Seres girassóis

Entenda: sou feito passarinho, sem pouso certo, nem idéia fixa, o movimento é o que me atrai, e ainda que a tempestade me traia não a temo, não me acovardo, pelejo: saio com as asas depenadas, mas logo volto a voar, pois sou feito passarinho…

Um barco ancorado não faz sentido, ainda que a imagem embeleze a vista, o bonito é singrar mar a fora, o vento a fazer cócegas e os pensamentos ancorados no píer, a cabeça vazia, como se todo o resto da vida em terra deixasse de existir, e então deixando de existir, sou o vento, o mar, a arrebentação, sou as velas que tremulam, e o horizonte que acolhe o sol, como o ventre que acolhe a vida.

O que esperar de uma dançarina sentada? Não é nada além de um quadro bonito, mas o sentido é desafiar o corpo, calejar os pés, domar o tempo, o ritmo. O sentido ainda que perdido, sem nexo, com o intuito de desconcertar.

Paginas em branco não emitem som, não fazem ruído, afinal são elas que acolhem o grito que esta por dentro, que pode ate não fazer sentido, mas que embrulha, entontece, inflama. Grito o que não pode ser solto, o que não nasceu para ser livre. Ainda que ninguém escute, e pareça enlouquecer a todos, o grito que antecede o choro, o susto, o que a vida ainda não pode explicar, o que o divã não consegue curar. Não faz sentido: é tudo o que pode ser dito.

O que prescrever? Qual remédio, ou antídoto? Qual feitiço, ou reza, qual entrega, ou abismo ecoa o teu grito?

Recebo a Tua luz, e mesmo sem enxergar continuo a caminhada, às vezes vejo a estrada, e por alguns segundos longe da velocidade contemplo o quanto o caminho é bonito, flashes divinos, estelares, constelações sem nome, um novo planeta. Alheia, ausente de explicação, segura de que um dia tudo será calmaria ainda que em movimento… Enlouqueça, chore, enfraqueça, grite, a revista mente: ninguém tem super poderes, peça socorro por todos esses sentimentos sem indicação, na bula lê-se apenas as reações adversas, controversas, sei apenas do que me foi contra indicado.

Bendita seja a nobreza de não saber! Viva aqueles que se perdem, essa gente que não se termina, sem rumo, que não se descreve, sem perfil, sem sobrenome, bendito seja os que pensam em seus sonhos caminhando vagos em meio a construções que parecem engolir cada vez mais o espaço, e que mesmo assim não temem a fé. Que Deus honre o que não tem valor, aquele brilha em humildade, respeito e poesia, Deus assim o livre da loucura igual de cada dia e acolha sua fantasia de ser palhaço, colorido, estranho no ninho, desajustado, o que tropeça e Lhe suplica para que a maldade não tenha fresta em sua alma. Salve os antipáticos, distantes da hipocrisia, afoitos pela verdade, mestres na arte de silenciar diante da tão triste face da falsidade. Salve os descobridores, tomados como ingratos por não se contentarem com tudo o que é palpável, material, apodrecido, com tempo de validade, salve os seres girassóis que se movimentam com a luz. Abençoados sejam os que viajam no tempo, tendo como nave palavras desconhecidas, obsoletas, sentimentos antigos: gentileza, saudade, amor, amor, amor.

Você esta curado, enquanto todo mundo adoece diante dessa loucura que nos rouba o tempo, em nome da ganância que extermina a sede de amar, o ato de servir, a vontade de se doar. Você esta curado; chore, grite, dance, escreva, desenhe, fotografe, cante, seja do bem, tenha fé, esse é o seu escudo contra esse amontoado de pessoas que mais parecem “coisas” prestes a perecer.

D.S.L

 

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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