Qual é o seu lugar?

Uma emissora de televisão brasileira – é preciso frisar – vem se esforçando bastante e tendo muito cuidado em discutir o tema homossexualidade em suas novelas, não sei ao certo se o intuito é o de conscientização social, ou mais um artifício em busca da tão famigerada audiência, afinal de contas sabemos que nessa disputa de ibope vale tudo, e o assunto em questão hoje tem surpreendentemente gerado polemica e curiosidade, digo surpreendentemente, pois a um tempo atrás era tido como tabu, inaceitável dentro das casas brasileiras, quando algum autor cismava em fazer um personagem do gênero, logo precisava mata-lo ou manda-lo para algum outro pais distante da trama.
É louvável saber que a população vem evoluindo e que a homossexualidade já não é pronunciada com direito a “três tapinhas na boca” como antigamente, por ser tratada como doença ou qualquer outra coisa ruim.
Em especial me chamou atenção uma cena onde a proprietária de um quiosque de praia gay, encontra seu bar destruído por vândalos homofóbicos, ou melhor, destruído por uma turminha de garotos subtraídos de qualquer sensibilidade e paz de espírito que sem nada melhor a fazer em suas próprias vidas,  perturbam a vida alheia.
O fato é que na tal cena, lia-se pichado na porta do estabelecimento a seguinte frase: “lugar de gay é no inferno”.
Talvez a novela não alcance seu objetivo de conscientização, mas ela vem mostrando o quanto é feio, covarde e desleal odiar uma pessoa pelo fato de sua existência, pois essa frase quer dizer o mesmo que: você não deveria existir. É como um decreto, uma sentença, onde o rei pode ser qualquer um, basta para isso sentir-se superior a qualquer outro ser humano que lhe pareça diferente.
Hoje em dia é um absurdo discriminar alguém por seu tom de pele, mas a anos atrás lugar de preto era na senzala, que convenhamos pelos livros de historia eram como o inferno na terra. Hitler acreditava que lugar de judeu e demais minorias indesejáveis era em campos de concentração. A inquisição caçava fies que pensassem contrários a Igreja Católica, e assim vai, a historia da humanidade esta ai pra não nos deixar esquecer até aonde o ser humano pode ir por uma ideologia, lembrando que toda ideologia que conheci ate hoje foi motivada puramente pela conquista de poder, um poder cego e incapaz de melhorar a vida da coletividade, afinal de contas quem quer o poder, o quer para si, e não para dividi-lo.
O quanto soa absurdo alguém querer delimitar o lugar a qual as pessoas devam estar.
Mesquinho, medíocre, pequeno, como é capaz alguém apontar o outro e dizer: seu lugar não é aqui!
É inimaginável tamanha crueldade, a falta de sensibilidade em questão sobrepõe qualquer limite de indiferença, e isso é mais comum em pensamentos do que se possa imaginar.
No mesmo folhetim em questão temos também um negro bem sucedido, premiado em sua profissão, dotado de um poder de sedução capaz de conquistar mulheres lindas, e eu me pergunto quantos outros negros na mesma situação, na vida real estão sujeitos ao apontamento alheio e invejoso que julga que o lugar dele não é ali.
Quantos de nos somos sub-julgados silenciosamente, pois os proprietários de pensamentos assim, em maioria são covardes, hipócritas, incapazes de repetir em voz alta aquilo que seus pensamentos mesquinhos confeccionam.
A questão a ser levantada não tem bandeira certa, não é por ser contra ou a favor disso ou daquilo, é por estar pelo outro, ser o outro, imaginando o quanto certos sentimentos, palavras e principalmente ações são capazes de ferir.
O mundo não deveria ter cota de “lugares” fabricados, pois cada um merecera ocupar o espaço pelo qual lutou, mereceu, ninguém tem o direito de dizer ao outro onde ele pode ou não chegar, ou estar, ou ir.
Não sei dizer quem vai ou não para o céu, quem alcançara o topo do sucesso, quem ocupara uma cadeira enorme em alguma sala refinada de reuniões cheia de gente “importante”,
quem se sentara a mesa dos melhores restaurantes, ou quem ocupara nome na lista das melhores festas, sei dizer que qualquer pessoa,independente de qualquer outra coisa tem esse direito.
O direito de sonhar com suas escolhas, com suas lutas, não sei o que esta certo ou errado, sei que a ninguém foi dado o direito de menosprezar o outro por ser gay, pobre, preto, gordo, feio, magro, bonito. Esta na hora das pessoas serem aquilo que são e ponto final.
Cada um conquista o lugar que merece essa é a lei da vida para todos, indiscriminavelmente.
Feio e infernal é negar ao outro o direito de ser gente, de existir, viver, e ser feliz!
D.S.L

“We only said goodbye with words – Nós apenas dissemos adeus com palavras” *

Afinal de contas o que matou Amy Winehouse?

Temos uma resposta pronta: overdose!

Drogas, drogas e mais drogas.

Diante da resposta pronta que ocasionou sua morte, também nos perguntamos: por quê?

Afinal de contas à senhorita Amy Winehouse conquistou sucesso, fama, dinheiro e fãs mundo a fora.

Tudo o que ela conseguiu é o sonho de muita gente comum por ai, ou melhor, metade daquilo que ela conquistou satisfaria a muitos, mas não a Amy.

O que então faltava a Amy Winehouse?

Basta prestar atenção num de seus maiores hits mais famoso – Rehab -, na letra carregada de solidão ela responde que talvez só precisasse de um amigo, e que seu pai achava que ela estava bem, feliz; como o mesmo declarou após o acontecido, chegando a dizer que a filha não estaria mais fazendo uso de drogas. Ou ele era cego, ou se fazia de louco.

A verdade é que alguém deveria ter parado a Amy, ela própria deveria ter se dado um tempo, talvez na reabilitação, por que não? Mas ela disse no, no, no!

Desengonçada, louca, com cabelos desgrenhados ela continuou fazendo suas dancinhas desgovernadas no palco, empenhando um copo com álcool, arriscando-se na linha tênue que separa a vida da morte, no caso de Amy, essa linha a qualquer momento poderia ser cortada por um copo, um cachimbo, um cigarro, uma picada.

Em uma de suas entrevista disse que sentia insegura quanto a sua aparência, talvez Amy precisasse de alguém que lhe dissesse o quanto ela era linda.

Amy Winehouse precisa ser gostada por ser apenas a Amy, mas não foi isso que deram a ela, se tornou uma grande cantora, dona de uma singularidade inacreditável, era daquelas pessoas que parecem nos desvendar com os olhos trazendo neles uma vida inteira de mistérios e labirintos, sua voz era tão bonita e intensa que nem parecia sair de um corpo tão frágil. Amy era “amada” por milhões de pessoas, ou melhor, fãs, mas acredito que na maioria das noites ela terminava sozinha em sua cama, e nesse instante em nada lhe valia a fama, o dinheiro, o sucesso, os milhões de fãs, restava apenas Amy a garota insegura que se achava feia, carente do abraço de um amigo que lhe fosse verdadeiro, restava-lhe suas lagrimas secas, talvez as intitulou dessa maneira por chorar por dentro toda vez que lhe doía à alma, por não haver lagrima que ao percorrer seu rosto magro lhe aliviasse sua falta de paz.

“Volta para o luto”, ou melhor, “Back to Black”. Amy vestiu sua alma de preto nos últimos instantes de sua vida, talvez estivesse em sua pior fase, naquela em que não se enxerga a luz, não porque ela não exista, mas porque já não se tem vontade, esperança, ela sabia que tudo uma hora iria acabar, que nada ficaria, por mais que ela tentasse seu caminho de tão sinuoso já não tinha volta, tudo acabaria, inclusive ela.

Não acredito que sua doença era dependência de drogas, sua maior dependência era de vida, ou melhor, da falta de uma realidade mais honesta, simples e por que não dizer verdadeira, com pessoas verdadeiras, livres de todo o glamour que a própria Amy passou a cuspir, a não mais desejar, restando-lhe assim o refugio alucinógeno para conviver com a falta daquilo que a vida nos nega.

D.S.L

* trecho da musica Back to black de Amy Winehouse/ Mark Ronson

O cavaleiro gigante

O tempo se encarrega de selecionar quem ficara a seu lado.

Não adianta insistir, nem mesmo querer lutar contra ele, as escolhas provenientes de suas mãos invisíveis serão feitas, restando a você somente aceita-las.

Como um pai zeloso ele separara independente de sua vontade aqueles que lhe cercarão por um tempo e os que permanecerão.

Sempre certeiro em suas decisões lhe mostrara quem é quem nesse jogo de encontros que a vida nos coloca a todo instante. Raramente estaremos satisfeitos com aquilo que ele tem a nos esclarecer, pois nem sempre é a verdade que queremos encontrar.

Ele te ensinara a dar adeus mesmo que seja fora do tempo que você queira dizê-lo, te apresentara a saudade, a vontade de pedir mais um tempo ao próprio tempo para que não se descubra à verdade do amanha que sempre leva aqueles que não devem ficar.

Estranho conviver com uma ausência consentida por nós, pois mesmo que o tempo seja implacável é possível sentir quando ele esta levando alguém embora, pois se vão como as brumas do mar diante de nossos pés, e assim como é impossível deter, ou prever a vontade do mar, somos incapazes de segurar essas pessoas, restando a nos observar o adeus.

É estranho quando encontramos alguém que já esteve conosco em alguns muitos momentos, e uma conversa antes tão desejada e promissora se transforma apenas em: “quanto tempo”, “você sumiu”, “como vai a família”, e o que vem depois é um vazio enorme, uma falta de assunto e afinidade, uma situação que beira o desconforto. Culpa do tempo que deixamos existir, o qual foi capaz de levar aquilo que havia de encantador em um outro instante daquelas duas vidas, afinal essa pessoa que sumiu, pode ter sido um grande amigo no passado, um grande amor ou quem sabe tão somente uma grande vontade de amar. Nessas horas se tem vontade de abraçar forte na tentativa de se ter novamente a oportunidade de não permitir que tudo se perdesse, sendo essas situações aquelas que nos perguntamos qual foi o momento em que dizemos tchau.

Em alguns casos não é o tempo que passa, são as pessoas que mudam, crescem, amadurecem, empobrecem ou enriquecem por dentro, por fora, a quem mude pra pior, a quem o tempo revele jamais ter sido aquilo que parecia.

Ele, o tempo é um cavaleiro gigante, que cavalga sempre para frente, aprisionando-nos muitas vezes diante da vontade que sentimos em querer modificar o que passou, completamente humano pensar o que teria acontecido se tivéssemos feito diferente. Não havendo antídoto, nos conformamos, acreditando simplesmente que não era pra ser, dando ao tempo a força do destino que haveria de ser cumprido, tirando muitas vezes de nossas mãos o peso das escolhas que fizemos sem medir ao certo o valor das conseqüências, assim fica mais fácil seguir em frente, amenizando nossa própria culpa.

D.S.L

Descansa coração e bate em paz*

Lembro-me das mãos tremulas, da falta de ar seguida de desejo, das palavras que teimavam em não sair, quando dentro de ti tudo precisava gritar, sorrindo você começou a tal conversa seria:

_ Sonhei que estávamos namorando…

Achei graça, podia ser mais uma de suas piadas, mas então você me olhou serio pedindo que eu parasse de rir, ao invés de graça tive medo, afinal de contas era uma amizade de anos, sólida, sem outros olhares de minha parte ate aquele momento.

Restou a mim segurar as tuas mãos, te abraçar forte, respeitar teu sentimento, tentar conversar e como sua melhor amiga fazer você entender que sentimentos se confundem, que a carência pode tornar a visão turva, e que o amor mesmo quando se apresenta avassalador, carrega em essência uma fragilidade que sempre acaba com tudo o que havia antes, conosco não foi diferente, nada restou depois do adeus que o seu amor deixou naquela noite, já não havia espaço para a amizade.

Os anos passaram e de ti noticias não tenho, sei que casou, separou, traiu, se perdeu, sei que amou novamente, mas de ti em mim para todo sempre terei o sabor morango dos teus beijos, e a inocência de nosso sentimento puro de outrora perdido na ilusão de uma eternidade que nunca poderia existir.

Surgiu você, tão misterioso quanto teus olhos de por de sol que curiosos pareciam tocar-me dizendo: eu quero saber quem se esconde ai dentro. Duramos o período de uma vida, mas colhemos historias que as vezes anos e anos não são capazes de compor, malabarista de minhas emoções, equilíbrio nunca foi teu ponto forte, a sorte é tua madrinha por esses caminhos em desalinho que teus pés enormes teimam em percorrer, foram as tuas mãos que me fizeram acreditar que eu poderia crer novamente, encantou-me com a esperança antiga de ter você todos os dias, mas este dia é mais um de tantos que nunca vai amanhecer, de ti para todo sempre terei as tardes que nunca me deixarão esquecer dos teus olhos.

Branco, brando, pálido, sempre perdido na vastidão de pensamentos confusos, a força do desejo contra a realidade difícil, pra você sempre foi mais fácil voltar pra cama e continuar sonhando, ir a luta machuca. Investir em algo distante é bem menos perigoso, desde o nosso primeiro encontro te servi de consolo, como se a vida houvesse te dado um par de asas para proteger teus inocentes sonhos: o de ser amado, o de ser cuidado, o de ser visto, quando a ti faltam olhos para que possas enxergar a própria vida que continua a passar por tua janela, você distraído suspira decidindo tomar alguma atitude no eterno amanha de sua esperança vazia. Por ti, decidi nunca ter medo de arriscar, foram os teus labirintos que me fizeram forte para escolher caminhar sozinha, aprendi dizer adeus.

Resta muito do pouco que ainda conta nossa historia, meus olhos as vezes relembram o primeiro instante onde tudo foi inacreditavelmente possível, o sonho era mais bonito do que a realidade mostrou. Não foi necessário aviso de ninguém, na verdade eu sabia que não iria suportar, não tive estrutura para enfrentar o teu modo torto de encarar a vida, a tua força me dominou ao passo que me enfraqueceu, aprendi a diferença entre amar e querer, a sutileza deixada de lado para ouvir a razão tão silenciosa quanto esses dias que seguem longe de ti. É confuso pensar que deixei de existir ainda que a lembrança permaneça, talvez encontres copia fiel daquilo que sou, pois nunca houve singularidade nos enganos que promoves, para ti basta a momentaneidade que supri a falta da paz que você busca conquistar.

Todos os passos que me levaram ao fim de cada historia, sempre me colocaram em uma nova estrada onde a vida se torna ainda mais bonita.

D.S.L

* Titulo em menção da musica Descansa coração (Composição: Simons & Marques / Alberto Ribeiro)

http://www.youtube.com/watch?v=fWLm-MOABlg

Ainda dá tempo!

Escrever sobre o amor sempre foi o meu assunto predileto, isso é evidente, pois vira e mexe estou narrando historias de encontros, despedidas, e todas elas ligadas a esse sentimento que pra mim é o maior que pode haver no mundo e na vida de todos nós, o amo torna tudo secundário, invasor como ele só, toma todo o espaço, tudo parece ser motivado por ele, para ele, com ele.

Penso, sinto e sei o quanto que a vida já é dura demais pra todo mundo, então não gosto muito de discutir política, corrupção, crimes, drogas, falcatruas, traições, hoje em dia infelizmente tudo isso se tornou tão cotidiano, tão maçante, cansativo.

Gosto de pensar que as pessoas ao abrirem este blog, ou lerem a coluna do jornal do qual escrevo, sentem um alivio, um sopro de esperança, fé, compreensão, enxergando de uma nova forma aquilo que sentem, ou tão somente encontrando tradução para aquilo que se esconde, gosto de imaginar vocês lendo essas palavras, colocando-se dentro delas, das historias, dos sentimentos, sentindo saudades junto comigo, sentindo amor, medo, raiva, desprezo, coragem, sonhando, refletindo. Ou ate mesmo me mal dizendo falando: lá vem ela outra vez com essas historinhas cheias de paixão e doçura e se perguntando: afinal de contas em que mundo ela vive?(risos)

A vida anda tão agitada, que mal temos tempo de parar pra pensar em nos mesmos, mal temos tempo de parar pra pensar no próprio tempo.

E então já é final de Junho, quando outro dia mesmo estávamos a contemplar os fogos de fim de ano, então eu lhes pergunto o que mudou? O que fomos capazes de conquistar dos muitos sonhos imaginados naquela noite para este ano? O tempo passou tão depressa, e tanta coisa já aconteceu, tantos foram os “sacolejos” da vida, e num tempo não muito longo, estaremos novamente prontos a recomeçar, ou a não parar, estaremos de novo frente a essa janela do dia 31 imaginando o que acontecera lá fora, depois que abrirmos a porta para novos dias novamente.

Hoje quero lhes dizer que por mais corrido que tudo esteja ainda temos tempo, ainda dá pra correr e abrir a porta saindo para realizar os sonhos imaginados daquela janela naquela noite do ano novo passado, ainda dá pra começar a academia, fazer aulas de musica, iniciar uma terapia, pedir perdão, dar perdão, ainda dá tempo de encontrar um novo amor, de abraçar novamente aquele alguém que não se consegue esquecer, de vencer um obstáculo, de fotografar a vida de forma mais bonita colecionando e eternizando novos momentos, ainda dá tempo de sorrir, de sonhar, de fazer bem ao próprio coração, de passar por cima do orgulho, de ligar para aquele velho amigo e ir visita-lo, de esquecer aquele alguém que tanto lhe fez chorar, ou quem sabe dar-lhe uma nova chance para que este mesmo alguém possa lhe fazer sorrir, ainda da tempo de colocar os pensamentos em ordem, a alma em paz e um sorriso no rosto.

Poderia tratar de assuntos sérios, pesados, teses e mais teses profundas sobre tantas coisas, talvez o fizesse de forma singular, sempre com uma pitada de romantismo, mas em mim cabe apenas a sutil “missão” de desviar-lhes o olhar para as coisas mais simples da vida que em meio a tantas profundidades, compromissos, e tantas coisas mais, acabamos por deixá-las um pouco de lado, sendo elas com toda certeza as mais valiosas, as quais valem de fato à pena lutar.

Quero que não se esqueçam que ainda dá tempo de ser feliz! Sempre

D.S.L

Setenta e duas horas

O risco deveria ser apenas nas primeiras setenta e duas horas, assim como na medicina, e depois tudo seria bem mais fácil, previsível. Sabia-se que a cura viria, a vida se normalizaria apesar de todo o risco corrido, a dor iria embora, e a preocupação de uma recaída diminuiria consideravelmente.

Quem nunca pensou em invadir um hospital, gritando por um medico que lhe desse um remédio para que as coisas melhorassem que pare de ler essas palavras nesse momento.

As primeiras horas irão te livrar aos poucos das lagrimas, do desespero, da vontade de abandonar tudo, importante salientar que iriam te livrar da atração por objetos cortantes, caixas de tranqüilizantes e demais soluções rápidas, te livrarão do desejo de procurar um cantinho no mundo que caiba apenas você e seu coração machucado, as primeiras horas servirão para que se consiga respirar normalmente, as noites de insônia então darão lugar a madrugadas de sono pesado, sem sonhos, e manhas frias que te fazem desejar não sair da cama.

A vida te cansa e o sono parece ser a cura das horas que se arrastam, tornando-se libertador da angustia, pois enquanto adormecido, a vontade, a saudade, ou seja, lá o que for desaparecem.

Passadas algumas semanas você começa a se acostumar com a nova condição, é como ter um membro arrancado de você, como um mutilado é necessário reaprender a andar, desequilibrado, com medo de cair, sabendo que lhe falta um pedaço. Algumas pessoas costumam adquirir muletas para se sentirem mais seguras, mas não há encosto que resolva, de muletas ou não a caminhada não será fácil.

Então você procura força, seja em alguma nova religião, redobrando a dedicação ao trabalho, amigos esquecidos que você não procurava a séculos, a velha agenda da época de solteiro e para seu castigo, todos eles estão bem, namorando, compromissados, casados, o mundo inteiro parece estar sorrindo, e então você se senti ainda mais longe de todo o resto do mundo, um verdadeiro ET, que carrega na testa uma espécie de pergunta em forma tatuagem: por que eu também não fui feliz?

Não foi apenas mais uma historia como muitos dirão, esta foi “a historia”, aquela que tinha tudo pra dar certo, a qual você sentiu-se novamente envolto nessa redoma de encanto que só o amor é capaz de realizar na vida da gente, essa foi a historia que te fez sorrir tanto a ponto de te fazer pensar que a vida estava a lhe fazer cosquinhas, a historia de momentos que você queria lembrar pra sempre, mas que agora de acordo com seu próprio julgamento e sentença final terá que esquecer.

Não foi apenas uma historia, dessa vez você se sentiu amada, cuidada, o amor te fez sentir importante, dessa vez o sentimento de tão nobre lhe coroava como rainha.

Você tenta disfarçar que tudo esta bem, que foi melhor assim, que apesar de todo esse sentimento forte a vida vai ficar melhor, tenta se convencer de que é só uma questão de tempo, tenta auto afirmar que não havia outro caminho, afinal de contas só o amor não basta, é a base, mas sozinho é tão frágil quanto um bebe engatinhando em direção a um despenhadeiro.

Passear, viajar, ver pessoas, fazer parte do mundo novamente, conhecer, aprender, fazer coisas novas, pois enquanto amado o resto do mundo parecia ter perdido sua importância, o mundo inteiro não era mais conquistado por mãos que seguravam muito dinheiro, ou detinham poder, beleza, ou qualquer outra coisa, o amor tornara todo o resto secundário, a real conquista era a sutileza de mãos dadas que juntas quiseram escrever uma historia possível, repleta de sonhos e de uma eternidade que não suportou a vida.

As primeiras setenta e duas horas passarão mais rápido do que se imagina, difícil é conviver com todas as outras horas em que a saudade sempre lhe remetera ao momento do primeiro olhar onde tudo foi possível.

D.S.L

O melhor presente: um coração verdadeiro!

Não de perfume, apesar das propagandas irresistíveis, dizem por ai que quando o frasco termina leva junto o amor, o relacionamento.

Flores são bem vindas, sempre, porem murcham, dela restando apenas uma pétala que talvez servira de marcador de pagina na leitura de algum livro.

O cd de algum cantor ou banda nova que não se ache na internet, tarefa difícil musicas andam tão disponíveis, mas sempre existe aquela melodia que não toca no radio, desconhecida, que pode fazer um sentido enorme ao coração.

Um livro pode ser legal, um romance daqueles que se lê como ultimas palavras: “e foram felizes para sempre”, pode ser inspirador.

Bombons só não serão validos se algum dos dois estiver de dieta.

Um serenata, uma viagem, um passeio, um jantar romântico naquele restaurante predileto e caro que só da pra ir muito de vez em quando, cinema, teatro, um cachorro quente na barraquinha da esquina, tudo é valido, desde que se tenha presente em qualquer cardápio ou embrulho o amor, a vontade de se estar junto, a liberdade de se pertencer ao outro de forma singular e sabia, que só este sentimento verdadeiro pode tornar real.

Não é necessário um dia para se lembrar que o amor existe e que é feito pra fazer bem, não é necessário presentes ou coisas extraordinárias que faça lembrar que se é de alguém, pois o coração é feito alarme pra isso, ele próprio se encarrega de não nos deixar esquecer que a vida ficou melhor depois que um certo alguém passou a ocupar espaço privilegiado em nossa historia, em muitos dos pensamentos, em sentimentos tão nobres que seriam merecedores de uma corte, em sonhos e mais sonhos que de tão perfeitos nos fazem esquecer que a realidade existe, ou melhor, a transforma, deixando a vida com aquele cheiro de doce no ar.

Amar é tornar as coisas possíveis, distantes de toda essa loucura que o mundo vive, é se manter protegido da frieza de almas em um abraço quente, amanhecer e muitas vezes enfrentar um dia cruel, porem uma noite mágica ao ver sorrir, ao ouvir uma voz, como uma espécie de recompensa por enfrentar dignamente a dureza da vida, fazendo-a assim valer mais a pena.

Aprende-se que o bom não é doar, mas sim dividir, seja a cama apertada, o chão duro, as contas, as alegrias, tristezas, os pares de meias, as decepções, é saber que se tem com quem conversar, sorrir, sentir e dar prazer, é saber que mesmo a quilômetros de distancia não se esta sozinho, é sentir-se do outro, para o outro.

É um sentimento que envolve o mundo, o qual sempre se vale a pena lutar, desde que verdadeiro.

Abrace a quem você ama, não somente nessa data, agarre-a, lute, mude se necessário, respeite-a, compreenda, tente não permitir lagrimas, tente não decepcionar, não fazer doer, pois só assim o amor encontrado, lhe será merecido.

“Todo amor que houver nessa vida” pra todos!

D.S.L

Onde é “lá”?

Provoque-me!

Quero sentir o novo, enxergar algo que me entorpeça os sentidos, que não me aliene, mas que me faça perder o rumo, o jeito.

As pernas tremulas novamente, a boca seca, a dor no estomago como se a vida houvesse nocauteado toda a razão que insistentemente teima em nos acompanhar.

Razão? Pra que razão? Razão de que, por quê?

Quero sair descabelada, sem unhas pintadas, nem roupas a combinarem tons.

Gritar pra todo mundo, ao mundo, mudar de casa, me separar definitivamente dessa gente chata que só pensa em ganhar dinheiro, e mais dinheiro, e que transforma a vida em um roteiro que tem como objetivo final puramente aparecer pros outros, pra mostrar pro outro que vale alguma coisa, que consegui chegar “lá”, mas “lá” é aonde?

“Lá” é uma mesa repleta de papeis cheios de problemas alheios, é o cansaço capaz de te adormecer no caminho pra casa, “lá” equivale às horas em que você perdeu não tendo tempo pra sua própria vida, é o que te arranca da cama ainda com sono, “lá” é o que te faz ter vontade de jogar o despertador no chão ate que ele morra, é suportar gente mesquinha, falsa, fingindo que gosta de você.

Algumas pessoas deveriam ouvir – aos berros – de alguém que elas não são o centro do mundo, deveriam saber que incomodam de uma forma que não é benéfica, ter consciência do quanto seu ar de superioridade na verdade as diminuem.

Chegar “lá” às vezes, muitas vezes, enche o saco, por que nessa brincadeira ninguém se preocupa se você vai se machucar, poucas são as pessoas que te olham de verdade, que te enxergam alem daquilo que para muitos é essencial, para você passou a ser uma grande bobagem, então o “lá” se torna um lugar o qual você já não quer ir, ficar, ou voltar.

Busca incessante por algo novo, mas o novo foi corrompido, comprado, já não é novo, é só uma reformulação do velho, e então você cansa ao ponto de querer ficar em casa, quietinho, quem sabe com a sorte de ser protegido por um abraço que ainda se mantém intacto dessa “poluição”, pois resguardado do resto de tudo conserva o amor, gratuito, que não te impõe ser alguém, alem de você mesmo.

O que afinal de contas vai lhe sobrar como historia? Sua resposta então será: eu cheguei “lá”?

Uma vida inteira compactada, movimentada sem paixão, sem entusiasmo, tão distante do propósito de ir alem, de realmente se superar, uma vida apertada pela gravata, tão pesada quanto a maleta executiva que te acompanha, tão cicatrizada quanto os vários carimbos de viagens a trabalho que se acumulam em um passaporte de folhas amassadas, mas isso não interessa, pois você traçou que o importante era chegar “lá”, “morar no andar de cima”.

Realizar o sonho é o que importa, mesmo que o sonho não lhe leve “lá”, mas tão somente lhe faça feliz!

D.S.L

“Me add?”

No mundo em que vivemos existem duas esferas: a real e a virtual.

Muitas vezes as duas se misturam de tal forma que quase chegam a se confundir, são varias as historias de amizades, romances, e demais relações que se iniciam por detrás de uma tela de computador.

O virtual se tornou tão forte em nossas vidas a ponto de fazer nascer celebridades, artistas, pessoas comuns com suas vidas comuns, que espalham seus cotidianos por sites de relacionamentos, blogs, diários virtuais, com direito a fotos, vídeos, super produções… É como se todo mundo de alguma forma quisesse se fazer ouvir, se mostrar.

Hoje quando conhecemos alguém raramente trocamos telefones, pois é mais pratico compartilhar e-mail.

A vida se tornou mais rápida, temos tudo em tempo real, nada escapa, celulares que gravam vídeos causando denuncias, fazendo rir, causando o caos, cenas e mais cenas disponíveis para todo mundo.

Há quem diga que a vida real não exista mais sem a virtual, a pergunta que me faço é: somos nos que usamos a internet, ou é a internet que nos usa.

Outro dia o aparelho de conexão da onde trabalho queimou, e então todos pararam, ninguém conseguia realizar nada sem a internet, por isso da pergunta: quem é que usa quem?

E se todos os computadores do mundo de repente parassem?

Fiquei imaginando: a uma década atrás poucos tinham acesso, e o mundo talvez fosse mais independente, ou mais lento, talvez até mais sem graça, sei dizer que muita coisa mudou.

O mais interessante em toda essa historia é que o mundo virtual nos é capaz de mostrar outras pessoas, que de fato nem existem, nos tornamos reféns de perfis que podem não ser verdadeiros, pessoas querendo ostentar aquilo que não pertencem, criando uma falsa identidade, um tipo de “esquizofrenia virtual”, haja vista toda a falsidade real que já temos conviver com mais essa é tarefa complicada.

Dizem que as pessoas se conectam, ficando mais próximas, porem acredito que toda essa proximidade seja também capaz de nos afastar cada vez mais da vida lá fora, tornando-a menos encantadora e verdadeira, existem pessoas que passaram a admirar o sol por slides, a ver estrelas através de vídeos, a abraçar, beijar e ate mesmo amar através de emotions e webcams, reféns da preguiça diária do convívio, passamos a conquistar amigos através de gélidas conversas que tem seu silencio quebrado somente pelo ruído das teclas de um teclado, o encanto do primeiro olhar ao trocar fotos inertes com sorrisos congelados de um melhor perfil, estamos aprendendo a nos abrir diante de uma maquina que jamais será capaz de nos tranqüilizar a alma com um abraço verdadeiro.

É preciso não esquecer da realidade, por isso, vez ou outra abandone as noites em frente ao computador e vá caminhar, ver as estrelas, a lua, a vida, ver a si próprio, de verdade, esquecendo-se um pouco daquele outro alguém que ilustra sua vida virtual, conhecendo-se de frente diferentemente da foto de seu melhor lado, com seu melhor sorriso.

D.S.L

Queria eu ter um jardim

Há quem diga que elas não servem pra nada, afinal de contas murcham, secam, não suportam ao tempo que gostaríamos que elas durassem, morrem, mas deixam uma sensação inesquecível, por mais que não tenham sido enviadas por quem esperávamos, mesmo assim elas são sempre bem vindas.

Um buquê de flores perdura sua beleza por uma semana no maximo, porem a emoção e a sensação que elas despertam perduram muitas vezes por toda a vida.

Elas chegam a qualquer momento, numa tarde no trabalho, numa manha em casa, no inicio da noite, sempre acompanhadas de um bom motivo, cada um dos botões parecem trazer uma palavra: obrigado, parabéns, me perdoa,volta pra mim, desculpa, ainda não te esqueci, eu te amo.

O poeta se enganou quando disse que as rosas não falam, muitas vezes elas gritam aquilo que até mesmo o coração mais enferrujado não sabe demonstrar, ou simplesmente dizer.

Carregam uma magia de surpresa, e bilhetes muitas vezes escritos com certo nervosismo, não se manda flores para qualquer pessoa, pois não é qualquer pessoa que queremos atingir com um ato tão bonito, talvez seja a forma mais pura de se dizer alguma coisa que não cabe em palavras.

O fato é que ninguém é imune a essa emoção, até mesmo o mais insensível dos mortais, com toda certeza se encanta.

Envio-lhe flores para mostrar a elas o quanto são singelas diante da tua beleza, envio-lhe flores para que elas brotem no teu pensamento eternamente fazendo com que teu coração jamais se esqueça o quanto te quero bem, envio-lhe flores para que a maciez de cada pétala suavize meus erros curando as feridas que sem querer foram abertas, envio-lhe flores, pois ao vê-las no meio de meu caminho tão corrido, cheio de pressa e compromissos me fizeram lembrar de ti, colocando-me diante de uma vitrine repleta delas a me fizerem sorrir imaginando o teu sorriso ao recebê-las.

Receber flores é como dizer ao mundo: vejam alguém me ama, toda essa beleza é para que eu saiba que sou amada, alguém quis simplesmente embelezar meu dia.

Sempre que vejo nas ruas uma pessoa com um buquê de rosas ou de flores, percebo esse orgulho, carregando-as num abraço com a mesma força e carinho que logo mais serão entregues a quem as enviou, abrigam no rosto um sorriso tímido que parece querer dizer: olhem todos vocês como minhas flores são lindas!

Há quem acredite que mandar flores é sinônimo de um romantismo tolo, ledo engano, não sabem a força que elas exercem, pois por detrás de uma rosa, tantas outras coisas são sentidas, mesmo depois de mortas ninguém as esquece, sempre fica no coração o perfume daquele primeiro momento, o encanto, o mundo inteiro que parece parar diante da beleza do instante em que elas foram recebidas.

Vermelhas, brancas, champanhe, rosas, cada uma delas com suas cores, simbolizando um sentimento diferente, um querer próprio, porem sempre uma atitude de amor, suavidade, carinho.

Queria eu ter um jardim delas, para ofertar todos os dias a todos os que amo, pois assim principalmente nos dias mais difíceis a beleza e a pureza estariam resguardadas num simples botão capaz de dizer que apesar de qualquer coisa a beleza da vida sempre estará presente.

Dê flores a quem você ama, sempre!

D.S.L