Dos dias a teu lado…

“O sol se pos lentamente…

Atiçando o céu com sombras em laranja e vermelho

Há distancia negras nuvens surgiam no horizonte levando o vento de verão

Logo o dia daria lugar a noite e com ela o silencio que se apodera de tudo.”*

O mesmo silencio que ouço nestas manhas onde mesmo que o sol não se estenda no céu, meus olhos acordam cegos com a luz dos teus.

Cheiro, gosto, formas…

Tocar em ti é como ter tinta nos dedos e o poder de pintar o mais lindo dia, todos os dias, todo tempo.

Não a mais silencio em mim, tudo grita, tudo se move…

Tudo quer você… Eu, o dia, a chuva, a lua, o vento, tudo te busca e só meu coração te encontra desacelerado, tranqüilo, refeito; Tuas mãos de anjo o puderam tocar.

Os quadros em branco nas paredes da minha alma voltaram a colorir-se

Obra tua, do destino, do momento, obra tua, divina….

Deixe-me em ti por toda a vida que seja.

Deixe-me em teus sonhos durante a noite, em tua vida ao raiar do dia.

Deixe-me refletir nos teus olhos, nestes dois pontos de por do sol.

Deixe-me sem sentido, perdida, quase que incrédula desta realidade tão abençoada.

Que se abram todas as portas.

Que se façam desfeitos esses labirintos todos sem sentido que outras mãos construíram a fim de destruir todo o amor que um dia as ofereci.

De uma vez por todas, que me voltem os sonhos puros, dos quais eu tivera medo.

Que a paixão afinal deixe de existir, que eu chore diante de mim, pois enfim amo outra vez.

D.S.L

*Trecho do filme De encontro com o amor

Carrossel

Você me liga às quatro da tarde, perguntando o que eu acho sobre a gente cozinhar isso ou aquilo logo mais, e passar na locadora, porque leu em um site durante a tarde sobre um filme que parece interessante, no final da ligação sempre termina dizendo que esta com saudades.

Deve dar pra sentir o meu sorriso pelo telefone quando respondo, parecendo não estar muito atenta ao que você diz que as seis a gente decide o que fazer.

Todas as tardes você liga e mesmo que o dia pra mim não esteja nada bom, eu te atendo com um sorriso, pois reconheço que você é o melhor momento de todos os meus dias.

Quando a tarde vai se encerrando carregada de horas de cansaço, eu me despeço de tudo, e só o que me interessa é cair nos teus braços ao chegar em casa, conversar com você pra saber como foi o seu dia, eu me divirto com esse seu jeito cômico e sarcástico de contar as coisas, sempre com um sorriso menino nos lábios, sempre olhando tudo por um ponto de vista diferente daquele que todo mundo enxergou, sempre imitando as pessoas.

Você é a coisa mais interessante que já aconteceu na minha vida, de todos os livros, musicas, filmes, pessoas, você é a melhor de todas, talvez nem saibas do tamanho dessa minha admiração, sou completamente louca por você! Mas sei o quanto você é humano, e assim o quanto pode ficar vaidoso ao saber o tamanho da sua importância na minha vida.

O tamanho da sua imensidão cabe nos meus braços, quando você se perde em meu colo, e do alto eu fico me perguntando qual sentido a vida teria se eu não tivesse encontrado você.

É incrível a paciência que você tem comigo, acho que é por isso que dificilmente brigamos, eu sou bem mais implicante que você, fato. Você sempre sorri diante disso, e apenas diz que eu sou uma “chata”, “implicante”, “intolerante”, e assim me desarma para qualquer briga, pois de tanto amor suas criticas me soam doces aos ouvidos.

Eu adoro quando a gente sai e foge de todo mundo durante a noitada pra muitas vezes amanhecer se entregando um ao outro, não somente de corpo, mas de alma, adormecendo com esse amor que parece não ter fim.

Parece à narrativa de uma rotina chata e sem sal, mas posso comparar a vida com um parque diversões, já foi agitada antes, na “montanha russa” durante varias vezes o coração disparado diante das diversas emoções que senti, mas agora eu prefiro passear com você no “carrossel”, pois assim tudo fica mais bonito, cheio de cor e fantasia, assim temos tempo pra uma boa conversa, para parar o momento e sorrir um pro outro, sem aquela euforia, seguido de um rosto assustado e gritos para aliviar o coração, enfim, trocamos a adrenalina pela felicidade.

Outro dia fui perguntada se não me sentia entediada, se não me faltava àquela necessidade de algo novo na vida. Respondi que não, e completei dizendo, que você ou nós, não sei ao certo, pertencia o dom de fazer parecer como se tudo estivesse acontecendo pela primeira vez.     

D.S.L

 

O “Prozac” nosso de cada dia!

 

Em tempos de crise, todo mundo meio que com medo de perder o emprego, de gastar um pouco a mais com os supérfluos da vida que nos fazem tão felizes, sem aquela esperança do salário aumentar e ao contrario fazendo figa com os dedos para que ele não diminua.

Apostar na loteria é como tomar Prozac, e viver algumas poucas horas em êxtase, vendo a vida num tom cor de rosa, e viajando nos sonhos que se poderão realizar com os “milhõezinhos”  engordando a conta e se multiplicando a cada dia.

Tudo bem, também concordo com aquela frase (clichê toda vida) “dinheiro não traz felicidade” e não coloco minha mão no fogo por quem acredita que ele a manda buscar.

Dinheiro não traz felicidade, mas lhe dá liberdade, isso é fato, e parece que isso já foi filosoficamente constato por algum pensador(coisa não muito difícil de se constatar).

Dinheiro lhe dá asas, literalmente, pois só com ele se pode adquirir um jatinho, um passeio de asa delta, ou até mesmo uma viagem à lua.

Eu gosto de apostar, talvez porque eu não tenha muito a perder; e a esperança dentro do peito diante das visões claras dos sonhos que eu poderia realizar são algo que só quem aposta todas as fichas tanto no jogo, quanto na vida é capaz de sentir.

Com todos esses milhõezinhos eu desbravaria terras, conheceria outras culturas, auxiliaria um tanto de gente a se erguer na vida, mesmo que elas jamais soubessem que na verdade foram ajudadas por mim, pois eu não almejo esse tipo de fama, e sim o sorriso de quem já havia perdido a esperança de que fosse possível ser feliz.

Na contramão dessa esperança, penso nos sentimentos que o dinheiro faz nascer nas pessoas, dinheiro atrai amizades falsas, falsos amores, querendo ou não todo mundo fica mais bonito vestindo uma peça exclusiva e dirigindo um carro importado rumo a uma casa de praia cheia de luxo e conforto.

É engraçado também ver os apostadores nas filas com o joguinho na mão, ostentando uma cara de “paisagem” como se logo ali no guichê estivessem mais perto de concretizar todos os grandes sonhos de uma vida inteira.

Há quem diga que jogar é pecado, há quem se deixa viciar por isso creio que de fato torna-se pecador, porem a quem como eu e tantos outros o façam a penas para viver algumas horas sobre esse efeito “Prozaquiano” dos sonhos, não passe de uma outra forma de deixar os problemas de lado, e lembrar que tudo na vida é possível, até mesmo tornar-se milionário.

D.S.L   

De volta pra casa…

Quis perder minhas asas, recolhendo os sentimentos e pensamentos para dentro mim. Tive medo do rumo das historias, dos sentimentos dos personagens, esquecendo-me que ao menos diante das minhas palavras eu hei de ter o direito de ser livre.

Cerrei os olhos para luz, cor, ou qualquer outra coisa que me levasse de encontro à beleza antes cultivada nas diversas faces do cotidiano.

Afinal, tudo me pareceu uma grande mentira, visões inventadas de uma alma em transe, tão fora da realidade quanto essas palavras rabiscadas.

Andei machucada, ferida, cabisbaixa, como se houvesse perdido algo muito importante.

Como se uma ponte me separasse da vida.

Não imaginava o que, apenas sentia ter perdido.

Tive medo de não ter vontade de acordar novamente, pois dormir pra sempre era melhor do que viver sem aquilo que me faltava. Tive medo de nunca mais encontrar algo que me fosse importante, que valesse a pena.

Tudo gritava dentro de mim, mas eu não conseguia gritar pra fora, fiquei assombrada, sonolenta, doente de uma alma que berrava suas dores, ensurdecendo meus ouvidos. Quando a alma grita parece te prender em um quarto com uma porta trancada sem fechadura, sem chave, ninguém escuta seus medos, ninguém entende.

Não se enxerga coisas belas, não se cria frases sonoras e cheias de harmonia, quando se esta vivendo por obrigação, cansada de sentir demais, de viver demais, e sempre encontrar de menos, esperar demais, sem jamais ver chegar.

É como adentrar pela mesma porta, da mesma casa todos os dias, encontrar as mesmas coisas, e ter vontade de mudar tudo, por nada daquilo fazer mais sentido, por tudo ter perdido a importância.

Nem que para tal mudança fosse necessário quebrar todos os porta-retratos na estante, os quadros nas paredes, as coisas que se sabem estar colocadas no mesmo lugar. E são essas coisas nos mesmos lugares que não lhe permitem caminhar, não lhe deixam seguir em frente.

Foram dias e dias de chuva, dias e dias trancada nesse silencio que me aterroriza tanto quanto esses gritos. E essa tranca só se abre por dentro, ninguém tem o segredo dessa chave a não ser você mesmo. Portanto, quebrei tudo o que havia, destruí todos os porta-retratos e tudo mais que precisa ser destruído, para agora abrir as janelas da alma e reencontrar o que havia perdido, reencontrar a mim, a meus sonhos e a minha caminhada em busca de todo amor que houver nessa vida.

D.S.L

A “coisa”

Sabe quando você sente vontade de ter uma coisa que não sabe ao certo o que é?

Eu só sei que a tal “coisa” te faz falta, e então você demora mais a sair da cama, porque provavelmente não encontrara a “coisa” durante o dia. Melhor mesmo seria dormir o dia inteiro, ficar em casa largado no sofá olhando a teve, pois na verdade você não presta atenção em mais nada, seu pensamento é só da “coisa”.

Parece um sentimento de tristeza, mas você não está triste, apenas senti falta da “coisa”. Essa falta te traz um incomodo enorme, as pessoas ficam chatas, a vida fica sem cor, o trabalho pesado e maçante, a comida sem sabor, as musicas meio que sem sentido.

Você tenta sair, se distrair, mas o pensamento na “coisa” não te deixa em paz! Nenhum papo parece render, nenhuma historia parece interessar, os livros antes companheiros capazes de lhe transportar para um mundo novo, parecem estar com os guichês fechados para qualquer tipo de viagem.

E a única coisa que você deseja é a própria “coisa”, que você não sabe ao certo o que é, mas sabe fazer causar uma falta imensa.

Ficar quietinho em casa, é algo reconfortante, parece que ali a falta da coisa é menor, em alguns momentos você parece curado dessa saudade absurda, mas antes de dormir vem à falta da “coisa” outra vez, como uma necessidade de dormir agarrada a “coisa”, pela manha a vontade é de sorrir para a “coisa” logo cedo, e os seus desejos de sonhos madrugada a fora são com a “coisa”, e nem em sonhos você vê, toca ou a encontra.

Sei que a “coisa” começa a te deixar maluca! Sem lhe dizer nome, endereço, telefone ou ao menos sinal de fumaça ou qualquer pista de onde encontra-la, sabe-se apenas a falta que a “coisa” faz.

Eu não sei que coisa é essa, sei dizer que me falta! Talvez seja um lugar novo e legal pra ir, talvez conhecer alguém interessante numa noite dessas que fazem a gente voltar pra casa deslumbrada e acordar pela manha sorrindo, um abraço sincero, um sorriso, um olhar, não sei ao certo, pois até nisso a “coisa” é cruel.

D.S.L

“Temporariamente fora de serviço”

Talvez a culpa seja da miopia, que embaralha a visão e mesmo onde não existem motivos para acreditar, eu os detenha como forma de alivio para alma. Assim me apego a historias fadadas ao fracasso, e mesmo não persistindo nessas historias, ao final me custam tempo e energia, levando um pouco daquilo que tenho de bom, carregando gramas de esperanças que se perdem.

Talvez a culpa seja de alguma doença cardíaca que os cientistas desconhecem, eles deveriam estudar mais sobre corações bobos, e sobre a idiossincrasia de pessoas como eu, que detêm uma espécie de “caixa dois” onde superfaturam o valor das pessoas a sua volta.

Sinto-me como essas mensagens de celular: “temporariamente fora de serviço”, pois tudo o que havia, deixou de existir, sem ao menos deixar saudades. Resta um grande enjoou, uma ânsia de vomito, uma “puta” vontade de rasgar a roupa, ficar louca, e dar razão a quem de fato acha que a minha cura provem em esperar menos, sentir menos e realizar menos.

Eu jamais serei “menos”, e cada dia que passa tenho mais orgulho dos meus exageros, pois assim sinto de verdade tudo aquilo que tenho vontade, eu tenho coragem de bancar a boba, de borrar a face com lagrimas, de estancar as feridas, eu tenho coragem de ter esperança!

Outro dia uma amiga me disse que o meu defeito é olhar adiante, não acompanhando a visão de quem esta ao meu lado, calei-me, pois eu não respondo nada sem um fundamento. O problema não é a minha visão! O problema é que dou chances para “qualquer” um estar ao meu lado, entupindo meus ouvidos de qualquer besteira, por muitas vezes tenho que responder com o silencio tamanho os absurdos, não sou eu quem enxerga a frente, são os cegos que ao meu lado nada enxergam, nada procuram, remoendo sentimentos que eles sabem trair a própria vontade de ser feliz.

Recuso-me a viver futilidades! Recuso-me a lamentar por pouco, a não olhar nos olhos, a não abraçar com o coração, a abrir mão de um dia sentir todo amor que houver nessa vida.

D.S.L

Em tempo…

Faz parte de mim desenhar através de palavras aquilo que o cotidiano, a vida e o que  me ataca como lança forçada a pele. Acontece!

Não havia descrito ainda a tua passagem pela minha historia.

Faço-a agora diante da lembrança de teu rosto sem motivo e concordância ter voltado a minha memória. Não se trata de saudade.

Estranho acontecimento esta lembrança.

Naquela noite em que o colorido da vida se apresentava de forma evidente, tu surgiu em meio a tantos na multidão, com voz macia, pegando minha mão como se me dissesse: vem ser sonho comigo esta noite! Como quando adormeço querendo sonhar com algo bom que me desperte sorrindo na manha seguinte.

Talvez se não existissem testemunhas eu juraria tamanho o surrealismo do acontecimento, tudo não passasse mesmo de um sonho.

Por dias convive com a sensação dos teus lábios, tendo na boca a doçura da tua língua, na pele o teu cheiro inebriante, cheiravas tão bem quanto uma rosa que acabara de receber as primeiras gotas de orvalho em uma madrugada de lua cheia.

Senti-me adolescente quando o teu corpo alto, moreno e quente aproximou-se do meu, as pernas estremeceram, arrepiei, quando senti você em mim numa ligação perfeita, a alma parecia querer saltar do corpo.

Por algumas horas vivemos o sonho de uma vida (risos).

Não sei quem é você!

Quando nos despedimos, a minha intuição já dizia que não iria te ver novamente. Por isso quis guardar-te em segredo, mas a tua aparição virou noticia.

Resta-me daquela noite a lembrança dos teus braços ao redor do meu corpo, do teu sorriso nos traços alegres de teu rosto, e do som da tua voz dizendo o teu nome.

Outro dia em um bar na companhia de amigos, achei ter visto você… Não era! Mas quem sabe numa dessas noites claras enfeitiçadas pela lua, com uma musica a transbordar a vida de magia, você apareça convidando-me novamente para um sonho.

D.S.L.

“Doses de verdade”

 

Relacionar-se a cada dia que passa torna-se tarefa cada vez mais árdua. Culpa dos tempos que são outros, culpa de nós mesmos que ao invés de crescermos, regredimos em incompreensão, mentimos pra nós mesmos porque a própria verdade nos assusta.

Os sentimentos verdadeiros parecem estar em extinção. O amor em todas as suas formas vem sendo confundido com qualquer porcaria, com qualquer “sentimentozinho” barato que facilmente pode ser vendido, esquecido, ignorado.

Essa confusão vai além da parceria formada por um casal.

É nítido o quanto o ser humano anda perdido em relação a seus próprios sentimentos, acho que por isso a insanidade tem se apoderado das pessoas como uma nuvem de chuva que vem mansamente e encobre a luz do sol .

Amigos são feitos sem o mínimo de critério, já não precisa ter muita simpatia, concordância, o que vale é a diversidade, em certo ponto estou de acordo, pois tenho amigos de todas as cores, de todas as raças, de todas as tribos, porém essa diversidade pode ser prejudicial transformando-se algumas vezes em adversidade, e assim passa-se a conviver com pessoas arrogantes, insensíveis, chatas, burras, que julgam demais e se olham de menos, infectadas por uma espécie de vírus do egocentrismo.

Para essa espécie de “amigo” o importante é não estar sozinho, mesmo que o único objetivo para estar junto seja invejar, machucar, mal querer. Já não se fazem amigos para todas as horas: tristes, alegres, as que você precisa ser ouvido, as que precisa falar, escutar, silenciar, sentir. É a famosa amizade reciclável, você usa-o para ir à balada e depois: “lixo”; para se fazer ouvir e logo em seguida quando bem melhor sentir-se: “tchau”.

A famosa guerra dos sexos tem aniquilado cada vez mais “soldados”, tenho observado os casais que se formam…  Deus! A compatibilidade entre eles é a mesma existente no ato sexual de um elefante com uma formiga.

Permanecem juntos por “n” motivos, se perguntando quando logo tudo termina o porquê de tão pouca duração, eu lhes respondo: “n” motivos os mantiveram juntos por algum tempo, mas sem amor verdadeiro, os outros infinitos motivos perdem completamente o sentido.

E o que é amor verdadeiro?

Não existe formula, nem uma lista de sintomas, mas com toda certeza ultrapassa a vaidade movida pela beleza, os benefícios que se pode obter estando junto, as carências, ao medo da solidão, a ausência de sonhos ou vida própria.

É querer acima de qualquer circunstancia estar perto, ter nos olhos a certeza de que ao ver-se no outro a vida faz mais sentido, amor verdadeiro é o que resta quando a paixão, tesão, ou encanto deixam de existir, desdobrar-se para evitar uma discussão e dobrar-se se necessário pedindo perdão, é tudo o que sobra e não cabe em um abraço, senti-se medo de pronunciar a palavra amor por tão sagrada ela ter se transformado,  perder-se pela madrugada e ao amanhecer encontrar-se consigo mesmo estando nos braços de outro, sentir que a conversa é especial e que juntos terão assunto por toda a vida, é querer dividir, somar, ir além, pois ir além é o mesmo que sonhar, e não há amor que não abrigue “o sonho louco do querer em excesso”.

O mal do século não esta na solidão, mas na falta de sinceridade, nas maquiagens, mascaras, no olhar apático de quem se perdeu no próprio vazio por não saber mais como ser “de verdade”.

D.S.L

Vereda da salvação*

Sempre ouvi a celebre frase: “trata-se de um clássico” sobre certas musicas ou artistas, de alguns críticos, ou até mesmo na televisão em reportagens, etc.

Ontem assistindo a um programa de televisão, anunciaram que iriam entrevistar a revelação deste ano na musica brasileira, fiquei na expectativa de surgir algo divino na tela, portanto tratei de espantar o sono com uma xícara de café e fiquei esperando a tal “revelação” surgir, sedenta dessa novidade musical.

Eis então que surge a tal revelação e para minha surpresa, ou melhor, decepção, trata-se de mais uma dessas revelações efêmeras, que nada acrescentam, que nada tem a dizer. Ainda se fosse só isso, o pior é ver como os ditos “revelações” de hoje em dia mal sabem o que estão cantando, pra quem cantam, ou porque cantam, perdidos em palco cheio de confetes criados pela mídia que também pouco tem tido para oferecer aos sedentos de musica como eu.

Clássico, revelação há muito tempo não me deparo com uma.

A musica popular brasileira perdeu-se diante da realidade em que vive o mundo de hoje, como já dizia o diretor teatral Antunes Filho: “estamos tão carentes de uma palavra, que nos tempos de hoje qualquer palavra nos serve para seguir uma direção”.

Estamos tão carentes de musica que qualquer coisa nos tempos atuais é chamado de clássico. Essa carência estende-se a tudo mais: vida, sentimentos, livros, crença.

As pessoas andam tão perdidas que tomam pra si religiões que as escravizam, relacionamentos que as viciam, emoções que as fazem ter uma espécie de meios sentimentos, amizades superficiais, tudo muito efêmero, muito raso, nada profundo, e assim ficam a beira do rio, submersos em lama, ao invés de mergulhar em águas frescas, claras e satisfatórias para a alma que em essência jamais se conforma com pouco.

Clássico em minha opinião é aquilo que perpetua, é como esperar todo final de ano  pelo especial do Roberto Carlos, a gente sabe que é a mesma coisa todos os anos, mas nos mudamos, e é incrível como a musica, a melodia, é capaz de nos transportar para aquele momento que aquela canção eternizou, nos fazendo voltar a quem fomos, ou aquilo que sentimos.

Roberto Carlos é só um exemplo, temos tantos outros clássicos, que há muito tempo não nos presenteiam com algo novo, talvez por saberem que nos tempos atuais quase ninguém os daria “ouvidos”, literalmente falando!

Dou nome a tudo isso: “poluição sentimental”. Aprofundar-se, permitindo que uma música, um filme, ou qualquer outra coisa nos toque é o mesmo que abrir as portas para um auto conhecimento, e diante dessa abertura seria possível conhecer-se verdadeiramente, isso renderia uma projeção de surtos psicológicos ao se constatar o vazio que preenche a maioria dos corações nestes “tempos modernos”, onde viver sentimentos verdadeiros, canta-los, assisti-los ou ainda declama-los, esta completamente fora de moda.

Clássicos por andam vocês?

D.S.L

* Titulo em menção ao texto de Jorge Andrade

Conexão: coração,lembranças e letras

Hoje pela manha tomando café, varias idéias me vieram à cabeça para um novo texto, pensei em falar do Natal, do Especial do Roberto Carlos(sobre isso ainda vou escrever), do tempo que não dá trégua na chuva como se estivesse descarregando todas as energias restantes desse ano que esta indo embora, uma espécie de limpeza para abraçar esses novos dias que estão a chegar.

Daí, abri o editor de texto no computador e fiquei olhando a tela branca a minha frente, abaixei a cabeça posicionando as mãos sobre o teclado, e fiquei pensando em todas as idéias, os dedos pareciam preguiçosos, como se não quisessem transpor aquilo que penso.

Tenho alguns textos encomendados pra fazer, as pessoas não se dão contam do quanto escrever é fácil, acham coisa de outro mundo, mas escrever nada mais é do que uma conversa. O que difere a escrita da fala é o posicionamento das palavras, ao escrever é preciso criar certa sonoridade, uma espécie de conexão entre o coração, a mente, as mãos que deslizam sobre as letras, os olhos que vão lendo o que vai nascendo muitas vezes sem se dar conta daquilo que esta sendo dito. Geralmente é assim que funciona.

Esta difícil escrever nesses tempos, pois tenho me recordado de tudo o que aconteceu nestes trezentos e cinqüenta e nove dias que vão ficando pra trás, e sobre esses dias, os fatos mais marcantes já foram narrados, imortalizados…

Passo horas deitada, vendo essa espécie de filme passar em meu pensamento, são flashs de momentos, pessoas, sorrisos, sentimentos, tudo vem sem roteiro, sem tempo marcado. É quase um pensamento incontrolável, mas tento ordenar o começo de cada coisa, as primeiras sensações, o frescor daquilo que passou.

Penso tudo isso e me deparo novamente com a tela do editor de texto, as mãos paradas sobre as teclas, vejo tudo tão claro, sinto-me imensamente em paz, é uma sensação que me sopra aos ouvidos que tudo valeu a pena, e que a menina naquele principio de ano, cresceu tanto em tudo o que se propôs a fazer, que agora diante dessas linhas em branco, nesses quase quatro dias que restam para terminar o ano, ela se depara com o silencio das palavras por ter em seu coração o sentimento de dever cumprido, e nos olhos a ansiedade, o brilho e a esperança que de este novo ciclo que perto esta de chegar, abrigara novas emoções, sensações e principalmente palavras a desvendar, dentro de tudo mais que a vida ira lhe ofertar.

É uma sensação de espera por novos dias, novas cores, novos sons, uma espécie de emoção diferente, envolta a uma nostalgia, como se eu estivesse guardando em mim tudo o que mais importou em minha vida nesse ano.

Enquanto eu viver jamais esquecerei, do amor que tão pequena criatura já faz transbordar em meu peito, da noite onde encontrei os olhos de cor sem nome, dos cafés da manha regados de musica e risos, do abraço forte e da amizade sincera no coração de um valente, da surpresa da sua volta e dos seus olhos que agora aprenderam a olhar nos meus sem medo, da conversa dura que transformou seu ser em alguém muito melhor, da paixão que deu novo ritmo em seu peito, do menino que escreveu sobre casas, brinquedos e biologia, do ultimo lord declamando em francês a paixão viva em seu olhar, das madrugadas cantadas, das cordas no violão, dos nuances do por do sol, da borboleta azul que voou ao meu redor e ainda não disse a que veio, dos joelhos em oração, ora agradecendo, ora suplicando.

Desse momento onde tudo o que vivi me parece tão mágico e maravilhoso a ponto de silenciar meus dedos, pacificar meu peito e fazer sorrir meus lábios.

Valeu a pena!

D.S.L