*”Os pecados são todos meus…”

O medo da perda faz suspeitar que esta perto do fim.

Não existem motivos aparentes, é tão somente o ciclo natural das coisas, o qual confesso ser motivo de assombro, afinal um dia tudo morre.

Dramaticamente penso que talvez elas estejam de fato querendo me deixar, peço com humildade que não aconteça, prossigo declarando o meu amor, é sabido que são o melhor de mim. Vagueando desconfiadas solicitam um tempo para pensar.

Elas se defendem: dizem que ando preguiçosa, desencorajada, desestimulada. Os olhos lacrimejam ausentando-se de qualquer culpa, justificando que são os mesmos, que vivem a me tentar, apontar, colorir, mas que muitas vezes não tem a atenção merecida, justifico-me dizendo que a vida anda corrida, tudo tem pressa, muito trabalho, os anos chegaram anunciando um cansaço antes inexistente, as responsabilidades tem crescido, a vida anda um tanto quanto difícil para ser merecedora de palavras bonitas, não gosto de rabiscar tristezas.

O coração permanece em silencio.

As mãos soam de medo e desprendendo-se de qualquer pudor aparecem nuas, revelando toda sua juventude, em uma rebeldia revolucionaria berram: somos jovens, não temos rugas, dores ou fadigas, não nos culpe.

Afinal de quem é a culpa?

O coração permanece em silencio.

Os olhos pedem permissão para uma confissão: temos nos mantido varias horas em frente a caixa retangular colorida e perdido noites com frivolidades que não nos acrescenta, pela segunda vez é ouvido em alto e bom som: preguiça.

Eis o momento confessional: minha culpa! Todos se calam, e o coração levanta os olhos enquanto prossigo: o casamento já dura a muito tempo, o amor é tão forte, puro e verdadeiro, vagabundices tomaram conta de mim, não tenho dado o valor devido, confesso minha preguiça, mas jamais esqueci da importância que tens em minha vida, não me deixem sozinha, sem vocês sou quarto escuro, festa sem amigos, naufraga de pensamentos sem forma, sem eira ou beira, ninguém, nada, coisa nenhuma.

As mãos se juntaram, os olhos se aconchegaram meigos e brilhantes em um traço que adornou um sorriso, os passos antes eufóricos silenciaram, a pele perdeu o arrepiou parecendo adocicar tranquilamente os sentidos, toda aquela confusa historia voltou aos devidos parágrafos, virgulas, acentos, correções, a paz fora concedida, as ausências perdoadas, não sem antes anunciadas as promessas de mais devoção.

O coração ainda em silencio afastou a cortina, apontou os céus e me fez voar novamente, sem querer ouvi em sussurro suas palavras tão bem guardadas: estaremos sempre aqui, basta teus sonhos virem nos buscar e fabricar essa poção mágica onde os olhos colorem, a pele se arrepia, os pés deixam o chão, o som se cala para formar a palavra, e a mim ao fim resta o palpitar em paz e feliz  que a tudo da sentido.

Voar é teu caminho!

D.S.L

*titulo em menção a musica de Gilberto Gil, Drão

É tão bonita que dói.

A idéia permanece branda, a tela em branco, as palavras sem razão, não me espanto, me ouço e então tudo se ascende, governo meus anseios e elas pouco a pouco vão me concedendo a honra de despi-las.

Tantas coisas se escondem onde ninguém enxerga, quem me dera poder cutucar um a um para lhes alertar sobre essas coisas.

Não são delírios: assim prometo, assim sorrio, e perdôo-me de tudo aquilo que não consigo alienar, já não me levo tão a serio, vou para lugar nenhum e feliz a cântaro-lar alguma velha cantiga.

Não busco tanto sentido, concluindo isso sorrio uma vez mais e assim sorrindo meio louca, sem previas, sem rascunhos, oriento-me pela liberdade e prossigo tatuando em cada dia: dei-me asas na ultima primavera, dei férias a tudo o que foge de minha alçada resolver, decidir ou entender, assim eis que decreto, ou melhor, humildemente confesso a vida: o meu desejo de paz.

Desejo concedido!Vou me declarando…

És tão bonita que dói. Dói para nascer e mais ainda para partir, e tão somente dói, e neste intervalo de tempo um coração partido dói, um ressentimento lateja, uma decepção sangra, um sonho muito grande vai ficando pequeno e morre, uma lembrança vai sobrevivendo ao tempo, um novo sonho se ilumina e de tão bonito dói.

A vida é tão boa que arde, queima e suplica pela paz depois do riso, ela nos humilha com nossas pequenas coisinhas que de tão pequenas se findam em uma caixa de madeira que parece prisão, mas que na verdade nos liberta para outra consciência, afinal isso tudo não faz sentido terminar aqui, a vida é bonita demais para ser tão covarde ao final.

Libertar-me de todas as amarras que criei minha Santa amiga, e quem sabe assim voar, quem sabe então deixar de sentir medo, não quero mais imaginar quem sou, apenas a verdade interessa mesmo que imaginaria, lendária, impossível.

O espelho não me diz, o ruído dos passos na madrugada revirada pelo pensamento que pulsa não é capaz de responder, o mergulho na alma não ajuda ao contrario faz iniciar mais uma tempestade, enquanto a pergunta não se cala: quem é você?

Complicada investida neste alvo incerto de sonhos, pesadelos e realidade capazes de se confundirem a todo instante.

Libertar-me de que? Partir para onde? Deixar o que? Em busca sempre, mas e agora? Que historia afinal quero contar? E se ir tão longe me fazer perder das amarras que criei para me segurar.

O que me prende a esse instante. Quem afinal me absorvera dessas minhas heresias pensantes, desses apelos vãos ao universo que até hoje se fez conspirar a meu favor, acho que o universo foi comigo meio santo, meio louco, pecador.

Dirão que é falta do que fazer, respondo com o silencio que alguns conseguem ouvir, ou ler, ou até se compadecer: preciso saber, sentir e pulsar, sangrar e ser o confete ao vento que enfeita o nada do ar e que todos os dias me faz enxergar que a beleza esta em viver, e a vida meus caros volto a dizer é tão bonita que dói.

D.S.L

O espetáculo vai começar

Que rufem os tambores, tamborins, pandeiros, bumbos e afins, mas não se enganem o carnaval chegou ao fim.

Preparem os céus que os fogos irão trovejar festejando sobre as nuvens, lançando pontos coloridos de luz a encantarem nossos olhos, mas não se esqueçam: já são passados dois meses do réveillon…

Agora sim!Comemorem: o tecido vermelho aveludado da cortina ira se abrir, o grande espetáculo terá inicio: enfim o ano vai começar.

Ainda é quarta feira de cinzas, o marasmo toma conta dos foliões, ninguém quer rasgar a fantasia, quem dera dizem alguns que essa folia não terminasse mais, porem é preciso reprimir a alegria, creio até que seja heresia, mas enfim, Deus já nós dizia que há tempo para tudo e o tempo da folia precisa chegar ao fim, afinal só assim para tudo começar. Quem esse ano não pronunciou: “vou resolver depois do carnaval” que atire a primeira pedra.

O espetáculo vai começar, e tenho ouvido falar que será um ano difícil.

Ao passo que tudo recomeça para novamente, afinal estamos a cem dias da copa do mundo e conforme o chamariz de um famoso comercial televisivo: o futebol esta voltando para casa e prometendo fazer muita bagunça, muito barulho, festa, insegurança, violência e é claro a boa e velha corrupção por parte dos nossos queridos governantes que já estão a postos superfaturando estádios, obras viárias etc.

O evento não é o que nos fará mal, mas sim essa vergonha enraizada de sermos governados por bandidos e gente desprovida de qualquer humanidade para com a nação. Mas aprendi senhores, ou melhor, a vida impôs essa condição para que não enlouquecesse de sempre enxergar o lado bom… É inegável a visibilidade que teremos diante do resto do mundo sobre o que temos em abundancia e motivo de orgulho: natureza, alegria, essa gente maravilhosa que faz festa creio eu como nenhum outro povo, a cordialidade e acolhimento que ainda serve de escudo para tantas coisas feias. Prefiro acreditar que temos mais a ganhar. Prefiro crer senhores que o Brasil será hexa, e que o coro de que brasileiro só quer saber de pão e circo, seja abafado pela maioria de milhões em festa e alegria, alegria, alegria… Deixem a minha gente humilde ter felicidade, e, por favor, senhores políticos sem discursos, nos poupem, afinal a festa é para aqueles que amam o Brasil.

Emendando na brasilidade que ira se instaurar por aqui, vamos eleger novos governantes, e muita gente acredita que não há solução, e tantos outros querem anular o voto, fazer campanha contraria a todos os candidatos, no caminho oposto eleger para sacanear de vez sub-celebridades, palhaços, figuras bizarras Brasil a fora que provavelmente farão o esperado: sacanearão ainda mais. Remando contra a maré novamente prefiro acreditar que dentre muitos frutos podres que estarão mascarados estampando rostinhos bondosos e sorridentes nos horários eleitorais e afins, teremos um que nos terá compaixão e que este seja o eleito, teremos aquele que provara que nem tudo esta perdido, e que o Brasil é um lugar que merece ser cuidado. Prefiro acreditar que ainda dá tempo de mudar, que tem jeito, que podemos salvar tudo de bom e verdadeiro que nossa gente protege longe de tanta sujeira, afinal ainda conseguimos dar certo quando temos tudo para dar errado.

O brasileiro muda sua condição quando ingressa na faculdade, descobre um novo medicamento, se afasta do crime optando pela honestidade, o Brasil muda quando nos temos esperança, e tudo isso não é mérito de nenhum partido político.

Prefiro acreditar senhores, pois é o que me resta, e se chegar o dia em que meu único caminho seja deixar de ter fé, não caminharei mais, paro onde estou e espero o fim de tudo com os olhos fechados. Creio senhores, pois sempre há algo divino, humano e maravilhoso que sobrevive a tantas tristezas, descasos e omissões.

Emendei o verbo crer no substantivo bem e o resultado dessa analise maluca que nada precisa concordar com a gramática é: crer no bem!

Estimado publico que rufem os tambores!E que ao final desse espetáculo estejamos todos emocionados e aplaudindo esse ano de pé com graça, alegria, fé e esperança.

D.S.L


As lagrimas de muitos.

A novela Amor a Vida, da emissora Globo no ar por volta de oito, nove meses… Opa!Antes de continuar o assunto quero lhes dizer caros leitores que sim: eu assisto novelas, evidente que não todas, pois admito: algumas são um saco, folhetim barato, interpretações ruins, etc.

Há quem não goste por achar a produção fraca, e o assunto girar sempre em torno de um mesmo contexto: o bem contra o mal, a mocinha em busca de amor, os vilões.

Vilões…  Já a algum tempo estranhamente temos nos apegado a eles, olhando-os a partir de um eixo que explique suas vilanias, é como se estivéssemos sentando o “vilãozão” em nosso sofá e querendo que ele nos diga qual sentimento o motivou a cometer tantas atrocidades.

O telespectador hoje não torce somente pelo casal protagonista em final feliz, mas sim que o vilão “tome tento” na vida, encare a realidade, de certa forma sofra com as conseqüências de seus erros e se redima no final, conseguindo ser feliz e melhor.

Ser feliz e melhor… Voltando a historia de Amor a Vida, esse lema por assim dizer é o que nos capítulos finais esta caracterizando o personagem Felix, que tantas vezes surpreendendo a historia da televisão brasileira conseguiu fazer rir e fazer chorar sem jamais perder a verdade e as peculiaridades do personagem.

O choro do personagem chama atenção por ser as lagrimas de muitos de nos.

Com todo tipo de louvor: reverenciada seja a atuação do ator Mateus Solano diante de tal complexo personagem, atuação tão forte e verdadeira que fez com que a sociedade creio eu pela primeira vez na historia torcesse pelo casal homoafetivo da novela. Todos nos que acompanhamos a saga do personagem esta torcendo para que Felix seja enfim feliz.

E porque Felix não pode ser feliz antes?

Por que disseram a ele que não era possível. Que sua provável escolha em dividir a vida com um outro homem não traria felicidade, era errado. Disseram a ele que seu amor, seu desejo eram pecados mortais, sentiram vergonha dele, pena, asco, desprezo, desamor, desatenção, e o fizeram infeliz, sem perspectiva alguma de viver enfim a própria vida.

Nada justifica suas maldades. Nada! É possível ganhar o jogo de outra forma, e quando se ganha o jogo conquistamos respeito, dignidade, força, podendo assim afirmar que ser feliz é possível desde que se tenha o sonho de ser melhor a cada dia, e isso não esta entrelaçado a sexualidade, religião, doutrina, este laço é dado através de seu caráter e uma visão que simplesmente constate: que o mundo não gira em torno de você, nem da maneira como pensa.

Felix chorou durante varias cenas as lagrimas de muitos, e talvez assim mostrando o outro lado do preconceito as pessoas enfim parem de sentir algo tão cruel e destruidor quanto qualquer maldade que um vilão possa cometer.

Não seja vilão! Liberte-se de seus preconceitos, olhe para o outro, e enfim reflita: você não tem o direito de decretar quem pode ou não ser feliz.

D.S.L

*imagem Rede Globo

Nos de tempo

Uma pagina em branco, novos dias, um ano novo… Corrigindo um feliz ano novo.

Não quero falar sobre as coisas passadas, findas e imutáveis, mas sim sobre essa felicidade que nos é dada a cada fim de ano como uma centelha divina que nos leva a querer começar de novo, do novo e para o novo.

Difícil falar sobre o que esta por vir, é como ter algo coberto por um tecido muito delicado e bonito que pode esconder grandes vitorias, decepções, felicidades, tudo esta oculto aos nossos olhos, e cá pra nos esse é o grande barato, assim fica bem mais facil acreditar que tudo pode acontecer, tudo de bom é claro, fica mais fácil rasgar o peito de esperança, sentir a fé a ponto de fazer os olhos lacrimejarem, mas o que podemos ter de inicio é a decisão de fazer diferente, ou ao menos tentar.

A vida não esta fácil para ninguém, são muitas porradas para poucos afagos, mas ela nos acarinha todos os dias, basta querer saber e enxergar, e para isso nobres amigos contemos somente com a visão de que tudo tem seu lado bom, e mesmo quando não conseguimos o enxergar em um primeiro momento esse lado, que sejamos capazes de acreditar, de ter em nos aquele otimismo imensurável e tantas vezes insensato de que pode dar certo. Se remarmos com força podemos sim vencer a correnteza, sair de onde não queremos estar, abandonando o choro naufrago de toda tristeza e conquistar o sorriso de quem é acabara de ser resgatado.

Caso me fosse concedida a dádiva de aconselhar esse ano novo, eu diria a ele que seja feliz, ou melhor, o aconselharia a ser o melhor ano da vida de todos, talvez ele me respondesse cabreiro que isso é impossível, afinal somos muitos nesse planeta que apesar de grande é só uma ilha, mas não importa, é só um conselho, portanto continuarei a dizer: seja inesquecível ano novo, e assim com a minha insistência quem sabe ele pare para ouvir meus conselhos:

Chega dessa coisa de fome, e injustiça. Acabe de uma vez por todas com o sofrer das crianças abusadas, exploradas, maltratadas, subnutridas, sem infância, sem sonho. Não é legal bicho maltratado. É feio e triste idoso desrespeitado no abandono ou perante a lei. Chega de certidão de nascimento sem nome de pai. País em guerra por religião, poder, ou ódio pelo ódio.

Pare de uma vez por todas de dar poder a quem não tem caráter, princípios e responsabilidade para com a confiança da nação que a esta governando, esse tipo de gente não é feliz, não vale a pena, não quer o bem. Pare de uma vez por todas de lustrar o mal, a “coisa” anda tão seria que muitas vezes chegamos a acreditar que somente corações ruins vencem por terem voz e fazer mudar as situações a seu próprio favor.

Que você se canse de ver tantos corações querendo amar sem ter amor. Ora essa senhor ano novo: coloque o cupido para trabalhar. Basta de solidão! Aconselhe-se com um amigo meu chamado Tom que diz “fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho”. Pare a ouvir os corações, muitos deles clamam por encontrar a pessoa certa, um certo alguém, afinal a solidão tem seu charme, seu tempo, mas quando a queremos dividir é porque sonhamos em amar.

Encerre de uma vez por todas com qualquer tipo de preconceito. Declare: somos todos gente! Decrete o respeito e o direito a se viver em paz, cada um a seu modo. Chega de crimes motivados pelo ódio, esta na hora de acabar com essa violência sem sentido e gratuita.

Invada os corações com uma porção exagerada do bem, da paz. Dê prosperidade a quem muito sonha, realize um sonho de cada pessoa, um só, aquele esperado, faça aquilo que seus outros colegas não realizaram, torne-se inesquecível, único.

Seja breve no inverno, a vida caminha melhor a luz do sol. Seja generoso e cuidadoso com a beleza da primavera. Cubra os parques, florestas a vida com as folhas bailarinas do outono. Nos de mais tempo senhor ano novo no verão para que possamos caminhar por novas praias, brincar com as águas de cachoeiras, nos de tempo e alegria para nos divertirmos em um banho de mangueira.

Nos de tempo senhor ano novo, tempos de paz, sabedoria, prosperidade, crescimento, tempo para saber das coisas simples da vida que verdadeiramente nos torna únicos e felizes.

Nos de tempo!

D.S.L

Essa “coisa toda”

Noite passada adormeci chorando, sozinha, em silencio, permitindo que as lagrimas corressem pelo rosto, molhando o lençol por debaixo da nuca.

Chorei por uma porção tão grande de sentimentos: alegria, medo, saudade, lembranças.

Essa coisa toda de fim de ano aflora a sensibilidade de uma maneira gigantesca, se ontem me perguntassem quem sou, responderia: um coração.

Poucas pessoas sentem essa energia, é um misto de medo, esperança, alegria, saudade, saudade, saudade… De um Natal em família que não aconteceu, de um ano novo sem festa, nada brilhante, em casa sozinha e embriagada, daquela esperança de inicio de ano que perdeu o prazo para que coisas boas acontecessem se encerrou e nada mudou.

O fato é que são cada vez mais raras as pessoas que param para pensar ou retroceder a tudo que aconteceu.

Obviamente que nem tudo vale ser lembrado, mas é como faxinar um guarda roupas, muitas vezes esquecemos o que temos guardado, não é diferente na vida: esquecemos o melhor de nos para ser medíocre diante de um grupo hipócrita que não cheira nada bem: custe o que custar deixe-os; quantas fotografias deviam ter sido reveladas na memória em nome daquele momento que jamais ira voltar: reviva esse instante e não o perca nunca mais; musicas perdidas em fitas cassetes que deixaram de ser cantaroladas: dê um show ao vivo a você e cante-as em alto e bom som.

Parar para pensar ajuda a não esquecer o quanto somos agraciados, quão boa e bonita é a vida e ao faxina-lá às vezes podemos encontrar assim meio escondido no fundo do armário um sonho pendente, uma esperança que precisa ser vivida, um sentimento quase desfalecido que não pode morrer, e então a mágica acontece novamente e começamos novos dias com um novo olhar para justificar a vida.

Gosto de me perder no tempo, e esse espaço que crio no mundo as vezes por poucos instantes me diz: vai lá! Observa, imagina, brinca. Liberte-se! Esse é o seu momento, afinal ninguém mais saberá dessas coisas que tão nitidamente enxergas, dilacera a realidade com esse sonho, rasga tudo isso tão material e possível de toque, planta algodão no asfalto, coreografa todo mundo nesse ponto de ônibus dançando uma melodia do Elvis, abraça o sol, deixa esses raios avançarem por suas veias, ilumine-se, dê bom dia aos pássaros – ninguém mais vai escutar – peça ao universo silenciosamente cada vez que ouvir um mensageiro do vento que o dia seja fantástico e a vida cada vez mais maravilhosa, crie o homem perfeito, pessoas do bem, historias de amor, descreva a dor majestosa, a lagrima feito cicatriz, a virgula, mas jamais deixe que de crer e sentir essa felicidade imensa e exagerada que eternamente lhe fará ter esperanças.

D.S.L

Feliz Natal a todos, e uma imensidão de esperanças para um Feliz 2014!Que Deus os abençoe!

Mais respeito senhores, mais respeito.

Rolihlahla Madiba Mandela, poucos o conheceram por esse nome, mas trata-se do nosso humano Nelson Mandela, diga-se de passagem muito humano, daqueles de se fazer invejar nos dias de hoje, defino-o como raro, muito raro.

Sua historia, vida e luta é conhecida por todos, portanto não é necessário contar aqui o caminho que este homem trilhou em prol de algo maior e intenso que justifica toda a comoção de uma humanidade diante de sua partida.

Sábio, estudioso, social, mas acima de tudo humano, vale intensificar muito humano.

Difícil escolher uma frase de Nelson Mandela para citar, mas estas palavras a seguir sempre me causaram comoção, tornando-se a mim exemplo de força e entrega: “Lutei contra a dominação branca e contra a dominação negra. Defendi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e conseguir realizar. Mas, se for preciso, é um ideal para o qual estou disposto a morrer”. (Depoimento no Julgamento de Rivonia, 20 de abril de 1964).

Mandela pode com toda a propriedade, brilhantismo e conhecimento pelo que esta fazendo cerrar o punho e estende-lo para simbolizar sua luta socialista. Sim senhor Madiba o senhor protagonizou esta luta sem excentricidades, aproveitamentos, e radicalismos que a tudo sempre destruiu.

Diante de toda essa grandeza quero pedir encarecidamente aos nossos políticos presos, Genuinozinho, Zé Dirceuzinho e a corjinha “ilimitada” não só do PT, mas de toda a nojeira partidária deste pais que se Deus quiser em uma espécie de benção ao povo brasileiro ira para a cadeia, que em respeito, se é que eles ainda possuem algum pelo que quer seja não repitam tal ato quando se auto declararem presos políticos.

Não cerrem os punhos! Não cometam esse pecado, olhem para Madiba e sintam vergonha, lhes imploro, se lhes restar alguma, sintam vergonha.

Contemplem a figura de Mandela, aprofunde-se em sua historia de luta, mas não toquem no seu nome, não queiram repetir seus atos, seus gestos, suas palavras, pois vocês jamais terão essa visão do humano, tão pouco noção do que seja lutar pelo ideal social a qual este ser iluminado se dispôs a morrer. Não repitam esse gesto, por respeito não ao Brasil o qual vocês já demonstraram não ter nenhum, mas sim como ato de redenção final por dignidade a humanidade a figura de Mandela.

Mais respeito senhores, mais respeito.

Madiba descanse em paz!

D.S.L


Senhora de mim

“… uma construção que permite interligar ao mesmo nível pontos não acessíveis separados por rios , vales, ou outros obstáculos naturais ou artificiais.

… São construídas para permitirem a passagem sobre o obstáculo a transpor, de pessoas, automóveis, comboios, canalizações ou aquedutos.Quando é construída sobre um curso de água…”;(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)

Toda criança tem medo de alguma coisa: palhaço, papai noel, escuro, água, sempre tive vários medos, de muitas coisas, mas o qual recordo-me com mais nitidez é o medo de pontes, parece bobo como todo medo, mas ainda hoje adulta, confesso que titubeio ao passar por uma.

A coragem não se revelada quando você é tentado, ou colocado a prova, a verdadeira força se liberta transformando o universo quando vencemos a nós.

Tenho medo de pontes por uma explicação lógica e bem racional: atravessar uma ponte é querer superar um obstáculo já superado por outra pessoa, pois a ponte em questão a ser atravessada foi erguida por alguém que também precisou passar e acreditou ser mais seguro e por que não dizer generoso criá-la. Tal criação porem, não o livra de perigo algum, pois abaixo dela pode passar um rio cheio de pedras e correntezas furiosas,  carros, pessoas, bichos, uma mata, altura, distancia.

Desde o primeiro passo sobre uma ponte, o pensamento daquele que teme é o de olhar para trás e querer voltar, se ela balançar será ainda mais inquieto a alma atravessá-la, talvez a mesma já tenha ruído, e quanto tormento não causou aquele caminho aos que queriam tão somente passar.

Quantas vezes desejamos apenas que tudo passe, e que nós “passarinho*” como dizia o poeta.

Nos passos seguintes até a altura da metade da travessia, aquele que a teme ao olhar pra trás pensa já não ter como voltar, o meio balança e trepida com ainda mais intensidade, o que só faz aumentar a aceleração dos batimentos cardíacos, a aparente fraqueza nas pernas, o gosto seco, cansado e amargo na boca, as mãos soam parecendo escorregar do corrimão que auxilia o sustento do corpo.

À frente o caminho que falta ser percorrido parece cada vez maior, uma vez mais se pensa: conseguindo correr rapidamente, em segundos estarei liberto de todo esse pânico e a salvo no mesmo lugar de onde nunca devia ter saído.

Sempre as temi, porque toda travessia é carregada por momentos de fraqueza, cansaço, inquietude.

Por que demora tanto o ato de simplesmente passar de um ponto a outro? Quais segredos e surpresas encontrarei na chegada? Quantas pontes ainda terão que ser transpostas? E a pergunta tão cruel quanto o medo inicial: qual caminho encontrarei após tantos temores, conquistarei enfim aquilo que vim buscar?

Não posso adivinhar, tão pouco intuir, imaginar sempre, mas desde de muito cedo aprendi que posso dar o primeiro passo ainda que obscuro pelo medo.

Meu caminho não é o de ser dona do mundo, não serei coroada rainha de coisa nenhuma, nem do ouro, nem da prata ou pedras preciosas, não quero ser dona de nada, pois ao final da travessia desejo humildemente ser coroada senhora de mim, tendo como posse em vida minha porção de fé, prosperidade, missão e amor, este ultimo ornamentado de paz, amizade, e uma melodia suave para enfim repousar no colo Daquele que se fez coluna de todas as minhas pontes e Rei de toda a minha historia.

* Referencia ao poema de Mario Quintana

D.S.L


A velha corcunda

Desintegrar, e feito pequenas partículas deixar de existir, ou melhor, tornar-me vento, livre, sem amarras, sem este corpo e essa alma sempre sedentos por alguma coisa.

Deixar de ser, ou seja, lá o nome que se dá a isso: largar tudo, chutar o balde, mas ainda prefiro o começar de novo que soa mais leve e propicio a quem tem fé…

A sabedoria diz que devemos nos afastar de tudo o que nos faz mal, mas a realidade é outra, ou melhor, pode até não ser, mas para isso é necessário uma coragem uterina e quando essa força não é suficiente vamos sendo saciados por cacos de vidros, os quais mastigamos e tentamos engolir sem ao menos um copo d’água, vivendo a ilusão de que não fará mal, não machucara, mas é evidente que a ilusão acaba ao experimentar essa dor insuportável, sim: este é o paladar de tudo o que vamos negligenciando e engolindo sem querer, seja no trabalho, na família, aonde for, são cacos de vidros que só fazem cortar, abrir feridas e sangrar.

Desejar cansa, e enquanto não se tem novidades resta apenas àquela boa e velha esperança, mais velha do que qualquer outra coisa.

A esperança é uma senhora corcunda, cheia de rugas, que se arrasta pelos dias lentamente, cada vez mais cansada, sorrindo menos, emudecendo ao passar das horas, até quando se vê sem forças para andar, e então alcança o ápice de sua longevidade, sonhando apenas com o sossego de uma morte pacifica e providencial, eis que neste momento surge a novidade: a esperança é desmascarada pela verdade, o sonho é realizado, e então a velha senhora sem forças e senil, como num passe de mágica transforma-se em um lindo bebe o qual cumprira todas as fases de sua jovem vida até o dia em que estiver novamente velha, mas então outros sonhos virão, e ela incansavelmente não morrera.

Tudo esta deserto, com raios de sol tão quentes que rasgam a pele, o ar insuportável e seco, os olhos embotados de cansaço e dor, avermelhados pelas lagrimas que ainda restam, mesmo sem um oásis em que se possa confiar.

Exausta, ferida, buscando ar num respirar profundo, a cabeça embaralhada, a alma cheia de perguntas e essa vontade latente e incessante de querer movimentar e mudar quase tudo, mesmo tão frágil não se deixa desistir, pois a vida é bonita, as vezes até suave, e movida por uma sensação inacreditável e indescritível de fé que na manha seguinte mesmo sem sentido lhe coloca de pé novamente, afinal uma nova e bela manha nasceu e ela merece mais um dia de esperança.

D.S.L

Deixar de dar perdão é tão feio.

Não lhe perdoo caro poeta, ou poetinha como Tom o chamava (diga-se de passagem outro que também não perdoo) e não me venha dizer Saravá, ou qualquer outra coisa que possa mudar o rumo dessa prosa, sei bem das suas artimanhas de conquistador. E como conquista…
És de um charme safado, descarado, e imensamente doce, mas não posso lhe perdoar, você partiu antes mesmo do meu nascimento, impedindo que em vida eu lhe procurasse feito mulher louca e cheia de atitude, para quem sabe na hora, perder a coragem e timidamente ver-te apenas de longe em algum boteco do Rio, a escrever, a cantar, a sorrir, a beber, a cortejar alguma moça, ou fazer tudo isso ao mesmo tempo.
Queria sentar ao seu lado, ficar em silencio sabe? Olhando você respirar. Saber o jeito como levava seu whisky até a boca, vê-lo tragar seu cigarro, ajeitar os cabelos, sei que existem vídeos que podem saciar em parte meu desejo, mas queria ir alem: sentir seu cheiro mesclado ao do mar quando a brisa o levasse para dentro de mim.
Você se foi, não o perdoo e ponto final. Mas deixar de dar perdão é tão feio, não combina com esse meu sonho de tê-lo conhecido mais de perto, pensando bem poeta, não tenho que te condenar, pois deixastes em mim esse vislumbre boêmio, essa vontade de mar, de amar, de sorrir e ser poesia, torna-me poeta, ou quem sabe humildemente e apenas: escriba, como intitula-me uma amiga, das coisas vividas desse mundo encantador que criastes sobre o amor.
Perdoo-te poeta, pois as tuas palavras, letras e musicas, a tua vida, mesmo que tão distante da minha deu-me esperanças de que “se todos fossem iguais a você que maravilha viver”*… Portanto Vinicius, meu poeta “… vai tua vida teu caminho é de paz e amor, a tua vida é uma linda canção de amor. Abre os teus braços e canta
a última esperança a esperança divina de amar em paz”*.
Com toda certeza deves estar a cortejar algum ser celeste com sua poesia imortal, espero dessa vez, daqui a uns bons anos chegar a tempo de te encontrar.
D.S.L

* V.Moraes