Dos pedidos de misericórdia, clamores e suplicas

Tremula rabisco estas palavras sem saber aonde elas irão chegar, talvez seja apenas um desabafo, diante dessas noites em que uma idéia fixa consume todo meu corpo, caminhando por minhas veias desde os dedos dos pés, até os fios de cabelo.
Sinto-me inconseqüente, perdida dentro de um momento o qual me rende hoje duvidas que consumem meu sorriso e rasgam meu rosto em expressões de preocupação.
Seja lá como for a vida é perigosa, e nós que tantas vezes nos dizemos donos de todas as situações, vemo-nos perdidos e sozinhos em momentos como estes que nada tem a ver com nosso verdadeiro querer, por não ter sido planejado.
Acontece.
De repente acontece, sem que se perceba, é como atravessar uma rua distraída e no meio dela se deparar com um carro que buzina em cima de você, muitas vezes não te atropela, mas o motorista te xinga gritando para ter mais cuidado, é o mesmo que acontece na vida quando algo lhe aterroriza, é como alguém que berra: tome cuidado, pois de uma próxima vez você pode não ter tanta sorte.
O problema fica ainda maior quando lhe atropelam, e agora o que fazer? E agora o que pensar dessa distração vez que aquilo que se temia deixa de ser apenas uma idéia sombria e torna-se real.
Pra tudo há solução, mas existem soluções que doem para sempre, sendo preciso perdoar a si mesmo, e este perdão é o mais difícil.
O coração bate tão acelerado que parece não estar mais no peito, você sente a garganta travar, você sufoca, não come, não bebe, treme, soa frio, soa quente, desesperadamente… Tenta fugir vez ou outra diante de uma distração, mas sabe-se ali: nada esta resolvido, o medo toma conta de todas as horas, e a imaginação torna-se sua pior companhia, até mesmo para quem sempre a teve como ponto de partida para qualquer sonho, sendo ela bem maior quando o ponto de partida é um pesadelo.
Se quer a verdade, se quer a verdade, para então saber o que fazer, ou simplesmente poder respirar aliviado e agradecido aos céus por mais esta dádiva de proteção.
São em momentos assim que nos perdemos diante de preces, e questões que vão alem de qualquer sentido, pede-se socorro, clama-se misericórdia, suplica-se clemência, diante de um Deus perfeito, que nos observa em todas as imperfeições, e que parece nos dizer: creia que nada de mal lhe acontecera, mas tome cuidado, repense, não use suas dores contra você mesmo, pois assim a dor só tende a aumentar.
Errar, humanamente aceitável, mas errar para aqueles que têm consciência é um fardo de peso incalculável, e então você pensa nas tantas pessoas que erram o mesmo erro cotidianamente e nada lhes acontece, e continuam no erro, sem aparentes conseqüências, falta-lhes consciência e julgamento próprio, e assim a calma lhe vem como um cobertor estendido na alma lhe assegurando: nada lhe acontecera, isso passara e tomaras como aprendizado, não fizestes nada assim de tão grave, mas sua consciência lhe arranca esse cobertor, e sorri ironicamente pra você, e gargalha diante do seu medo, lhe vira na cama de um lado para outro, lhe abri os olhos pela madrugada, você não desliga pois a culpa tem energia própria e involuntária a sua vontade.
Culpa, medo, solidão, com quem contar? A quem dizer em confiança algo que depois possa ser usado contra você?
Deus, sim, pois nestas horas ele lhe será observador, e o único a não debochar de suas aflições tão humanas, lhe abraçara, pois tu não o procurou apenas quando estiveras nesta prisão, dobras o teu joelho todos os dias humilhando-se a Ele, e esperando de suas mãos o lápis que escrevera e confirmara as historias de teus sonhos pela vida, olhas para as coisas Dele e o agradece em reconhecimento por todos os milagres que já lhe foram concedidos, Ele te salvara por incalculáveis momentos, Ele entrara em seu quarto de aflições, espantara a culpa, o medo, a dor, e lhe estendera a mão, dizendo-te em silencio, estou aqui, e este mal que tenta lhe destruir não te consumira, pois Eu te perdoou por seres imperfeito, errante e tão humano, continua teu caminhando e não percas a fé, mesmo que a solução de teus problemas lhe pareça digno de um milagre, pra Mim é somente a demonstração do amor que lhe tenho, por em todas as coisas reconhecer-me como teu único Deus.
Amem.
D.S.L

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O escudo quebrado

Estranho, mas neste exato momento, tudo me parece diferente; e até aquele orgulho que sempre carreguei com certo ar de superioridade diante de tudo, deixou de ser meu escudo, perdeu o sentido, pois com a vida daqui pra frente eu quero mesmo é ter paz, e admirar tudo isso mais, que sempre esteve ao meu alcance, mas antes eu não pude enxergar, enfim em mim a lugar para sentimentos mais doces.
Demorou algum tempo, e o escudo de tanto ser usado quase tornou-se parte de mim, parecia mesmo coisa de pele, algo que nascera comigo, convencional, estava sempre certa, pedir perdão jamais, sentir-me fraca nunca, sempre dona da situação, cheia de meias palavras, jogos, farpas, sempre armada.
Preferia mentir antes a ser enganada, machucar primeiro para não sofrer por ultimo, gritar mais alto e calar quem tinha razão.
Imaginei ser dona de todas as coisas, pobre de meu coração que nunca teve nada.
Mas em uma noite notei-me sozinha com minhas certezas tão incertas, em meu jogo não haviam mais parceiros, estava eu também cansada dessa minha brincadeira, então pela primeira vez na vida chorei sozinha e rezando bem baixinho a ponto de nem mesmo eu ouvir o som de minha voz, pedi aos céus que a vida se mostrasse de outra maneira, pois restava-me naquela noite silencio, solidão e um escudo que jamais me protegeu de coisa alguma, ao contrario sempre me impediu de viver de verdade, magoando aos outros e agora a mim, enfim sentia o peso de meu maior inimigo.
Não foi fácil! Muitas outras noites vieram em claro e em solidão, tive que reaprender palavras como resignação, fé, sabedoria, força, amizade, pois estavam todas perdidas em meu caminho torto, porem faltava-me a mais temida e desconhecida de todo o meu vocabulário, aquela que eu nunca ousei mencionar, faltava-me o amor, o qual se encontrava perdido no teu olhar a também procurar pelo meu, mas essa, bem, essa é uma outra historia dessa nova vida que estou a conhecer do seu lado, a qual me libertou de todas minhas amarras, enchendo-me de uma esperança cheia de cores que eu desconhecia antes de te encontrar.
Não tenho mais medo, não de viver, menos ainda de me permitir sonhar.
D.S.L

A certeza que se tem em “nós”

Essa “coisa” de que você tanto fala não existe!
_ Que coisa?
O amor!
Porque você esta dizendo isso?
_ Porque eu acho que não existe.
Tudo bem, e o que existe então?
_ Interesse, mentira, gosta-se do dinheiro do outro, da beleza, do status, da segurança, da comodidade.
Não generaliza! Tem muita gente que esta junto por amor.
Há tem? Então me diz quantos casais você conhece que estão juntos por amor?
A conversa terminou por ai. Mas a frase de que a tal “coisa” que ela nem ousa mais citar o nome não existe, balançou minha cabeça.
Por amor mesmo, eu posso dizer que conheço três casais, sendo essa uma estatística muito pequena pelo montante de pessoas que se dizem juntas, mas que nitidamente não inspiram se quer um sentimento verdadeiro.
Então porque afinal de contas tanta gente esta junta aparentando estar só? Olhando para o lado sempre pra ver se algo melhor acontece, tornando tudo tão descartável quanto copo de plástico em churrasco de fim ano.
Conheço casais que nunca se olham nos olhos, raramente se abraçam, dificilmente conversam, e provavelmente pouco se conhecem.
É fácil saber qual tipo de musica você gosta de ouvir, difícil é sentir o que seu coração experimenta quando a escuta, conhecer seu poema favorito não é segredo, mas saber contar a historia de como você o conheceu é saber um pouquinho mais sobre você, morrer de ciúmes da narrativa do seu primeiro beijo, tirar uma foto duma manha de céu claro só porque azul é sua cor favorita, usar o mesmo sabonete que o seu pra ter no corpo o seu cheiro por mais tempo, aprender a comer comida japonesa e a não ter medo de experimentar outras culinárias pra te acompanhar nesses restaurantes esquisitos que você intitula de exótico, causar um tsunami na cozinha tentando preparar seu prato favorito, aprender a contar sua piada mais engraçada, saber de cor e salteado aquela aventura que você viveu e que conta toda vez que conhece alguém e faz todo mundo sempre morrer de rir, não exigir sua senha de e-mail, orkut ou qualquer outra rede social por confiar em você e mais ainda ter certeza de “nós”, saber quando você quer ir embora de algum lugar só de te olhar, quando esta entediado, quando precisa ficar só (entender isso, mesmo sem querer aceitar), acreditar nos seus sonhos, até mesmo os mais loucos e ousados e viajar com você pra dentro deles.
Concordo que o amor não existe, ou deixou de existir em muitos casais que estão juntos, por falta de interesse na pessoa que esta ao lado, ou por desconhecer o que só a você ela tenha a oferecer, por isso muito em breve percebem-se separados sem dor alguma, aquela velha historia: “de que se acabar tudo bem”, pois com certeza o laço que os envolvia era de mentira, comodidade, status e tantas outras coisas sem importância, concordo que é cada vez mais difícil encontrar dois seres capazes de inspirarem ao mundo o que trazem no coração, mas eu prefiro teimar que existe, mesmo que minha defesa seja de apenas três casais, que em mim fazem perpetuar a possibilidade de sua existência tão perfeita quanto um arco íris em tarde de primavera.
Ama verdadeiramente aquele que conhece o ser amado.
D.S.L

Que nome ela tem?

Você já encontrou a alegria na vida?
Respondi que sim, e creio que a maioria das pessoas responderia positivamente. Foram tantas as alegrias que já passaram por minha vida, afinal de contas todos os dias somos cercados por elas, grandes ou pequenas, o fato é que estão sempre aqui, no cotidiano nosso de cada dia.
Mas a pergunta não era bem essa, não com a intensidade de como foi perguntada.
Você já encontrou a alegria na vida?
Também não se trata de alguém chamado alegria, nem tão pouco um ser tipo duende ou fada que a traz, trata-se de uma alegria que se espera conquistar antes de partir, para só então quando os olhos cerrarem-se eternamente e o coração se abrir pra sempre, ela more dentro de você.
É uma alegria que dá sentido a toda sua vida, a qual dinheiro não compra, o tempo não apaga, algo que pode estar perdido em sua historia por falta de um pedido de perdão, ou quem sabe um sonho deixado pra trás, uma chance desperdiçada, um amor que calado diante de um sentimento tímido deixou de ter razão, um orgulho bobo que lhe afastou de alguém muito amado.
Você já encontrou a alegria na vida?
É o mesmo que perguntar em qual sonho você deixou de acreditar.
Sufocou a vontade de ser mãe, negligenciou-se como pai, errou com um amigo, não deu o primeiro passo por medo de se achar diante de um precipício, não teve coragem de se mostrar por não sentir-se capaz, deixou que a pessoa mais importante de sua vida fosse embora, sem ao menos lutar por ela.
Deixar a vida passar e as coisas acontecerem, esperando que algo “caia” do céu e lhe traga de mãos beijadas seu sonho realizado, é bem mais fácil do que sacrificar-se em busca dessa tal alegria, e então não sendo encontrada a maneira mais cômoda de não se sentir frustrado é acreditar que “não era pra ser”.
Não era pra ser, não é o mesmo que dizer: eu tentei até não poder mais, nem o mesmo que: eu acreditei com todas as forças, tão pouco: eu fiz de tudo. Não era pra ser é fracassar duplamente, é assinar um atestado que engloba falta de fé, força e coragem. “Não era pra ser” não pode vencer algo chamado determinação, nem ser capaz de lhe negar a oportunidade de satisfazer-se com a vida.
São muitas as alegrias que nos podem acontecer, e são muitas as imposições que criamos para que elas não existam: se eu mudar de emprego, seria uma alegria, se eu viajasse para aquela cidade, se me curasse dessa doença, se meus filhos gostassem de estudar, se eu ganhasse muito dinheiro, se eu fosse mais bonita, mais popular, mais amada, se meu ex voltasse pra mim, minha família me aceitasse, se o mundo me reconhecesse, se… Mas o “se” que falta a tudo isso é o: “se eu acreditasse em mim”, e mudasse tudo o que é empecilho para encontrar a alegria na vida, certamente ela estaria mais próxima de minha estrada.
Sempre faltara algo, pois essa é a única forma que a própria vida encontrou para que desejássemos permanecer vivos em busca desse algo, sabia ela nos concede tempo de perceber o que precisamos conquistar para só então conhecer o nome que se da a essa alegria.
Não permita que o tempo lhe de um susto e que de repente você se encontre perto de partir sem a ter encontrado, ou pior ainda chegue à conclusão de que ela se foi por você ter lhe dito adeus.
Você já encontrou a alegria na vida?
D.S.L

Topa?

Seria mais fácil inventar que estou apaixonada por outra pessoa, ou que não estou afim de um relacionamento agora.
Sumir, e não atender suas ligações, lhe tratar mal ou com indiferença, e até fingir que não percebo o quanto você esta com vontade de ficar comigo, dizer que não é um bom momento e que atualmente as minhas prioridades são outras, mentir que não quero me envolver com alguém, ou decretar que desacreditei do amor apos de tantas decepções.
A clássica: você é uma pessoa incrível e por isso eu tenho medo de te magoar, ou então aquela: eu não mereço você, tudo o que você tem pra me oferecer é demais pra mim.
Dizer que tenho um ex “encosto” que nunca me da paz e que por isso ainda não consegui esquece-lo, ou então matar algum parente e sumir por uns tempos, inventar que tenho uma grave doença e que posso morrer a qualquer momento e por isso me afasto toda vez que alguém tenta se aproximar.
Desencavar uma depressão, ou quem sabe uma síndrome do pânico, dizer que tenho TOC, ou que sofro de alguma psicopatia, que sou hermafrodita, viciada em calmantes, e o por ai vai.
Contar a historia de um amor que vivi e te dizer que jamais vou esquece-lo, aquela conversa de que o grande amor da minha vida já foi vivido e que todos os outros que possam surgir serão sempre secundários, marcar com você vários encontros e em cima da hora avisar que não iria, matando você de raiva e exterminando com qualquer esperança.
Dizer que faço parte de uma seita e que só posso me relacionar com membros da mesma.
Desculpas como falta de tempo, falta de humor, falta de tudo…
Eu podia inventar muitas historias, afinal de contas eu sou ótima nisso, mas não vale a pena querer te enganar, isso definitivamente você não merece, e mais ainda: isso não faz parte de mim.
Queria te dizer mesmo o quanto eu fico péssima quando esse tipo de coisa acontece comigo, conheço alguém, fico com essa pessoa, mas não tenho vontade de dar um passo ao seu lado que não seja rumo a um sentimento de amizade, como me chateia não querer te dar a chance de nos conhecermos melhor mesmo eu tendo consciência da pessoa extraordinária que você é em tudo na vida, mas existe uma magia que entre nós ao menos da minha parte não se desenvolve, e olha: eu até tentei por uma segunda vez, mas a “coisa” não rolou, e eu não sou do tipo que fica enrolando, tentando maquiar situações, pois eu já estive por muitas vezes no seu lugar, querendo, chamando e olhando alguém que simplesmente não me queria, e que ao tentar me iludir ou por não saber a melhor maneira de me dizer isso exterminou qualquer laço que poderia se estreitar.
Não sei se tanta sinceridade vai te fazer bem, ou se você é daquele tipo que prefere ouvir uma boa historia, ou melhor, uma desculpa que para muitos magoa bem menos do que a verdade. Portanto façamos assim, se você preferir eu até te conto uma historia, mas de qualquer jeito eu queria te propor esclarecer tudo terminando com a celebre cena: de um aperto de mãos, como “ponta pé” inicial de um laço maior de amizade. Topa?
D.S.L

Mais nada

Não existe verdade sobre o que sou. Mas isso nem importa, afinal de contas quem é que sabe se enxergar a ponto de tocar a própria alma sem sentir vontade de chorar, sabe quando você se olha no espelho e parece se perceber tanto que pelos olhos tem a impressão de poder entrar em um lugar desconhecido que não se tinha idéia da existência?
Dá medo se encarar assim, e dá medo às vezes encarar tudo mais em volta, a vida em si dá medo. E muitas vezes esse medo da vontade de chorar, e de ficar na cama, por ser ali o único lugar seguro para pensar em tudo o que se quer e o que não se sabe. E pensar em tudo isso trás uma sensação de enlouquecimento, e enlouquecer não é bom, pois se pode perder tudo, em meio a esse vento forte que da no pensamento vez ou outra.
Eu penso que posso encarar tudo, ou seja, viver tudo, e sentir todas as coisas, mas a verdade é que muitas vezes eu fico tão assustada, e com tanto rubor diante do que pode acontecer que me vem uma paralisia, e então eu não quero sentir mais nada, mas tudo o que eu vejo me transporta a viver mais alem, e de uma maneira mais intensa que o resto do mundo.
Experimentar a tudo, aprender a cada oportunidade, revelar-se mesmo que isso permita que todos enxerguem seus defeitos, critiquem seus pecados, e rotulem sua historia como se pudessem lhe transformar em objeto qualquer assim como eles, tudo isso sempre me foi impressionante e valido, mas ultimamente tem me assustado, pois alguns rótulos ao carimbarem a pele machucam a alma.
Às vezes escondo-me para não machucar, sufoco-me para não explodir, mas sempre me deixo guiar pelos gritos do coração, pelos ventos da liberdade, pela esperança de uma boa surpresa, pois a vida revela-se pra mim com um rotulo de letras enormes que dizem: seja feliz sem medo!
Assim, sem mais eu volto ao espelho, e então a vontade de chorar passa, dando lugar a um riso involuntário onde percebo que tudo mais o que se tem a fazer é viver e mais nada.
D.S.L

* “Veras que um filho teu não foge a luta”

De futebol mesmo eu não sei quase nada. Sei que ao todo são vinte dois jogadores, exatamente onze para cada lado, divididos em dois goleiros (um para cada lado também), atacantes são os que fazem gols, zagueiros os que defendem, e os jogadores que sobram não sei ao certo pra que servem, uns ficam no meio do campo, outros nas laterais, e alguns fazem tudo ao mesmo tempo, são aqueles que os comentaristas dizem “que saem em busca do jogo”, esses acabam sendo os melhores, pela pouca técnica que adquiri vendo alguns jogos.
Agora… impedimento, tiro de meta, a diferença entre lateral e escanteio, em qual área se da um pênalti, e todas essas outras regras não me pergunte, sou uma negação, e tirando os jogos da copa do mundo, dificilmente eu paro em frente a televisão pra assistir futebol.
Muita gente critica, falando que mulher só quer saber de jogo nessa época, não é lá verdade, pois tudo é uma questão de gosto, tem mulheres que gostam de futebol, outras não, como também têm homens que não gostam, e por ai vai.
Mas copa do mundo vai alem de um simples jogo de futebol, e não é somente pelo churrasco que reúne amigos e familiares, ou por poder pintar as unhas de verde e amarelo e não parecer cafona, admirar em campo homens bonitos com corpos sarados (nem todos), ou ser dispensada mais cedo do trabalho durante os jogos, tudo isso influencia nesse interesse generalizado e muitas vezes repentino, mas quando seu pais esta entre as seleções que disputam os jogos, é como se você experimentasse o sabor de estar disputando não lutas cotidianas muitas vezes realizadas apenas para manter a sobrevivência, é como estar envolvido em algo maior, que não nos rendera nada alem da alegria tão ingênua contida em toda festividade.
Muitos criticam esses tempos de copa: “o pais para”, “não se fala em mais nada a não ser futebol”, “o mundo parece não ter problemas mais graves”, ao menos aqui no Brasil é assim, todos os outros problemas ficam menor diante de uma contusão de um de nossos jogadores, ou expulsão, briga, e qualquer outro motivo que possa tornar ainda mais árduo o caminho a vitória do campeonato, o que muitos esquecem é que o futebol faz parte da cultura deste pais, nossa seleção é reconhecida como uma das melhores, exportamos jogadores para o mundo inteiro.
Gostaria de perguntar aqueles que desaprovam toda essa comoção diante da copa do mundo, se algum deles quando vai a uma festa qualquer, fica em um canto pensando nos problemas da vida ou do mundo? Quando você vai a uma festa não carrega no pensamento as ameaças de bombas atômicas, atentados terroristas, assaltos a mão armada, não se leva na bolsa a corrupção do senado, o saldo negativo do banco, não se sai de casa vestindo tristezas ou ornamentado de problemas que não poderá resolver.
Esse um mês e pouco de jogos e toda comoção diante do nosso tão belo verde e amarelo, serve a nos brasileiros, povo tão forte e lutador, como refresco diante de problemas crônicos que não superamos ao longo desses quinhentos e tantos anos de Brasil, serve para termos orgulho de sermos bom em algo que chama atenção do mundo inteiro, nos revestindo de uma alegria quase que insana diante de um gol, faz a todos igualmente se libertar de suas perdas e junto aos onze jogadores nos sentir vencedores, melhores do mundo, talentosos, habilidosos, donos de dribles sensacionais, e tudo isso por vestir uma mesma camisa que parece servir ao mesmo tempo a mais de cento e noventa milhões de corações, pulsantes, diante de um hino que nos torna confiantes da vitória quando diz: “que um filho teu não foge a luta”, cantado com o corpo em arrepio por sentir orgulho de fazer parte dessa nação.
Traz o Hexa Brasil!
D.S.L
* Menção ao Hino Nacional, Autor: Joaquim Osório Duque Estrada