Mesmo cheio de amor permanece vazio

Caminho pelo deserto, lentamente e descalça pela areia quente, meus pés ardem e a boca seca clama pelo rio da vida.
Carrego o livro das leis, a claridade me cega, tamanha a luz da descoberta deste mundo novo.
Caminho pelo deserto, nada vejo alem de minhas pegadas que vão sendo apagadas pelo vento.
Não há mais noite, nem tardes, nem manhãs, cansada e atordoada pela luz em meu caminho, resta-me seguir em frente, sem saber ao certo onde vou chegar.
É um caminho do qual não há mais volta.
Sinto medo, carrego nos braços a lembrança dos teus abraços quentes, carrego em meu peito a melodia alegre de todas as musicas, porem não existe mais nada. Todos os sons morreram.
Choro do qual não há consolo, eu te feri e a solidão agora é minha companheira. Eu poderia conviver com qualquer solidão que me dessem, menos com esta, que vem de ti, dos teus olhos insatisfeitos.
Meu coração continua aberto, como se o tempo o rasgasse cada vez mais, já não vejo formas de trancá-lo dentro de mim, quando neste momento o que mais aguardo é encontrar-me novamente e permanecer nem que por um instante sendo apenas minha.
Caminho pelo deserto, quente, seco, iluminado, olhos voltados aos céus como se lá estivessem todas as minhas perguntas, todas as resposta, como se cada raio de sol desvendasse todos os meus medos e escondesse todos os meus defeitos, e desafiasse todos os meus tropeços.
Passos nulos, cambaleantes, desertos, não estou lá, estou aqui, buscando dentro de mim a bússola para encontrar novamente um abraço, um colo, um novo ar.
O vento me invade, tempestade que anuncia a chegada de novos tempos, no qual não existe ponteiros, somente as horas que passam desapercebidas, de um amanha que parece não chegar, pois o sol deste deserto não cessa. Já não há mais dia.
Quero permanecer calada. Preciso continuar caminhando e para isso é necessário fôlego.
Não me tome, não me toque, não me veja, não preciso de ninguém a meu lado, pois antes de encontrar-te preciso buscar-me, buscar-me para lhe dar respostas.
Meus olhos estão cansados, pois como não existe mais noite, eu permaneço durante dias sem dormir, quero apenas descansar, voltar a beber dos teus seios cheios de leite, onde encontrei nas primeiras horas o néctar da vida, talvez esta seja minha cura, talvez esta seja a minha sina, terminar nos braços.
Eu quero chorar, mas não posso enfraquecer-me nesta hora, preciso de mim, e se eu fraquejar neste momento vou cair, e caindo atravessarei este abismo diante dos meus pés, não posso agora dilacerar-me pela queda, é preciso que você esteja lá, para amparar-me, é preciso que teus olhos me enxerguem alem de todas essas aparências, além de todos estes obstáculos.
Eu digo tudo ao mesmo tempo, não há pausas entre meus pensamentos. Não há pausas entre estes dias, a vida pulsa e tudo acontece no mesmo momento.
Mesmo empalidecida eu não vou cair, teus cuidados me fazem retornar a vida e torno a cantar, dançar, viver.
Eu te entreguei um diamante na ultima noite que sonhei, um diamante de um brilho entontecedor, cegou-te, e mesmo assim você sorria e me perguntava, mesmo vendo-me naufragada em minhas duvidas o que fazer com ele? Acordei gritando: Ame-o.
Logo dei-me conta de todo o meu cansaço, buscando a tudo isso eu sempre acabo ferida, buscando tudo isso o que me resta são manhãs solitárias, e noites sem esperanças, é pecado, é assombro, ilusão, já não sei ao certo, já não há mais erros. Difícil à vida que não vê obstáculos, difícil à alma que não complica suas razões, nem emoções, tudo parece fácil diante dos meus olhos, tudo é compreensível, e diante da inflamada multidão que grita, peço perdão pelos meus embaraços, não sou absorvida, portanto resta-me esta suplica aos céus, resta-me estas lagrimas secas pelo sol deste deserto, resta-me teus braços a também tentar chegar a mim, resta-me este choro calado, o choro de todos os poetas que não quer ver apagado a chama de uma busca que só existe em seu caminho solitário. Quantos mais morrerão sem ver? Quantos mais morrerão sem encontrar? Quantos mais viveram não sem ver, porem sem sentir. Sim, mais um poeta caminha pelo deserto, mais um poeta cega-se pela luz divina que o ilumina, mais um poeta se explica ao mundo. Quantos mais O perguntarão qual segredo há? Quantos mais cantarão por tristes noites solitárias, onde o peito mesmo cheio de amor permanece vazio; Quantos mais carregarão mesmo que sem sentido esta esperança, este desatino de ter na vida o amor que sobrevive apenas em seus olhos cansados, em suas palavras sem rumo, em seus dias desertos, onde ainda o que lhe resta é a esperança de caminhar pela vida, acreditando que um dia esta busca terá fim, e por fim ele repousara em braços que não mais irão o libertar, pois sua alma já não mais aprisionada , vivera em outra vida.
D.S.L

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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