Sim e não

Os relacionamentos, sejam eles de amizade ou amor, passam por duvidas, provas, mas em comum nos trazem o seguinte questionamento: Por que afinal estamos juntos?

No inicio qualquer um dos dois é motivado pela tão famigerada paixão, em um primeiro momento ela é o que nos move a querer estar perto, a desejar cada vez mais, abraçar, beijar, e compartilhando o sentimento de euforia que ela nos traz é quase uma maneira de desabafar, e de ter a certeza que o sentimento não é unilateral.

O coração bate forte e mais feliz quando ao lado daquele amigo, ou daquela pessoa que mal sabemos a que veio, mas, que por alguma razão desconhecida e até mesmo sem sentido passamos a querer a todo custo, e a todo momento, e de qualquer forma.

A paixão é uma loucura deliciosa e necessária, é um vicio que precisa ser tratado ao contrario para que nunca sofra de abstinência, afinal de contas precisamos estar apaixonados pela vida, pela luz, pela esperança, pois só assim o caminho de nossos passos ainda que meio utópico é vivido de forma mais bela, em paz e sempre repleto de novas esperanças.

E quando a paixão acaba? O sentimento se for convidado pelo coração a ficar transforma-se em amor. Então assim responde-se a pergunta do por que afinal estamos juntos?Sim e não.

Não por que o amor não caminha sozinho, se assim fosse o amor próprio que todos nos temos, alguns muito outros pouco, seria suficiente. O amor precisa de amor, outro dia mesmo estava me perguntando por que afinal estamos juntos? E então fui revivendo docemente cada momento de todo esse tempo onde inacreditavelmente sinto-me completamente enlouquecida por você, por esse teu laço.

Escolhi teu coração como a morada mais feliz e bonita que a vida me deu.

Estamos juntos porque o respeito sempre foi maior do que todas as nossas diferenças e divergências de opinião, vida e historia.

Permanecemos de mãos dadas, pois a vida ficou mais leve e mais fácil quando senti de ti a segurança de que estas ali para amparar-me, levantando-me quando necessário, ou tão somente permanecendo a meu lado para que o medo se afaste.

Não cessa o meu desejo de te ver, pois como mágica todas as vezes ainda a caminho do teu encontro, vou sorrindo feito criança quando vai ao parque. Ainda no que parece se repetir, tudo a teu lado é tão diferente e encantador. Tu me ensinas tanto, e de maneira imperceptível por ti permito que me invada com um olhar novo, uma nova visão de certas coisas que me doem tanto e que junto a teu abraço parecem desaparecer.

Você me salva, me cura, me faz crer ainda mais que tudo é possível, pois nós fomos possíveis, e tudo isso acontece enquanto me perco sem retorno nesse azul céu que colore o meu mundo de paz e alegria.

Perdi-me por ti sem medo, sem retorno, confesso-me entregue, sem juízo, sem medir conseqüências, pois tudo o que o me importa é o hoje á teu lado, nossos momentos, a vida sorri sem a profundidade dolorosa de se querer saber o que fazer com o amanha, afinal amanha ainda é muito longe e de tudo mais Deus provera, assim como proveu a ti no meu coração.

Estamos juntos porque aprendemos a sorrir de tudo, a não ter medo de sermos ridículos, bobos, chorosos e de coração vadio e amolecido, estamos juntos porque nus sabemos em um olhar, e tudo mais se torna secundário a essa alegria, amizade, companheirismo, parceria, cumplicidade, nosso amor é feliz, é por isso tudo que estamos juntos, afinal isso tudo é amor.

E isso responde por que afinal estamos juntos!

D.S.L


“Silas, Silas, por que me persegues?” *

O Brasil vem acompanhando a repercussão da entrevista do senhor Silas Malafaia ao programa De Frente Com Gabi do ultimo domingo, dia 03/02/2013.

Os assuntos centrais abordados foram à reportagem da Revista americana Forbes em que o cita no ranking dos maiores patrimônios de pastores brasileiros, com uma fortuna avaliada em US$ 150 milhões, e o outro assunto foi sua luta ferrenha e desesperada para que a homossexualidade seja tratada como doença, e que direitos civis como o casamento civil igualitário e a adoção de crianças por casais gays não sejam aceitos pela sociedade, e assim para que não se aprove legislações que protejam os homossexuais contra homofobia.

O senhor Silas é conhecido pelo seu fundamentalismo, fazendo uso até mesmo de dados científicos para dizer em alto e bom som que a homossexualidade nada mais é do que um comportamento a ser curado, e é claro um pecado mortal, contra Deus, contra a bíblia e toda a natureza.
Entre as declarações mais fortes o senhor Silas disse: “amo os homossexuais como amo os bandidos”, e que não acredita que uma criança educada por um casal homoafetivo cresça “perfeitamente normal”, mostrando-se completamente contra a lei de adoção para casais gays.

Viver em democracia é isso: todos podem falar aquilo que pensam, e mais: defender seus ideais. Não tenho do que me queixar frente as declarações do senhor Silas, vez que o mesmo esta desfrutando do seu direito de se expor.

O que de fato me amedronta nas declarações do senhor Silas é o ódio que esta sendo disseminado. Ódio? Mas quem falou em ódio? Ao contrario, ele ama os homossexuais! Sim, ódio senhor Silas, e um ódio baixo, sujo, medíocre, um ódio enraizado, sem noção ou motivo que valha tanto desespero por sua parte, tanta magoa, tanta dor.

O senhor com suas declarações esta apontando uma arma com silenciador para cada gay, lésbica, travesti, transexual, transgenero, bissexual, e afins, o senhor esta dando voz a um preconceito ameaçador que diz ao outro: você é assim por que quer e eu não concordo com isso, dando aqueles que não compartilham da idéia de respeito pelo humano o direito de matar, ferir seja com palavras ou atos, de denegrir e quebrantar tantas almas que certamente sofrerão ainda mais discriminação, tendo como motivação suas palavras, vez que o senhor é reconhecidamente um líder, voz que “pastoreia” uma comunidade.

Causa-me pânico imaginar de que maneira isso ira repercutir nos lares de quem o escuta e lhe da razão, e percebe o filho, o primo, o vizinho, ou qualquer outro que esteja próximo homossexual. Qual será o impacto causado a criança que houve essas palavras dentro de sua congregação, e que mais tarde ainda na adolescência se descobri com essa “falha de comportamento”?Será ele mais um a envergonhar-se de si mesmo? Talvez case, tenha filhos, e leve uma vida paralela, por não ter tido forças, ou coragem para se assumir?Será expulso de casa pelos pais? Submetido a algum tratamento de choque, lavagem cerebral, ou coisa parecida?Internação psiquiátrica? Será exposto pela sociedade como algo errado, anormal, com graves falhas em sua personalidade ao passo que por tudo isso devera viver marginalizado, e conseqüentemente separado de todos os outros “machos e fêmeas”?

Aonde chegarão suas palavras? Serão elas capazes de silenciar vozes que não terão forças para dizer que o senhor não é o dono da verdade? Ou quem sabe o desespero da sua luta, encerre os sonhos de uma pessoa ao achar-se tão errada a ponto de não mais querer viver. Sim senhor Silas, será que o senhor pensa em quantos homossexuais cometem o suicídio por ouvirem discursos iguais aos seus?Por assistirem pais, amigos, e sociedade em geral repetirem suas palavras de ódio, incompreensão e falta de respeito.

Nós não queremos direitos civis para invadir o pátio de sua igreja como salientado pelo senhor em sua entrevista (Se de menos importância senhor Silas).

Nossa idéia de adoção nasceu do amor, do amor ao próximo, do respeito, da compaixão, do senhor querendo ou não do sentimento de família, e por fim a requisição de direitos é exatamente para nos defender de tratamentos em busca de uma cura que ao invés de “salvar vidas”, porá fim em nosso sonho de viver o amor o qual sentimentos de maneira verdadeira e digna.

Nós estamos lutando senhor Silas quer o senhor queira, ou não pelo amor.

Quanto ao dado cientifico exposto pelo senhor, peça a mesma ciência um parecer sobre a fé, sobre o amor, sobre o surgimento do universo, peça a ciência um parecer sobre Deus e aguarde os fundamentos para que toda sua crença – assim como o senhor deseja fazer conosco – caia por terra, será que o senhor continuaria a dar tanta voz à ciência senhor Silas?

“Que o meu Deus, que não sei se é o mesmo que o seu, te perdoe” (Marilia Gabriela em frase final de sua entrevista com o Senhor Silas Malafaia). Idem!

Deus.Seja.Louvado.

* Titulo em menção ao versículo bíblico em que Deus interroga Saulo o porque de sua perseguição aos que devotavam sua fé a Cristo.

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote.
E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.
E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.
E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.

Atos 9:5



Uma vida de silencio

Santa Maria rogai por nós!

Acolha com seu manto protetor as almas daqueles que se calaram diante da fumaça que consumiu suas historias.

As vozes que clamaram socorro eram aquelas que antes cantavam, os corpos lançados ao chão eram os que antes dançavam e se alegravam em festa pela vida que hoje as deixou.

Santa Maria rogai pelas mães, pais, amigos, e toda essa gente desconhecida que chora Brasil a fora.

Rogai por nós nessa luta por justiça que por hora não poderá salvar-nos das lagrimas de tantas almas partidas, tiradas da vida de maneira tão bruta e triste. Rogamos pela consciência daqueles que ficaram, rogamos pela saudade deixada, pelos sonhos que morreram junto a todos os jovens que se foram.

Santa Maria rogai por nós, em misericórdia para que a tristeza não se vingue em revolta, para que a lagrima não petrifique o coração, para que o desespero de lugar a paz, e a lembrança nos de um novo sentido a vida.

Santa Maria que estas nos céus, rogai por todos esses projetos de vida que não se realizarão, rogai pelo sonho de família que não prospera, pela carreira que não se cumprira, por tudo ainda tão vivo que permanecera.

Santa Maria ampara-nos nesse momento de choro, de silencio, aonde a alegria parece não conseguir mais chegar, perdoa-nos pela falta de compreensão, pela não aceitação, por praguejar e até duvidar de tudo face o coração amargurado de ver partir aqueles que desejavam apenas viver.

Santa Maria se faça fortaleza, para que nossos corações não sinta medo de amar, e de doar-se pelo outro, e sentir novamente a vida, que mesmo em meio a tamanha tristeza necessita continuar, talvez com a missão de que não se deixe esquecer deles, que tiveram seus sonhos, suas vozes e seus corações silenciados.

Santa Maria rogai por nós!

D.S.L

* As 237 vitimas mortas no incêndio da Boate Kiss em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013, Santa Maria Rogai por nós!

Elas voam

Surgem uma a uma, num descompasso insano.

Desenham imagens aleatórias em mim, enquanto me pergunto de onde elas vêem.

Parecem gritar ao mesmo tempo, cada vez mais alto, até o instante em que paro para ouvi-las, deixo-as nascer, recebendo como recompensa a plenitude.

Não sei de que tipo de útero elas saem, viajam por um caminho desconhecido da natureza, com passos tão fortes, que remetem o cavalgar de uma tropa.

Guerreiam entre elas, querendo apenas falar.

Amor, ódio, rancor, esperança, cotidiano, coração, Deus, anjos, vida, morte, amor, amor, amor.

Falam de céu, estrelas, mar, levam-me a lugares distantes, a momentos não vividos, viagens não realizadas, culturas desconhecidas, vidas que não sei existir, amigos que não tenho, pranto não derramado, terras que desconhecem meus pés.

Giram ao meu redor.

Quando meus olhos se fecham, elas se iluminam, posso mais que toca-las, posso senti-las na maioria das vezes em historias que não são minhas.

Será que sou feita por elas? Será que as faço, será elas tudo o que sou?

Corriqueiras, sem sentido, donas aos meus olhos de uma obviedade sem tamanho, incorrigíveis, são minhas, ou sou delas?

Não seguem regras, não pedem licença, as vezes para se defender fazem uso do impronunciável.

Elas se unem da mesma forma, mas nunca são iguais.

Misteriosas conseguem dizer a mesma coisa de tantas maneiras, invadem tantos olhos e desbravam guerreiras tantos outros corações.

Transformam a tudo: a chuva fina em noite sombria inspiradora de um grito no escuro onde mais um conto policial possa nascer, o sol em muitas gargalhadas, as vezes elas ficam engraçadas, criticam os fofoqueiros, os ilimitados, a moral, os bons costumes, a elas importa apenas o bem, o luar que tantos encontros já me fizeram contar.

Abraço em teto, beijo em troca de almas, toque que cura, e em meio a tudo isso um Deus que parece deixá-las surgir cada vez mais, como se assim estreitássemos nossos pensamentos, pois são nesses momentos em que meu coração parece juntar-se ao Dele.

Gosto de brincar com elas, deixa-las arrepiar-me a pele, dormem comigo, acordam-me com um sorriso, vigiam atentas os raios de sol que invadem meus olhos, levam-me a mundos e mais mundos, me contam do pensamento alheio, são como balões no céu que apenas voam, e voam, sem limite, cada vez mais alto, por paisagens impensadas sem a utopia de encontrar o fim do horizonte, pois elas não procuram o fim, mas sim o eterno descobrir.

Casei-me com elas, e recebi como dote o infinito.

D.S.L

*Imagem retirada da internet, sem autor ou fonte especifica.

O rei e a plebéia

Ele ainda tem cara de joelho, e assim como a maioria dos recém nascidos, não aprendeu a falar, mas chegou com uma fome, e uma inquietação enorme de pensamentos, que quase não o deixa entregue ao sono.

A gente sabe como começa, imagina como será e não consegue prever como termina.

É isso todo inicio de ano.

Dessa vez o esperei pacientemente, confesso que temerosa, pois tudo foi tão bom.

Naquele momento de mais um inicio de novo ciclo ele percorreu meus olhos, deixando tão somente uma lagrima de felicidade mesclada a dever cumprido, despedindo-se num aceno comum a qualquer passado. Poderia dizer que ele parecia um sonho, mas foi real, por isso o medo de que nada o supere, mas não é assim, a vida sempre se encarrega disso, e consegue se superar, ou ainda nos fazer acreditar por um instante que tudo valeu a pena e esta no lugar certo.

Estou ansiosa para que comece a falar, sei que será complicado de imediato, pois posso não compreendê-lo, em vários momentos existira horas de silencio em que sozinha irei me perguntar se sou aquilo que ele precisa, tudo o que não quero é decepcioná-lo.

Tenho medo que me falte recursos para alimentá-lo, realizar seus sonhos, cumprir suas promessas, mima-lo quem sabe, afinal de contas ele merece, é herdeiro do príncipe primeiro de todos os sonhos, marcado pelo brilho de uma estrela de cinco pontas, tornando-se assim digno de meu zelo, respeito, atenção e amor.

Ao anoitecer antes de dormir, observamo-nos um ao outro, calados, ele segura minha mão com seus dedos pequenos, parecendo procurar refugio, olha-me com uma profunda paz, e juro: o vejo esboçar um sorriso, não sabes a grandiosidade que esse gesto trás a minha alma, tudo se amplia, e assim se agiganta e perde-se na falta de tamanho para sonhar.

Quero vivê-lo em festa. Sonho para nós momentos felizes e moleques: cachoeira, bicicleta, musica, estrada, pretendo estar assim com ele até a chegada do outono, quando então precisarei ensiná-lo a plantar ou a colher,não sei ainda ao certo o que esta por vir, e quais flores enfeitarão os jardins, qual melodia iremos aprender e apreciar juntos, sei dizer que ainda quando a pouco sentia seus dedos segurarem firme minha mão selamos um pacto de que independente de qualquer luta estaríamos juntos, munidos de esperança, fé e força.

O tempo passara rápido, e quando menos esperar ele surgira a porta convidando-me para sair de encontro a algum momento inesquecível, caracterizado pelas barbas do tempo que lhe trarão sabedoria, serás tu a me guiar, e em nossa ultima noite, naquela em que novamente o verei partir para nascer outra vez, relembraremos através de uma troca de olhares nossas historias, e assim valsarei feliz em seus braços como a plebeia cortejada pelo rei.

D.S.L

Quem aparece no espelho?

Deitei de olhos fechados, em silencio, buscando na escuridão da visão uma luz que iluminasse meus pensamentos para rabiscar algumas palavras sobre esses trezentos e sessenta e seis dias que começam a fazer parte do “ano passado”, sem sucesso, caminhei pela casa, tomei água, entrei e sai de sites, ouvi uma musica, tudo isso a procura de uma nova forma para encerrar o ano, é como se só assim eu realmente me despedisse, colocando um ponto final em todas as estórias que contam os momentos fantásticos que me tocaram a alma de modo a arrepiar a pele.

Ano par, profecia de fim, horas de angustia, espera, medo, instantes que beiraram o desespero.

Alguns muitos passos impensados que a vida não permitiu que fossem dados.

O triunfo do presente, o ponto final em todos os passados.

Enfim o amor, o abraço a amplidão.

A amizade acima de qualquer outro sentimento.

O medo de não saber ser, ou de aprender ser e não saber mais quem sou, afinal em muitos os momentos olhei-me no meu espelho e vi Helena, parte minha que esperava calada dentro de minha alma. Ela tomou conta de meu espírito, brinca com meus pés sobre as águas do mar, chora, ri, e mantém em nós os sentimentos de colo, de paz e plenitude.

Agora que conheceu ser livre, não sabe mais como deixar de voar, Helena é o pássaro dentro de mim, a coragem, o sorriso largo, os olhos flamejantes de paixão e sonho.

Esse ano foi dela, pois enfim aceitamos caminhar de mãos dadas, formamos uma bela dupla, juntas dispomos de força, fé, sabedoria e coragem, enquanto tenho medo, ela adentra o mar, mergulha, se embriaga e sorrindo quase despudorada me convida pra dançar, sem compromisso, sem amarras, ela me faz sentir que dançar é apenas dançar, sem fundamentos, sem palavras que teimam sempre em explicar tudo, falar e traduzir pensamentos.

Helena agrega minha paz e minha guerra, me consume, enlouquecendo-me de encontro com o que antes era impossível.

Somos uma só criatura, que não mais viverão separadas.

Quando falo dela, falo dos sonhos que deixamos esquecidos, das incapacidades que nos impomos, pois todos nós somos realizadores, crendo em Deus tudo nos é permitido, desde que motivado pelo bem, pela paz, em joelhos dobrados que incansavelmente suplicam.

É fácil falar o quanto sonhos são possíveis, difícil é crer, aceitar-se merecedor e capaz de realizá-los, olhar-se no espelho e sorrir sabendo que a pessoa a frente que lhe sorri em gratidão é na verdade sua própria alma.

Quantas vezes sorrimos pra nos mesmos? Quantas vezes nos permitimos chorar por nos, adentrando esse profundo mistério que carregamos nos olhos?

Precisamos abençoar nossas mãos, carrega-las de boas energias, lava-las no vento, derrama-las sobre as águas, purificando os olhos com as cores do sol, com o brilho da vida.

Pare por um instante antes dos últimos minutos desse marco de tempo, respire fundo e permita sentir a magia, o toque de Deus e o bailar de seus anjos ao redor de seu coração.

Canalize cada pensamento, por mais difícil e improvável, transforme-os em um longo respiro que termina com a frase: vai dar tudo certo!

Conceba o amor, não queira conhecer o mundo, desperte a pessoa mais importante de sua vida: aquela que habita dentro de você. Permita o agir do céu, sinta o sol brilhar todas as manhas ao iluminar sua alma, declara-se apaixonado pela vida e pelos momentos bobos em que toda a riqueza se fez em sorriso, abraço, palavras, compreensão, perdão, amor.

O sucesso, o dinheiro, as denominações que lhes são dadas, não são quem você é. Enxergue-se alem do doutor, do excelentíssimo, do empresário, do artista, do estudioso, do empregado, a pessoa é o que importa.

Não existem receitas para encerrar ou começar novos dias, o que se sabe é que tudo movido de esperança, amor e paz dão certo, e muito alem disso sempre valem à pena, sempre!

D.S.L

A todos um 2013 radiante! Repleto de muita luz, fé, amor, devoção e vitórias!

Que Deus seja eternamente louvado!

Mais um dia

Nessa época de fim de ano, é quase sempre a mesma coisa: cartões comerciais que nos felicitam com palavras corriqueiras, compondo frases feitas com votos frios de felicidade, amor, paz… Os especiais na televisão a maioria tediosos (menos o do Rei, falem o que quiser, mas sou fã). Confraternizações de empresas, estradas lotadas, o comercio lucrando, as receitas típicas a preços pela “hora da morte”, e assim vamos desejando mesmo que um pouco cansados das mesmas coisas: que seja um feliz natal.

Fato que o sentido de Natal se perdeu a muito tempo, todos se preocupando demais com os presentes que precisam dar e que desejam receber, o que comer na ceia, o que vestir, o que fazer, pra onde ir, e mesmo pra quem jura não ligar, e de fato não acredita nesse natal dos tempos atuais um sentimento é comum em quase toda pessoa: a saudade.

Ela chega junto ao olhar daquela criança que ainda acredita em Papai Noel, sentindo assim uma magia no ar que quando crescidos não nos lembramos mais, muitas  pessoas  mataram a criança que foram um dia, ou deixaram que alguém ou alguma circunstancia a assassinasse.

Pode ser a saudade de quem esta longe, ou de quem esta perto, mas que a algum tempo por algum motivo se mantém distante, pode ser a saudade de um momento único que não voltara.

Há varias formas de a sentirmos, todas elas de alguma maneira nos enche de um sentimento meio triste de abandono, porem não existe saudade mais cruel do que aquela daqueles que se foram, sem nos dar ao menos a chance de dizer e demonstrar em vida o quão importantes elas eram, pois a maioria parte na rapidez de uma estrela cadente quando cruza os céus.

Deviam ser proibidos esses sentimentos, por acabar nos fazendo crer que certas partidas são injustas, inacreditáveis, inaceitáveis.

A maioria das saudades nos da à esperança de termos novamente, a vida permite esse espaço de chegada, de volta, recomeço, mas essa apenas dilacera, pois nela não há esperanças de volta, e então como ser feliz sentindo a eterna falta daquele abraço, de um sorriso, da voz, do cheiro, do jeito.

Como é permitido uma mãe não ter o abraço de seu filho, como é permitido pela vida dizermos adeus a quem não queremos ver partir, como continuar? Como deixar de sentir falta, se a cada momento o vazio parece ficar maior, e então esse vazio cresce e se agiganta e toma proporções assombrosas, e cada vez mais temos vontade de praguejar, de dizer ao  próprio Deus o quanto a vida é injusta, com a ilusão de que ao odiarmos tudo o que ficou, esse Deus em sua misericórdia nos devolva ainda que por milagre aqueles a quem a saudade será eterna.

O vazio só aumenta, e a saudade se faz alimento do coração que já não suporta mais, que parece carregar apenas dor, revolta e uma tristeza devastadora.

Não há voltas, nem reencontros, ao menos não nesta esfera, mas ainda há a vida, e mais injusto do que qualquer outra coisa é odiar os próprios dias que nos são dados, pois talvez fosse esse o ultimo desejo de quem partiu: mais um dia.

Não existe remédio, não existe tempo capaz de curar, por que todas as vezes que estivermos tristes desejaremos o abraço daquele que partiu, quando felizes e orgulhosos por alguma vitória, sentiremos falta daqueles olhos que certamente nos acompanhariam encantados, portanto parece não existir nada a se fazer, a não ser sentir saudades.

Mas se ainda há vida, e no peito um coração, é preciso continuar, e torná-la bela, pois um dia seremos nós a deixar saudades.

Como por milagre a vida nos da chance de mantermos aqueles que partiram vivos, amando tudo o que eles amavam, seja ouvindo suas musicas preferidas, festejando a família em uma mesa farta, abraçando alguém, ajudando o próximo, cultivando amizades, lendo, fazendo coisas que eram deles, alegrando a todos com brincadeiras chatas que hoje fazem tanta falta, seja sorrindo daquela forma leve e feliz.

Continuar amando é o único remédio capaz de curar a dor, embelezar a vida e manter eternamente vivos aqueles que jamais seremos capazes de esquecer.

Tenho certeza que assim voltaremos a sorrir em paz, e envoltos na magia da alegria, seremos capazes de senti-los sorrir novamente.

D.S.L

A todos um Feliz Natal, este post é uma homenagem aos sorrisos eternos de Eliete R. dos Santos, Alexandre Vireque, Lurdes Maria e Terezinha de Fátima Guimarães Portela.

Infinitamente sagitariano

Nascera sobre o signo de sagitário, a astrologia diz que suas principais características são: o otimismo, a sinceridade e a simpatia, acho que isso lhe vem da mãe, espero que do Pai tenha como herança a força, a amizade e a sabedoria.

Datara do dia oito do ultimo mês deste ano tão enigmático, cheio de profecias e surpresas.

Lembro-me que até outro dia dormia comigo, dentro de mim, passeando por meus sonhos e amanhecendo em meus olhos todas as manhas, não houve um dia desde que o soube existir que meu pensamento não remetesse a sua vida.

Foram muitos os meses de espera, sinto-me mãe, grávida ainda, inchada, enjoada, mas completamente pronta para o ver nascer.

Mesmo conhecendo seu rosto, anseio pelo momento de tê-lo em meus braços, sentir seu cheiro, beija-lo, segura-lo nas mãos e dizer ainda que baixinho você existe, você venceu, você é verdadeiro.

Como uma mãe que não pode prever os passos de seu filho, rogo em fé ao teu e ao meu Pai, desejando que um bom caminho lhe aguarde nessas ruas da vida, ao passo que nada mais importa a não ser a sua existência, não me preocupa o que vão falar de ti, se gostarão de você, se o amarão e serão seu fã assim como eu sou, já não importa, pois és fruto do meu antigo, amado e tão almejado sonho, tantas vezes chorado, tantas outras vezes visto como impossível, por tantas pessoas nem ao menos pensado, e por outras desdenhado, tido como coisa adolescente, que de uma hora pra outra seria esquecido em um amontoado de papel de uma gaveta qualquer, mas não poderia te esquecer, fostes e acredito que sempre será meu companheiro.

Mesmo quando tudo parecia muito perdido, você estava lá, me ajudando a descobrir, a querer, a esperar, a falar o que sempre me soube em silencio, não poderia te esquecer porque te desejei por quase uma vida inteira, antes mesmo de saber qualquer coisa, quando também criança observava a tudo e sabia que uma folha em branco escondia mais segredos do que algo guardado a sete chaves.

Você é a minha nudez, a perda da minha virgindade, de minha vergonha, você é o traço definitivo que marcara meus olhos tímidos, serás imortal como a vontade de amar que mesmo em meio a guerras, proibições, impedimentos sempre esteve viva e existiu, você é a lagrima que despenca dos meus olhos quando recordo das horas, de todas elas onde também pensei em desistir, você é o engasgo na garganta que me remete ao dia em que me disseram que jamais iria conseguir, mas acima de qualquer coisa, independente de tudo você precisa ser o amor, mostra-lo, escancara-lo e rasga-lo dentro de corações que talvez não acreditem mais.

Que você seja a voz de outras gargantas que não sabem falar, que seja o sonho, a realidade, a proximidade, o motivo do encontro, a esperança que fica contida em cada despedida, que seja o carinho na pele que acolhe a lagrima, doce, real para que em vários outros jardins floresças eternamente sempre a espera da próxima primavera.

D.S.L

Convidando a todos do blog, leitores e amigos que estiverem em São Paulo para o lançamento do meu primeiro livro… Quando florescem as orquideas.

Mais informações no site http://www.editoramalagueta.com.br/editora2/

Até aqui

Foram muitas as mortes do coração, nunca houve outra causa, fui contamina diversas vezes pela mesma ameaça. Diante do tumulo, o corpo moribundo suplicava uma chance, o coração fraquejado mantinha viva a esperança de sempre que morte nenhuma era capaz de desfalecer.

Mantinha-se inerte pela vontade desaparecida.

A sepultura que o envolvia não era capaz de imobiliza-lo por completo, os pensamentos permaneciam vivos, mas era desejo da mente permanecer assim: imóvel. No peito o coração ainda latejava e isso mantinha o sangue corrente, vivo, vermelho, quente.Enquanto a lapide ornamentava a inscrição: vai passar.

Voltar a respirar depois de tanto tempo,fazia o renascer ainda mais belo, os pulmões enrijecidos voltavam a ter ar em abundancia, enquanto novamente entregava-se a vida com a promessa de não voltar a morrer, foram muitas vezes, e tantas outras quebrada essa promessa.

Aprendi a morrer para encontrar a chance de uma nova vida, distante das historias que precisavam ser enterradas.

As cicatrizes que enfeitavam o corpo lembravam-me o quanto minha fragilidade era na verdade a fortaleza de meus melhores sentimentos, ser frágil nem sempre quer dizer ser fraca e assim aprendi a ser forte de modo a me permitir todas as coisas, menos desistir.

As conseqüências provenientes dos saltos ao desconhecido, jamais senti medo da queda, tinha muito amor pela liberdade do coração, arrepender-se as vezes era inevitável. Era claramente apenas o hoje, só o hoje, as horas seguintes a mantinham com o pensamento distante do querer adivinhar ou prever o improvável amanha. Sempre foi questão de horas, segundos e nada mais, por isso o excesso em tudo, a fome de querer cada gota fosse do veneno da inconseqüência, ou do antídoto pacificador de ter tentado.

Todo o vasto mundo cabe na escuridão de seus olhos pequenos, negros, redondos, assustados, que se mantiveram abertos até aqui, e apenas isso sabe dizer: até aqui, nesse instante, nada mais nem alem.

D.S.L