O principe que sonhava em ser menino!

O menino brincava de dançar e de cantar, e sendo menino não entendia ao certo porque as brincadeiras tinham que ser sempre as mesmas, queria experimentar subir em arvore, jogar bola, lambuzar o rosto de doce, andar descalço, recusar o banho. Quando tinha pesadelos sentia vontade de correr para o colo de alguém que lhe fizesse adormecer novamente, ao cair não ser repreendido, mas sim acalentado, poder chorar sem que alguém lhe repreendesse por estar sempre no foco de alguma câmera, poder gritar sem que alguém lhe dissesse que isso prejudicaria sua voz; poder ser criança.

Mas o menino precisava crescer príncipe, para mais tarde ser coroado rei.

Como em todo reino seus súditos também lhe foram algozes, e o menino, príncipe, coroado rei, perdeu-se por não saber quem na verdade era, perdeu-se por talvez não ter tido escolha, lhe foi imposto que ele seria rei, e ao querer fazer o que lhe fosse de vontade, seria criticado, caso deixasse o reinado seria tido como louco, assim gradualmente enlouqueceu em seu trono.

Primeiro mudou o cabelo, depois o rosto, e então a cor, não se é admitido, porém ele, o então príncipe, talvez quisesse apenas ficar parecido com os reis que vemos nas historias infantis, o velho estereotipo de cabelos ao vento, rosto delicado e pele alva.

Rei absoluto era aclamado quando subia ao palco, mas longe dali parecia mais uma criança assustada, a criança que ele não pode ser, com medo de tudo, de todos, de si mesmo.

Tivera diversas vezes que se explicar, por diversos motivos, falhas, faltas, opiniões, explicava sobre uma vida que ele parecia não entender. Entendia-se como um personagem de circo hora iluminado e repleto de aplausos, hora obscuro e vaiado.

Ao final do espetáculo, via-se solitário em seu trono.  

Era rei e precisava de herdeiros, mas como concebe-los se ainda sentia-se menino, os teve e hoje os pequenos choram por um pai que na verdade era mais um de seus amiguinhos.

Não era homem, não queria ser mulher, não sabia quem era, perdeu-se ao tentar descobrir, pois todos clamavam em uma só voz: és um rei.

E por toda vida carregou em sua cabeça pequena, frágil, cabeça de menino, o peso de uma coroa que lhe feria, enquanto encantava a todos com seu brilho.

Que sua alma de menino enfim esteja em paz!

D.S.L

 

Entre linhas, virgulas, etc.

Olá meus queridos!

Quero agradecer o carinho recebido por todos que passam por aqui!Seja atraves de comentarios ou conversas pessoais, fico feliz com as dicas, ideias, criticas e etc. Continuem expressando aquilo que minhas palavras provocam em vocês, pois é isso que me faz querer enxergar o mundo e compartilhar aquilo que vejo ou sinto!

Sendo assim quero dividir com vocês algo que me fez imensamente feliz: fui convidada a estreiar uma coluna no Jornal Regional A Folha de Sapucaia do estado do Rio de Janeiro, intitulada “Entre linhas, virgulas, etc”. Quem puder acompanhar, em breve darei mais detalhes!

Torçam por mim!

Um forte abraço em cada um  de vocês!

D.S.L

As rosas não florescem somente no dia 12 de junho

Pensei em varias coisas pra fazer na noite de hoje. A tão temida pelos solteiros e aclamada pelos apaixonados noite dos namorados.

Finalzinho de outono, chuva, frio, e dá aquela vontade na gente de aquecer mais do que o corpo, aquecer a alma, o coração, enfim…  Tudo muito propicio para um jantar especial, um bom vinho, e amanhecer debaixo das cobertas muito bem acompanhada, mas companhia pra fazer isso tudo anda escassa no mercado.

Muitas pessoas acordam de mau humor e passam o dia secando cada buquê de rosas que cruzar seu caminho, mentalizam a desintegração das caixas de bombom, alimentam na imaginação uma cruel tortura  aos bichinhos de pelúcia fofinhos com aquelas declarações: “eu amo você”, “você me faz feliz” etc.

Outros preferem sair pra balada, alguns na esperança de encontrar alguém antes que a noite termine, ou então para declarar que estar solteiro é a melhor coisa da vida, muita gente prefere ser de muitos a ser de um só.

Inevitavelmente todos lembram, ou melhor, somos obrigados a lembrar por se tratar de uma data comercial, e mesmo que passe em brancas nuvens pela vida de quem esta só, a gente fica meio que romantizada, meio que querendo pertencer a alguém, meio que entrando nesse jogo.

Existe felicidade sozinha, mas felicidade a dois é bem mais feliz.

É por isso que devemos comemorar, quando se tem o que comemorar, muita gente fica preso a datas. Não devia ser assim, deveríamos soltar fogos não apenas no ultimo dia do ano, mas sim quando inicia-se verdadeiramente um novo ciclo na vida, como a conquista de uma promoção no trabalho, a mudança para um bairro melhor, o aumento de salário, os quilos a menos, o ingresso na academia, a primeira melodia tocada no violão depois de horas aulas de dedicação.

Alimentar o respeito e a gratidão as mães em todas as horas, exagerar no chocolate fora da páscoa, declarar amor ao pai sempre que o coração pedir, levar as crianças ao parque sempre que uma manha de domingo ensolarada fizer o convite, ser gentil, amável, romântico, atencioso com quem se ama enquanto se esta junto, pois estar junto é isso, é ter esse espírito vivo todas as horas, todos os dias, evitar brigas, partilhar beijos apaixonados, afinal de contas as rosas não florescem somente no dia 12 de junho, ofereça flores sempre que possível, mesmo que roubadas… Ofereça o coração quando o sentir ameaçado por um sentimento que parece incontrolável, louco, encantador.

Não perca o romantismo porque está só ou porque teve o coração machucado, não perca a esperança de encontrar alguém especial por estar esperando sua chegada a algum tempo, não se deixe abater pelos dias que parecem iguais, guarde tudo o que tens de belo para quando veres teus sonhos todos realizados. Assim a vida segue seu rumo, sem a inquietação de ainda não pertencer o que se pressenti perto. 

Ainda não sei o que fazer na noite de hoje, mas certamente saberei o que fazer em todas as outras noites depois que eu te encontrar.

Feliz dia dos namorados a todos!

Todo amor que houver nessa vida!

D.S.L

 

 

Saudades não é amor

Os olhos jamais estarão presentes no mesmo lugar, cruzando-se naturalmente, haverá para sempre um brilho diferente, triste muitas vezes, surpreso de encanto, que por toda vida se perguntarão onde afinal nós nus perdemos, onde afinal nos erramos.

Mesmo que minhas mãos estejam seguras por outras mãos que não sejam as tuas, eu sempre terei em mim algo que um dia foi nosso. Ainda que você não se curve admitindo que também senti assim, teus olhos inquietos com a minha existência são traidores a tua fortaleza.

O amor quando amor, quando amado, não desaparece assim com o fim escolhido por nós, pois amor é coisa de anjo, não de mortal, carnal. As asas que nos tiram do chão quando encontramos um coração para partilhar num abraço mais do que um laço não nos pertence, apenas nos é emprestado.

Grandes amores não morrem jamais, perdem o sentido, o sentimento, a razão, a emoção, mas o amor permanece, nas pequenas coisas que foram únicas, dadas vitaliciamente.

Jamais será de outro alguém as musicas tuas, as palavras nuas com que eu me declarava entregue, as horas não serão testemunhas de momentos iguais aos nossos.

E mesmo com o fim, a certeza do amor.

Quando só, depois de enfrentar um dia inteiro de cansaço deito-me na minha cama e mesmo sem querer lembro-me dos teus braços que tantas noites me acolheram, depositando durante a madrugada forças para manha seguinte.

Ninguém consegue ser feliz de outra forma, depois de ter sido feliz ao lado de alguém, é o mesmo que provar de uma especiaria rara, jamais se esquece o gosto, do olfato não se tira o cheiro, da língua a textura, não se esquece o valor de todas essas sensações proporcionadas, e mesmo que por muito tempo fique sem senti-las, basta cerrar os olhos e lá estarão todas elas.

E lá estão os teus olhos, os meus olhos, uma historia, e a vontade infinita de resgatar em vida tudo o que nos foi tirado com aquele adeus, nos olhamos perdidos por termos a certeza de que isso não será mais possível, pois saudades não é amor.

Resta-nos assim a vida, para ser vivida a espera de encontrar um olhar que jamais precise se perder.

D.S.L 

Você tem que crescer!

No inicio fazemos sentido para a vida de nossos pais, irmãos, familiares, para nós sobra todo o transbordamento de carinho, atenção e dedicação que nos é dado, é uma relação cômoda, tudo o que temos a oferecer são alguns poucos sorrisos, mal conseguimos engatinhar e isso pertence um charme imenso, precisamos de ajuda ate mesmo para o banheiro, e mesmo essa troca sendo tão maior para eles, todos vivem felizes.

É como se o simples fato de você existir, fosse a coisa mais importante da sua vida e da vida daqueles que lhe cercam.

Depois vem a idade da pré-escola, as regras começam a surgir, você é imposto a limites e pequenas obrigações, mas mesmo assim o fato de você existir ainda permanece como a coisa mais importante da sua vida e de todos ao seu redor.

Na fase da adolescência, você mal sabe se existe, e então começa a se perguntar pra quem ou pra que você faz sentido. Na vida de seus pais você passa a ser alguém que precisa crescer, amadurecer, e então tudo o que eles lhe ofereceram na fase inicial de sua vida é cobrado em dobro, o denguinho, o “gu-gu-dá-dá”, a pirracinha e as gracinhas já não surtem o efeito de antes. Você tem que crescer!

Você cresce, e crescer dói, e na adolescência dói num tamanho tão enorme que as vezes parece que nunca vai passar, e então queremos ser importantes, não somente para a vida de nossos pais, queremos fazer sentido no mundo, nas pessoas, em nos mesmos.

Quando a adolescência acaba, acaba com você grandes coisas, que mais tarde tornam-se pequenas, pois descobre-se que na verdade era você que ainda não tinha tamanho para encara-las.

Tudo parece possível aos 17anos (risos), conquistar o garoto mais bonito, ser um pop-star, um astronauta, tudo é permitido, tudo tem um cheiro novo e embriagante. Faz-se grandes planos para um futuro incerto, tomamos certezas que mais tarde passam de absolutas, para obsoletas.

Aos 20 anos, chegam os primeiros princípios, pudores, temores, neuroses, e então começamos a encaixar lenta e dolorosamente nossos sonhos na realidade, que vai perdendo aos poucos o brilho dos anos onde tudo era tão fácil.

Passamos a nos dar importância, buscando reconhecimento, tentando acertar cada vez mais, e a cobrança que provinha de fora, agora é interna, uma divida com nos mesmos que parece nunca ter fim, ao menos para as almas inquietas que não se cansam de buscar.

Os anos vão passando, cada dia uma nova descoberta sobre você, sobre essas tantas pessoas que vamos sendo ao longo da vida, milhões de emoções, sensações, e visões de tantos ângulos, de tudo o que a gente procura ver.

A sensação de sempre estar caminhando rumo a uma nova pessoa, no final, afinal de contas, o que vai acontecer? Quem você será?

Com que palavras terminara sua pagina, para em seguida começar uma outra historia onde tudo o que importa é fazer sentindo não somente em sua vida, mas na vida de outra pessoa que não lhe ensinou a andar, mas que te dará a mão para caminhar junto, para somente sentir que sua existência torna ao menos aquele mundo, seja entre quatro ou dez paredes algo insubstituível.

O sentindo desde o principio é importar para alguém!

D.S.L

 

  

 

Pipoca sem sal

Pode ter sido falta de sorte, como pode ter sido uma escolha falha.

Final de semana em casa, sozinha, sarando uma gripe(graças a Deus não é a suína), é equivalente a passar em uma locadora, supermercado, farmácia, e estacionar em casa, hibernando munida desse kit de sobrevivência.

Achei que iria sobreviver ao tédio de estar condicionada a muita tosse, dores e tudo mais que uma gripe pode oferecer, certa de que filmes, comidinhas gostosas e uma variedade imensa de anti-gripais, iriam me trazer algum alivio.

Valeu a ida ao supermercado e a farmácia, as comidinhas e os anti-gripais atingiram o efeito desejado, quanto aos filmes tristemente não posso dizer o mesmo, isso porque sou “rata” de locadora.

Acumulo uma boa quantidade de títulos em meu currículo de cinéfila assumida, e raras foram as vezes que me decepcionei, porem dessa vez algo que já vem ocorrendo a um certo tempo começa a me chamar atenção de forma incomoda.

Aluguei quatro títulos, um drama, dois romances e uma comedia.

O drama me deu sono, os romances dor de cabeça e a comedia, riso nenhum, não surtiram efeito e então tive um mal estar pior do que o da gripe.

Não sei o que anda acontecendo, não sei se escolhi errado, não sei… Mas os filmes andam estranhos, já não são os mesmos, já não tocam da mesma forma.

É inconcebível ver um filme, ouvir uma musica, ou ler um texto, sem que de alguma forma algo mude, nasça, cresça, volte. A arte em qualquer forma, foi feita pra tocar, pra evidenciar beleza, dor, espanto, medo, emoção.

O cinema esta carente de emoção, é mais uma veia no mundo com o sangue prensado, coagulado, não flui, não pulsa, esta frio. Percebo que há uma atenção redobrada em luz e câmera, e falta exatamente o primordial: a ação, a emoção, a comoção.

Tudo parece mecanicamente feito de forma a se registrar o melhor ângulo, a luz mais favorável a cena, a produção impecável, tudo tecnicamente muito bem feito, porem falta historia, conteúdo, paixão. É como se tudo estivesse voltado para os olhos da critica, do comercial, das bilheterias.

Antes ao ver subir na tela os créditos de um filme, sentia-me revigorada, cheia de algo muitas vezes doce, noutras surpreende, ficava numa espécie de êxtase, e então para saborear mais uma vez todas as sensações que aquele titulo havia me trazido, revia o mesmo filme diversas vezes, ultimamente tenho sentido impaciência, e só não desistido logo no inicio, pois persiste a esperança de que no decorrer do enredo aconteça algo inesperado, como deve ser a boa e velha arte cinematográfica.

A emoção muitas vezes mora na imperfeição, naquilo que não sai como o planejado, no que acontece longe do controle das nossas mentes, existem coisas que não precisam ser lapidadas, pois abruptamente já nascem perfeitas, assim livram-se da mesmice, do que é igual, e que já não convence.

Luz, Câmera e EMOÇÂO!

D.S.L

 

Eu vou te trair!

Não importa!Eu vou te trair.

Não que você mereça, ou esteja fazendo algo para que isso aconteça, mas eu vou te trair!

Eu não posso ser só sua, porque eu tenho medo! Se eu for só sua e um dia você não me quiser mais, depois eu não vou saber quem sou, e daí tudo vai ficar estranho.

Eu preciso te trair, porque eu já não sei quem sou eu nessa historia toda entre nós!

Você não vai saber, talvez sinta.

Não sei se vou conseguir olhar pra você do mesmo jeito após te trair, talvez eu mesma confesse, mas confessando eu penso no tanto que vou te magoar, no quanto vai ser dilacerante inclusive pra mim te ver chorar, eu sei que vou me arrepender, eu sei que vai doer em mim, mas eu preciso te trair.

Tudo é demais entre nos, tudo é muito grande em você, e eu tenho medo de me perder pra sempre nos teus braços e assim não conhecer outra forma de continuar viva se não for pelas tuas mãos, com você tudo vira mágica, tudo faz sentido, tudo fica completo, antes eu era metade, era como um rio que corria batendo em pedras, hoje eu sou oceano, plena, calma e infinita, e tudo isso inspirado e vindo de você.

Eu preciso te trair e provar pra mim, que eu não sou somente sua, que eu posso ser de quem eu quiser, porque eu sou minha. Esse  egoísmo faz parte de mim!

Eu não entendo como você pode se dar dessa forma sem ter medo, se entrega nos meus braços como se eu fosse tomar conta de você pra sempre, espera o melhor de mim, enxerga o melhor em mim, coisas que muitas vezes eu não vejo. Diz que eu posso tudo, por que sou seu amor.

Isso tudo em você me dá ainda mais medo, porque você é a pessoa mais bonita que eu conheço na vida, tem um olhar que quase me faz desmaiar de tanta doçura, tudo procura entender, sempre facilitando a vida, você não vê fim pra nossa historia, eu tenho medo de acreditar que é pra sempre, que é amor, na verdade mesmo não acreditando eu sei que é pra sempre, eu sei que é amor, porque eu posso não acreditar mas saber que é verdade.

Eu posso te perder com toda essa minha paranóia, e se isso acontecer vou entender o significado do pra “sempre” que vai ficar em mim, porque pra você eu nunca vou conseguir olhar de forma natural, eu sempre vou sentir ciúmes, eu sempre vou querer você, pois com toda certeza você foi a melhor parte da minha historia, eu nunca vou conseguir olhar pra você sem enxergar nos teus olhos o grande amor da minha vida.

Eu vou te trair, e se você me perdoar eu vou te amar ainda mais, e então não sei o que vou fazer pra não ser mais sua.

D.S.L

 

“Les Miserables”

Ao certo, não sei porque meus olhos se encheram de lagrimas, quando assisti ao vídeo que ficou famoso por esses dias daquela senhora que participou de um show de talentos britânico cantando uma musica lírica, e dizendo que o seu sonho era ser como cantora Elaine Page.

Talvez pela descrença de todos, e logo em seguida pela emoção coletiva quando ela maravilhosamente começou a cantar.É como se a vida exclamasse: “sim, senhores! As aparências enganam”

Mas fiquei a pensar, quantas e quantas vezes somos vistos como a senhora Susan Boyle, quantas e quantas vezes aquela mesma senhora, seja pela aparência ou pelo jeito humilde de se colocar na vida não foi feita de chacota aos olhos daquele tipinho de gente que sempre se acha mais, ou melhor do que os outros.

Fiquei a imaginar durante quanto tempo aquela senhora cantou, sozinha, frente a um espelho, e com os olhos fechados se imaginava cantando para uma platéia que se levantasse e a aplaudisse o som de sua voz.

E quem sabe por quanto tempo ela foi mantida a distancia daquilo que sempre teve vontade de ser, por quanto o mundo a perdeu por não lhe dar credito para ao menos tentar.

Inevitavelmente somos assim, as vezes de tanto sermos colocados “para debaixo do tapete” acabamos acreditando que aquele é o nosso lugar, de tanto ouvir a melodia de que não será possível, acabamos gravando essa musica em nossa memória, como um decreto, sem jamais ter fim, mesmo que no coração haja algo que nos diga que é possível.

Quantas “Susan Boyle” existem no mundo, esperando por uma chance, desperdiçadas pela vida, ocultando algo tão belo, que ao final de sua aparição nos faz sorrir, acreditando que tudo é possível quando se acredita que é possível, quando se é permitido viver o possível, longe da arrogância de tanta gente que é capaz de olhar para o sonho dos outros e por não acreditar nos seus próprios sonhos, talvez os mais loucos, nos afirmam que sonhar é besteira.

Ao final ela quase não percebe o quanto havia sido admirada, e caminha para mais uma vez deixar o palco, com medo de amanha ser lembrada como a desajeitada, engraçada que ninguém nunca levou a serio.

 Não desta vez senhora “Susan Boyle”, não desta vez!

Foi convidada a ficar mais um pouco e então admirar assombrada os olhos de quem outrora desacreditara de seu talento, é convida a fazer parte daquele montinho de acontecimentos que faz parte da vida de cada um de nos, dando-nos motivo para sonhar, mesmo que a realidade pareça contraria, a vida pesada e nulas as chances de ao menos tentar.

D.S.L

* Para quem não viu – http://www.youtube.com/watch?v=9lp0IWv8QZY

De plastico

Não vou ligar! Ele pode pensar que estou afim…  Mas eu estou mesmo afim!

Melhor não ligar, melhor ele não saber que ontem dormi pensando em nós. E que nesses últimos tempos, ele foi um dos acontecimentos mais legais que me apareceu.

Melhor ficar aqui fingindo que eu sou daquele tipo que não se encanta, que não se empolga, melhor acalmar, respirar fundo e não assusta-lo com meus textos, com meus discos, com meus livros, e com todas as minhas historias, com toda essa fértil imaginação que Deus me deu.

E então eu encontro com você na rua assim do nada, e quase tenho um ataque.

A vida devia ter uma sirene nessas horas, um tipo de alerta para nos avisar: “Perigo! Perigo! Ser desejado a menos de 50 metros”, faltou pouco pra que eu caísse no chão e começasse a babar, como num ataque convulsivo, pois a língua enrola, a palidez é a mesma encontrada num boneco de cera, não consigo manter uma linha de raciocínio, mas então respiro fundo e consigo conversar com você.

E você é tão mais honesto dizendo que pensou em me ligar, mas ficou sem graça, ou com medo… E daí eu uso da minha ironia acida e pergunto se estava com medo que eu pensasse que você ficou com vontade de me ver novamente.

Você sorri tímido, e então eu tenho vontade de te levar pra um lugar onde não exista medo algum, nem cuidado para não se machucar ou ser machucado, onde não seja pecado se empolgar, não se tenha hora e data pré-determinada para bater aquela saudade, onde se possa ter vontade verdadeira de ficar junto, e nada mais. Um lugar onde ao te encontrar eu possa sorrir largo, te abraçar e dizer o quanto eu pensei em você esses dias, lá a gente não precisa ter medo de parecer ridículo ou bobo. Não existe ninguém pra dizer: eu avisei que você iria se machucar, lá as pessoas dizem valeu a pena!

Aqui fora, nessa rua onde eu tenho que disfarçar que minha perna não esta tremendo ao encontrar você, tem muita gente que acha que tudo é muito assim, dessa forma rasa, com uma necessidade de ser indestrutível, impenetrável, quase que de plástico mesmo, ou outro material que não seja tão humano, tão movido por sensações e sentimentos.

Tão humanos como você e eu, que combinamos passear nesse lugar de mãos dadas sem nos sentirmos fora de moda, tentando ser feliz sem script, escudos de plásticos e outros acessórios usados para defender-se dessas coisas que só nos faz bem.

D.S.L

 

 

 

“Foi no carnaval que passou…”

Ele sempre chegou sem avisar, mas este ano ele não apareceu se quer um momento que fosse.

Eu havia pressentido que ele não viria, por isso o procurei durante alguns dias entre fotos, fantasias, confetes e serpentinas dos carnavais passados. Mesmo assim não o encontrei.

Na fantasia ainda restava o cheiro de suor, água e fumaça das noites em que envolta a uma alegria superior a qualquer realidade, eu estava lá brincando de ser outra criatura.

Nas varias fotos que paralisaram sorrisos, amores, e todas as cores dos carnavais passados, meu olhar borrou tudo em preto e branco, ele também não estava lá.

Encontrei meu velho nariz de palhaço, junto a peruca colorida que fantasiou outrora a minha liberdade e vontade de estar sempre no palco da vida, sorrindo para a multidão, mesmo que logo na solidão do camarim, ou diante do espelho ao retirar a maquilagem eu borrasse os olhos com as lagrimas da alma do palhaço que deixa de existir ao abandonar  a fantasia.

Tentei lançar aos céus os confetes, serpentinas e tudo mais para tentar desenhar novamente um arco íris de luz, cor e alegria que em tantas outras harmonias foram cantadas, entre passos trocados, embriagados pela euforia de brincar o carnaval. Resgatar na memória as ruas por onde meus pés passaram enfeitiçados por uma leveza que sobrepunha qualquer outro pensamento que não fosse a felicidade daqueles momentos onde tudo mais era deixado pra trás.

Não o encontrei em parte alguma, não pude resgata-lo, pois ele sempre esteve dentro de mim. Toda a vontade, alegria e euforia estão aqui, nunca em outro lugar, porém este ano não serão integrantes de algum bloco, guardei minha fantasia, para me vestir da realidade antes que a quarta feira de cinzas se encarregasse como todos os anos de faze-la.

Ano que vem ele volta, quem sabe vestido de uma alegria ainda mais colorida, com uma saudade enorme de cultuar esses dias, onde tudo é esquecido, perdoado e nada, absolutamente nada é pecado.

D.S.L