, as tardes perderam a cor encantadora do por do sol; era possível ouvir de longe os clamores para que uma providencia claro que divina fosse tomada, olhava-se para o céu como se com a força do olhar fosse possível se fazer entender, se fazer um milagre, ou simplesmente o derramar de lagrimas deste olhar cedento por misericórdia fosse capaz de fazer também o céu lacrimejar apenas .
Naquela tarde, caminhando, senti o mundo parar e silenciar por inteiro, talvez fosse apenas meu interior, por alguns poucos segundos, ou melhor, milésimos deles, pude ouvir o som de meus passos, que pareceram me perguntar, como se fossem obedecer uma ordem, aonde meu coração queria chegar.
O som de meus passos silenciaram-se com o pulsar acelerado de meu coração tão cansado, senti medo de chorar e não conseguir parar até chegar na manha a qual espero não acordar sozinha seja enxergada por mim com os olhos abertos.
São muitos os sorrisos a brincarem comigo, são muitas as palavras que minha voz ressecada pelo tempo ainda querem gritar, tenho medo de não saber o que falar, tenho medo de não encontrar mais espaços para escrever, tempo para pensar, vida para realizar-te em mim, sendo tudo inefável em nós; calo-me por me perceber só, sendo desnecessário explicar que não se deve viver sonhos, apenas em um sono que se desfaz no travesseiro.
Loucos pensamentos que em mim perderam o medo de não fazerem sentido.
Loucos passos.
Temidos os sons sejam do caminho ou do coração, na verdade não sei mais em qual dos dois acreditar, se em meus pés que tocam o chão, se em meu coração que não se cansa de bater, mesmo que em vão, por um sorriso distante, por um abraço que nunca chega, por alguém que ainda não se sabe, por um olhar que brilha tímido, e que sem perceber me procura.
Vi a chuva cair sobre teus olhos, o tempo seco se afastar, para então molhar a terra seca e cansada de meu coração, e novamente fazer brotar rosas que adornaram nosso jardim.
Inquieta-me o espírito, o choro por tudo, o qual faz em mim gritos por um nome que a primavera escrevera no céu com o cheiro das flores breves que irão brotar em terra por mim desconhecida; não sei em qual rua irei te achar.
Sei apenas que te busco.
Tão simples como o surgimento de uma estrela no céu, é o encontro de duas pessoas aqui na terra, não no nosso caso, não podia ser fácil, não pode ser ao leu, sem porque, sem fazer sentido, precisa ser forte, pois será pra sempre, precisa ser difícil, pois desde o começo precisaremos saber lutar, para então saber também repousar sobre o colo transbordante de afeto que se fará em nós.
Quando minha cabeça esvaziar-se de pensamentos numa entrega pura diante da ciência do teu amor; precisa ser mágico, pois só este sentimento nos arrancara da alma todos os pesares passados, todos os outros pecados cometidos antes por uma fé que cansada de esperar quase abriu mão de crer.
O novo, o puro, o verdadeiro, trará ao sorriso amarelado nas fotografias do passado, envelhecidas pelo tempo, um novo jeito de sorrir, antes nunca visto em mim, devendo o teu sorriso nesta nova fotografia ser a partitura de todo esse caminho que nossos passos juntos irão sonorizar.
O tempo neste momento parece atropelar o presente para que o futuro não se demore mais, até mesmo o tempo já compreendeu que precisa se apressar para calar de uma vez por todas esse pranto chorado tantas vezes dentro de mim; por ainda não ter a ti.
Vestirei asas para alçar vôo e enfim encontrar você, com a força do vento, com a fé nas palavras proferidas a lua, vestirei asas para abraçar-te, alcançar o céu e voar a teu lado sobre todo o universo, para toda eternidade. Infinitamente.
Vestirei asas.
D.S.L

“O movimento” – mgmgel.blogspot.com

Comentei com uma amiga á qual muito tenho respeito e consideração que estava fazendo parte do GEL, prontamente ela me perguntou o que era, e então me pareceu surpresa quando lhe disse que se tratava do Grupo de Encontros Lésbicos aqui de Juiz de Fora, deixando clara sua posição quanto a qualquer tipo de “movimento”, disse-me frases como: isso serve para “pessoas que querem aparecer”, eleitoreiros querendo “angariar votos”, e a ainda gente que não se sentem parte de coisa alguma e por isso resolve fazer parte de qualquer coisa, muito bla, bla, bla, muito oba, oba; resumindo ela me disse para sair fora, pois sacudir bandeira não leva a lugar algum.
Concordo com ela em tudo, pois foram muitas as vezes que vi grupos assim começarem e não vingarem após o começo. Muitas idéias, muita gente bonita, muita garra, muita esperança, muitas palavras, e palavras, e mais palavras, e por serem tantas as palavras elas morreram em um papel triste e amarelado pelo tempo, pois palavras que não são vividas morrem com todos os sonhos que elas representam.
Mesmo um tanto cabreira e porque não dizer desmotivada por tão grandes palavras generalistas de minha amiga, fui ao primeiro encontro desse grupo, e como quem comemora um gol do time de seu pais em copa do mundo, deixei a reunião acreditando em palavras de mudança, esperança, direitos, deveres, força, respeito, dignidade, diversidade e cidadania.
Mudança, vem de movimento, não mudaremos o mundo, mas percebi que o principal objetivo desse grupo é angariar pessoas para que elas não se percam por darem ouvidos a uma sociedade que teima em nos dizer que somos diferentes. Não, definitivamente não somos nada diferentes, trabalhamos, estudamos, ficamos tristes, felizes, somos traídos por quem amamos, somos pessoas em nada especiais por amar alguém do mesmo sexo, não queremos ser diferentes, não precisávamos ter que nos reunir para discutir coisas tão obvias, mas não temos mais escolhas para podermos ser libertamente felizes.
Esperança de que iremos conseguir.
Direitos, de qualquer cidadão comum, que paga impostos e conseqüentemente contribui para a mesma sociedade que não se assume preconceituosa por querer parecer menos feia, enquanto nós nus assumimos por nos reconhecermos como pessoas bonitas.
Dever, de lutar, de se fazer respeitar, tendo como principio o respeito a si próprio.
Força, para gritar mais alto do que o pensamento daqueles que não acreditam, e que com falta de razão se vêem no direito de desmotivar a quem tem fé.
Respeito, e nem mais uma palavra.
Dignidade, o mesmo que dizer: não se sinta menos, não abaixe a cabeça. Siga, mesmo que o caminho que se acredita ser o melhor e o mais feliz, seja também o mais difícil.
Diversidade, não seremos somente o GEL, pois somos semente, filhas de algo bem maior o qual muito nos orgulhamos, somos crias do MGM, e queremos voz também para todas as outras letras da sigla a qual fazemos parte, e que aguardam por vozes que as queiram defender.
Cidadania, não combina com homofobia, não rima com violência, não caminha com falta de respeito, cidadania nos remete unicamente a acreditar que podemos sim agregar voz ao grito da humanidade por paz, amor, e fundamentalmente respeito ao outro, seja esse outro quem for.
Esse é o movimento, portanto lhes apresento com orgulho o nosso MGM/GEL.
Sejam todos bem vindos.
D.S.L

Mais informações: http://mgmgel.blogspot.com/

Incondicional.

Abro os braços e meu coração assim se abre para receber todo este sentimento que tenho por eles, no momento de nosso abraço o mundo e todas as suas maldades, impurezas, invejas e tantos outros sentimentos pequenos; falo deste mundo feio de noticiários, lagrimas, e gente ruim que deixa de existir.
Não importa se triste, não importa se alegre, não importa se rico ou pobre, doente ou saudável, se perto ou distante, não importa se vivo ou morto, hoje neste momento eu quero falar de amizade, mas claramente da palavra amigo, do sentimento, do ser amigo, quero falar intensamente dos que me são tão amados.
Abro o dicionário em busca de uma definição, encontro então nove ou oito palavras, procuro em um site de busca: me deparo com vídeos, imagens, musicas, poesias, e mais definições, porem nenhuma delas traduzem a mim o verdadeiro sentido, força, prazer e alegria que tenho ao falar de meus amigos.
Amigo é aquela pessoa que te aplaude de pé, sem inveja, sem querer estar no seu lugar, pois sabe-se estar dentro do seu coração, sabe-se ocupar importante espaço dentro de sua vida, guardando a certeza de que seu brilho torna-se mais intenso com a força desse aplauso, é aquele cara que te enche de sermão, que lhe decifra o coração mesmo quando você tenta se esconder, lhe abre portas, lhe puxa as orelhas para logo em seguida lhe estender os braços como se quisesse lhe guardar daquele sofrer.
Colo, aconchego, calor na alma.
Sinto vontade de chorar de felicidade ao lembrar de quão bom é ter vocês em minha vida, cada um a seu modo, mesmo poucos em quantidade, sei o quanto são verdadeiros, cada qual com seu jeito, cada um com sua historia costurada a minha com fios fortes confeccionados a mão pelo próprio Deus, com toda certeza os laços mais bonitos de minha vida.
Os maltrato muitas vezes quando meu espírito de solidão teima em querer-me só, quando minha razão fala mais alto do que o som do coração e fico um tempo então a negar-lhes minha afeição, sendo toda essa confusão minha culpa, pois os trato de maneira impar: mimo-lhes, dou-lhes mais do que posso, sempre alem do que deveria, dou-lhes colo quando lhes é preciso palmadas, dou-lhes compreensão quando merecedores de gritos, paz quando seus espíritos estão em guerra, caminhos quando estão cegos, vida quando as tristezas são tão fortes a ponto de tentar apagar sua luz.
Quando me sinto só ao amanhecer, lembro-me dos sorrisos em seus rostos, do sentimento que envolve a festa que realizamos quando juntos, guardo em meu coração todo esse bem querer, toda essa condição de amor não consangüínea, mas que de tamanha convivência nos torna parecidos até mesmo fisicamente, roubo deles atenção, ensaio maneiras de lhes dizer o quão grande são em minha vida, enceno formas mesmo que tímidas e tremulas para tentar demonstrar todo esse algo mais que sinto por eles.
Sentimento o qual defino para raros como INCONDICIONAL.
Vivo suas vidas, adoto seus familiares, moro em suas casas, reparto o pão, transformo-me em cunhada de seus amados, um pouco mãe de seus filhos, fazem parte de meus sonhos, de meus triunfos, levá-los-ei sempre comigo, são deles a parte de minha historia a qual tenho todo amor que existe nessa vida.
Fazem-me ter importância, ter vida, vejo Deus transfigurado nesses sorrisos guardados para a minha chegada, anjos caídos, alguns de asas quebradas, iluminados, amados, eternamente amados, meus raros e verdadeiros amigos.
Recuso-me a mencionar falsas amizades, ou dos enganos que a vida nos ocasiona para aprender-mos a distinguir o diamante do vidro, recuso-me a falar de pessoas a quem a vida nos obriga a apagar, recuso-me a falar de quem nos faz ter medo de crer neste sentimento, a estes todos desejo-lhes apenas que a vida não lhes dêem oportunidade de conquistarem, ou melhor enganarem pessoas que tem sentimentos verdadeiros.
Engana-se quem acredita que a amizade é algo gratuito, pelo contrario é um dos sentimentos mais caros que se pode ter na vida, pois certamente é o que nos torna possuidores de um tesouro incalculável, a amizade é paga com respeito, companheirismo, carinho, força, fé, ajuda, compreensão, perdão, alegria, cumplicidade, com defesa, a amizade é paga com o mais puro amor, sem jogos, ausências, e principalmente sem a tão temida falta de credo no que é eterno.
D.S.L
Dedicado a todos os meus poucos amigos que podem se reconhecer nessas palavras.

Extravasa vida!

Tenho medo de morrer de felicidade…
Latente!
Sentir pra mim é o verbo, vida a frase, amor palavra que me governa.
Alegria… Pai, mãe, irmã de tudo.
Olhos castanhos que se confundem a sorrateira cor de por do sol.
Coração salta, não bate.
Tenho medo de morrer de felicidade!
Coração que não sabe, não entendi, apenas senti.
Senti tudo, todas as coisas do mundo;
Quase não durmo… Tenho medo do tempo perder…
Quero tudo!Tudo em mim, para assim simples sorrir.
Anjo e demônio de mim; santa e pecadora. Aprendiz e “professora” eterna dessa vida, onde nada mais importa-me mais, alem do certificado de que fui feliz.

D.S.L

E não é que minhas palavras virarão cenas…

CONVITE A TODOS OS MEUS CAROS AMADOS LEITORES, AMIGOS, ETC.

Estréia da Peça Teatral UNDERGROUND (O seu próprio segredo no seu subterrâneo)

Baseado na obra de Thiago Alves, Edmilson Cordeiro, Osvaldo Heinze, Marcio Rufino e Elaine de Jesus

Direção, criação de tema e adaptação dos textos: Marciel Pires

Realização: Cia de Teatro Luz.

Local:Teatro Celso Peçanha – Três Rios (RJ) – 20/09/2010 as 20:00 hs

QUEM PUDER IR, VAI ME DEIXAR AINDA MAIS FELIZ!

D.S.L

A violação do direito de se viver em paz


Ao sair para uma festa, como a maioria das pessoas, arrumo os cabelos, tomo banho, me visto de algo que vá de acordo com o lugar e motivação de espírito, perfume, brilho labial, um acessório aqui outro ali, dinheiro, celular, chaves de casa, sorriso no rosto, lua no céu, e no peito a esperança de uma noite rodeada de amigos, musica e todo o inesperado que a vida possa trazer.
A maioria das pessoas que conheço seguem praticamente o mesmo ritual, seja para uma festa, para um jantar, para simplesmente trabalhar, ir ao supermercado, a padaria da esquina, enfim, não conheço ninguém, diga-se de passagem graças a Deus, que saia de casa carregando na bolsa um revolver, uma faca, um estilete, um pedaço de pau, não conheço ninguém que sai de casa com o peito carregado de ódio, indo a uma festa para matar, roubar, destruir, não só a própria vida, mas qualquer outra vida que esteja em sua mira, ao seu alcance.
É inconcebível imaginar tal cena, pensem: você se arruma, e o melhor acessório que você ou um amigo seu ostenta é uma arma.
Muitos nem precisam de arma, conseguem manchar as mãos de sangue, ao dirigirem embriagados, ao espancarem o mais fraco ate a morte, uma garrafa quebrada ao meio, uma discussão banal, um motivo tosco e torpe, e lá esta um corpo ensangüentado que nada combina com a ornamentação alegre de uma festa, ou melhor, nada tem a ver com a ornamentação alegre de uma vida, pois a ninguém é dado o direito de matar, seja como e porque for.
Já não sei como me defender, já não sei aonde devo ou não ir, a vida tornou-se perigosa a todo instante, mata-se pelo mínimo: transito, ponto de ônibus, preconceito, vandalismo, arrogância, inveja, magoa, tristeza, drogas, álcool, ciúme, mata-se, e até mesmo o amor tornou-se motivo para alguns casos, mata-se em nome do amor, em nome da vida, até mesmo em nome de Deus.
Mata-se.
Sem dó, sem piedade, com requintes de crueldade, e palavras assim não deveriam ter rima, não deveriam contar historias de famílias destruídas, vidas ceifadas. Historias assim não deveriam ser ouvidas por pessoas de bem, que querem o bem, que buscam o bem, historias assim não deveriam atingir inocentes encontrados por uma bala perdida.
Medo de sair de casa, conviver com outro, pois já não se sabe qual olhar é mentiroso, não se pode adivinhar que a carona não vá lhe estuprar, matar e jogar seu corpo em um lixão qualquer, já não se sabe se a esmola dada num sinal de transito a um menino de doze anos não vai financiar na próxima esquina a compra de uma arma que ocasionalmente venha a ser apontada pra você, ou pra sua mãe, ou qualquer outro querido de seu coração.
Não se pode querer acabar com a violência utilizando-se da mesma arma, a paz precisa ser tão difundida quanto todas as outras questões as quais o mundo tem levantado em convenções internacionais, é preciso falar das guerras que nascem dentro dessas pessoas, da violência individual, pois a paz a qual me refiro é aquela que precisa ser plantada no coração de cada um, não adianta acabar com guerras declaradas, não adianta não termos armas químicas, bombas atômicas, controle de enriquecimento de urânio, pois o mundo só estará a salvo quando a humanidade conseguir se definir como humano, respeitando a si mesmo, ao outro, ao direito do outro, a paz do outro, a felicidade do outro.
A vida esta de portas abertas para todos, mesmo que para muitos as chances sejam difíceis, e as oportunidades escassas isso não pode mais ser desculpa para tanta violência, degradação e medo, principalmente o medo que vem calando e atormentando a inocentes.
D.S.L