Mais um dia

Nessa época de fim de ano, é quase sempre a mesma coisa: cartões comerciais que nos felicitam com palavras corriqueiras, compondo frases feitas com votos frios de felicidade, amor, paz… Os especiais na televisão a maioria tediosos (menos o do Rei, falem o que quiser, mas sou fã). Confraternizações de empresas, estradas lotadas, o comercio lucrando, as receitas típicas a preços pela “hora da morte”, e assim vamos desejando mesmo que um pouco cansados das mesmas coisas: que seja um feliz natal.

Fato que o sentido de Natal se perdeu a muito tempo, todos se preocupando demais com os presentes que precisam dar e que desejam receber, o que comer na ceia, o que vestir, o que fazer, pra onde ir, e mesmo pra quem jura não ligar, e de fato não acredita nesse natal dos tempos atuais um sentimento é comum em quase toda pessoa: a saudade.

Ela chega junto ao olhar daquela criança que ainda acredita em Papai Noel, sentindo assim uma magia no ar que quando crescidos não nos lembramos mais, muitas  pessoas  mataram a criança que foram um dia, ou deixaram que alguém ou alguma circunstancia a assassinasse.

Pode ser a saudade de quem esta longe, ou de quem esta perto, mas que a algum tempo por algum motivo se mantém distante, pode ser a saudade de um momento único que não voltara.

Há varias formas de a sentirmos, todas elas de alguma maneira nos enche de um sentimento meio triste de abandono, porem não existe saudade mais cruel do que aquela daqueles que se foram, sem nos dar ao menos a chance de dizer e demonstrar em vida o quão importantes elas eram, pois a maioria parte na rapidez de uma estrela cadente quando cruza os céus.

Deviam ser proibidos esses sentimentos, por acabar nos fazendo crer que certas partidas são injustas, inacreditáveis, inaceitáveis.

A maioria das saudades nos da à esperança de termos novamente, a vida permite esse espaço de chegada, de volta, recomeço, mas essa apenas dilacera, pois nela não há esperanças de volta, e então como ser feliz sentindo a eterna falta daquele abraço, de um sorriso, da voz, do cheiro, do jeito.

Como é permitido uma mãe não ter o abraço de seu filho, como é permitido pela vida dizermos adeus a quem não queremos ver partir, como continuar? Como deixar de sentir falta, se a cada momento o vazio parece ficar maior, e então esse vazio cresce e se agiganta e toma proporções assombrosas, e cada vez mais temos vontade de praguejar, de dizer ao  próprio Deus o quanto a vida é injusta, com a ilusão de que ao odiarmos tudo o que ficou, esse Deus em sua misericórdia nos devolva ainda que por milagre aqueles a quem a saudade será eterna.

O vazio só aumenta, e a saudade se faz alimento do coração que já não suporta mais, que parece carregar apenas dor, revolta e uma tristeza devastadora.

Não há voltas, nem reencontros, ao menos não nesta esfera, mas ainda há a vida, e mais injusto do que qualquer outra coisa é odiar os próprios dias que nos são dados, pois talvez fosse esse o ultimo desejo de quem partiu: mais um dia.

Não existe remédio, não existe tempo capaz de curar, por que todas as vezes que estivermos tristes desejaremos o abraço daquele que partiu, quando felizes e orgulhosos por alguma vitória, sentiremos falta daqueles olhos que certamente nos acompanhariam encantados, portanto parece não existir nada a se fazer, a não ser sentir saudades.

Mas se ainda há vida, e no peito um coração, é preciso continuar, e torná-la bela, pois um dia seremos nós a deixar saudades.

Como por milagre a vida nos da chance de mantermos aqueles que partiram vivos, amando tudo o que eles amavam, seja ouvindo suas musicas preferidas, festejando a família em uma mesa farta, abraçando alguém, ajudando o próximo, cultivando amizades, lendo, fazendo coisas que eram deles, alegrando a todos com brincadeiras chatas que hoje fazem tanta falta, seja sorrindo daquela forma leve e feliz.

Continuar amando é o único remédio capaz de curar a dor, embelezar a vida e manter eternamente vivos aqueles que jamais seremos capazes de esquecer.

Tenho certeza que assim voltaremos a sorrir em paz, e envoltos na magia da alegria, seremos capazes de senti-los sorrir novamente.

D.S.L

A todos um Feliz Natal, este post é uma homenagem aos sorrisos eternos de Eliete R. dos Santos, Alexandre Vireque, Lurdes Maria e Terezinha de Fátima Guimarães Portela.

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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