Faça silencio: hoje vou falar de amor

Preciso pedir licença a todos os poetas, e ao Criador pela ousadia de falar sobre o que Ele nos deixou de herança, ainda que rejeitada por alguns é bem verdade, confuso para muitos, medo de vários, mas o único caminho possível para todos nós, pois ainda que a ciência encontre curas e causas, que o homem passeie por saturno, que o dinheiro compre e venda muitas pessoas, é o amor o único caminho possível para tudo o que realmente é necessário.

Entregue a humanidade ao sonho, a poesia, ao encanto, comece a pregar o amor por onde você estiver, carregue-o nos olhos, pois só assim o mal não achara passagem, isso é ingenuidade dirão, pois então seja inocente, seja diferente desse mundo de espertos solitários e enlameados.

Faça silencio: hoje vou falar de amor, e não estranhe caso surja nessas linhas rabiscadas palavras como saudade, tempo, flores, alegria, alma, paixão, coração, pois falando de amor, falamos de tudo, e de muito do que desconhecemos em nós, falando de amor nos revelamos, pois ninguém consegue falar de amor sem iluminar a alma, que de tão reluzente força parece querer ser transparente; falando assim, a gente se deita em flor e sorri, mas não se esqueça, por favor: hoje vou falar de amor.

Faça silencio e perdoe se acaso o relato me fazer chorar, ando com o peito submerso de saudade e silencio, vagando pelo tempo, enquanto o amor não adormece em meus braços, ando dizendo ao vento o que já não é segredo, respirando fundo, lembrando teu sorriso, e a cor de teus olhos que rentes aos meus iluminam as madrugas onde logo nasce um novo dia que parece anunciar: é eterno, coisa de muitas vidas, escrito e dirigido, intenso ao passo em que se torna calmaria nos teus lábios que sinto tão meus, perdoe lhes contar sobre o mistério de certo abraço, mas a esperança que há em meu peito quer fazer morada em um cantinho do mundo: casa com rede, flores e todo esse charme de amor bonito e cheio de encanto, casa de paz, pra casar, namorar, e ser feliz lembrando esse sonho ainda que em dias tão vazios.

Caso o assunto lhe chateie ou não lhe pareça adequado ao momento político, econômico, psicológico, ou o que for julgar: rasgue a pagina, apague o link, esqueça… Mas por favor, faça silencio: hoje vou falar de amor.

O amor é único sentimento capaz de esperar, acompanhe a sua vida: nove meses pra nascer, alguns anos até o primeiro amor, vários outros até solidificar amigos verdadeiros os quais você compartilhara toda a vida, alguns outros anos para conhecer o amor próprio, mais alguns anos de espera até conseguir amar o que você tem que fazer, mais algum tempo para contemplar o amor, senti-lo dentro de si, e ter a certeza de que tudo deu certo, de que a vida é bonita… Respirar fundo não para mandar embora a angustia, mas sim agradecer a plenitude, ainda que não se ausente do esforço de cada passo até a contemplação de seu desenho individual de felicidade, pois é isso, cada um de nós tem seu desenho individual de felicidade, portanto que tal colorir o seu?

Faça silencio, estou falando de amor para você que se pergunta o que ele é, o que faz, e a que caminhos leva. Faça silencio o amor é tudo, mas não foi feito para quem não acredita, para quem duvida, e principalmente para aqueles que não o escolheram.

O que é o amor?

O amor é tudo, mas não se esqueça: faça silencio, pois ele só acontece para quem acredita!

D.S.Lsilencio-pena

Me escolhe!

Tal qual o por do sol que surge… Me escolhe! Pode parecer um pedido de socorro, um grito, um desabafo, mas, seja o que for: me escolhe!; É esse o desejo que guardei em segredo no meu coração.

Tantas foram às vezes em que lhe acompanhei de longe, em silencio, através de um tela vazia que me dizia o quanto você estava aparentemente feliz ao lado de outras, repetia diante de dias vazios: larga tudo que não é amor e fica comigo, ninguém mais no mundo pode ter por você amor maior do que o meu.

Me escolhe! Ainda que o amor já não lhe pareça algo tão puro e tão bom, escolhe viver a meu lado, apagando tudo o que não te fez bem, escolhe aprender a amar de um jeito simples, em paz, cheio de encanto, deixa ser nós a historia da sua vida, deixa te mostrar que o amor não precisa de meias verdades ou palavras enganosas, confia em mim, ou melhor, confia no coração alucinado que carrego dentro do peito, e que se enfeita de cores, luzes e sons todas vezes em que te vê chegar.

Me escolhe! Me deixa ser o seu amor! Me deixa ficar nos seus olhos, e ser  o amparo dos teus dias difíceis, deixa ser o motivo do teu sorriso que ao se abrir é uma estrela cadente que cruzou minha vida, dando-me o direito de pedir: me ama.

Escolhe esse coração bobo, esse olhar meio tonto, esse toque cheio de cuidado ainda que desajeitado e tremulo por sentir tanto amor, por não saber exatamente de que forma te tocar para alcançar em cheio o teu coração que por tanto tempo andou distante do meu abraço.

Vem cá! Vem morar comigo! Vem sonhar entre muitas paredes, rabiscar uma nova historia. Deixa que eu te ensine: o amor não precisa suportar tudo; pode ser cuidado, deve ser prioridade acima da vaidade, do ego, da dor de ferir o outro sem necessidade. Quero competir com você em apenas uma modalidade: a de nos fazermos felizes. Deixa que o amor seja algo desconhecido, permita que ele te enlouqueça, desfaleça, que não tenha explicações e nem respostas, e que pareça querer roubar sua fragilidade, e confundir sua realidade com o sonho, não é a dor que te servira de escudo, é o amor que ira te protegerá.

Deixa ser eu! Me escolhe! Me aceita!

Vem viver comigo essa historia cheia de vírgulas, interrogações, exclamações, mas que definitivamente nunca terá um ponto final. Vem escrever junto as minhas mãos, vem juntar letra e melodia, uma caneta e um piano, dois corações, uma vida inteira, um conto de amor, deixa ser o nosso amor.

Vamos sair por ai, fazer o mundo delirar diante da lógica que nunca se enquadrara a nós, vamos dizer a todos que enganamos o tempo, a distancia, a dor passada, os erros pelo caminho, as contradições que carregamos.

Me escolhe! Me deixa ser a sua certeza, o teu acerto final com essa vida que precisa te mostrar o quanto ela pode ser bonita, fiel, companheira, amiga. Me deixa te encher de fé nos dias que virão e que serão felizes, me deixa te provar que dois corações unidos não podem se separar.

Deixa que eu seja o amor de toda a sua vida!

D.S.L

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Apague as luzes!

Havia esquecido que para observar melhor as estrelas, basta apagar as luzes.

Esqueci de como o silencio é importante e do quanto nossos ouvidos são feridos diariamente por essa corrida louca em busca de dinheiro, e conquistas, realizações. Deixei de lembrar da necessidade de se convidar para observar algo maior. Engraçado pensar no quanto nos submetemos, no quanto deixamos de ser para ter, no quanto o pouco é tanto, sei bem: parece papo de maluco, e é; mas ultimamente vejo enlouquecer quem tem os pés fincados no asfalto, enlatado em um carro parado no congestionamento infernal de uma cidade grande, sufocado pelo frio de um ar condicionado em uma sala branca e cheia de papeis com letras miúdas que lhe aprisionam as horas e pouco a pouco lhe consomem a alma. Maluco é quem não consegue mais enxergar o quanto o dia é bonito!

Quando foi mesmo a ultima vez que você correu feito criança boba em direção ao mar?

O que tem lhe feito acordar? Um sorriso ao lado, ou o despertador frio e calculista que vem lhe submetendo ano após ano a se dedicar ao que parece não fazer mais sentido. (Fiz minha escolha: é o teu sorriso que quero a meu lado todos os dias, ainda que eu esteja carregando uma saudade nítida, avassaladora, e sem postura que a todo instante contesta: porque você ainda não esta aqui?)

O silencio que cala os ouvidos deixando a alma gritar e falar em uma espécie de monologo que a tudo nos faz entender: aceitar a si mesmo, vasculhar as lacunas dos sentidos que por medo não queremos ajustar, enquanto parecemos correr cada vez mais para resolver problemas alheios, preocupe-se menos!

Quantas vezes nos últimos anos você se permitiu sonhar? Aquela viagem que deixou de fazer pra trocar de carro, aquele jantar no seu restaurante preferido para comprar um telefone novo, as boas horas com amigos para recuperar o sono mal dormido em prol de preocupações que aniquilam os dias da semana. Quantas vezes você tem repetido que esta cansado, e quanto tempo mais deixara a vida a sua espera?

Pisar na areia fazendo carinho nos pés, os olhos adoecidos de beleza, a alma livre, tudo sendo possível, a luz que naufraga e aquece o coração indicando que o tempo de espera acabou, prepare-se para mudar: novas energias, sensações, o contato incrédulo com o que não parece real, a divindade ao alcance das mãos, dos pés, da pele; a sabedoria de ouvir os pássaros, encantar-se por eles, querer voar, o universo determinado aos berros: calma, vai dar tudo certo!

Á quanto tempo você não conhece alguém completamente satisfeito, feliz, e repleto de sonhos calmos que se vão realizando aos poucos, sem culpa, sem perder a candura do coração, á quanto tempo você não sai do automático, á quanto tempo você não sonha?

Encontre o que verdadeiramente te faz feliz e não se esqueça: encontrar é sorte de poucos!

D.S.L

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Foge comigo!

Sei que o dia mal começou; talvez você nem tenha saído da cama… Preguiça de abrir os olhos, erguer o corpo, encarar mais um dia. Quem sabe já tenha acordado e esteja em uma padaria do bairro próximo a sua casa, sorrindo para quem te serve o café, batucando os dedos no balcão enquanto o pensamento vagueia por alguma lembrança, ou resolução a ser tomada durante o dia. Talvez esteja pensando no quanto o tempo esfriou, na ração do cachorro que precisa ser comprada, na vida que definitivamente precisa tomar um rumo para só então experimentar de plenitude e paz, nas férias adiadas, no acaso, no surreal, no quanto tudo mudou, talvez alguma saudade nossa invada seu pensamento e é nesse instante que te convido: foge comigo!

Sim, sei que pode parecer imaturo, mas é isso: fugir em todos os sentidos da palavra, em todos os tempos verbais possíveis. Foge é a forma conjugada do verbo fugir na 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo ou na 2.ª pessoa do singular do imperativo, e eu não faço a mínima ideia do que isso quer dizer, que me crucifiquem, mas de gramática entendo tanto quanto de balé, só sei da beleza da dança, assim como sei do belo das palavras.

Entendo tudo, acredito em todas as coisas, conheço todos os obstáculos, mas deixa que tudo isso perca a importância por uns dias e foge comigo!

Esquece o que passou, o que não passou, o que precisa passar, deixa ser você, eu, o mar e um anjo a nos acompanhar, deixa ser só o amor a falar mais alto, faz essa saudade morrer de inveja dos tantos beijos, e abraços que nos esperam durante a fuga, sacode a alma e deixa cair todas essas tristezas de uma só vez. Vem sorrir, dançar, cantar, e ser feliz, ao menos uns dias, fortifica tua alma de luz e brisa, vem fazer poesia comigo na beira do mar. Presenteia minha tarde com os teus olhos submersos pela luz do por do sol, vem comigo dançar sobre a lua, vem ser brega e correr pela praia, vem brincar comigo de ser feliz… Foge!

Alguns dias longe da realidade, distante de qualquer borrão provocado por tanto choro e horas de desesperança, foge dessa maldade que afeta teu livre arbítrio, desse egoísmo que não te deixa livre, desse prego nos teus passos, foge da distancia daquilo que sempre guardei pra você.

Cuida, guarda, segura: esse amor é teu, e que ele te de asas e coragem, perde de uma vez por todas o medo de voar, do alto é tudo mais calmo e bonito… Foge comigo!

Deixa a vida te mostrar que pode ser forte sem perder a leveza, e que pode ser verdadeiro ainda que livre, deixa essa poesia do meu coração falar mais alto e fazer brilhar seus sonhos, feche os olhos e permita que o meu amor percorra sua alma, cure suas feridas, seus desassossegos, não é um jogo, não vai passar, então que transborde de uma só vez, enquanto te convido: foge comigo!

D.S.L

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Raras e simples serão as flores do nosso jardim

Olho para o céu muitas vezes ao dia, estico o pescoço como quem espera por um beijo, permito que o sol contraia meus olhos, instantaneamente essa luz me arrebata um sorriso; minha alma se aquece; nesses instantes agradeço em silencio, penso no que será, no que me faz sorrir, no amor e nesse sentimento do bem que ampara meu coração; penso nos sonhos, em todos eles, na vida, em você (sempre foi você), em oração reflito tudo o que precisa passar para que estes sonhos invadam a realidade, vencendo essa guerra que tantas vezes nos quer tirar a fé.

Sinto muito, lamento, entristeço meu coração ao constatar que são raras as pessoas agraciadas pela vida com sentimentos grandiosos de amor e esperança; raras são as pessoas movidas pela sensibilidade de um momento, o instante do riso, a captura tão frágil de um olhar, o abraço envolto pelo tempo, o amor que não se desfez, o laço invisível e forte que mudaria tudo quantas vezes fosse preciso para enfim realizar o que a vida espera de nós, pois é isso que sempre senti: amar é o ponto fundamental, todo o resto sempre será secundário, todo o resto são “coisas” materiais, passageiras, fúteis, apenas “coisas”.

Sinto muito, lamento, entristeço meu coração diante de quem só é feliz com dinheiro, roupas, status, fama, sucesso. Sinto muito por você que odeia todo mundo, que de forma ilusória e doentia não sabe dar paz, fazer sorrir, que reclama de tudo, que não sabe agradecer, que joga, dissimula, e insistentemente atrapalha a felicidade do outro, sinto muito por você que não aprendeu a dividir, e que cada vez mais amontoara coisas e mais coisas, sem nunca ter absolutamente nada. Sinto muito por você que é superior a toda essa humanidade.

Raras são as pessoas capazes de mudar, olhar para dentro e dizer, ou melhor, querer ser melhor, tomando para si atitudes que talvez não mudem o mundo, mas sim suas vidas, e daqueles que lhes rodeiam, clichê? Sim, bons clichês sempre valem a pena se repetir. Raras são as pessoas que tomarão como escudo contra a maldade do mundo: Deus, família, amigos, o amor; raros serão os que abaixam armas, destituindo-se da violência, do querer mal, do fazer chorar; raras, muito raras são as pessoas que se entregarão, que alcançarão os céus sem paraquedas, que estarão no mar sem bote, que enfrentarão a vida sem medo, tomando para si uma coragem que encontram e que não tem explicação; são raras, muito raras as pessoas que verdadeiramente farão do amor o pilar de sua historia.

Sinto muito, lamento, entristeço meu coração, por aqueles que não sabem olhar para o outro, são deserto: seco, sertão, onde nem mesmo a beleza e graça da chuva são capazes de fazer verdejar; sertão de sangue e suor alheio, enquanto o deboche movido pela loucura se deleita na lama; sinto muito por você que não tem compaixão, humanidade, respeito e mansidão, lamento sua falta de paz, entristeço meu coração por você, por seu ego, por esse papel triste e essa mascara infeliz que ostenta insanamente.

Raras, muito raras são as pessoas que chegarão perto de sentir esse amor que me transborda vida e poesia, o qual lutou contra o tempo, o silencio, a saudade, e a vontade de tantos dias que me diziam não. Raras, muito raras são as pessoas que sentirão tão fortemente a presença de Deus através de sentimentos tão puros, belos e cheios de luz, a luz da vida, a luz de todas as manhas em que floresço a teu lado.

Raras, muito raras e simples serão as flores que plantarei em nosso jardim, as quais cultivarei diariamente com a mesma beleza que meus olhos enxergam todos os dias infinitos que ainda viverei a teu lado.

Raro é o meu amor, o qual de agora em diante sempre será nosso!

D.S.L

jardim

 

Jamais deixara de ser um sonho

 

… Dos pássaros que voam na chuva em busca de um florescer para se encantar e só assim sobreviver a tempestade.

Perdi o rumo de casa quando nos despedimos, o coração não queria, ou não sabia fazer o caminho inverso aos teus braços, ele ansiou tanto e por tanto tempo te encontrar, e te achar, e falar, e olhar você, e enfim sentir-se pleno diante de um sonho negado por tantos anos, de inúmeras formas.

Pedi aos céus, ao mar, a vida, a Deus para que essa vontade de você fosse estancada, supliquei aos anjos que levassem embora as poucas lembranças do que foi teu amor em minha historia, perdi as contas de quantas vezes fui levada mesmo sem querer até você, de quanto auto critiquei o que nunca teve explicação.

Quantas vezes olhei o céu me perguntando onde você estava, sabia-se com alguém, mas será que feliz? Em paz?

Em silencio tal qual uma prece desejava que estivesse vivendo ao menos um amor parecido com o que sempre sonhei para nos, pois o amor, o verdadeiro amor não quer mal, não deseja ao outro como posse, mas sim, como dádiva livre e cheia de alegria, alguém que merece ser acima de tudo feliz. Mesmo distante desejava que você estivesse vivendo uma vida repleta de encantos criados pelas mãos do próprio Deus, em silencio sonhei para que você encontrasse um sentimento tão grande e bonito quanto o que sempre senti.

O amor é generoso! É paciente, é bondoso, é amor acima da magoa, do físico, do estar presente, o amor não se corroí com as asperezas do tempo, com a inveja, o amor continua amor, e só morre pelas mãos de seus próprios amantes.

Não sei quantas foram as ruas que imaginei dobrar a esquina e te encontrar, assim, ao acaso, e transformar esse acaso em uma segunda chance para essa historia que nunca teve de fato um ponto final.

Fui feliz, fui triste, fui amor, dor, outros sonhos, esperanças, fui verdadeiramente de outros corações, novos caminhos, mas tudo terminava na sua lembrança, na cor e no brilho desses olhos por do sol que sempre adormeceram comigo na vontade única do teu amor, do que nunca antes havia conseguido ser de verdade. Tudo girava em torno dessa esperança frágil e cheia de obstáculos.

Pensei que a vida me negaria esse desejo de te ver ao menos de longe, quis achar seu telefone, ou saber de você de alguma forma, mas se quer tinha coragem de dizer teu nome em voz alta, pois fora do peito, sabia ser loucura, surrealismo demais para essa vida, para lógica, para as probabilidades, eu julguei que o meu amor e a minha fé não seriam capazes de trazer você de volta pra mim, ainda que acreditasse que talvez, quem sabe além dessa vida poderíamos nos reencontrar.

Julguei saber o final da historia, e hoje eis me aqui escrevendo mais uma pagina, dessa vez tomada de uma coragem para declarar em alto e bom som ao universo: a primeira de muitas e felizes páginas…

De tudo sei dizer que bobo é quem não tem fé, pois Deus é perfeito, sabedor de todo tempo. Fica a certeza que nada é impossível, e de que o amor verdadeiro é capaz de iluminar o mundo inteiro, desenhando novos caminhos para que uma metade encontre a outra.

De tudo fica o dom paz no abraço do outro, a felicidade plena, leve e ruidosa do choro feliz de quem viu um grande amor iluminar-se com a força da esperança, afinal há uma vida inteira pela frente para ser vivida para e pelo amor, e ainda assim sem jamais deixar de ser um sonho dessa vez possível.

D.S.L

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Oração ao tempo

Ah se por alguns anos o tempo deixasse de passar, firmando parceria com meu sonho para que você esteja sempre bem.

Assim como que por descuido, ao acaso, que o tempo rodasse ao contrario apenas em sua vida te fazendo retornar por volta dos setenta anos, com toda disposição e vigor daquela época, você aprenderia a ler, eu ensinaria, questão de honra, porque tenho certeza que você iria gostar, e então sua sabedoria lhe levaria a escrita, ou a qualquer outra arte, porque você é feita de encantamento, deslumbra-se com o belo, com a alegria, com a vida em si, ou mesmo que você não aprendesse nada, pois já sabes tanto, e no mais tudo que preciso é de você comigo, nada mais alem do ruído gostoso do teu riso fácil e farto, quase alheio as maldades do mundo, incrédulo de que alguém possa ser triste nessa vida.

Iríamos viajar, e sair para muitos lugares, e festejar tanto, conhecer coisas novas, juntas, iria dividir com você uma porção de pensamentos tão meus, e você iria me apontar para onde olhar, o que ouvir, em que acreditar e dar valor, como você a sua maneira sempre faz.

Você é meu conto de fadas real: bolinho de chuva, cafuné depois da aula, historias de um tempo antigo, vivencias que a você foi permitido, coisas suas, só suas que você generosamente compartilhou.

Iria te levar a Bahia, aos rios que você tanto se banhou depois de um dia inteiro de trabalho, as cantigas de roda, aquela gente inteira a qual tanto nos parecemos, as senhoras lavando suas roupas nas pedras tal qual você tanto fez. Dançaríamos até o dia amanhecer, até suas pernas doerem, não pelo tempo, mas sim por essa festa que é a vida.

Sei que é ingenuidade de meu coração, mas peço ao universo mais tempo para que você fique por aqui, suplico a Deus e aos anjos para te cuidarem sempre, livrando você da hora do adeus, pois a vida te faz bem, você gosta dela, e é por isso que ela tanto se deu pra você, é por isso que encantas a todos com essas lições diárias de otimismo, fé, felicidade e alegria.

“Quero ver Irene dar sua risada” já dizia o Poetinha, e quero ver sempre, e cada vez mais, porque você me ensinou tanto, com tanto amor, doçura e uma poesia de possibilidades infinitas que nenhum outro livro soube trazer a minha vida.

A oração de um coração desesperado de amor, a fé de que suas mãos sempre estarão a me abençoar, e de que seus olhos serão sempre faróis de brilho e encanto, esse teu abraço sem jeito e costume, essa tua força inabalável, esse caráter, essa poesia natural de admirar pássaros, cantar com eles, venerar a lua como se teus olhos a vissem pela primeira vez, essa tua brisa e teu desejo de vida é o que tem dado rasteira no tempo, é o que tem feito Deus também se encantar e te deixar aqui para honrar todo esse amor que você me ensinou a sentir.

Portanto senhor tempo: vai se esquecendo de passar…

D.S.L

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Hoje eu quero ser mar

Até que ponto você é só um personagem? Quando foi a ultima vez que sorriu sem flash, longe da linha do tempo, do vídeo, do instante para o outro? Pra quem faz dieta, vai pra academia, pra festa, e por você?O que é por você? Ser igual a todo mundo é bem mais trabalhoso do que se imagina!

Dispenso a noitada do ano, novos encontros, descompromissada com qualquer tipo de flerte, sem essa de começar uma nova historia, livre da necessidade de conhecer “aquele certo alguém”. Quando foi que você ficou só sem sentir medo, sem lamentar o vazio? O que lhe preenche?

Desolada, quieta, rasteira, encarada no espelho, refletida na fumaça, longe da obrigatoriedade de se dividir, apenas um copo sobre a mesa, bem sei: pode ser assustador, mas aprendi a conviver com meus fantasmas. Não ser nada pra ninguém: nem musica, nem alento, nem alegria, apenas dona de si. Quando foi que você achou poesia nos seus olhos? Inteiramente sua, alheia a qualquer outro sentimento, de mãos dadas com um amor próprio de fazer ciúme a qualquer carência.

Quando foi que você decidiu que precisa andar sozinha? Quando foi que percebeu que nadar no raso machuca, e que a profundidade de sua alma não cabe onde a entrega é ausente.

Qual a ultima musica que você dançou sozinha, entontecida de alegria, egoísta, calculista, sem invasões.

Qual é o mar que convida você e eu? Mas quem é você, já que esse sonho é do mar, e do meu querer? Quem é você?

Você é a lembrança grande e cheia de assombro que desgasta meu pensamento, ou será que estou enganada? Será que saudades é amor, ou apenas teimosia, aquela velha birra que implica com a vida para saber como seria. Você é o amor possível que não soube ficar, que se perdeu e que ainda é amor, mesmo sem saber como recomeçar, mas essas linhas não receberam permissão para falar sobre você, hoje vocês ficam na areia.

Hoje eu quero ser mar!

Existe um terceiro, que me serve como travesseiro, o qual não tenho medo de me confessar, pois ele também sou eu, incapaz de surrupiar o mínimo de sentido, silencioso, apenas soma, não altera, não acelera, não cobra, nem julga, ao avesso me cuida, me leva pra casa e como um anjo permite que eu adormeça em sua cama, pedindo que eu reze por seus sonhos desconhecidos e inconfessáveis; em sigilo conhece o que não sei disfarçar, é o reflexo do meu medo, és o anseio do meu destino, és o presente mais bonito que tenho em mim, sem sombra ou passado, és meu soldado, sempre alerta ao instante de um olhar.

Existe um terceiro, fiel escudeiro nessa guerra contra o cotidiano, minha bala de prata frente a essa crueldade cinza e sem sentido, um menino, apenas um menino que corre de mãos dadas comigo pelos caminhos do mar, um viajante que me acompanha por todos os meus sonhos, o qual desejo sempre comigo.

D.S.L

mar

Seres girassóis

Entenda: sou feito passarinho, sem pouso certo, nem idéia fixa, o movimento é o que me atrai, e ainda que a tempestade me traia não a temo, não me acovardo, pelejo: saio com as asas depenadas, mas logo volto a voar, pois sou feito passarinho…

Um barco ancorado não faz sentido, ainda que a imagem embeleze a vista, o bonito é singrar mar a fora, o vento a fazer cócegas e os pensamentos ancorados no píer, a cabeça vazia, como se todo o resto da vida em terra deixasse de existir, e então deixando de existir, sou o vento, o mar, a arrebentação, sou as velas que tremulam, e o horizonte que acolhe o sol, como o ventre que acolhe a vida.

O que esperar de uma dançarina sentada? Não é nada além de um quadro bonito, mas o sentido é desafiar o corpo, calejar os pés, domar o tempo, o ritmo. O sentido ainda que perdido, sem nexo, com o intuito de desconcertar.

Paginas em branco não emitem som, não fazem ruído, afinal são elas que acolhem o grito que esta por dentro, que pode ate não fazer sentido, mas que embrulha, entontece, inflama. Grito o que não pode ser solto, o que não nasceu para ser livre. Ainda que ninguém escute, e pareça enlouquecer a todos, o grito que antecede o choro, o susto, o que a vida ainda não pode explicar, o que o divã não consegue curar. Não faz sentido: é tudo o que pode ser dito.

O que prescrever? Qual remédio, ou antídoto? Qual feitiço, ou reza, qual entrega, ou abismo ecoa o teu grito?

Recebo a Tua luz, e mesmo sem enxergar continuo a caminhada, às vezes vejo a estrada, e por alguns segundos longe da velocidade contemplo o quanto o caminho é bonito, flashes divinos, estelares, constelações sem nome, um novo planeta. Alheia, ausente de explicação, segura de que um dia tudo será calmaria ainda que em movimento… Enlouqueça, chore, enfraqueça, grite, a revista mente: ninguém tem super poderes, peça socorro por todos esses sentimentos sem indicação, na bula lê-se apenas as reações adversas, controversas, sei apenas do que me foi contra indicado.

Bendita seja a nobreza de não saber! Viva aqueles que se perdem, essa gente que não se termina, sem rumo, que não se descreve, sem perfil, sem sobrenome, bendito seja os que pensam em seus sonhos caminhando vagos em meio a construções que parecem engolir cada vez mais o espaço, e que mesmo assim não temem a fé. Que Deus honre o que não tem valor, aquele brilha em humildade, respeito e poesia, Deus assim o livre da loucura igual de cada dia e acolha sua fantasia de ser palhaço, colorido, estranho no ninho, desajustado, o que tropeça e Lhe suplica para que a maldade não tenha fresta em sua alma. Salve os antipáticos, distantes da hipocrisia, afoitos pela verdade, mestres na arte de silenciar diante da tão triste face da falsidade. Salve os descobridores, tomados como ingratos por não se contentarem com tudo o que é palpável, material, apodrecido, com tempo de validade, salve os seres girassóis que se movimentam com a luz. Abençoados sejam os que viajam no tempo, tendo como nave palavras desconhecidas, obsoletas, sentimentos antigos: gentileza, saudade, amor, amor, amor.

Você esta curado, enquanto todo mundo adoece diante dessa loucura que nos rouba o tempo, em nome da ganância que extermina a sede de amar, o ato de servir, a vontade de se doar. Você esta curado; chore, grite, dance, escreva, desenhe, fotografe, cante, seja do bem, tenha fé, esse é o seu escudo contra esse amontoado de pessoas que mais parecem “coisas” prestes a perecer.

D.S.L

 

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O sabiá plantador

A euforia da chegada foi embora, fica a ressaca, não das muitas taças de espumante, mas sim do sabor dos dias que parecem os mesmos, e de fato são, o que pode e deve mudar somos nós (lá vem essa menina com velhos clichês). Que tal voltar a acreditar em um velho sonho? Pode ser aquele mais improvável, engavetado, o mesmo pelo qual você tanto se entristeceu no ano que foi embora, aquele mesmo que lhe tirou o sono de tanta esperança e não aconteceu. Prometa a si mesmo que fará o possível novamente para que ele aconteça, é seu sonho, é você, não desista.

Dois mil e dezessete podia ser como a pagina mais bonita de um livro, aquela que de tão bela nos faz decorar as frases, podia ser aquele trecho da história em que o guerreiro venci a si mesmo, o final feliz de um amor possível, aquele capitulo em que os vilões vão para a cadeia e o bem triunfa em paz, forte e eterno.

O terreno foi arado, a chuva o deixou forte, vivo novamente, ele esta pronto para as boas sementes que serão plantadas e colhidas no tempo certo. As flores hão de encantar, e dos galhos frutos maduros alimentarão a esperança, e assim quando mais tarde a colheita terminar, e o solo novamente estiver desejoso por novas sementes, a alegria me fará querer plantar mais e mais em um ciclo de recomeço sem fim, onde minhas mãos sempre estarão afoitas por aprendizado, o ouvir sedento por sabedoria e os olhos ardentes por beleza.

Deixa ser assim: que me seja permitido não saber, não ter certeza, só sentir. Deixa ser assim: errante, dona de medos inacreditáveis, mas louca por um par de asas. Deixa minha crença solitária, meus pés fora do chão, deixa minha confusão, deixa eu me acertar ou não.

_Mas desde quando você é “assim”? O que aconteceu para acreditar nessas coisas?

Por volta dos quatro anos, enquanto meu pai tratava de seu sabiá engaiolado (é horrível eu sei), observei como ele abria a gaiola, com ela ainda no chão, e ele afastado tomando café; sozinha com o pássaro, abri a portinhola e o soltei. Quando meu pai retornou e ergueu a gaiola para pendura-la percebeu que ela estava vazia, indignado perguntou-me o que havia acontecido, com toda inocência de uma criança respondi que queria ver o pássaro voar, papai fitou-me por alguns instantes com o rosto endurecido, para em seguida sorrir um riso triste, foi quando acarinhei seu rosto e lhe disse com doçura: _ele vai voltar papai, ele vai voltar.

Na manha seguinte o pássaro estava na gaiola, a portinhola ainda estava aberta, e a liberdade do sabiá a um bater de asas, mas ele parecia encantado pela menininha a sua frente que o recebeu com a alegria de um grande milagre: _ele voltou papai – ouvia-se – pela casa: ele voltou!

Nesse dia os pequenos olhinhos daquele pássaro plantaram no coração daquela menina a certeza de que a esperança vence o que todos julgam impossível. Após alguns anos, quando recordou essa historia soube que grandes ou pequenos: milagres são milagres; possíveis a todos que tem fé, perseverança, e encanto.

Acredite no seu milagre.

D.S.L passaro