Qual é o seu lugar?

Uma emissora de televisão brasileira – é preciso frisar – vem se esforçando bastante e tendo muito cuidado em discutir o tema homossexualidade em suas novelas, não sei ao certo se o intuito é o de conscientização social, ou mais um artifício em busca da tão famigerada audiência, afinal de contas sabemos que nessa disputa de ibope vale tudo, e o assunto em questão hoje tem surpreendentemente gerado polemica e curiosidade, digo surpreendentemente, pois a um tempo atrás era tido como tabu, inaceitável dentro das casas brasileiras, quando algum autor cismava em fazer um personagem do gênero, logo precisava mata-lo ou manda-lo para algum outro pais distante da trama.
É louvável saber que a população vem evoluindo e que a homossexualidade já não é pronunciada com direito a “três tapinhas na boca” como antigamente, por ser tratada como doença ou qualquer outra coisa ruim.
Em especial me chamou atenção uma cena onde a proprietária de um quiosque de praia gay, encontra seu bar destruído por vândalos homofóbicos, ou melhor, destruído por uma turminha de garotos subtraídos de qualquer sensibilidade e paz de espírito que sem nada melhor a fazer em suas próprias vidas,  perturbam a vida alheia.
O fato é que na tal cena, lia-se pichado na porta do estabelecimento a seguinte frase: “lugar de gay é no inferno”.
Talvez a novela não alcance seu objetivo de conscientização, mas ela vem mostrando o quanto é feio, covarde e desleal odiar uma pessoa pelo fato de sua existência, pois essa frase quer dizer o mesmo que: você não deveria existir. É como um decreto, uma sentença, onde o rei pode ser qualquer um, basta para isso sentir-se superior a qualquer outro ser humano que lhe pareça diferente.
Hoje em dia é um absurdo discriminar alguém por seu tom de pele, mas a anos atrás lugar de preto era na senzala, que convenhamos pelos livros de historia eram como o inferno na terra. Hitler acreditava que lugar de judeu e demais minorias indesejáveis era em campos de concentração. A inquisição caçava fies que pensassem contrários a Igreja Católica, e assim vai, a historia da humanidade esta ai pra não nos deixar esquecer até aonde o ser humano pode ir por uma ideologia, lembrando que toda ideologia que conheci ate hoje foi motivada puramente pela conquista de poder, um poder cego e incapaz de melhorar a vida da coletividade, afinal de contas quem quer o poder, o quer para si, e não para dividi-lo.
O quanto soa absurdo alguém querer delimitar o lugar a qual as pessoas devam estar.
Mesquinho, medíocre, pequeno, como é capaz alguém apontar o outro e dizer: seu lugar não é aqui!
É inimaginável tamanha crueldade, a falta de sensibilidade em questão sobrepõe qualquer limite de indiferença, e isso é mais comum em pensamentos do que se possa imaginar.
No mesmo folhetim em questão temos também um negro bem sucedido, premiado em sua profissão, dotado de um poder de sedução capaz de conquistar mulheres lindas, e eu me pergunto quantos outros negros na mesma situação, na vida real estão sujeitos ao apontamento alheio e invejoso que julga que o lugar dele não é ali.
Quantos de nos somos sub-julgados silenciosamente, pois os proprietários de pensamentos assim, em maioria são covardes, hipócritas, incapazes de repetir em voz alta aquilo que seus pensamentos mesquinhos confeccionam.
A questão a ser levantada não tem bandeira certa, não é por ser contra ou a favor disso ou daquilo, é por estar pelo outro, ser o outro, imaginando o quanto certos sentimentos, palavras e principalmente ações são capazes de ferir.
O mundo não deveria ter cota de “lugares” fabricados, pois cada um merecera ocupar o espaço pelo qual lutou, mereceu, ninguém tem o direito de dizer ao outro onde ele pode ou não chegar, ou estar, ou ir.
Não sei dizer quem vai ou não para o céu, quem alcançara o topo do sucesso, quem ocupara uma cadeira enorme em alguma sala refinada de reuniões cheia de gente “importante”,
quem se sentara a mesa dos melhores restaurantes, ou quem ocupara nome na lista das melhores festas, sei dizer que qualquer pessoa,independente de qualquer outra coisa tem esse direito.
O direito de sonhar com suas escolhas, com suas lutas, não sei o que esta certo ou errado, sei que a ninguém foi dado o direito de menosprezar o outro por ser gay, pobre, preto, gordo, feio, magro, bonito. Esta na hora das pessoas serem aquilo que são e ponto final.
Cada um conquista o lugar que merece essa é a lei da vida para todos, indiscriminavelmente.
Feio e infernal é negar ao outro o direito de ser gente, de existir, viver, e ser feliz!
D.S.L

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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