A bandeira do basta!

Nós demos poder a eles, liberdade, uma segunda, terceira, quarta chance, e ao contrario do que se esperava eles não deram chance alguma a vida, ao respeito, ao outro, talvez por burrice ou ingenuidade de nossa parte, afinal quem não ama a própria a vida, não será capaz de amar e cuidar, de qualquer outra coisa.

Sempre me pergunto diante desses crimes que nos chocam, a motivação que os levaram a acontecer.

A verdade é que não estamos seguros, perdemos direitos simples como pegar um ônibus, uma van, ir até o banco pagar contas, ir para a escola, somos prisioneiros de uma era sem paz e de muito sangue. Somos reféns de estatutos que protegem a criminalidade e a alimenta cada vez mais, espectadores numa espécie de transe de uma mídia que lamenta ferozmente a morte de um traficante exigindo direitos a quem sempre violentou seus deveres, somos ludibriados pelo sistema com pequenos “calas bocas”, ou melhor, “calas bolsas”, tudo esta comprado, e a fatura têm ficado cada vez mais alta e mais sombria.

O maior de todos os bandidos é o que se esconde, aquele que esta por trás de um colarinho, de uma religião, conhecedor da lei, aquele que usa o conhecimento para o mal, ou ainda, para o seu e tão somente seu bem estar, esses são como ratos, agem no escuro, em silencio, covardes, de uma falsa moralidade que enoja, são tão sem caráter que se dizem agir em nome de outra pessoa, não assumem, assustam, ameaçam.

Esse consumismo desenfreado sempre foi estopim para sentimentos de inveja, cobiça, avareza, o que deu a sociedade sua primeira ilusão: transformou-se em bandido, coitadinho, pois não teve saída, nasceu marginalizado e sem chances, burrice.

Ter cada vez mais e mais coisas, ter, ter, ter, você é o que veste, o que come, com quem anda, deixamos de ser aquilo que pensamentos, ou melhor, deixamos de ser como pensamos, deixamos de ser o que sentimos, deixamos de ser… As chances da vida nunca foram iguais, nunca serão, mas isso não pode mais ser usado como desculpa para criar monstros que muitas das vezes tem agido por pura maldade, e por serem respaldados por uma impunidade de leis.

Criamos vilões que se rebelam ao alvorecer, os marginais de hoje nada tem de utópico, não são bonitos, inteligentes, cultos como a décadas atrás quando os foras da lei lutavam ideologicamente por suas idéias, fazendo musica, poema, encenando teatro, naquela época o legal era ser politizado, era ler tantos e quantos livros a cabeça aguentasse,  ter uma opinião formada, ou melhor ser uma “metamorfose ambulante”, ser era o que valia. Eram uma cambada de marginais que iam contra o sistema ditatorial daqueles que deixaram a herança da impunidade se alastrar. O filhinho de papai, fútil, sem papo e burro não tinha espaço, hoje em dia ele é cultuado, essa é a conseqüência da ideologia do dinheiro, demos poder a eles, e hoje eles cospem em nossa cara decretando que estão acima do bem e do mal.

Nossos “marginais” de duas gerações atrás gostavam de aplaudir o por do sol, hoje eles assaltam a luz do dia, reuniam-se na praia ou em qualquer outro lugar para ver a noite, tocar violão, namorar, hoje se organizam para promover arrastões, invadir residências, perturbar o sono do trabalhador, estuprar, incendiar, e rir. Eles não sofrem e não se arrependem.

Ser honesto é distintivo de trouxa, o lance é levar vantagem, ser poeta é característica de “boiola”, o lance é levar a “mina” pro abatedouro, ter sonhos é ser bobo.

Estamos colhendo os frutos da nossa plantação de moedas de ouro: a falta de esperança, o sufoco no peito, o medo do outro. Os encorajamos a serem maus, a terem no coração uma violência gratuita e desnecessária, eles não conhecem a paz e a pré julgam como idiotice.

Quem pedira perdão a dentista queimada viva em seu local de trabalho por não ter mais de trinta reais em sua conta, quem sofrera pela moça estuprada por um adolescente de dezesseis anos (que pela nossa lei é incapaz de saber o que estava fazendo) dentro de um ônibus, pela estrangeira também estuprada, torturada e assaltada dentro de uma van, quem defendera as vitimas sexuais de um pastor que se esconde atrás da fé alheia, quem nos protegerá do silencio do Executivo, Legislativo e Judiciário diante desse folhetim que esta longe de ter um final feliz? Quem levantara a bandeira do basta? Quem?

“Sua maldade então deixaram Deus tão triste” (Renato Russo)

D.S.L

Anúncios

Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s