insatisfaçÃO, insatISFAÇÃO, INSATISFAÇÃO!

Por volta dos meus dezoitos anos uma amiga muito querida me emprestou um livro chamado 1968 O ano que não terminou do jornalista e escritor Zuenir Ventura.

O livro trata de um pouco da historia da ditadura no Brasil, naquela época manifestar-se de qualquer forma ou meio contra o governo era considerado crime, como todos sabemos os estudantes, jornalistas, artistas em geral, não se calaram, e mesmo tendo como conseqüência mortes, prisões, torturas, exílios, perseguições das mais cruéis e desumanas possíveis, eles não se calaram, e assim foi possível conquistar a democracia.

O Brasil hoje é considerado apesar de tudo, um pais livre, laico e democrático. Aqueles jovens nos deram desde 1968 o direito de querer, de sonhar, de lutar, de falar não, de dizer que esta errado, nos deram o direito de viver em um pais melhor, de oportunidades justas, eles nos deram o direito de falar, mas nós parecemos adormecer.

Em 1992 abrimos os olhos rapidamente e conseguimos tirar do poder o então presidente Collor, para anos depois o colocarmos novamente no poder.

O povo quer pão e circo. O pais do futebol e do carnaval. Corrupção, desonestidade, impunidade, injustiça, insatisfaçÃO, insatISFAÇÃO, INSATISFAÇÃO: esse sentimento sempre me perseguiu e então eu olhava ao meu redor e ninguém da minha idade parecia se preocupar com a violência, a falta de emprego, saúde, educação, dignidade, com quem não tinha o que comer, aonde dormir, como dar aos filhos o direito de existir, boa parte da turma queria como todos os outros pão e circo, e todas aquelas historias fantásticas de uma época em que se tinham ideais, coragem, força, fé, não saiam da minha cabeça.

Eis que no dia dezessete de junho de dois mil e treze, essas idéias e historias fantásticas de pessoas que acreditam e lutam por uma vida, um pais, um mundo melhor, acordaram em outras cabeças, gritaram em outras gargantas, saíram das redes sociais e tomaram as ruas deste pais. É de emocionar jovens querendo mais, sentindo mais, cantando o hino nacional com aquele nó na garganta que parece nos querer fazer chorar, é lindo acreditar que não será somente por R$ 0,20, é real o quanto podemos ser ouvidos por aqueles que estavam se fazendo de surdos até agora, ou com tudo ainda declaram não ter entendido.

Acabou! Acabou pra vocês, o povo em fim sem partido, sem aproveitadores, sem corja, sem educação, sem saúde, e cansado dessa vida sem dignidade acordou, e agora quer o troco do custeio do circo e do pão, quer ver centavo por centavo revertido em tudo o que vocês dizem mentirosamente investir.

O Brasil do futebol entrou em campo, tirou a mascara, e nós não estamos acostumados a perder.

Vamos para rua sim, vamos ao congresso, as prefeituras, as assembléias, por que enfim o Brasil acordou, e eu torço para que nunca mais ele adormeça!

Aprendemos que lutar, sem vandalismo, e violência, resolve sim!

D.S.L

Olhares ou postagens?

Acompanho atentamente a conversa de dois adolescentes em uma lanchonete:

_ Comprei esse tablet ontem, olha que legal?

_ Nossa! É o modelo novo. Depois vejo melhor, meu iphone esta tocando.

_ Você trouxe seu “note”?

_ Trouxe sim, por quê?

_ Quero aquele jogo novo que você conseguiu.

_ Ah! Aquele jogo esta no computador de mesa lá em casa, mas gravo pra você no cartão de memória.

_ Você viu a campanha nova daquela camisaria importada?

_ Comprei um boné da coleção, a marca é muito top.

_ Vou comprar uma camisa.

Tudo bem em falar de tecnologia, e outras coisas superficiais como roupas, acessórios, a molecada gosta disso, sempre gostou, mas o tom da conversa dos dois era daquele tipo: eu posso mais que você, seguido daquele que soa pior ainda: sou mais que você, ou pior, tenho mais que você.

Típica conversa burguesa. Nada contra quem veste a camisa da burguesia, ou melhor, nos tempos atuais as etiquetas, afinal são muitas as pessoas que se impressionam com essa espécie de beleza que vem de dentro da carteira.

A existência de profundidade, sensibilidade, humanismo, igualdade e compaixão são para outra espécie de gente, de cabeça, de coração, por mais que se queira incitar a paz, a gentileza, a educação, a solidariedade, pelas redes sociais e mídias em geral, é fato: uns nascem com isso, outros não, alguns ate tentam entrar na “onda” midiática de que fazer o bem é legal, mas soa falso e as contradição acabam aparecendo mais cedo ou mais tarde: seja humilhando alguém, maltratando um animal, um morador de rua, ou qualquer um que lhe excite a ideia de superioridade.

Ninguém é cem por cento bom, ou ruim, ou cem por cento fútil, ou profundo, mas a ostentação é o que difere as pessoas nessa historia toda.

Deixamos de ser, para nos transformarmos nesse amontoado de coisas, que perdem sua necessidade quando nos sentimos sozinhos e percebemos que o que temos é tão pouco e sem importância.

A pergunta que não quer calar é: até onde estas coisas nos fazem felizes? Será necessário tanta parafernália? Tudo isso que ostentas é você?

A leitura que faço é: essas coisas todas, medem o seu caráter?

E a vida lá fora? Longe do wi-fi, do smartphone, fora da tela das redes sociais onde todos posam de bonzinhos, invejados, bem sucedidos e jamais estão tristes ou amedrontados.

Aonde foi parar a coragem nossa de cada dia? A emoção de compartilhar olhares ao invés de postagens?

Será que ninguém mais sabe conversar sobre coisas que não são coisas? Será que os “malucos beleza” estão de fato extintos? Eles deixaram de sentir o sol, o mar, para copiarem imagens prontas e distantes dessas paisagens que fazem parte daquilo que eles tem de melhor?

Permutamos o arrepio na pele, o coração acelerar, por mais uma “curtida” ou pelo vibrar do telefone?

Talvez o maior sonho do homem, seja criar o próprio homem, creio que não estamos distantes disso, afinal ser humano hoje em dia é tão previsível e sem emoção, estamos a poucos passos de imitar as maquinas.

E você, há quanto tempo não admira o por do sol?

D.S.L

*Foto: Entardecer em Colatina (ES). Autor Joel Rogerio. PONTE FLORENTINO AVIDOS

Frases simples e feitas

Às vezes demoramos anos para compreender frases simples e feitas.

Talvez não damos a devida atenção a elas, por que todo mundo as usa, e quando todo mundo faz uso de alguma coisa, acaba perdendo a graça, a importância, é como percorrer um caminho todos os dias para o mesmo lugar, certas coisas se modificam e nem notamos, afinal estamos acostumados com aquela mesma visão, o que nos cega pra perceber qualquer mudança.

Assim também funciona a vida, as vezes sonhamos tanto com uma mudança e quando ela vem, não percebemos de fato que ela esta ali, que aconteceu, que a realização pendente agora faz parte de nos.

Demorei anos para compreender a frase: Viver um dia de cada vez.

Ainda não consigo negar minha ansiedade, prova disso são as unhas carcomidas, o olhar as vezes distante medindo no nada tudo o que espero, mas tudo isso é humano, e a mim divino foi entender, confiar, respirar sempre muito fundo quando a velha ansiedade teimava em tirar-me o sono, e entoar como um mantra libertador e angelical: viva um dia de cada vez.

Deixei de querer viver no futuro, sempre utilizando nos inícios de pensamento ou de fala a palavra “quando”: quando isso acontecer, quando aquilo mudar, quando eu conseguir, quando aquele sonho chegar.

Quando compreendi que as coisas vão acontecendo e nos levando devagar aonde sonhamos, acalmei meu coração, e experimentei de uma espécie diferente de fé.

Tornei-me fã do hoje, do agora, do momento, transformei minha fobia por calendários e datas em pequenas realizações que vão acontecendo a cada segundo, sou quase proprietária de meu tempo, e essa fé no dia a dia tem me feito romper barreiras, calando fantasmas e canalizando energias para o momento mais importante: o agora.

O futuro é indispensável, pois existem sonhos que não conseguem acontecer de momento, é necessário planejamento, força, determinação, tempo, mas o futuro é muito longe e incerto, e porque não dizer as vezes cruel e ingrato.

No futuro pode acontecer daquele sonho chegar e lhe encontrar sozinho, sem as pessoas que sonharam a seu lado, pode ocorrer da vida levar alguém embora, ou simplesmente levar parte de nossa inocência, força, vitalidade e assim tudo perde um pouco do sabor. No amanha alguém pode não estar lá, e então o que nos restara além do gosto do sonho conquistado é a vontade incontrolável e impossível de abraçar, ouvir a voz, sentir o cheiro, e imaginar o sorriso largo e feliz de quem com toda certeza festejaria junto de você, isso é o futuro: não saber quem, nem onde, nem porque, menos ainda quando e em quanto tempo.

Aprendi a viver um dia de cada vez e acreditem não foi fácil, pois precisei andar de mãos dadas com minhas limitações, inquietações, com meus desejos intermináveis de mudança, e com minha transparente impaciência.

Viver um dia de cada vez é o mesmo que amar mais, abraçar com mais força, olhar com mais intensidade, manter a paz, sentir-se ainda mais leve a cada anoitecer por parecer inocente a consciência de saber: hoje vive mais um dia.

Viver um dia de cada vez é viver mais e feliz com tudo e com todas as pessoas que se tem agora, afinal toda saudade de qualquer momento a gente só tem noção da dor quando conhece o depois, portanto é assim que tem que ser: um dia de cada vez.

D.S.L


A bandeira do basta!

Nós demos poder a eles, liberdade, uma segunda, terceira, quarta chance, e ao contrario do que se esperava eles não deram chance alguma a vida, ao respeito, ao outro, talvez por burrice ou ingenuidade de nossa parte, afinal quem não ama a própria a vida, não será capaz de amar e cuidar, de qualquer outra coisa.

Sempre me pergunto diante desses crimes que nos chocam, a motivação que os levaram a acontecer.

A verdade é que não estamos seguros, perdemos direitos simples como pegar um ônibus, uma van, ir até o banco pagar contas, ir para a escola, somos prisioneiros de uma era sem paz e de muito sangue. Somos reféns de estatutos que protegem a criminalidade e a alimenta cada vez mais, espectadores numa espécie de transe de uma mídia que lamenta ferozmente a morte de um traficante exigindo direitos a quem sempre violentou seus deveres, somos ludibriados pelo sistema com pequenos “calas bocas”, ou melhor, “calas bolsas”, tudo esta comprado, e a fatura têm ficado cada vez mais alta e mais sombria.

O maior de todos os bandidos é o que se esconde, aquele que esta por trás de um colarinho, de uma religião, conhecedor da lei, aquele que usa o conhecimento para o mal, ou ainda, para o seu e tão somente seu bem estar, esses são como ratos, agem no escuro, em silencio, covardes, de uma falsa moralidade que enoja, são tão sem caráter que se dizem agir em nome de outra pessoa, não assumem, assustam, ameaçam.

Esse consumismo desenfreado sempre foi estopim para sentimentos de inveja, cobiça, avareza, o que deu a sociedade sua primeira ilusão: transformou-se em bandido, coitadinho, pois não teve saída, nasceu marginalizado e sem chances, burrice.

Ter cada vez mais e mais coisas, ter, ter, ter, você é o que veste, o que come, com quem anda, deixamos de ser aquilo que pensamentos, ou melhor, deixamos de ser como pensamos, deixamos de ser o que sentimos, deixamos de ser… As chances da vida nunca foram iguais, nunca serão, mas isso não pode mais ser usado como desculpa para criar monstros que muitas das vezes tem agido por pura maldade, e por serem respaldados por uma impunidade de leis.

Criamos vilões que se rebelam ao alvorecer, os marginais de hoje nada tem de utópico, não são bonitos, inteligentes, cultos como a décadas atrás quando os foras da lei lutavam ideologicamente por suas idéias, fazendo musica, poema, encenando teatro, naquela época o legal era ser politizado, era ler tantos e quantos livros a cabeça aguentasse,  ter uma opinião formada, ou melhor ser uma “metamorfose ambulante”, ser era o que valia. Eram uma cambada de marginais que iam contra o sistema ditatorial daqueles que deixaram a herança da impunidade se alastrar. O filhinho de papai, fútil, sem papo e burro não tinha espaço, hoje em dia ele é cultuado, essa é a conseqüência da ideologia do dinheiro, demos poder a eles, e hoje eles cospem em nossa cara decretando que estão acima do bem e do mal.

Nossos “marginais” de duas gerações atrás gostavam de aplaudir o por do sol, hoje eles assaltam a luz do dia, reuniam-se na praia ou em qualquer outro lugar para ver a noite, tocar violão, namorar, hoje se organizam para promover arrastões, invadir residências, perturbar o sono do trabalhador, estuprar, incendiar, e rir. Eles não sofrem e não se arrependem.

Ser honesto é distintivo de trouxa, o lance é levar vantagem, ser poeta é característica de “boiola”, o lance é levar a “mina” pro abatedouro, ter sonhos é ser bobo.

Estamos colhendo os frutos da nossa plantação de moedas de ouro: a falta de esperança, o sufoco no peito, o medo do outro. Os encorajamos a serem maus, a terem no coração uma violência gratuita e desnecessária, eles não conhecem a paz e a pré julgam como idiotice.

Quem pedira perdão a dentista queimada viva em seu local de trabalho por não ter mais de trinta reais em sua conta, quem sofrera pela moça estuprada por um adolescente de dezesseis anos (que pela nossa lei é incapaz de saber o que estava fazendo) dentro de um ônibus, pela estrangeira também estuprada, torturada e assaltada dentro de uma van, quem defendera as vitimas sexuais de um pastor que se esconde atrás da fé alheia, quem nos protegerá do silencio do Executivo, Legislativo e Judiciário diante desse folhetim que esta longe de ter um final feliz? Quem levantara a bandeira do basta? Quem?

“Sua maldade então deixaram Deus tão triste” (Renato Russo)

D.S.L

Nuvens bailarinas

No que você esta pensando?

Essa é a pergunta usada em uma das maiores redes sociais do mundo, a qualquer momento de acesso lá esta a indagação: no que você esta pensando?

O pensamento talvez seja a obra mais perfeita e comum a qualquer e todo ser humano, todos nós somos capazes de pensar, uns pensam demais, outros nem tanto, alguns se utilizam do pensamento alheio para conduzir a própria vida, há também os que não dão ouvidos aquilo que pensam procurando afastar qualquer tipo de pensamento seja cantando, batucando, assobiando, há os que não conseguem dormir de tanto pensar, e os que pertencem o pensamento viajante, o qual não “assenta lugar”, não tem DNA, nem hora pra chegar ou partir, é como se tivessem nuvens bailarinas ao invés de algo firme e concreto, e a cada momento com o passar de um vento ou de um raio de sol essas nuvens  se transformam em diversas interpretações, de ilimitadas formas, jeitos, e como se trata de pensamento tomam cor, cheiro, sabor, e simplesmente seguem seu caminho em busca sabe se lá de que ou de onde.

Pensar a vida é um grande dilema, com toda certeza o maior e mais profundo deles, mais intenso que isso creio que seja o pensamento do outro. As vezes me pego a acompanhar as pessoas na rua, procuro olhá-las nos olhos desde que me permitem cordialmente tamanha intimidade, em algumas respiro flores, noutras um lugar alegre e brilhante, há as que timidamente se esquivam, algumas passam de maneira fugas toda sua rasa percepção das coisas e desviam os olhos para mirar a blusa, os sapatos, esquecem de que os olhos são a maior linguagem corporal que pode existir, há ainda os sonhos,a mim é perceptível distinguir quando o pensamento esta sonhando, a fisionomia muda de maneira a irradiar luz e força a todo o universo, e esses são os olhos e os pensamentos mais bonitos.

Nem tudo são flores, e há dias em que vida não esta tão encantadora quanto a cena de um apaixonado dançando na chuva, para todos tudo é possível a qualquer instante, porem nem sempre é fácil, quase nunca alias, tudo em luta a todo momento, e o pensamento as vezes é de cansaço, e assim nasce a desesperança, a apatia, a falta de horizonte, cansa saber que o pensamento em sonho não muda a realidade e que muito alem da luta é preciso contar com um elemento chave que alguns chamam de sorte, o qual preferi apelidar de destino.

Acompanhando as pessoas na rua através da janela do ônibus, quis ler por um instante o pensamento da moça sentada no ponto que esfregava os olhos querendo disfarçar as lagrimas, não havia escuridão apenas tristeza, quis sorrir pra ela, porem seu olhar erguia-se apenas para mirar o nada e disfarçar o choro, talvez vá adormecer calada, sem ter com quem conversar seus olhos tristes e minta em sua rede social dizendo que tudo esta muito bem e que a vida é uma festa, afinal ninguém curte ou compartilha tristeza.

E você no que esta pensando?

D.S.L

*

*Foto Elis Lima. Céu de Além Paraíba (MG)

Me leva pra outro lugar?

Me leva pra outro lugar?

Longe desse sentimento estranho que temos convivido já a algum tempo: um aperto no peito, um nó na garganta, essa dor mascarada que esconde tanto descontentamento, esse sentimento estranho que nos faz sacudir a cabeça em sinal negativo dizendo sozinho, baixinho, quase com medo em meio a um suspiro profundo: esta tudo errado!

O que estamos fazendo? Aonde iremos chegar com tanto ódio, maldade, intolerância, desrespeito?

Me leva pra outro lugar, aonde as pessoas são mais de verdade, são menos cruéis, desonestas, e na contramão famintas por vida, por esperança, amor, ao invés de idolatras do dinheiro, da fama, do poder.

Aonde iremos chegar sozinhos? Dopados por tarjas pretas ou qualquer outra droga pra suportar a si mesmo, sorrindo para o raso, para a vida que não desperta junto do corpo.

Me leva pra outro lugar? Um lugar aonde ainda se acredita em mudanças, crescimento, aqui onde estamos vamos retrocedendo, acredite se quiser começaram a repensar o peso da cor sobre a pele, a liberdade do querer, a vontade de amar e o direito a tudo isso questionado, ferido, sangrando, morto, viver é direito questionado!

Somos tão do contra, que tudo parece estar se voltando contra nós, estamos sendo perseguidos por nós mesmos e uns aos outros, a fé tornou-se perseguidora, escravagista, inquisidora. Seremos torturados por todos os nossos preconceitos, por nossas mentes pequenas, pelo encolhimento da mão que já não ajuda, não abençoa, não mais constrói. Sofremos uma metamorfose, maquinas de destruição: somos bombas, somos pedras, somos fogo, tiros, facas, socos, brigas.

Desaprendemos o respeito para incitarmos a violência, o ódio, o desprezo, apontamos o dedo e gargalhamos, apertamos o gatilho, mas esquecemos que estamos achincalhando a nos mesmos, somos espelhos um dos outros, somos humanos e nada além disso; nem brancos, nem negros, amarelos, albinos, heteros, gays, indianos, judeus, mulçumanos, católicos ou evangélicos, umbandas, ateus, seja lá o que for humanos, seja lá o que for você: humano.

Me leva pra outro lugar, onde se respire fundo sem dor com o intuito inocente de sentir o aroma do ar, das flores, do verde, do cheiro do outro, outro lugar onde não se perca jamais a esperança de que tudo ainda pode dar certo, e tem dado, mesmo com toda essa gente que cansa de tanto querer que de errado, um lugar de “gentes” melhores, onde a paz pode enfim reinar sem precisar pedir licença, e isso não é papo de miss universo, ou político em campanha, ou poeta estranha, isso papo de gente, isso é papo de bem, isso é conversa real de quem ainda sonha.

Me leva pra outro lugar?

D.S.L

Feliz Páscoa, Feliz Renascimento, Feliz Cristo, Feliz Deus, Feliz Maria, Feliz paz e Feliz amor a todos.

Tenho no coração a vida que Ele nos trouxe, e a Deus a quem veio representar, afinal Ele não esta morto, encontro-o todos os dias nas horas do nascer e do por do sol, encontro-o nas flores, no vento, no sorriso de um menino, no abraço de um amigo, no sonho do meu coração, às vezes o sinto me abraçar bem perto de mim enquanto escrevo essas palavras, e certamente nesse instante bem próximo a você que as lê.

Tenho fé em suas mãos que nunca se recusaram a tocar o pecador e a perdoá-lo, fé na divisão do pouco, na escolha pela manjedoura ao invés do berço de ouro, fé na simplicidade de suas palavras, e no acolhimento a tudo que é humano.

Como doutrina trago em meu coração seu maior mandamento que é amar ao próximo, e amar ao próximo é refletir sobre o que sentimos em prol do outro, você pode não ter o poder de ajudar, ou mudar a situação das pessoas, mas ter bons sentimentos por elas é o que esta alcance de qualquer um, mesmo quando descordamos de certas condutas, que possamos desejar de coração o crescimento de quem esta assim como todos nos aqui nesta Terra para evoluir o espírito.

É preciso refletir sobre nossas intolerâncias, sobre essa ganância de poder, dinheiro, sobre essa fé retorcida que é tão latente nos dias de hoje e que tem causado tanta dor, tanto mal, discórdia, desigualdade e solidão, é necessário parar pra pensar no sentimento do outro, cada um enxerga a vida e tudo mais de forma única, e é preciso respeitar isso, acima de qualquer coisa, sem julgamento, sem querer colocar-se acima do bem e do mal, pois a ninguém foi dada a perfeição para que se aponte o dedo em direção ao outro.

Fazer o bem, perdoar, carregar o coração de bons sentimentos, olhar através das aparências, isso é estar com Cristo, levar a paz, semear o amor, falar dele, enxergar a beleza da vida, dos momentos em que muitas vezes sorrimos sozinhos, respeitar as criaturas todas com o mesmo respeito que queremos para nos.

Amar a família seja ela da forma que for, amar o diferente, o dito feio pelo espelho.

Amar essa é a bandeira que deve ser estendida, pois o amor é a cura que livrara a humanidade da extinção.

D.S.L

Igreja não é palanque

Nós perdemos!

De nada esta adiantando todos os pedidos, petições, reivindicações, protestos através de redes sócias, não adianta sair pelas ruas, estender bandeiras, gritar palavras de ordem, empenhar cartazes.

Não adianta a Anistia Internacional Brasil, artistas, jornalistas, escritores tentarem de alguma forma dizer não a decisão de manter na presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias o senhor Marco Feliciano.

Nós perdemos, ou melhor, nos o fizemos ganhar!

O Senhor em questão foi eleito pelo voto popular, portanto as declarações racistas, homofóbicas e machistas que incomodam a sociedade de hoje são as mesmas da época da eleição.

Posso ouvi-lo em seu altar fundamentar sua candidatura para proteger a família, o casamento entre homem e mulher, posso vê-lo torcendo o nariz para qualquer negro julgado por ele amaldiçoado, posso ouvir seu discurso machista ao defender que os direitos das mulheres devem ser restritos para que haja maior dedicação a família, e o que me ensurdece nessas cenas imaginadas é o coro de “amém” proferido por todos, principalmente por nos que não estávamos dentro de sua igreja, mas que com toda certeza ouvimos esse discurso em alguma propaganda eleitoreira, ou em algum bate papo, ou até mesmo em alguma rede social, afinal o que a mídia esconde a internet conta, divulga, vai a fundo, portanto nós também dissemos amem.

Esse coro infelizmente não se calara, pois a bancada evangélica só faz angariar mais votos, para muitos, Feliciano esta defendendo o povo de Deus, aqueles que prezam pelo futuro da família, da vida, o ataque a homossexualidade é rotina em programas televisivos, entrevistas, em artigos jornalísticos, isso tudo em nome de uma falsa democracia plantada feito erva daninha que só faz machucar, afinal de contas que ameaça é essa contra a família? Que ameaça é essa contra o casamento? Que mal assolador há em dar direitos a quem quer amar?

As igrejas elegem cada vez mais candidatos, e é clara sua real intenção: eleger um presidente, e podem ter certeza eu não estou exagerando, e é ainda com mais certeza que lhes digo: isso não demora acontecer.

Pouco a pouco eles vêem tomando força, lavando o cérebro de seus fieis, pouco a pouco vêem enraizando o preconceito contra tudo o que acreditam não ser correto. Eles clamam estar a direita de Deus Pai Todo Poderoso e julgam a todos com o olhar que melhor lhes convém, querem interpretar a bíblia e a vida de maneira a conquistarem cada vez mais poder, sim o poder, o mesmo poder que cegou tantos outros governantes no passado, o mesmo poder de Hitler, Herodes, o mesmo poder da Inquisição, da Ku, Klux Klan, por sentirem-se ameaçados por uma raça, por uma criança, por uma crença.

O que eles estão a fazer, Marco Feliciano e sua corja não é novo, ao contrario é milenar, histórico e visionário. O que nos resta é sofrer em dor por não ter tomado nenhuma atitude que nos protegesse do caos instaurado, nos dissemos amem, e agora nos resta rezar para que Deus nos tenha compaixão e nos proteja desses monstros que voltam a assolar negros, gays, mulheres e demais minorias consideradas ameaças a humanidade, a família, ou a religião.

Eles não estão defendendo Deus, ou a família ou qualquer outro sentimento de fé, eles estão contra o que possa lhes tirar o poder conquistado, estão aterrorizados com idéia de estarem sendo descobertos mesmo que tardiamente, afinal a luta deles foi árdua durante horas e horas em cima de um altar, arrecadando cartões, cheques, senhas bancarias, jóias, para financiarem cada vez mais poder, para terem nas mãos uma arma chamada palavra a qual eles: pastores, missionários de misericórdia, tolerância e bondade, deveriam usar para proclamar a paz, a esperança, a fé e o amor.

Igreja não é palanque!

D.S.L

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D.S.L

Não converse com estranhos

Deixei de ser criança a algum tempo, não no sentido literal da palavra, mas fisicamente, em alguns aspectos emocionais – afinal vez outra me dou o direito de pirraçar, fazer mau criações, reivindicar mimos, dengos, atenção etc. – mentalmente com toda certeza e graças a Deus, pois é difícil quando o corpo cresce, a vida muda, e no quesito responsabilidade, entendimento, e “otras cositas más” o sujeito continua agindo com mentalidade de cinco anos, enfim os anos passaram e deixei de ser criança, como tantas outras coisas que deixei de ser, e assim a vida vai se tornando mais “crua”, mais branca e conseqüentemente mais triste.

Não tenho filhos, nem sobrinhos, portanto minha convivência com os “pequenos” é rara, tenho dois afilhados lindos, mas que pela falta de tempo, distancia e vida corrida, vejo muito pouco, fato contrario a minha vontade.

Com toda a distancia desses seres iluminados, esqueci-me de algumas coisas, de verdades que só eles sabem.

O fato é que a algum tempo tive o privilegio de conviver com elas um pouco mais, e então pude construir uma ponte imaginaria entre a realidade e o tempo; e a criança que deixei de ser a algum tempo pode passear por esse caminho e reviver um pouco de tudo o que havia sido esquecido indevidamente com o passar dos anos.

Enxerguei-me criança novamente e a experiência foi deliciosa.

Acreditem mesmo com toda essa parafernália tecnológica algumas delas ainda brincam de verdade, e me aceitaram no grupo, me deixaram brincar de pique esconde, estatua, corre cotia, brincar de colorir, pintar, desenhar, ler historinhas e inventá-las também, pude estar com elas e imaginar ser aquilo que bem entendesse, desde pintora de paredes com casa, tinta e cor imaginaria, a rainha, caixa de mercado, cantora, dançarina, motorista, junto a elas pude ser qualquer coisa, por que elas me emprestaram a visão mágica de um mundo esquecido na vida adulta onde tudo é possível, onde se acredita estar vendo e vivendo o que existe pra você, e permanecer acreditando ainda que ninguém mais veja ou sinta tudo o que seu olhar toca.

Não é clichê dizer que crianças são puras, pois somos nós adultos, que aniquilamos toda essa pureza, dando a elas falsos valores, preconceitos, separações, crenças absurdas, noções de desigualdade, mostramos a elas desde muito cedo que alguns nascem com certos privilégios, deixando claro que o mundo é um lugar onde todos nascem para ocupar certo espaço e que elas não terão o direito de escolher o espaço que de fato querem ocupar, somos nós que dizemos a essas crianças que nem todos os sonhos são possíveis, quando na verdade são sim. Todos os sonhos são possíveis sim! Evidente que isso não exclui a dificuldade de torná-los reais, mas são possíveis sim, cabendo a nos doutrinarmos essas crianças para que lutem por aquilo que sonharem ser, não as acometendo de previsões chulas.

Não é errado dizer que todos nascemos para o bem, preste atenção em uma criança, ou melhor, esvazie sua cabeça, sente-se no chão com uma porção de lápis de cor, uma folha de papel e gaste alguns minutos desenhando, ou de outra forma qualquer tente reviver na vida adulta sua brincadeira preferida, livre-se da crosta do tempo e permita-se viver essa lembrança, nesse momento se você acreditar muito, será puro novamente, e quem sabe assim como eu, trará para a vida adulta a fé mágica que luta acreditando que tudo pode ser possível, e se alguém lhe disser o contrario: não acredite, não dê ouvidos, lembre-se do que toda mãe ensina desde sempre: _ não converse com estranhos.

Quando fui ao encontro dessas crianças pensei em lhes ensinar alguma coisa, e ao final de tudo fui eu que aprendi e muito.

Valeu molecada!

D.S.L

* Créditos imagem http://imagensparafacebook.org/category/criancas/