Onde não haja portas

Aonde eu posso te encontrar?
Ouço gritos, é sua voz a me chamar, mas eu não sei aonde você esta.
Eu te procuro pela internet, pelo telefone, vejo seu caminhar nas ruas, mas não é você logo que se viram pra mim, não é seu rosto.
Você grita cada vez mais forte, e eu fico como louca te procurando, sem ao menos ter noção da onde vem o som da sua voz.
Nas ruas persigo teu cheiro e nos caminhos por onde andamos o teu rastro, mas eu não te acho, e então eu me pergunto se eu te perdi.
E você continua a gritar, me chamando.
Dentro de mim essa confusa solidão, que nada quer alem de encontrar teus braços e adormecer no colo, como nas noites onde as festas acabavam pelo amanhecer com o teu sorriso dormindo no meu.
Era pra você ficar, e tentar ser forte, e acreditar como eu que a gente vence a vida quando luta com mais força que ela e berra mais alto do que o medo que vai vencer, mas você não suportou ficar.
Sinto tanto a sua falta, quero tanto te ver, e você continua gritando, quase me ensurdece.
Sonho com você, ora acordada ora dormindo, sonhando tudo é tão mágico, tudo é tão lindo.
Tenho rabiscado e nem ao menos esse labirinto de palavras tem me ajudado a te encontrar, então eu resolvi pintar, mas o sorriso no quadro ficou triste, e quando decidi cantar a voz confundiu-se ao pranto, nada mais restou, só o choro te pedindo pra voltar.
Pra voltar sem nunca ter que dizer adeus, sem mais lacunas de tempo, sem mais horas confusas, sem mais dias sem te ver, pra voltar pra sempre, sem mais amor tendo que transbordar por falta de coração que o caiba.
Voltar trancando todas as outras portas, jogando as chaves fora, para só então encontrar um outro caminho, aonde não haja portas e obstáculos a serem passados, onde não haja mais nada que não seja eu e você.
Eu ouço seus gritos, eles vêem de dentro de mim, é o meu coração que te carrega seguro em algum lugar que o fim esqueceu de visitar!
D.S.L

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Na passarela do coração

Ninguém quer ser comum, ou “apenas mais um na multidão”.

Difícil encontrar alguém que não esteja em busca de seus 15 minutos de fama, desejando é claro que esta fama dure pelo resto da vida, seja ela de qualquer natureza. Prova disso são as milhares de inscrições que diversos reality shows recebem.

Neste ringue vale tudo: ex-namorada de jogador de futebol, ex-mulher de cantor, ex alguma coisa, mas muitos são pessoas comuns, com seus empregos e vidas comuns, que decidem sem temer retaliações expor o que deles próprios?

Pergunto-me o que afinal de contas eles têm para nos oferecer? Muitos são aspirantes a atores, cantores, escritores, “artistas”, mesmo que doutorados em um curso feito por correspondência, famosas subcelebridades, muitas delas a sombra de algum famoso consagrado.

Colocam assim em cheque sua sexualidade, sotaque, jeito de falar, andar, chorar, expõem o ser humano que em essência é apenas mais um, comum, com uma carga empírica de conhecimento, com uma ou outra historia engraçada pra contar. Muitos expõem o quanto o ser humano pode ser fofoqueiro, dissimulado, falso, egoísta, arrogante, violento, desrespeitoso, feio, louco, ou doce, inteligente, determinado, o famoso “gente boa”.

Aguçam em muitos um fetiche oculto de uma espécie de voyeurismo, noutros o conhecimento de vivenciar modos de vida diferente, com pessoas provenientes de vários outros estados, com modos de vida diversos, sendo isso muito pouco para conhecer a cultura de uma gente.

O talento é o único requisito capaz de sustentar: fama, sucesso, dinheiro, reconhecimento e valor, (vale também para a vida longe dos holofotes) é apenas ele que transforma pessoas comuns em personagens imortais, figuras ilustres, dignos de pertencer uma eternidade de fãs que permanecem de geração em geração.

Raros são os casos, em que a fama é firmada face o simples fator de existência, pois é preciso ter algo “a mais”, mesmo que de péssima qualidade, assim muitos oferecem o corpo (o qual também uma hora despenca), outros conseguem em meses serem lembrados pelo resto da vida carregando um fardo de rejeição, por jogos sujos e manipulações diversas, a qual o publico não engole.

Para alguns é um passeio, um descanso da vida comum, uma aventura causada pela convivência com pessoas desconhecidas, criando amizades que pertencem em mesma proporção força e efemeridade.

À de se pensar mais nisso, à de se perguntar: Para quem é preciso ser importante, por quem querer ser lembrado ou pelo quê querer ser lembrado?

Ninguém quer ser só o que é, plantou-se uma idéia de que isso é pouco demais, dando as pessoas à falsa ilusão de que a qualquer custo é necessário ter certa importância. Pergunto-me novamente, importância de que? Pra quem?

Importante na vida de cada um a de ser nossos pais que um dia irão embora deixando-nos uma saudade que acredito nunca passar, os amigos escolhidos, aquele professor inesquecível que lhe deu a chance de descobrir um mundo novo e vasto de conhecimento, o primeiro de muitos outros amores, as poucas pessoas que verdadeiramente um dia se importaram com você.

Importante à de ser cada um em sua maneira: o político que não rouba (eu sei ta difícil), o medico que se formou não para ter uma placa com seu nome em alguma sala de um prédio luxoso, mas sim com o intuito de salvar vidas, de fazer mais, o advogado( eu sei ta difícil também) com sede de justiça que não advoga apenas em causa própria, a pessoa que esta do seu lado todos os dias lhe é importante, quem lhe serve é importante, a quem você serve também é importante.

Importante são as pessoas que estão em nossas vidas, senão todos os dias, mas por algum tempo, senão por algum tempo, mas de alguma forma que as transformam em imortais ao menos em nossa memória.

Para quem nos ama somos pessoas mágicas, encantadoras, com direito a tapete vermelho, flashes, e tudo mais na passarela do coração, essenciais para quem verdadeiramente importa.

D.S.L

Por lá nunca estive

Nesses tempos de carnaval, festa que acredito ter começado na Bahia, sendo esse fato ainda não descoberto pelos historiadores, é impossível não pensar em Salvador, ou seja, na Bahia de todos os santos, de todos os ritmos, de todas as raças, e gentes, cores, luzes e tudo mais que só a Bahia parece ter.
È de impressionar o modo como àquela gente transforma em festa tudo o que lhes acontece de bom, e talvez faça festa para espantar o que lhes acontece de ruim.
Acredito que uma vez por mês deva ter um carnaval fora de época por aquelas terras. Nasceu alguém, tal pode ser filho de algum artista ou neto de algum filho de Gandhi, se o menino(a) era por demais esperado então saúdam sua chegada com algum barulho, mesmo que este não provenha dos gigantescos trios elétricos, um rapaz de família pobre que se forma doutor, uma moça que casa, um filho do chão que alcança o sucesso na radio, são motivos de festa, e assim o carnaval por lá não se encerra na quarta – feira de cinzas;
Para eles não existe essa obrigação de dançar, e provar de sua cultura, estar alegre e comemorar em uma data determinada pelo calendário, por isso há na Bahia tanta festa e tanto riso, para tanto basta o coração achar preciso, e isso só depende da vida mostrar sua face feliz, em meio a uma gente que em sua maioria é tão sofrida e carente de tantas coisas.
Por lá nunca estive, mas de ouvi falar sei que é um povo guerreiro, e ao contrario do que dizem as más línguas não ser “chegado” a muito trabalho, penso diferente quando vejo suas mulheres a lavar roupas nas pedras de alguma cachoeira, as baianas na venda de seus quitutes carregando o tabuleiro na cabeça, as crianças engraxando sapatos tão novas e tão aguerridas na luta pela sobrevivência, das garotas perdidas que esperam seu “príncipe encantado” vindo de algum outro pais por suas ruas ladeiradas.
Por lá nunca estive, mas muitas vezes é como se um pouco daquele povo estivesse em mim, com sua fé, sua energia inabalável, sua alegria incontestável, seu berço tão vasto e tão forte de poetas: Jorge Amado, Dorival, Caetano, Gil, das muitas Bahias, dos muitos bahianos, desse povo anônimo que são chamados de “ó meu rei”, reis sem coroas ou brasões, sem capa de veludo ou cetro, reis das ruas do Pelourinho que é parte da historia do sangue derramado pelos negros que viviam cativeiro, e ainda contado pelos mais antigos que ficam a margem das portas de suas velhas casas, sentados espera de alguém que lhes de ouvidos a contar algum causo.
Por lá nunca estive, a não ser em meus sonhos, os quais me trazem seu cheiro de mar, suor, sua energia vibrante de por do sol nas tardes imaginadas em Itapuã, sua vida cotidiana calma e tão irreverente a qual derrama poesia servindo de matéria prima para tanta escrita, musica, filme, carnaval, vida, Bahia!
Povo tão santo e profano, tão verdadeiro e fantasioso, tão crente em tantas crenças, mistura de tudo, é branco de cabelo duro, é preto de olhos verdes, é índio de nariz afilado, é jambo de cabelo escorrido, japonês de cabelo cacheado, é samba, é funk, axé, frevo, mpb, até em bossa foi cantada, é batucada, é barulho, donos de uma paz faceira que com calma segue a vida, desejando que ela carregue a mesma alegria que ao mundo faz encantar nos quatro dias de folia que o calendário rabisca, mas que só na Bahia não se acaba, pois só a ela foi dada esse espírito de magia, de madrinha da felicidade, e amor a todos que por lá já estiveram, ou não.
Axé!
D.S.L

Ser dois é melhor do que um

Falar de solidão torna-se clichê quando usamos frases como: “solidão é estar ao lado de varias pessoas e não sentir a companhia verdadeira de ninguém”, “sentir-se só é um estado de espírito”, “carência”, “falta de companhia”, mas pra mim solidão defini-se em uma única palavra: falta.
Falta não necessariamente de pessoas a seu redor, ou de uma única pessoa em especial, solidão é algo proveniente de uma serie de momentos, entre eles os de silencio, reclusão, ou a permissão que nos damos para estarmos só, tentando encontrar quem somos ou quem queremos ou precisamos ser. Solidão é a falta de querer falar, conversar simplesmente, é fechar as portas momentaneamente para re-decorar a alma, limpar o espírito, e então renascer sobre o mesmo palco, porem com novo repertorio.
O silencio que a tudo torna maior, principalmente a percepção de si mesmo.
Existe a solidão necessária que muitas vezes nos é companhia quando precisamos pensar, existe a solidão a dois que com toda certeza é a mais cruel delas, pois estar ao lado de alguém sem saber o que fazer, dizer ou sentir é estar duplamente só.
Existe a solidão, e dela ninguém escapa, e muitas vezes querendo não se sentir só, tentamos nos preencher de um animo ao qual momentaneamente não temos, vamos para o meio da multidão tentando fazer parte de alguma coisa que não seja apenas nós mesmos, dela querendo fugir andamos de um lado a outro sem ter aonde ir.
Existem pessoas que sempre estão bem, nunca passando por uma transformação, por um momento triste, mas a maioria delas carrega um: “esta tudo bem”, tão falso quanto o sorriso que ostentam, e o que lhes sobram de verdade são as lagrimas que lhes alivia a dor de não se permitir ser tristes ou solitários quando necessário.
Ninguém à aceita, ninguém a quer por perto, solidão por ser um misto de tristeza não combina com a imposição que nos fazemos de estar feliz sempre, sendo que vez ou outra é normal sentir-se assim, sabendo que ela como todos os outros sentimentos também ira passar.
À algumas pessoas a solidão é um escudo para um não envolvimento, por medo de ser magoado, por medo de após perde-la desaprender a viver de outro modo que não esteja incluso a condição de estar só. À algumas pessoas torna-se um tipo de doença, vicio, ou simplesmente costume.
Estar só não sendo por escolha própria é triste, pois estar assim dessa forma é não pertencer nada na vida alem de si mesmo, nada além de dias e horas que se acumulam sem razão de ser, é não ter amigos, ou aspirações, sonhos, é quase que uma doença da qual não se tem noticia de cura, não ter absolutamente nada do que lembrar, não ter ninguém a quem dividir a vida, brigar, ou simplesmente estar perto, e não querer mudar essa situação é pior do que ser um vegetal, pois este ao menos cresce e dá frutos, estar sozinho todo o tempo, não se importando com o que a vida pode oferecer, não lutando para alcançar é uma quase morte, não do corpo, mas da alma.
Hoje em dia só fica sozinho quem de fato quer, temos a internet que nos conecta a todo tempo com pessoas e mais pessoas, outro dia ouvi falar de um profissional chamado “amigo de aluguel” que faz companhia a quem deseja ir a algum lugar e esta só. Acredito que estas não sejam as melhores saídas para se livrar da solidão, bom mesmo é abrir o coração, sentir-se vivo e dar a vida o que ela merece, dar a nos mesmos um sentido de existir, e a nossa historia vários personagens: palhaços, amantes, fadas, amores, artistas, atores, gente e mais gente, que tanto nos serve de aprendizado para identificar-mos a nós mesmos, sejamos co-autores dessa historia, permitindo a Deus a autoria e assinatura final, dessa delicia maravilha de viver.
Não seja só! Não queira ser só, pois ser dois é melhor do que um(risos).
D.S.L

Eu tenho medo!

Para muitos admitir ter medo é sinônimo de fraqueza, mas cheguei a conclusão de que o medo muitas vezes nos serve como base para não perdemos algo ainda maior que a coragem.
Para tudo na vida é preciso cautela, para ter cautela é preciso paciência, para conquistar paciência é preciso paz, e todas essas conquistas podem ser atropeladas pela ansiedade, ela caminha junto a falta de medo, pois quando corremos não temos medo de tropeçar e cair, e com pressa fazemos tudo de qualquer jeito, sendo o resultado muitas vezes distante da onde pretendíamos chegar.
Com medo nos é seguro parar um pouco pra pensar, analisar melhor o que si a de fazer, refletir tentando encontrar a melhor resposta, o melhor caminho, a atitude mais sensata, e a ansiedade nos tira tudo isso, pois quando ansiosos queremos chegar depressa, pouco enxergando o caminho que percorremos. Sendo o caminho essencial para o aprendizado, primordial para chegar ao topo, sendo a subida dolorosa, cansativa, ofegante.
É por medo de perder as pessoas que nos dedicamos a elas, é por medo de não ter com o que sobreviver que muitos de nós se submetem a empregos que pouco nos satisfaz, é por medo de magoar que não saímos atirando por ai aos quatro ventos verdades que temos atravessadas na garganta sobre aqueles que nos rodeiam.
Portanto acredito que ter medo nada tem a ver com falta de coragem.
Ser corajoso é fazer o que é necessário, agir com razão ou emoção em um momento onde muitos recuam, ter coragem é o mesmo que dar o primeiro passo, ou o mesmo passo que nos cansa todos os dias, e isso independe do medo, afinal quantas vezes mesmo com medo nos decidimos por arriscar, tentar, e nos erguer em meio a cinzas. Isso é ter coragem, ter medo é uma proteção, como animais que somos nos serve de defesa, afinal se não tivéssemos medo, tentaríamos voar sem asas ou aparatos que nos sustentem no ar, ou então deixaríamos a tudo, ganhando o mundo, vivendo para nos mesmos, pela falta de medo de não precisar de ninguém alem de nós.
O medo é parte do que somos, aprendi a ter medo de quem não tem medo, pois esse que bate no peito gritando ao mundo que a tudo enfrenta e suporta, pode ser perigoso a si mesmo, e em proporção ainda maior aqueles a quem rodeia.
Penso no medo que a tantas pessoas causam pavor, trancando-as em casa prisioneiras de si mesmos, penso no medo dos que não mais arriscam o passo seguinte, medo de sorrir, medo de ser feliz, de ter alegria por medo que ela passe, medo de amar, medo de não ser capaz de ter medo, medo de um amanha, que para mim é tão distante quanto o minuto seguinte, e que para todos é tão incerto, mesmo quando ilusoriamente pensamos ter certeza de algo.
A verdade é que não sabemos de nada ao certo e talvez seja essa a grande aposta que fazemos com a vida todos os dias, pois não sabemos o que a vida fará de nos, e quando nos damos conta não sabemos o que fazer da vida, e quando não sabemos o que fazer nos é quase imposta a condição de fazer alguma coisa, e mesmo com medo partimos com coragem para o passo seguinte, mais uma vez sem saber aonde essa estrada nos levara, tendo como guia raios de sol que hora nos cega e ilumina, como repouso o orvalho da noite que ao escurecer o céu nos aponta que é hora de adormecer em sonhos, como aliada do medo a esperança, pois esta sim nos da a condição de a tudo suportar, a tudo vencer sabendo que ao vencer sempre perderemos algo.
D.S.L

O grito das palavras que não são ditas

De tudo sempre sobram palavras a serem ditas, na maioria das vezes silenciadas por falta de tempo, coragem ou por um medo qualquer.

Palavras que nos rodeiam dia sim, dia não, em qualquer lugar, a qualquer hora, e quase nos sufocam.

Só de pensar nelas sentimos aquele “tranco na garganta”, e os olhos molhados, o coração aflito, denuncia que algo não vai bem, pulsando de forma como se quisesse nos aconselhar a fazer alguma; como se dissesse: “olha desse jeito eu não vou suportar muito tempo, tome uma atitude”.

E as palavras vão acumulando, como se tivessem mãos a apertar o pescoço, podendo ser de qualquer natureza: um “cala a boca” para aquele chato que por não ter o que dizer fala qualquer besteira, um “vai cuidar da sua vida” para aquela amiga fútil e vazia que se alimenta de historias alheias, um “não se dê tanta importância” pra quem só olha pro próprio umbigo. Pode ser aquele pedido de socorro em uma relação onde com o passar do tempo os valores vão sendo esquecidos, um pedido de perdão, uma conversa franca após anos de distancia. Seja lá como for elas sempre estão ali.

As palavras que acumulamos nos machucam, acho que foi por isso que comecei a a escrever, desse modo encontrei uma forma de curar um pouco as dores, expressando muitas vezes aquilo que não existe palavra pra definir, dando a mim uma verdade que tento esconder, escrever me torna leal aos meus sentimentos.

Sobraram palavras, das quais não foram ditas por uma arrogância que todo ser humano tem em não querer se sentir por baixo, sobram palavras que fazem ainda mais sentindo agora que não tenho você para reparti-las.

Eu não te contei que todas as vezes que te vi ir embora, eu chorava, nunca na sua frente pra não parecer ainda mais boba e que a minha vontade era te pedir pra ficar, mesmo sabendo que não era possível; E que quando adormecíamos eu ficava acordada te olhando, e que nas manhas depois de nos falarmos eu olhava pro sol e ele parecia tão mais bonito a ponto de me fazer cerrar os olhos e agradecer a Deus por ter me trazido você. Eu amanhecia cantando. Nunca te disse o quanto você é inteligente, e o quanto a sua gargalhada é gostosa de se ouvir; o tamanho da verdade dos seus olhos poderiam me embriagar pelo resto da vida. Eu queria te dizer que muitas vezes em diferentes dias conversar com você era a melhor coisa que me acontecia, queria te falar que eu procurava aprender sempre mais, só pra saber coisas novas e ter assim assuntos novos pra você não enjoar da mesma pessoa, queria te dizer que eu quis ficar mais bonita só pra você gostar mais de mim, queria te dizer que você tem um cheiro de sabonete como se sempre estivesse acabado de sair do banho, eu quero que você saiba que os teus abraços me deixavam tonta, e que quando eu te pegava me observando eu ficava tímida, eu quero que você saiba que eu olho pra minhas mãos e vejo as tuas mãos entrelaçadas brincando com meus dedos e que isso eu não permiti ser feito a quase ninguém, quero te dizer que quis ser melhor por você, e que você me enlouquecia quando se mostrava encantada por mim.Que você saiba que eu tinha muito, mas muito de te amar, e ainda pavor em te perder, eu quero que você saiba que tudo anda meio perdido, sem sentido e que eu ando sem graça, dormindo e acordando por força do habito, sem vontade pra muita coisa, sem paciência pra muita gente por que eu sei que ninguém vai me dizer como você esta, e que mesmo aqueles que me amam só irão falar frases prontas. Quero que você saiba que de certa forma eu fui egoísta por não querer mais aceitar viver horas, e dias sem ter você, eu acho que eu te perdi para a vida, que não nos ajudou a viver tudo o que sonhamos assim como essas palavras que ainda não haviam sido ditas.

Eu quero que você saiba que eu não tenho amanhecido cantando.

D.S.L

O que você vai ser quando crescer?

Amadurecemos, e com isso há regras que criamos diante de algumas situações que a vida nos empoe.

Deixamos de nos permitir certas coisas antes comuns, talvez para nos sentirmos mais fortes, seguros de que com o passar dos anos a experiência à de contribuir para encararmos os problemas de forma mais calma e adulta.

Perdemos com isso, pois a sentimentos que precisam explodir.

A dor talvez seja o mais importante deles, mas então com o passar dos anos, adquirimos uma casca grossa que nos protege de crises, a dor jamais poderia ser guardada.

Quando criança tudo o que nos toca é automaticamente gritado, chorado, colocado pra fora. Se, com dor, simplesmente abrimos a boca a chorar e a gritar e a dizer a todos o quanto esta doendo. Se alegres cantamos, dançamos, rodopiamos em volta de nos mesmos. Quando amamos alguém não nos detemos em abraçar e beijar, e carinhar a face com uma mãozinha pequena e toques sutis, não temos medo do que possa acontecer ao abrir o coração.

Não há onde não se possa chegar, tudo nos é permitido mesmo que faça parte apenas de nossa imaginação, desconhecemos a realidade, não existe fronteiras para o pensamento. Se quisermos voar, basta fechar os olhos, abrir os braços, sentir o vento, deixando que o pensamento faça o resto, assim sentimos o corpo leve a flutuar, como se naquele instante imitássemos os pássaros. Para aniquilar a maldade do mundo, contamos com a existência de super-heróis, com super-poderes. Há também a magia proveniente das cartolas que a tudo pode transformar, há a vida com mais encanto e menos convenções.

Quando criança não temos medo de indagar a alguém o porque das coisas, não existe a separação entre o que pode parecer ridículo ou não, não importa o que vão dizer, o que vão pensar, somos assim donos de uma verdade pura e justa, pois não acumulamos perguntas, por não termos ainda a timidez misturada a arrogância de tudo saber do alto da ilusória experiência que os anos enganosamente nos parece trazer.

Amadurecemos e com isso eu me pergunto o que de bom aprendemos? O que nos passa valer a pena? A vida de muitos se resume a trabalhar, muitas vezes com aquilo que não nos edifica, trabalhamos para pagar contas, socializar, adquirir um monte de coisas, das quais não precisamos, pois não nos trás o valioso sentimento de paixão que precisamos ter pela vida.

Respondemos automaticamente respostas prontas e ditas certas. Não sabendo responder como podemos ser feliz de verdade dessa forma? Não sabemos responder onde esta o menino que queria ser astronauta para olhar de perto uma estrela e pisar na lua. Onde esta a menina que sonhava pintar as cores do mundo com seus traços mal arrumados e tortos, em quadros que hoje ela guarda apenas na memória? Onde esta criança que queria dançar, e bailar no palco assim como um beija- flor? O piloto de avião, a professora, o cantor, o ator, a mãe de meninas que na infância enfeitava bonecas com laçinhos, onde esta o soldado que lutava pelo bem e que protegia a todos se igualando a um super-herói.

Vejam o quanto é simples na infância saber o que nos faz feliz, o que queremos ser, os caminhos que sonhamos percorrer, vejam o quanto somos mais verdadeiros com nós mesmos, mais humanos, fieis a nossa essência. Tudo isso por falta de regras impostas ao coração, por saber chorar nas horas que se tem vontade, por gritar e fazer mal-criação a quem nos esta machucando mesmo quando estamos errados, por ter na imaginação a criação de uma realidade mais feliz, tudo isso por não desaprender a sonhar, guardando os sonhos a salvo das responsabilidades, das horas exaustivas da vida adulta, das convenções que precisamos servir, das atitudes que não podem ser ridicularizadas, das crises de consciência que vai nos escravizando pouco a pouco.

Amadurecer é bom, ter responsabilidades nos traz crescimento, os anos a quem se permite trás sabedoria, porem o que não pode acontecer é deixar morrer aquilo que nos torna feliz, mesmo que em uma porção menor, menos fantasiosa do que na infância, tente conservar dentro de você aquilo que um dia ao sonhar lhe fazia simplesmente sorrir.

Se não pode ser astronauta chegue mais perto do céu através de um telescópio, não pode ser dançarina continue dançado mesmo que na sua sala de estar, não descobriu a formula para ser um super-herói? Continue lutando pelo bem, não se tornou um famoso jogador de futebol, seja o melhor do time da pelada do bairro, seja de alguma forma aquilo que você sonhou.

Meu sonho quando criança era de contar historias com finais felizes, como se a vida fosse um eterno conto de fadas, de certa forma eu consegui, tente também!

D.S.L