O nosso pacto desde começo foi: um não “cagar” no outro

Se pensasse duas vezes talvez eu não tivesse coragem de responder sim, por isso quando você perguntou, eu respondi quase que saltando em cima de você.
Confesso que seu rosto assustado me causou desconforto, pois você imaginou que eu pediria um tempo pra pensar, mas não havia mais o que pensar, apenas decidir: se sim ou não.
Quando me vi arrumando as malas, a ficha caiu, e então eu me perguntava aflita e cheia de duvidas como seria.
Não se casa todos os dias (tirando algumas exceções), tudo bem, já vínhamos ensaiando há tempos, mas é o tipo de coisa que causa na gente um misto de euforia e medo, e no meu caso pavor.
Eu fiquei com medo de não saber cozinhar, mesmo você adorando a transformação que eu faço nos pacotinhos de macarrão instantâneo, tive receio de você enjoar de mim, e das coisas legais que sempre fizemos juntos deixarem de existir, pavor de não nos reconhecermos mais e nos tornamos dois estranhos dentro de uma sala vazia, e de você se tornar aquele cara que perdeu a vontade de voltar pra casa.
Nunca fui de acordo quando ouvia casais dizendo que se não desse certo separar era fácil. Pensando assim é como se uma união fosse algo descartável, como uma fralda cheia que se joga fora, o nosso pacto desde começo foi: um não “cagar” no outro, e a gente ria disso, sempre nos levamos muito a serio, pois reconhecemos quando o amor chegou, decidindo não transforma-lo em outro sentimento que fosse menor.
Você é o que há de mais real em meus sonhos, é o meu melhor amigo e maior companheiro, e diferente de todo o resto de gente que conhecemos nós queríamos viver isso acima de qualquer outra coisa, porque no resto do mundo não encontramos pessoas tão legais quanto eu e você juntos.
Ouvia falar tantas coisas: depois do casamento tudo mundo… E eu me perguntava: que “depois” medonho era esse? Será que casar acabaria com tudo, nos transformando naquele tipo de casal insuportável que só sabe brigar, e que não passeia mais, deixa de ir ao cinema, encontrar amigos, freqüentar festas e só dividir contas e ainda por cima brigar por causa delas.
Afinal eu não estava grávida, nem dando o golpe do baú, nem era a garota mais bonita que você já ficou, com certeza a mais interessante… (risos), porque então você queria casar comigo?
Tive medo de te decepcionar, de repente querer ter um caso com o cara do elevador. E se você esquece de tudo e não se importasse mais comigo? E se você preferisse sua mãe, sua cama vazia, sua roupa suja atrás da porta do banheiro sem ninguém pra reclamar, e se despertasse em você de repente a curiosidade de conhecer outras garotas, e se eu descobrisse um caso seu, e se você um dia me culpasse por não estar feliz, e se eu engordasse, e se você não mais se encantasse por mim todas manhas, e se você chegasse a conclusão de que se precipitou e no altar me abandonasse, e se tudo isso acontecesse eu não fosse capaz de te odiar, como então eu iria fazer pra te esquecer?
Não quero com o passar do tempo imaginar como teria sido a minha vida se eu tivesse lhe dito não, desejo com o passar dos anos ter a mesma certeza que tenho hoje: de que chegamos até aqui porque o amor nos conduziu, e mesmo que eu duvide do “para sempre”, com você eu quero que seja.
D.S.L

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Uma surpresa estragada

Que decepção não mata todo mundo sabe, mas decepcionar-se é o mesmo que regressar a um outro tempo, onde em alguma situação, ou pessoa devotou-se confiança, fé, amor.
Pedras quando são atiradas de longe, dificilmente machucam, são aqueles que mais amamos que provocam os maiores sofrimentos, são eles que cavam grandes buracos em nossa alma quando não mais se importam com o quão estão a nos magoar.
É um sentimento que demora a passar, e mesmo quando se vai deixa um rastro de desesperança frente a novas situações que serão as mesmas pelo resto da vida, pois ninguém se decepciona uma única vez.
Decepcionar é uma surpresa que vem estragada, como uma fruta que por fora parece madura, cheia de sabor e cheiros, mas por dentro esconde uma podridão sem tamanho, é fácil jogar a fruta fora, pegar outra, e tentar a sorte novamente, difícil é jogar pessoas fora, e prosseguir confiando em todo o resto o mundo.
Vejo as pessoas como flores, que nos dão suas pétalas para que possamos tocá-las e assim ama-las, porem algumas por sentirem-se amadas incondicionalmente, acabam por nos ferir com espinhos, sem importar-se o quão irão machucar.
É inacreditável o quanto nos tornamos dispensáveis, desnecessários, sem valor algum frente a um olhar que um dia brilhou com a presença de um sorriso.
Vemos desaparecer todos os momentos antes cercados de alegria, vida, amor, dando lugar a um vazio que só faz doer e nada mais, senti-se um misto de tristeza e mau uso de bons sentimentos, um nó na garganta que nos impede respirar direito.
“Decepção não mata, ensina a viver”, discordo da frase com a certeza de ela soa carregada de ressentimentos, pois é o mesmo que dizer: não confie em mais ninguém, negue ajuda, desacredite do amor, da amizade, do bem querer, olhe apenas para o próprio umbigo, pois assim serás mais feliz.
É pela decepção estar falsamente “ensinando” as pessoas a viverem, que o mundo tornou-se essa bola de fogo que solta faísca por todos os lados, aprendendo com a decepção nos desligamos de qualquer outro sentimento, por não acreditar que eles existam verdadeiramente.
Decepção gera revolta, que gera violência, que gera tantas outras dores, é por decepcionar-se com seus empregos que muitos deixam de trabalhar, magoados por algum amigo muitos tornam-se adeptos da solidão, traídos ou mal tratados não se permitem mais amar, e tudo isso diante dos ensinamentos desse sentimento que na verdade nem poderia existir, todos deveriam manter-se suaves e belos como pétalas de rosas, não manchando o amor, a admiração ou o querer bem com o avesso desses sentimentos.
Errar é humano, todos somos suscetíveis, porem evita-los de modo a pensar no outro é hoje em dia tão raro que deveria ser digno de um troféu com os dizeres: “parabéns pela pureza de coração e preocupação com os que você ama”.
D.S.L

O maior amor do mundo

Dizem que todas são iguais e só mudam o endereço, que são anjos enviados por Deus para cuidar, proteger e amar, e que ao perdê-las sentimos uma solidão e uma saudade sem fim, elas nos sentem desde o primeiro momento, mesmo sem exames, ou qualquer outro artifício cientifico.
Às vezes acho que elas têm super-poderes, pois são as primeiras a saber de tudo, não há como engana-las: se estamos tristes elas sabem, com alguma preocupação adivinham o motivo, sabem quando estamos com fome, sabem de tudo, até quando vai chover, parecem ter visão de raio x.
Estão sempre dispostas a acolher, a estender os braços como se ainda fossemos recém-nascidos e por não reconhecer nada ao redor choram, elas nos abraçam como se tivessem asas nos envolvendo de uma certeza que não estamos sozinhos, então paramos de chorar, e é assim por toda vida, nos braços delas não à choro que se prolongue nem dor que não passe, é como se tivessem o poder de nos deixar serenos, envoltos em uma energia revigorante, que nos acalenta como as mãos do próprio Deus.
São as únicas que nos amam com todos os defeitos que temos, mesmo que não concordem com nada que dizemos, sentimos ou pensamos, continuam ali, amando sem aceitar, querendo nos ouvir mesmo sem compreender, incondicionalmente; sem limites.
Lutam para que não nos esqueçamos delas quando crescidos, lutam em vão, pois é impossível esquecer desse amor que não precisamos conquistar, nasce conosco, é o primeiro presente que a vida nos dá, o primeiro alicerce, a base que nos acompanha nos primeiros passos.
Elas são completamente loucas por nós, não nos dão a vida apenas no nascimento, mas sim todos os dias, todas as horas, carregam o olhar com um brilho de paixão quando nos olham, é como se estivessem a observar a coisa mais linda e incrível do mundo. São nossas fãs, mesmo que a platéia esteja vazia, elas estarão lá nos aplaudindo de pé a cada vitória, e nos auxiliando a prosseguir a cada queda.
Guardam nossos desenhos (rabiscos) de infância e acreditem: elas olham eles vez em quando e acham a mesma graça, ficam emocionadas com as homenagens, as musiquinhas que aprendemos a cantar, as apresentações nunca as cansam, guardam-nas por toda vida.
Nos ensinam que a vida não é fácil, mesmo desejando que para nos ela seja, nos ensinam que não podemos desistir, não nos deixam cansar.
Pertencem um sorriso que nos faz crer que tudo dará certo, em meio a uma tempestade acalmam nos fazendo acreditar que o amanha será de paz.
Queria ser criança novamente e lhe dar um desenho, ou cantar uma musiquinha que lhe enchesse de emoção, não queria te ver sofrer por nada, alcançar todas as suas expectativas, e apagar as vezes que lhe fiz chorar, ser tudo aquilo que você sonhou, e lhe conceder tudo o que a vida não pode lhe dar.
Quero ser melhor, pois você me deu o maior amor do mundo, o qual me ensinou a amar.
D.S.L

As primeiras horas

Você sabe que é ilusão.
Depois de certo tempo, adquire-se uma maturidade frente a tudo que surge em nossas vidas, nos dando a visão do que chega pra ser eterno e do que vem pra ser efêmero.
O jardineiro que observa encantado o crescer de suas plantas na primavera, é o mesmo que ira enxergar da janela no inverno as flores perderem a cor, murchar e morrer, assim é com os acontecimentos da vida.
Você sabe que a empolgação vai passar, e sabe também que a emoção não será a mesma das primeiras horas, ao contrario, chegara um momento em que você vai se sentir cansado, e então ira tentar resgatar aquela primeira impressão, o “tudo” que sentiu nos primeiro momentos, constatando que acabou, e que insistir é quase um estupro na alma que em vão quer invadi-la de algo que não vai voltar.
Quando o roteiro chegou, você já sabia de toda a historia, conhecia a qualificação dos personagens, e por mais que eles quisessem lhe mostrar aquilo que queriam ser, eram apenas eles mesmos, logo iriam fracassar por querer algo que desconhecem.
Você cria por algum tempo uma espécie de mascara para colocar nas pessoas, tornando-as mais belas do que elas realmente são, fazendo isso ciente de que em algum momento essa fantasia ira chegar ao fim.
Isso faz parte de você, é mais forte do que toda a sua cultura, inteligência, querer, quando se dá conta do que de fato esta acontecendo, já é tarde e o termino da ilusão mais uma vez lhe serve como companhia junto a essa realidade que não lhe surpreende: você já sabia.
Das coisas que passam, fica a primeira impressão, das rosas que murcham fica a alegria de recebê-las, não a aspereza da morte, das pessoas que chegam os bons sentimentos, não o adeus, dos momentos que se vão à lembrança que se prende a memória eternamente, nítidas, cerrando os olhos às temos como se nunca tivessem ido embora.
Deixar-se levar por essa saudade das horas que temos a consciência de que a vida naquele instante, naquele momento do primeiro sorriso, do abraço forte, da mão estendida, da esperança concretizada, valeu a pena; Deixar-se levar pela imaginação do sonho que pode acordar conosco na manha seguinte; Deixar-se levar pela felicidade impregnada na alma que por já se ter experimentado a sabe reconhecer; Deixar-se pela vida a espera do desconhecido, que ao chegar nos da a impressão de transformar tudo ao nosso redor, deixando-nos novamente embriagados com a novidade, saudando-nos com a leveza das primeiras e eternas sensações que são incapazes de se perder com o tempo.
Eternizar os primeiros momentos, sejam eles de qualquer natureza, são sempre os que nos irradiam os olhos com um brilho fascinante, guardar as primeiras horas, os detalhes de cada instante, num lugar a salvo de todo o resto.
Guardar é o mesmo que cuidar para que nunca se perca.
D.S.L

Não nasci pra ficar tranqüila, serena, calma como as águas de uma lagoa doce, tudo em mim é movido por força, sem limites, deleito-me no infinito.
Sinto paixão pelo meio termo, gosto de tudo que ilusoriamente não vejo ter fim, como o mar, ora com ondas gigantescas, ora na calmaria da ausência de ventos, não a revelia, mas a sua própria escolha.
Tenho ânsia por novas emoções, sabores, amores, desamores, sensações que nos tiram do serio, sacudindo a alma, pulsando as veias.
Vontade pelo que me faz roer as unhas, coçar a cabeça, sentir as pernas bambas a ponto de não saber onde estou.
Noites de sono perdidas que anseiam a chegada de um novo dia que trás novas expectativas.
Eu quero o contrario do tédio, a inversão da inércia, saber a palavra certa que codifica todas as portas, escancarando-as para que eu possa passar com minha banda de amigos loucos a cantar e a sorrir, entoando a oração capaz de me levar até o céu.
Tenho gosto pelo que me faz o corpo arrepiar, pela felicidade sem sentido que me enlouquece, pela vontade de dançar até não mais suportar tocar o chão.
Tudo em exagero, menos a dor, tudo em um acelerado desespero menos a tristeza, tudo, e todo o mundo, com seus mistérios, porem sem neuras, livres os seres que caminham pela vida com o coração aberto, ora flechados pelo amor, ora bombardeados pela dor, etapa que não se escapa quando o caminho desejado é o de ser feliz.
Quero olhar nos olhos e sentir na alma o toque de todos os sentimentos, povoar a minha historia de gente em “estado” de excesso, numa perpetua perseguição para alcançar a si mesmo, e a todos os sonhos, tendo como objetivo final de sua historia um ultimo, sincero e único sorriso, encerrando o plano como um pássaro que jamais deixara de voar.
Quero ter uma melodia eterna nos ouvidos, e no pensamento palavras que ensurdeçam o mundo, calando a boca da mediocridade, matando a crueldade e inspirando covardes a viverem intensamente.
Abrir os olhos pela manha e encantar-se com tudo, enxergar a todos não como náufragos a pedirem socorro, mas sim navegadores disposto a contemplarem a terra vista em seus sonhos.
Acreditar no passe de mágica, nos sonhos que me fazem voar a conhecer o desconhecido, amanhecendo-me com o corpo ainda cansado de tantas estripulias, acreditar nos anjos, arcanjos e querubins que com todo encanto e doçura dançam às vezes em volta de mim, trazendo dos céus essas coisas todas, meio loucas, sem fim.
D.S.L

A felicidade não envelhece

Casou aos vinte um anos, naquela época moça era pra casar, o futuro esposo era filho de um velho conhecido da família, o que facilitou as coisas, pois se conheciam desde a meninice.

Linda, com olhos cor de mar que faziam qualquer um querer naufragar naquele oceano de mistério. Certo dia passeava pela praça da cidade, o rapaz a viu e se interessou, ela mal se lembrava dele, se encontram poucas vezes em aniversários e outras festas de família, logo os pais trataram de marcar um jantar e aproximar os jovens.

Com a educação que tivera aceitou ser cortejada por ele, e em menos de um ano ela se viu no altar ao lado de um rapaz tímido, de pouca conversa e dono de um respeito que ela muitas vezes desconhecia o sentido de ser, o beijo no altar lhe foi dado na testa.

Uniu-se a ele sem a emoção da paixão, do amor, pois desconhecia tais sentimentos, via em seu esposo um companheiro e amigo, com quem sentava-se na varanda a observar as tardes passar, vez ou outra ele colocava um disco na vitrola, porem nunca lhe sussurrou um refrão se quer ao ouvido, nem mesmo se arriscou a tira-la pra dançar, ou coisas do tipo que ela ouvira dizer que os amantes faziam.

Viviam uma vida tranqüila, sem grandes emoções, a maior e talvez única delas, foi aos três anos de casados quando tiveram uma filha, que cresceu e diferentemente de seus pais quis conhecer o mundo. Pertencia uma paixão pela vida e pelos sentimentos que surpreendia a todos e contagiava a qualquer um a seu lado, a mãe compreendia e sorria timidamente reconhecendo que a filha pintaria sua vida com cores mais alegres e vibrantes, pois sentiria paixão, conheceria o amor, experimentaria emoções fortes e intensas, ficava encantada ao ver a menina cantando pela casa, dançando como quem flutua em nuvens, sorrindo por tudo, sem pressa, como se a vida lhe fizesse cócegas a todo instante.

Sempre que olhava para filha pensava: ela será mais feliz, pois saberá o que é ser feliz, conhecera de tudo e terá vastas escolhas, como se pensasse sobre si mesma, chegando a conclusão de que a vida não lhe deu muitas chances para um outro caminho.

Imaginava que sua historia não iria muito alem daquele casamento tranqüilo, e das tardes sentadas à varanda conhecendo mais da vida através dos olhos da linda moça que trouxera ao mundo.

Faria trinta anos de casada naquele mês, mas a vida, ou melhor, a morte levou seu melhor amigo. Em seu leito ouvira do rapaz tímido a confissão de arrependimento por nunca ter-lhe dado mais do que aquela vida, em um ultimo pedido disse sorrindo a esposa: prometa-me que será mais feliz. Então ela o viu cerrar os olhos sorrindo, enquanto suas mãos deixavam as dela.

Restou-lhe da vida, a varanda, onde agora sozinha esperava pelo começo e o termino de mais um dia. Foi assim durante alguns meses, mas filha observando que mãe lhe parecia ainda mais triste e sozinha do que o de costume, sem nem mesmo consulta-la matriculou-a em uma escola de dança. Por insistência, convenceu a mãe a participar, no primeiro mês para incentivá-la foi seu par nas aulas, e quando percebeu que ela tomara gosto pela “coisa”, uma noite inventou um compromisso que a fez ir sozinha. Sem par, um senhor a tirou para dançar, tratava-se de um jornalista aposentado, já o tinha visto algumas vezes pela cidade, mas nunca repara em nenhum outro homem; Mesmo ressabiada e contida, aceitou o convite.

Logo que os corpos se encontraram, ela sentiu um doce perfume amadeirado que lhe fez automaticamente fechar os olhos, ele transpassou a mão em sua cintura e a conduziu pelo salão, foi a primeira vez que sentiu os pés saírem do chão, a cabeça entontecer, e o corpo em transe como se a musica à invadisse desde a essência de sua alma.

Saiu da aula cantarolando uma melodia, lembrando do cheiro de seu par, hora cerrava os olhos para sentir no corpo a sensação que lhe era novidade.

Ao chegar em casa e olhar-se no espelho sorriu para si mesma, adormecendo ansiosa, imaginando se ele a convidaria no dia seguinte para uma outra dança.

Dançaram novamente na noite seguinte, e com o passar dos dias os corpos iam aproximando-se involuntariamente. Ele começou a acompanhá-la ate sua casa, conversavam sobre todas as coisas, e sorriam com uma cumplicidade irradiante, numa noite a beijou e então ela experimentou um sabor novo, atônita quase não dormiu, estava apaixonada, e mesmo sentindo-se um tanto boba por um sentimento novo entregou-se aquela nova experiência.

Na noite seguinte ao beijo ele não foi a aula, desiludida e sentindo-se ridícula por acreditar naquele velho que agora lhe parecia um assanhado aproveitador, voltou para casa com o pensamento de desistir das aulas, e esquecer de uma vez por todas as horas que passara ao lado daquele homem que lhe despertara mais do que paixão, lhe despertara a vida.

Tomou um longo banho e deitou, quase adormecida começou a ouvir uma melodia conhecida, era a musica que dançara com ele pela primeira vez, não deu importância, imaginando que estava a sonhar, não era sonho, seu par estava a porta de sua casa, na mesma varanda cercada de silencio, acompanhado de dois amigos a lhe fazer uma serenata.

 Encantada esperou o fim da canção, e logo correu ao encontro de seu par o qual sem pestanejar lhe pediu em casamento, com o coração ainda aos pulos, ela aceitou.

Momentos antes da cerimônia a filha lhe perguntou se ela se arrependera de não ter vivido todo aquele encantamento na juventude, ela então do alto de sua sabedoria, respondeu-lhe: negativamente, acrescentando que não existe momento pré-determinado para ser feliz, sentimento que os anos são incapazes de envelhecer.

Nunca é tarde!

D.S.L

Geração Y*

Cada geração fica conhecida por suas lutas, ideologias, conquistas, e historias que ajudam à geração seguinte a também lutar, pensar e crescer, deixando assim um: “é possível mudar algo, vencer e perpetuar na historia como marco de vitória em alguma área, para isso basta acreditar e se mexer”.
É como uma corrida de bastão, onde o próximo a apanhá-lo deverá correr, dando ainda mais de si para conquistar algo novo, assim vem sendo de geração em geração até hoje, ou melhor, até ontem, pois por tudo o que tenho visto, ouvido e principalmente sentido, percebo que a minha geração deixou o bastão cair, parando a corrida e desprezando aqueles que em algum momento dependera de nós para pegar novamente o bastão e correr em busca de sua historias e vitórias.
Pergunto-me sobre o que a minha geração será lembrada?
Ninguém quer nada com nada, ninguém quer nada além do próprio mundinho, do próprio umbigo, da própria satisfação.
Nada precisa ser muito aprofundado, existe uma espécie de medo de pensar por si mesmo, estamos sempre a imitar, como micos de circo, mas o palco em questão é o da própria vida, e sendo imitadores eternos, nunca seremos nós mesmos.
Contraímos certa alergia ao conhecimento que liberta, e a sentimentos que enobrecem, cruzamos os braços e nos tornamos personagens de uma historia que ninguém prestara atenção, pois a escrevemos com um desinteresse tremendo, quem nos ler não ira ter motivação de seguir para o segundo parágrafo.
Seremos lembrados como a geração da globalização, isso deveria ser sinal de uma cultura mais ampla, e de pensadores mais conscientes, pois temos ao alcance de um click qualquer assunto, qualquer livro, qualquer musica, e o que estamos fazendo com isso? Estamos copiando, é o “ctrl + c” que impera em trabalhos escolares de pesquisa, e também em nossas relações, não é preciso mais se dar ao trabalho de explorar a si mesmo quando se quer dizer alguma coisa sobre algum sentimento, simplifica: joga em alguma site de busca: amor, amizade, carinho, mãe, e sem ler é claro, ler alias da trabalho, (e trabalhar também não é a nossa, nos queremos tudo na moleza), e então lhe aparecera um infinito de poemas e textos que lhe servira naquele instante. Ah! Da uma de esperto e nem credita a quem é de direito as palavras encontradas, se quem ler também não for lá muito preocupado com essas coisas, você poderá jurar que é de sua autoria.
Pergunto-me sobre o que a minha geração será lembrada?
Seremos lembrados pelas grandes festas de horas e horas, onde “pilhados” por sons eletrônicos e danças esquisitas, deixamos o corpo livre, e o pensamento vazio, cheios de um nada que não nos leva a lugar nenhum, ensurdecidos pela falta de palavras. Seremos lembrados pelos placares de quantos conseguimos beijar em apenas uma noite, lembrados pelo que esquecemos, as bocas sem nomes que conquistamos pela duração de um beijo, para muitos isso tem sido o mais próximo que se chega de um relacionamento.
Lembrados pela estética, por esse culto à beleza a qualquer preço, pelas roupas que equivalem a um salário inteiro, por tudo o que nos torna mais bonitos por fora e mais ocos por dentro. A era das plásticas, das mulheres frutas que limitam seu talento a seios e bundas, ah e é claro a alguma dança que os façam sacudir.
Hoje em dia temos milhões de amigos virtuais e bem menos reais. As crianças sendo transformadas em mini-adultos com crises de depressão, stress, já não brincam, para muitas imaginar e fantasiar é algo bobo, perderam o encanto de ser criança, tornaram-se sensatas.
A droga cada vez mais forte na rotina de qualquer um, válvula de escape para esquecermos do nada que somos, destruindo tudo a sua frente: família, corpo, mente, aniquilando a sociedade, antecipando a morte e dando coragem a crimes cada vez mais bárbaros, enchendo as calçadas de moradias cada vez mais e mais cedo, o trafico servindo de primeiro emprego a muitos, trazendo uma falsa idéia de poder e oportunidade.
Uma historia sem ideologia, conteúdo, uma historia sem historia, celebrada pela falta de encanto, de paixão.
Seremos lembrados pela geração que foi capaz de matar nossos próprios pais, filhos, irmãos, por inveja, por pobreza de espírito, por ciúme, por falta de amor, conveniência ou qualquer outro motivo fútil.
Seremos lembrados, quando melhor mesmo seria sermos esquecidos pela incapacidade de escrever algo que valha a pena, sendo mais assustador ainda o fato de isso não incomodar ninguém.
E você pelo que será lembrado?
D.S.L

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A Geração Y, também referida como Geração millennials ou Geração da Internet[1] é um conceito em Sociologia que se refere, segundo alguns autores, à coorte dos nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década de 1990, sendo sucedida pela Geração Z.(fonte: http://pt.wikipedia.org/)