Repouso, cautela, apoio, sete dias…

Cai!

Tamanho o susto não sustentei o corpo levando as mãos ao chão, os joelhos então dobraram-se servindo-me de apoio, lembrei naquele instante dos momentos em que eles se dobram por vontade própria, em oração, cerrei os olhos solicitando aos céus que não me machucasse novamente.

Levantei-me, e continuei a caminhar, percebi que meus joelhos estavam arranhados, mas na hora, ainda com o corpo quente não senti dor alguma, alem da queda. Segui!

Ao despertar na manha seguinte senti algumas dores, pensei: normal, afinal de contas não se cai e se levanta sem que não haja conseqüências. Segui!

Porem em algum momento é preciso parar, e ao parar deixamos de acompanhar a tudo o que a visão nos mostra em movimento, para só então ver as coisas que de fato estão acontecendo, sendo assim espectador da realidade, deixando a atuação, o agir, o estar em cena.

A dor antes quase que imperceptível, passou a incomodar, e a cada hora, o incomodo tornava-se ainda maior, o ferimento começou a inchar, como se crescesse, como se algo de dentro pra fora fosse explodir a qualquer momento. De incomoda a dor passou a quase insuportável, e então não mais segui, pois antes era preciso sarar a ferida, cuida-la, encontrar primeiramente a verdade do que havia acontecido, para então voltar a caminhar.

Podia ter sido uma torção, um trauma, um deslocamento, mas ao consultar um especialista foi constado um “rompimento”.

O medico receitou-me repouso, cautela, apoio sobre um par de muletas e remédios, marcando retorno em sete dias.

Com o repouso me veio o silencio, então pude ouvir de dentro de mim um grito que parecia estar aprisionado, e ao se libertar, sacudiu meu corpo com sua vibração intensa e insana, não tratava de um grito de dor, muito menos de alivio, não era desespero, nem alegria, apenas assombro proveniente da constatação do modo como de fato tudo estava perdido em frente a minha vontade de me encontrar, ou ser encontrada. Tamanha a força o grito foi capaz de me calar por dias, e noites, e tardes, mantendo apenas meus olhos rasos de lagrimas que não se derramaram.

A cautela receitada fez com que todos meus pensamentos antes confusos caminhassem para uma direção, as perguntas sem respostas pouco, a pouco foram se encaixando como um quebra cabeça que começava a tomar forma, e de certo modo a fazer sentido.

O apoio preciso neste momento encontrei nos diversos ombros amigos que a vida sempre me ofereceu, no colo que me ofertaram para que se preciso fosse carregada nos braços pelos degraus que minhas pernas em dificuldade para erguer-se não podiam subir. Eis que refrigeraram minha alma, cuidando-me, enquanto o corpo convalescia.

Hoje pela manha pude caminhar sem dor, lentamente, como um filhote de pássaro que após uma tentativa de vôo frustrado, volta a bater a asa, provocando-a para voltar a voar.

Sete dias se passaram, eis que retornei ao especialista para saber se de fato estou recuperada, e assim voltar a caminhar no ritmo por mim conhecido. Fui tranqüilizada ao ouvir que posso caminhar sem medo de cair, porem não sem cautela.

Caminho lentamente; amedrontada; ainda e para todo sempre contando com ombros amigos, porem com a visão refeita, sabida da verdade antes duvidosa, consciente de que após mais esta queda, estou ainda mais forte, portanto intensamente consciente daquilo que eu definitivamente não quero para minha vida.

Assim creio ter aprendido, mesmo sabendo que por muitas vezes ainda cairei, consequentemente machucando-me, porem tentando não ser derrubada novamente e constantemente pelo mesmo motivo.

Segui!

D.S.L

  

Diamantes são talhados para aqueles que possam pagar o preço de pertencê-los.

Outro dia fui perguntada sobre qual religião pertencia toda a minha fé.

Prontamente respondi que sigo uma religião denominada Deus!

Não creio em outro ser supremo que seja capaz de fazer sua vontade no céu e na terra!

Quando dobro meus joelhos em oração, antes de dormir, ao amanhecer, é por seu nome que chamo!

Quando alegre, angustiada, agradecida, envergonhada pedindo perdão, é por seu nome que clamo: Deus!

Freqüento missas católicas, cultos evangélicos e qualquer outro local onde os joelhos se dobrem por Ele!

Outro dia fui a uma missa, onde a palavra evangelizada tratava do trecho bíblico proferindo que “o homem não nasceu para ser só”, seguido de outra palavra ainda mais forte “o que Deus uniu o homem não separa!”.

Essas duas frases permaneceram em meus pensamentos durante toda a semana, rodeando minhas palavras, como se precisassem ser transcritas para fora de mim.

Então pensei na solidão que vem assolando todo mundo. Pessoas desesperadas por atenção,carinho, amor, por alguém que as dê a mão. Por algum sentido que as faça querer ser melhor!

Acredito que toda essa maldade assistida diariamente na televisão, ouvida constantemente nas rádios, assombrosa nas paginas de jornais, é proveniente dessa solidão, pois nossas atitudes decorrem daquilo que o coração esta cheio.

Quando felizes, saímos correndo pelo mundo, brincando, cantando, dizendo a todos que tudo pode ser possível. Quando tristes o rosto truncado, as palavras ásperas, as manhas sem cor, como se os dias amanhecessem pesados, nos despertando para uma vida que parece não se encaixar dentro de nós.

Pior do que tristeza ou alegria dentro do peito,é a falta de sentimento, quando não há nem riso, nem pranto, nos transformamos em bombas relógios a explodir e machucar, pois nada nem ninguém nos importa. Sendo essa falta de sentir, proveniente da falta de quem amar, em quem nos segurar para não sair por ai cometendo qualquer loucura por não haver um sentido que nos torne um tanto quanto sensatos, pois quando se tem algum sentimento somos capazes de pensar não apenas no próprio umbigo, quando se tem sentimentos temos razão para saber o que machuca e o que alegra o outro. Tornando-nos consciente de não fazer ao outro aquilo que não desejamos a nos mesmos.

Quanto ao que “Deus uniu o homem não separa”, creio ser uma das coisas mais belas que possa ser dita perante uma união; seja ela oriunda da amizade, do amor, da família, diante dessa frase a força de Deus parece se manifestar independente de nossa vontade, porem, jamais indo contra algo que Ele também nos deu, denominado livre e arbítrio. Cabendo a nos tão somente aceitar essa união, ou recusa-la esquecendo que Ele jamais nos colaria por suas próprias mãos num caminho de dor, pois tudo o que um pai faz ao filho é para seu aprendizado, felicidade, ou exemplo, lembrando que o pai em questão é Deus.

Conheço pessoas fantásticas, diamantes raros que parecem terem sido talhadas pelas mãos do criador em momento de inspiração, e muitas vezes pergunto-me por que são exatamente essas pessoas as que mais sofrem por pertencerem os sentimentos mais puros, as palavras mais doces, e uma alma que de tamanha transparência parece não estar junto ao corpo.

Esse tipo de ser humano, parece ser desafiado pelo destino, pois muitos são os espinhos cravados em seu peito por aqueles a quem a vida coloca em seu caminho.

Enfrentam os dias lutando com o melhor de si; e mesmo diante da imperfeição que nos acompanha desde o primeiro suspiro de vida, tentam oferecer o melhor, o mais belo e sincero de seus sentimentos em tudo o que fazem, perante todos os que encontram.

Esquece-se assim, que nem todos estão preparados para receber sentimentos tão valiosos.

Uma amizade sincera e verdadeira, uma mão estendida nos momentos onde todo o mundo parece não lhe reconhecer, um amor quase que incondicional que não vê obstáculos para ser concreto sendo simples e puro como os olhos de uma criança, sentimentos tais que não são para qualquer um, pois diamantes são talhados para aqueles que possam pagar o preço de pertencê-los.

A luz irradiada por essas pessoas feitas diamantes, é visível a todos, vezes causando cegueira, noutras motivo de inveja, e muito raramente sendo enxergada por seu devido valor.

Por outro lado acredito que por essas pessoas serem de tamanho especial, lhes é dada a missão de ao menos tentar, somente tentar, transformar corações vazios ou incrédulos, vidas sem sentido, e historias que pelos próprios protagonistas são intituladas trágicas.

A paz dessas almas, brilhantes feito diamantes, lhes chegam ao coração, quando o próprio Deus em infinita bondade lhes coloca no caminho relações que homem algum é capaz de separar, originadas de qualquer bom sentimento, proveniente de um coração decidido a não desistir jamais.

D.S.L

Obs: A todos que creiam, lhes peço que realizem uma oração a mãe de Jesus e todos nós, para que Ela com o coração sempre cheio de amor, permanece a cuidar de nós!

Sobre o tempo, borboletas, e felicidade!

Décimo mês do ano de dois e mil e nove.

Outubro!

Ainda tenho a sensação não distante da contemplação do céu repleto de fogos, anunciando cheio de cor e estrondo a chegada deste ano que se encontra próximo do fim.

Apenas noventa dias nos separam do anuncio de uma nova era, novamente! Aniversariando este século uma década, assusto-me com a rapidez do tempo!

Cerro os olhos e vários flashs me vêem a cabeça, tantas foram as coisas que aconteceram, mudanças grandiosas, oportunidades agarradas com mãos ainda tremulas diante daquilo que parece surgir feito um milagre, pessoas chegando, outras indo embora, ora por vontade própria, ora a mando da vida.

Sensações inesperadas, limitações superadas, decisões, indagações, incertezas, encantamentos, esperanças!

Este com certeza foi o ano em que tudo mais que havia se tornado obsoleto em minha historia, atravancando muitas vezes o meu caminho, fazendo-me caminhar lentamente para acompanhar algo que não mais me servia, mas que permanecia ali por costume, por medo, pois tamanha insignificância muitas vezes passava desapercebida sua existência.

Meus olhos se dilataram a ponto de perceber um cisco que fosse que poderia ferir ou enganar minha visão, bastando um vento novo, proveniente dos céus, para que todos os ciscos fossem retirados, fazendo assim com que eu pudesse enxergar o caminho que meus pés devem cruzar, mesmo sem saber aonde esta nova jornada me levara.

Ainda a muito o que acontecer! O que mudar, o que construir, o que deixar ir embora, aprender!Ou seja, ainda a tempo de muitas coisas chegarem, pois as que tinham que partir já caminham tão longe que vagamente recordo-me delas terem feito parte de minha vida! Não por ingratidão, mas me é notória a constatação do enorme caos que elas poderiam causar caso permanecessem nessas minhas linhas traçadas tão verdadeiramente, sem restrições, esperando sempre o melhor dos acontecimentos, das pessoas, etc.

No mais é esperar, com esperança, fé e coragem, tudo aquilo que ainda esta por vir, todas as novas façanhas que a vida mostrara. Os fogos cheios de cores e estrondo, que logo anunciarão a chegada deste novo livro com paginas em branco, pronto para ser pintado, escrito e cantado por momentos adornados de amor e felicidade.

Essa vida sempre tão intensa, insana, montanha russa, que ora nos faz enlouquecer, ora racionalizar, porem sempre viver, permitindo que corações como o meu pleiteiem junto a razão os sonhos mais loucos, nas horas mais tortas, buscando para eternidade uma estrada brilhante, bailando junto a borboletas, raios de sol, grama verde e céu azul.

Neste tempo, no momento presente, mesmo aqui nessa esfera, que espera que tu se mostre iluminando desde o nosso primeiro passo a certeza de que veio sabendo o

“porque”, “pra que” e sem fim, apenas de repente cansado de correr, para tão somente, infinitamente repousar dentro de mim, do amor guardado pela vida para ti, esperando apenas nós para ser feliz!

D.S.L

 

P.S.: Agora só falta você(o amor) de todas as outras sensações e emoções vividas neste ano!

“Coisas importantes”

Mas o que de tão importante há para você me dizer?

Ainda não sei, mas anunciado a esta hora, em pleno por do sol, movimento entre o sol e a lua, confesso ter medo de tudo o que a noite e suas palavras já declaradas sinceras, cheias de verdade, e assim como um revolver talvez carregadas por algo como você mesma disse que poderão me magoar.

Eis que a primavera deixa de ser anuncio para ser real, eis que meu peito sempre cheio de esperança, confessa sentir medo, angustia. Mas a primavera apenas começou, portanto ainda há muito o que esperar!

Estou preparada para tudo.

Mais uma vez visto minha armadura e mesmo com os olhos já amedrontados, estarei novamente diante destas coisas importantes que sempre me atordoaram.

Sinceramente não sei o que me espera! Imagino reviver e ouvir palavras como: “não estou preparado”, “há outra pessoa”, “não posso me envolver agora”, “ainda não esqueci minha ex”, “não consigo lhe dar aquilo que você merece”, “podemos ser amigos”, “podemos fingir que nada aconteceu”, “podemos esquecer”, “tenho medo”, “estamos indo rápido demais, melhor dar um tempo pra ver se é isso mesmo”, enfim…

Naufrago em uma tonelada de sugestões, podendo quase afirmar que não irei me surpreender.

Já me é comum este tipo de conversa carregada de “coisas importantes”.

Sei que relacionar-se não anda sendo a coisa mais fácil de se encontrar por ai, as pessoas andam perdidas em sua própria historia, não sabem o que querem para si mesmo, então como saberão o que oferecer a outro.

Para mim tudo é tão simples, pois aprendi a viver cada sentimento de cada vez, se ainda tenho o peito carregado por um amor que acabou para o outro e ainda não consegui esquecer, não hei de me embriagar em outros braços e na manha seguinte despertar com uma ressaca proveniente da alma. Caso não saiba o que quero naquele momento, ou o que me apareça, não seja parecido com o meu querer não vou levar adiante, melhor mesmo não ligar no dia seguinte, pois assim, a magoa que posso causar é cortada pela raiz. Medo de se envolver, melhor então não conviver com ninguém, ou talvez ao invés de sair de casa sem querer plantar raízes, cultive um jardim e diga isso a suas flores.

Não sofro por outro sentimento que não seja o amor!

Sofri duas vezes na vida, o restante em todos os outros relacionamentos foram magoas, chateações pequenas, decepções, mas sofrer só vale se por amor, ao menos pra mim.

Relacionar-se é simples, funciona da seguinte maneira: você encontra alguém, meio que do nada, muitas vezes apresentado por algum amigo, ou ao léu de um sorriso que recebe no meio da noite, um bilhetinho entregue pelo garçom, uma esbarrada, etc. Então acontece o primeiro beijo, o primeiro momento, primeiro sorriso, aquele abraço ainda sem jeito, a mão que não sabe onde ser colocada, a voz ainda meio tremula, as palavras sem saber o que dizer, o quanto se mostrar. No dia seguinte a vontade de ligar, o medo de talvez não ser atendido, a surpresa em ser atendido, surpresa maior das palavras ditas, de um outro encontro sendo marcado, daquela velha historia: mensagens, e-mails, telefonemas… As pequenas coisas que começam a serem repartidas, os primeiros contatos… O começo!

Então você volta a cantar em voz alta pela casa, pela vida, e o sol volta a brilhar com raios de esperança nas novas manhas após este achado, a cada ligação um sorriso, a cada palavra de carinho uma flor parece ser plantada no jardim de um coração antes vazio, e então você imagina: talvez seja dessa vez, talvez seja a pessoa certa, afinal nós parecemos combinar tanto, temos tudo para talvez dar certo.

Assim é relacionar-se, pois após todos os momentos descritos acima a única coisa importante verdadeiramente a ser dita é: Vamos tentar? Simples assim!!(Sem qualquer tipo de imposição a ser feliz e . final )

D.S.L

 

O movimento natural das coisas

 

Sempre me foi extasiante o modo como às coisas surgem, acontecem, ou simplesmente vão embora de nossas vidas.

Tudo muda em uma velocidade tão acelerada que muitas vezes nos turva os olhos, embriagando as pernas em meio a este caminho diário, onde muitas vezes pensamos caminhar em busca de algo, porem acredito que a verdade é contraria, tudo o que nos acontece não é buscado, nós é que somos encontrados.

Ao mesmo tempo que este sentimento me deixa maravilhada, me apavora, pois muitas vezes ao ser encontrada seja por algo bom ou por alguém, a sensação de estar em transe ou simplesmente sonhando traz-me o medo de acordar, despertar e ver que tudo novamente mudou, levando embora o objeto de encanto, felicidade e alegria daquele mesmo momento que não soube amanhecer no hoje novamente.

Sim! Tenho medo do que vai embora, do que não sabe ficar, ou não quer ficar. Isso não tem nada a haver com o movimento natural das coisas, jamais tive medo de mudanças, pelo contrario, acredito que só não muda aquilo que esta morto, porem existe uma certa  hora na vida que para haver mudança é preciso carregar algo a mais do que o desejo de mudança, para se construir é preciso uma base: forte, sólida, concreta, para então erguer algo maior, do tamanho do sonho que se alimenta dentro do peito.

Esta base pode ser encontrada no seio da família, nos braços fortes dos amigos, no colo sagrado do amor encontrado, nas experiências passadas que nos levaram sempre a um passo a frente, seja esse passo movido pela dor ou pela alegria, na fé em Deus que ilumina a tudo inclusive essa vontade toda de ser feliz, construir e viver.

Seja a base para a concretização de um sonho, para a modificação do ser que sempre humano erra para só então modificar-se, seja para preencher linhas de uma historia de vida antes vazia, sem sentido, seja para ser base para alguém.

Todas as coisas lhe são possíveis quando de dentro do peito floresce a força que leva um pedido a realizar-se, quando no intimo das coisas que se vêem mesmo sem existir exalando a essência do cheiro que se espera encontrar naquilo que os olhos ainda não viram.

A tristeza antes cultivada por algo imaginado e não acontecido, deixa-nos no momento em que aquele mesmo vazio é preenchido por algo ainda melhor, pois assim, só assim, são realizados os trabalhos vindos do céu. Se um sonho não é conquistado, é pelo fato de logo amanha seres acordado por um pesadelo, se a vida ainda não abriu o caminho que teus pés sonham tocar, espere um pouco mais, pois a estrada se constroem a cada passo dado, a cada sorriso diante da dor, a cada vibração perante um momento de felicidade, e primordialmente nas horas em que o amor se manifesta em seu coração.

D.S.L

 

PS.: Enfim é primavera, recebam então as flores, encantem-se com os raios de por do sol ainda tímidos, observem com delicadeza os quadros pintados no chão pelos ipês que ainda se derramam pelo vento, agucem os sentidos para as brisas mais frescas, e as melodias mais DOCES.

 

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A cadeira

Era uma tarde de anuncio de primavera, sai para caminhar com meu pai, como ainda não havia almoçado, entramos em uma lanchonete destas de fast food.

Mesmo a comida não sendo la nem muito saudável, nem apetitosa quanto, era a opção que de imediato nos apareceu.

Já acomodados em uma mesa, começamos a comer.

Crianças corriam de um lado pra outro, não se contentando em permanecer na área recreativa.

Gritavam, brincavam, riam

Nesse tipo de estabelecimento elas enlouquecem, não as culpo, pois nos vários comercias de televisão, os publicitários fazem questão de passar uma imagem de que ali, a felicidade é completa e o mundo é cor de rosa.

Foi então que meus olhos enxergaram, alguém que também saiu de casa na intenção de ver aquele mundo cor de rosa, mostrado nos comerciais de televisão.

Havia no local uma menina cadeirante que desde o primeiro momento afixou os olhos no play, e em todas as outras crianças que ali estavam.

Eu olhei o mundo naquele momento por aqueles olhos, era desenhado em seu rosto sua vontade de também correr, e brincar, e cantar e de ser criança.

Cada parte do seu corpo parecia gritar com o intuito de talvez ergue-se daquela cadeira e saltar para a vida, para aquele mundo fascinante que ela só conhece em seus sonhos.

Senti a vida passar diante de meus olhos, sentada ao lado de meu pai, a impressão de minha infância ficou ainda mais nítida, senti-me novamente naquela tenra idade, lembrei das vezes que brinquei de pique escondi, apostei corrida, cai, levantei, aprendi a andar de bicicleta, construí pequenas casinhas, etc.

Lembrei do quanto reclamos sem razão, do quanto nos culpamos inutilmente, que culpa então tinha aquela menina. Qual terá sido seu o pecado cometido para tamanho “castigo”.

Faltam-me palavras para descrever o tamanho da minha emoção, o quão grande a vontade de chorar.

O tamanho das minhas indagações não cabem neste texto, não cabem em mim, pergunto-me apenas porque, seja lá coisa de uma outra vida, seja la destino, seja la o que for, pergunto-me apenas porque.

Queria tão somente ter o poder de um Deus e transformar-me novamente criança, assim então movida de inocência e alegria, correria e dançaria, rodopiando, brincando e vivendo,  tornando real o sonho daquela menina, como se dissesse a ela que sim é possível maquiar até mesmo a dor de alegria.

Sorrindo então ela estaria mais feliz do que qualquer outra criança ali, pois em seus olhos reluziria a felicidade possível que Deus concede a todos, porem que poucos chegam a conhecer, ou tão somente vive-la. Sei que isso é mais um sonho, proveniente da mesma essência existente nos daquela menina.

D.S.L 

Nove!

Vinte e sete, dois mais sete igual a nove, dizem os astrólogos que o numero nove significa o fechamento de um ciclo, momento onde se “joga fora” aquilo que a muito tempo carregamos pela vida  sem necessidade.

Não acredito tanto quanto algumas pessoas em astrologia, porem não custa aproveitar um bom conselho, e se todos nos fizermos uma analise em nossas vidas, talvez fiquemos surpresos com a quantidade de sentimentos, relacionamentos, e momentos passados que precisamos abandonar, e não o fazemos com medo de talvez ficarmos sozinhos, ou sem um passado mesmo que doloroso para recordar.

Muitos podem discordar, mas o ser humano não sabe, não deve, e se apavora ao perceber-se sozinho, sem ao menos uma lembrança.

Entendo quão difícil é desfazer-se de uma amizade de quase uma vida inteira, porem compreendo que as pessoas ao longo dos anos mudam, ou não mudam, e quaisquer um desses fatores torna-se motivo para encerrar uma relação, pois seja como for é preciso crescer, é necessário ter o sentido de construção, amigos são pessoas que nos dão a mão para um passo a frente, jamais para levar-nos para trás ou para baixo, pode-se também permanecer ao lado, porem jamais em sentido contrario.

Difícil romper laços que nos são eternos, como por exemplo: sair da casa dos pais, sabendo que a cada momento de solidão ou desespero o primeiro cheiro que nos acalmara o coração será o do colo de mãe, ou a fortaleza no abraço paterno.

Complicado mudar de emprego, abandonar o velho comodismo, mesmo sabendo que talvez algo bem melhor nos espera.

Esquecer aquele ex, que muitas vezes nem chegou a ser ex, deixar de uma vez por todas aquela pessoa que não lhe permite ir embora, porem não decide lhe querer verdadeiramente.

Um passo é sempre um passo, e nunca temos a certeza do solo a frente, segue-se então uma intuição que pode ser desastrosa, mas como saber se nunca tentar? Como conhecer o solo sem pisa-lo? Seja então sobre espinhos, ou grama verde, seja na “corda bamba sem sombrinha”, seja ao correr por uma relva de flores, é necessário caminhar.

Nove!

Sei bem quão difícil é escolher, opinar, decidir.

Quão difícil é ver pessoas caminhando para fora de sua historia por você as ter mandado embora, abandonar velhos hábitos, velhas tradições, sentimentos passados que de alguma forma ainda que obsoletos, por dentro nos preenchiam.

Quebrar altares, pedestais, onde colocamos quem jamais mereceu estar ali, tão acima de nossos olhos.

Para que o novo nos chegue a porta principal da alma, da vida, de nossa historia é doloroso, mas necessário, desapegar-se do velho, mesmo que com lagrimas nos olhos ao vê-lo partir, é preciso manda-lo embora, não sem antes enxergar tudo o que aprendemos com ele.

Seja pessoas, sentimentos, relações, opte sempre por aquilo que a vida lhe trás a cada nova maré, escolha mandar embora tudo o que não mais lhe encante os olhos, não tenha medo, mesmo que algo pareça ter se perdido, um novo caminho o levara a uma nova estrada, onde tudo mais o que se sonhou pode tornar-se real, dentro daquelas mesma linhas de sua historia rabiscadas por pessoas e acontecimentos que não souberam escrever, contribuindo para  paginas dignas de um “best seller”ao qual toda vida pode transformar-se.

Tente liberta-se, e mesmo que o medo lhe faça pressão aterrorizando suas novas escolhas, opte por sempre tentar ser feliz.

Vinte sete anos! Dois mais sete, igual a nove!Recomeço em uma nova era, historia e vida, onde na primavera tenho encontro marcado com um velho sonho, pedido aos céus todos os anos.

D.S.L

Dos dias, das duvidas, e esperanças.

Há dias em que nas poucas vinte e quatro horas entre o sol, à tarde e a lua, somos sacudidos por vários sentimentos: tristeza, medo, dor, ansiedade, vontade, duvida.

E tudo o que se deseja ao chegar em casa é abrir a porta e encontrar paz, perante estas horas atribuladas, cansativas, estressantes.

Chegar em casa e encontrar seja num telefonema recebido, mensagem, e-mail, ou quem sabe ate mesmo uma carta, algo que nos traga uma boa noticia sequer.

Não são dias ruins, pode-se dizer que estes nos fazem fugir aquela velha esperança, e nos faz persistir em sorrir para que então tudo o que nos afugenta possa ir embora junto ao descanso do corpo que nos espera sobre cama.

Cerrar os olhos e aguardar quem sabe um sonho bom, para que na manha seguinte outro dia recomece sorrindo, deixando pra trás a deslealdade daquelas vinte e quatro horas que nos percorreram as veias com o mesmo furor de uma queda d’água.

Nesses dias sentimos o sangue ferver, a vista às vezes escurecer, o sono chegar com mais força, como se o corpo também suplicasse para acordar novamente, e vivenciar uma outra historia, um novo nascer do sol, da vida.

São dias em que não temos muito o que dizer, pouco podemos pensar, muito queremos agir, mas difícil saber por qual caminho optar, pois parecemos estar incapazes de pensar a melhor forma, é como se nos faltasse paciência para a própria vida.

Não sei dizer se é decorrente do cansaço “nosso de cada dia” que pouco, a pouco, vamos acumulando embaixo do tapete, ou em algum outro canto qualquer.

Sei pensar que tudo isso passa, como a chuva que se camufla no céu em dias quentes e secos, e que de repente sem que se espere se derrama pela terra, deixando um perfume no ar que nos enchi o corpo e a alma de paz.

Então logo que a chuva se rende ao chão, à alma junto aos braços abertos diante da água pesada e fresca que permitimos cair sobre o corpo, e a tudo parece limpar, tão profunda a ponto de acalmar o coração, tão doce que parece tirar da boca o gosto amargo de dias como estes: secos e quentes; onde até mesmo o tempo parece parar, onde vemos nossa historia em pausa, a espera do que a natureza tem a nos dizer.

O corpo de tão quente, parece doente, febril, o coração se contorce dentro do peito a espera de respostas num terreno onde momentaneamente, assim como num labirinto nos perdemos em perguntas.

Há dias em que tudo perde o sentido antes parecido encontrado, há dias em que tudo o que se quer é adormecer sobre um cobertor de paz, frescor e esperança. Para então levantar em uma manha onde nada novamente se sabe, como todas as outras quando nem a certeza do sol nos é possível.

D.S.L 

 

 

Toda poesia é uma forma de oração!

Um dia meu corpo adormecera, sem mais erguer-se diante da vida, em uma outra esfera irei acordar e só então perceberei que tudo o mais o que vive nesta dimensão será deixado pra trás junto a matéria, dela restando apenas lembranças.
Que eu adormeça olhando para o céu, em um dia que esteja lindo de sol, cores, pássaros e melodias, e que em seguida ao despertar esteja diante do cheiro das flores.
Desejo ver um rosto amigo, e ao imaginar este momento espero ter em minhas mãos a mão de um anjo a me auxiliar tocando em mim para levar-me adiante neste novo caminho que se iniciara.
Meu coração tão acelerado durante toda uma vida, creio não mais estará saltitando em meu peito, pois em mim desejo que reste apenas um sentimento: o de paz.
Caminharei sem pressa, com atenção a tudo que apenas em meus olhos hoje consigo visualizar, sorrindo e segura pelo meu anjo estarei consciente de que tudo valeu a pena: o choro, o pranto, o gozo, a vida, e agora esta nova vida como sempre proveniente da morte de algo, neste caso a do corpo.
Não sentirei medo, como senti em todas as outras situações novas que percorreram minha historia.
Espero ser acalentada nos braços daqueles que aqui fizeram parte de mim, o colo de minha avó, o sorriso de minha tia, a saudade contida no choro perante o abraço apertado em todos os outros.
Ilusoriamente, e ainda não digna de tal graça quero olhar-Te nos olhos, a Ti, a Quem muitas coisas foram ditas, a Ti que de joelhos ao chão muitas vezes me fiz suplicar diante da magnitude da possibilidade dos Teus desejos não serem impossíveis
Espero ao menos de longe ver-Te, e se perto permitir-me chegar, beijar teus pés, em agradecimento, Lhe suplicando não mais um milagre, mas sim agradecendo-Te pois tudo terá valido a pena.
Se permitires escutar-me ainda mais uma vez, eu quero contar-Lhe tudo o que senti, quero falar-Te do quão presente senti tuas mãos em mim, do quão constante vi Teus olhos e tuas graças em cada pagina da minha vida, das noites em que me abraçava em silencio, e me fizera adormecer mansamente em sonhos que muitas vezes não faziam sentido.
Agradecer-Te o amor em mim manifestado, a luz que iluminou meus momentos mais escuros, os anjos a quem não colocastes asas e mesmo assim foram capazes de me resguardar das dores da vida.
Pedir-Te perdão, pela pretensão, pela falta de perdão, por tudo o que não soube compreender, aceitar, enxergar, dominar, perdão pelas vezes que não alcancei aquilo que Tu querias que eu fosse. Assim como Jó, “abominar-me em cinza e pó”, quando meus olhos agraciarem a Tua presença enfim real.
Assim, quando Tu me perguntares do que mais gostei da vida, responderei que de Ti, da vida que me deste, e do amor que chegara a mim, amor qual pertenço apenas o sentimento que terei ao conhecer seus olhos.
D.S.L.

Do encanto do olhar teu

Senti o tempo parar naquele instante, onde tudo ficou mudo, tudo mais no mundo parecia não existir, tudo mais na vida pareceu parar.

Tive todo o mundo por um momento dentro do meu coração, quando o teu olhar naquele instante enfeitou o meu.

Feito um anjo sem asas desci do céu para então contemplar o mundo que parece pulsar em ti.

Quando me abraças sinto o quanto tudo na vida pode valer a pena.

Quero-te em mim bem mais que um único momento, por todos os instantes.

Poderemos viver toda uma vida, construir não uma historia, e sim uma lenda, porem a lembrança que em mim ira para todo sempre, eternamente, permanecer será a dos teus olhos que roubaram os meus desde o nosso primeiro olhar.

E então façamos assim: combinemos de forma onde não mais eu viva sem ti e tu sem mim jamais caminhe sem que minhas mãos, alma e coração estejam longe de mim.

Quero-te!

D.S.L