Sem saber, simplesmente ir…

Sinto medo dos teus olhos, do teu sorriso encantado rente ao meu, que ao se desmanchar em um beijo, prova o quanto a entrega imprevista é fato consumado.

Desejo tuas mãos, o cheiro dos teus cabelos, tua pele pálida e fria quando ao final do amor encontro-te sem forças, quase que ao chorar diante daquilo que diz jamais ter sentido.

Quero-te para nada, a todo tempo, sem pressa, sem adeus, quero-te a meu lado mesmo em silencio, sem palavras, fico contigo eternamente, pois me tornei naufraga deste azul dos teus olhos, amanheço e adormeço sentindo pavor desse momento sólido de verdade, de contentamento, eis que vejo graça em estar em ti, és inexplicável a paz dos teus abraços, ao passo em que meu coração dispara ao encontrar você.

Não sei mais o que faço, agora que o amor tomou novamente conta de mim. Ao passo que caminho acreditando em tudo, ainda assim o passado de todos os tropeços, das inverdades, das dissimulações todas feitas a esse coração ainda me amedrontam, me colocando na defensiva de sentir novamente, mesmo sabida de que agora é muito tarde, pois não tenho mais nada em mim a não ser sentimento, nada mais sobrevive dentro de meu peito que não seja amor.

Quase não sei o que pensar quando ouço de ti ser pra sempre, depois de tanto tempo criei pânico de certas palavras, e o eterno tornou-se uma delas, mesmo que involuntariamente, ainda que seja tudo o que creio desde muito tempo, e o que sonho desde sempre como realização de vida, ainda que com fé e com força, e sem cansar ouvir isso de ti, ainda assim, tenho medo.

Queria mesmo era invadir tua vida, ou melhor, invadir teu ser, ler teus pensamentos, andar por essa estrada de labirintos que sei ser teu coração, saber de ti o quanto estas de fato entregues a mim.

Sei que suportaria mais uma decepção, o medo não é de sofrer novamente, mas sim de deixar de acreditar de uma vez por todas, e então ver a vida se transformar em paginas brancas, em cortinas, pratos, mobília, em contas a pagar, em simplesmente respirar, sem ser mais nada.

Estou encantada, tudo aos meus olhos é secundário, vejo beleza e mais nada, meu coração alegra-se novamente com a vida, eis que sou metade amor e a outra metade paz, confio novamente que tudo virá da mesma forma como você chegou. Confio que você chegou, que é você esse alguém que Deus moldou pra mim, essa alma que junto a minha unifica um só coração, uma só vida.

Constato que o amor tem a mesma força do mar, quando mergulhamos por mais que tentamos nadar contra sua correnteza, ela nos puxa, nos carrega, e então submersos de encantamento pelas águas, por suas ondas, frescor, calor e paz que só o mar é capaz de nos trazer, deixamo-nos levar, simplesmente ir, ao passo que o medo desaparece e a confiança nas águas inevitavelmente te faz ir cada vez mais longe, cada vez mais fundo, sem medo, com força, e fé na busca da plenitude de encontrar o infinito.

Assim como o mar, amar é buscar o que não tem fim, é simplesmente ir, sem saber ao certo se de fato chegaremos a algum lugar, sem saber se o próprio infinito tem fim, sem saber, simplesmente ir…

D.S.L

3.0

Ainda demorara um tempo até que ele de fato chegue, mas a analise e a critica sobre esse tal “peso” que todos dizem que ele acarretara sobre minha vida, já começou a ser feita.

Tudo bem, ainda tenho alguns meses pela frente, mas já comecei a pensar, analisar e porque não dizer a gostar desses meus trinta anos que vira na próxima primavera.

Uma coisa me é certa, ainda que um pouco insegura e temerosa sobre essa tal crise dos trinta: eu não a terei.

Minha crise dos trinta como quase tudo em minha vida, chegou precocemente: um ano mais cedo, eu tive a crise dos vinte e nove. E lhes garanto foi uma crise e tanto.

A passagem desse ano em minha vida até a chegada dos vinte nove foi profunda, densa, triste e devastadora. Pensei em desistir, em não mais querer, em desacreditar, em parar de sonhar, quis parar de sorrir, de desenhar-me em telas brancas que com palavras pareço mancha-las com meu próprio sangue; Eu quis deixar de ser.

Culpa minha talvez, da vida quem sabe? De todos os que de alguma forma, em algum momento eu tenha permitido me ferir. Culpa de sonhos maiores do que eu, que não se realizaram, culpa dos amores tantos e de tão variados tamanhos que sempre terminaram da mesma forma: naufragando-me em solidão, dor e palavras tristes, para logo em seguida a própria vida encher-me de uma esperança desesperada que sempre me fez voltar a crer que de uma próxima vez nada terminaria, mas sim continuaria feliz.

Eu acredito no eterno.

Ainda não conquistei tudo o que sonho, tão pouco tudo o que preciso, mas esse “ainda” é o mesmo que dizer: com calma você chegara lá.

Não tenho meu tão sonhado “canto” próprio, um lugar pra chamar de meu, sendo mais clara: não tenho um apartamento, ou casa, quiçá um terreno para construir algo, mas conquistei terras e lugares que o dinheiro jamais será capaz de comprar, tenho em vários cantos do mundo, habitações em corações que sempre me acolhem mais do que um teto sobre minha cabeça.

Não tenho carro, bicicleta, charrete, moto, mas tenho amigos e pessoas que sempre me levam a lugares onde existem horizontes infinitos de belos momentos e sensações incríveis.

Não juntei em minha conta bancaria um real se quer (pelo contrario as vezes, muitas vezes ela vive no vermelho), mas ao longo desses anos adquiri riquezas incontáveis, verdadeiras preciosidades que ao deparar-me com elas me deixam boquiaberta como se estivesse diante de todo o ouro do mundo.

Não tenho um grande emprego, ainda não construí uma carreira promissora, não tenho um salário seguro, não cursei uma grande faculdade, mas a vida, ah!A vida me deu a promessa de que será sempre imensa, intensa e forte.

A vida me deu a esperança de que tudo a todo instante muda, nessa mesma velocidade a qual cheguei a meus trinta anos, afinal de contas até pouco tempo atrás eu era uma menina tímida, que andava cabisbaixa, que se espantava encantada com as flores, com o sol, com beleza de todas as coisas. Ainda ontem fui aquela adolescente cheia de medos, insegura com quem de fato habitava meu ser, vendo a cada tropeço o fim do mundo, da vida; Ainda ontem eu fazia de dezoito anos acreditando que tudo mudaria como num passe de mágica; Ainda ontem me tornara adulta, sendo empurrada pela vida, para viver e enfim crescer, tendo que assumir a responsabilidade dos vinte e poucos anos; Ainda ontem isso tudo acontecia.

A menina cresceu, a adolescente foi embora deixando alguns medos, a adulta as vezes vira menina, as vezes volta a ter sonhos adolescentes, mas a mulher que sempre habitou em mim, sente orgulho de ter chegado até aqui, aos trinta, é como debutar novamente sem varias inseguras cruéis que temos aos quinze anos. A valsa que dançarei será a de uma bela melodia, entre as mesma flores que ainda me encantam desde a meninice, o par, será o amor que me chegou a pouco tempo e que vem se aconchegando em minha vida, aos trinta tenho até pensado em casamento, sendo esse um velho sonho de menina.

Somando tudo o resultado é a visão de que em essência pouca coisa mudou, o corpo já não é mais o mesmo, os pensamentos são cada dia mais complexos e completos, mas o coração, esse sim, chega aos trinta forte, vitorioso, cheio de novas esperanças em conquistar tudo aquilo que a vida ainda não me deu, e essa segurança me vem da fé, desse Deus amigo o qual sirvo irrestritamente. O coração chega aos trinta repleto da sabedoria de que tudo o que de fato me era importante conquistar: eu conquistei.

Que me venha os trinta, sem crise.

D.S.L

“Humanos”?

Não é o Brasil que vem mudando, não acredito na mudança da terra, da água, do vento, do fogo, eles serão sempre os mesmos, são naturais, o que pode acontecer é a mudança dos rumos que eles podem tomar, e assim mudam conseqüentemente o resultado de tudo; E é isso que vem acontecendo com nosso Brasil.

Estamos mudando aos poucos, muito pouco, diga-se de passagem, mas estamos mudando o primordial: o pensamento, a válvula precursora de tudo.

Estamos menos hipócritas, interpretando melhor aquilo que nos mesmos a anos pregamos com base nos princípios da Constituição Federal: igualdade, dignidade da pessoa humana, não discriminação por raça, sexo ou cor, e livre planejamento familiar.

Em muitos casos a mudança é tardia, pois muitas feridas foram abertas, muitos lares continuam com seus natais e festas em família com lugares vazios, ocupados por sentimentos de magoa, rancor, preconceito, tristeza, distancia, pois é exatamente isso que acontece quando quebramos a ponte de aceitação, entendimento e respeito com o que não conhecemos, com aqueles que a sociedade prefere fechar os olhos e mentirosamente muitas vezes fingir proteger, é mais fácil a distancia ao entendimento, a compreensão, ao respeito que devemos a todos que simplesmente querem ser feliz, querem existir sem temer viver, sem nada dever, ou ter que explicar a quem quer que seja.

O pensamento acima tem a haver com o fato de que um casal de gays masculinos, por meio de uma fertilização in vitro, conseguiu o direito de registrar a pequena Maria Tereza em nome daqueles que por toda vida ira ama-la, respeita-la e dar-lhe um lar digno, repleto de educação, carinho e principalmente amor.

O fato em si, para mim nada impressiona, afinal de contas, é sabido de todos tudo o que uma criança necessita para crescer e tornar-se uma pessoa de bem, digna e honesta. É necessário amor, respeito, base, educação, família. O que de fato me impressiona, ou melhor, o que de fato me choca, é a quantidade de “humanos”(prestem atenção na palavra: humanos), que torcem o nariz para tal situação, o que me enoja é ver algumas igrejas, autoridades, e tantos “humanos” dispostos a criticar, humilhar, e negativamente manifestarem-se contrários a essa realidade.

Pobres “humanos”, pobres diabos, pobres almas, miseráveis corações, que se perguntam com o pensar ignorante de suas próprias razoes: como afinal de contas essa criança será criada? Absurdo: uma criança necessita de mãe! Maldade: ela será uma degenerada. Pobrezinha: vai sofrer tantos preconceitos.

De todos esses pensamentos tão pequenos, destes pobres diabos, o único o que faz sentido, é de que sim, ela sofrera muitos preconceitos, afinal de contas “humanos” doutrinados em mentes minúsculas infelizmente não deixarão de existir.

Ela sofrera muitos preconceitos, assim como seus pais ao longo de toda uma vida também sofreram, mas Deus queira que ela saiba olhar para o amor que lhe será devotado, que ela saiba enxergar quão generosa lhe foi a vida, ao lhe dar dois homens fortes, honestos e disposto a terem um lar, uma família, uma casa, dois homens dispostos a amarem, e a irem alem com este amor, superando barreiras, quebrando paradigmas, enfrentando esses “humanos” tão vazios de suas tristes razões.

A pergunta que gostaria de fazer aqueles muitos que acharam a decisão do juiz Clicério Bezerra e Silva, da Primeira Vara de Família do Recife, uma afronta a família brasileira, é de que: Seria preferível que essa criança crescesse ao lado de uma mãe usuária de drogas, ou quem sabe de um pai pedófilo, ou ainda em uma realidade miserável com mais dez irmãos aonde se divide um ovo cozido para uma família inteira? Seria preferível que essa criança crescesse sobre o julgo de espaçamentos, abandono, maus tratos? Seria preferível que essa criança fosse mais uma a disputar uma vaga em um sinal, ou quem sabe em alguma beira de estrada sendo mais uma vitima da prostituição? Seria preferível tudo isso? Pergunto-lhes: pobres “humanos”, que dignidade, que respeito, que moral a nisso? O que de fato implica para a formação de uma vida?

Não sei qual será o futuro da pequena Maria Tereza, sei dizer que o presente o qual foi concebida tem tudo para que ela possa escolher o que fazer de sua vida, direito que vem sendo negado a muitas crianças.

Muitas crianças não puderam escolher, porque se de fato pudessem creio que não se prenderiam a preconceitos, ou o que quer que fosse, não é preciso muito esforço: visite um orfanato e pergunte a uma criança o que é uma família, com toda certeza ela lhe dará a descrição daquilo que estes dois homens estão construindo, ela imaginara uma casa, um quarto, uma cama só sua, almoço de domingo, conto de fadas para adormecer, castigo por alguma travessura, televisão na sala com os pais reunidos, aniversários, natais, passeios no parque, dia das crianças, amor, carinho, respeito e proteção.

Visitem um orfanato “humanos”!

D.S.L

Todos preparados?

Vou limpando os restos de confetes que ainda estavam presos nas roupas, lavando os sapatos que ficaram ainda mais gastos depois de tanto remelexo.

Hoje é dia de aconchego, de coberta estirada no sofá da sala, de televisão que hora é desligada por um cochilo; hoje é dia de ficar em paz, de apuração, é dia de descansar o espírito, o corpo, a mente, dia que não se resolve nada, que não se quer nada, além de relembrar com gosto de saudade o quanto foliar é bom.

É hora de guardar a fantasia, sem é claro recolher a alegria, sem deixar que o coração desacelere desse ritmo bom, é hora de recolher a escola no barracão, de alertar o Pierrot para que pense direito, que largue esse amor cheio de defeitos, pois a Colombina é toda de seu Arlequim;

Ainda sobrou serpentina, tem nariz de palhaço espalhado por ai, tem coração partido, tem amor de carnaval não daqueles que parecem passar, mas sim daqueles que vieram para ficar.

A lembrança do beijo, a lembrança da praia, a serra que acolheu de paz um folião não tão mais folião;

Ainda hoje antes das seis da tarde, avistei do alto de minha sacada um “bamba” solitário carregando seu instrumento de surdo, agora tão mudo, tão sem coragem de ser tocado, pois ele parece saber que os Deuses do carnaval acabaram por adormecer ao meio dia dessa quarta-feira de cinzas, chuvosa e chorosa. O tempo parece querer lavar com uma espécie de choro, junto a esse folião o termino dessa ilusão de que ninguém é triste no carnaval, essa quase obrigação de ser feliz, esse contagio que arrepia o corpo com o tocar da bateria, essa festa de alegria, de devassidão, essa explosão embriagada de que esses são os quatro dias que tudo pode, que tudo é permitido, que nada é pecado.

A vida, o ano, não começara nesses próximos dias, ainda veremos muito do que restou desse mais um ano de folia ate a segunda feira chegar, e com ela o enfim inicio do ano, o qual espero ser glorioso, vitorioso, feliz, alegre e repleto dessa mesma euforia de vida.

Portanto acima de qualquer coisa desejo que vocês estejam preparados para serem felizes!

D.S.L

Rodopiar, foco,fé!

Inventamos que esquecemos, e que o cansaço vai embora assim que tivermos uma folga do trabalho (mas e o cansaço do coração?), que as coisas vão mudar, que o tempo vai ajudar, que a vida vai passar e se encarregara de trazer a nos aquilo que nos foi prometido, sonhado, ou sabe-se lá o que.

Inventamos maneiras e mais maneiras para tentar ser feliz, quando sem motivo real, o que nos resta de fato é inventar.

Quando tudo esta difícil, quase insuportável, de modo tão intenso e insano, muitas vezes damos um jeito de enlouquecer, ou tão somente arrumamos uma forma de se perder, para quem sabe, então, no meio de pensamentos que caminham vagos, assim como os de uma criança que entontece ao abrir os braços dando impulso para rodopiar o corpo, até ter todos os sentidos abalados pela velocidade dos olhos que já não enxergam, apenas correm diante da realidade que permanece paralisada, deste ponto de vista, não são coisas que mudam, mas sim, nos que nos movemos.

Talvez seja isso a vida, talvez ela não se mova, permaneça lá, nós é que rodopiamos dentro dela, e numa espécie de magia fazemos tudo mudar, mesmo que apenas diante de nossos olhos.

Tantas foram às vezes que fiz isso, nem sei o que pensar, ou melhor, até sei: pois ao fim de cada invenção, ilusão, ou sonho que só a mim foi sonhado, sinto-me como uma criminosa, uma espécie de estelionatário de sentimentos, uma mentira, uma farsa que só machucou a mim, sou assassina, ou melhor, suicida de meu coração; Tantas foram as maneiras que inventei pra ser feliz, noutras rodopiei sozinha, por varias horas, só para ter a sensação de que algo estava de fato acontecendo, após todos os giros, o entontecer, a sensação de abalo, de corpo caindo ao chão involuntariamente, o riso forçado pela loucura de ter uma espécie de fresca proveniente da brisa provocada pelo próprio corpo, o riso inconseqüente, a visão ainda turva do chão que aos poucos vai se estabilizando, e por fim o choro, os olhos estatelados que constatam: nada mudou, foi apenas um sonho, apenas uma falsidade ideológica da realidade, um rodopiou ingênuo em volta da vida, que continua a mesma.

A vida continua a mesma, com a mesma saudade, com a mesma busca incansável, com os mesmos desejos, os velhos sonhos, e certamente com o único sentimento imutável, inatingível pelos rodopios do corpo: a fé, é por ela que ainda tenho vontade de rodopiar e mesmo que nada mude, ao menos vi o mundo girar, e tudo por alguns instantes enfim perder o foco.

D.S.L

E.T:.É a fé, e sapiência de que tudo em Deus é possível!

Cinco

Quarenta dias se passaram desde a aquela primeira noite.

O tempo não da trégua, ou melhor, tem passado com uma rapidez assombradora, mal meus olhos se despediram dos fogos, e meu corpo já se encontra bailando entre confetes e serpentinas. Espero não ouvir este ano o choro do Arlequim, desejo que ele esteja ao lado de sua Colombina, assim como desejo para mim e para todos estar ao lado de um alguém especial não só no carnaval, quero que estejam todos com alguém especial dentro do coração, que lhes faça de morada um amor verdadeiro.

Foram poucos os dias que já vão ficando pra trás, e tantas coisas já aconteceram, de tão variados tamanhos e intensidades impares. Alguns destes acontecimentos caminham, encaixando-se para que tudo fique melhor, outras vão desaparecendo, e ainda assim algumas estão a ponto de me surpreenderem.

De tudo já posso guardar lembranças destes primeiros dias, muitas coisas boas, belas, muitas outras tão tristes e desesperadoras, este ano se iniciou dando-me uma lição vida, ou melhor, varias delas, e a mais importante, é a que estou no caminho certo, dando valor ao que e a quem realmente importa.

Parece que Deus resolveu testar meu coração nesses primeiros tempos, tudo muito suspenso no ar, não sei ainda se prestes a desmoronar, ou, se a subir para um patamar inesperado, não sei ainda a qual esperança devo sustentar dentro do peito, não sei ainda pelo que devo de fato esperar, mas tenho certeza grandes acontecimentos estão por vir.

Sinto que terei que aprender a conviver com meus sonhos na realidade, e com ainda mais veemência ser cada vez mais humilde, sincera, verdadeira,não perder o foco de que apenas carrego a luz, não sou a chama. Serei criticada, seria vista de canto, comentada, rotulada, muitos se acharão no direito de me orientarem, outros de estar a meu lado somente por tudo o que não me será primordial.

2012, dois, mais um, mais dois, igual a cinco: mudança, vitoria, luta e principalmente consciência.

Em tempo, saliento que um certo azul proveniente de uns olhos marejados de mistérios, vem chegando de mansinho e se instalando em minhas manhas, tardes, noites, e principalmente em meu pensamento e desejo. Confesso, ainda que surpresa, que tens me feito sorrir e sentir uma alegria meio tonta, confusa até, não sei dizer e na verdade nem quero pensar, pois estou deixando acontecer, e quem sabe assim sem esperar, tudo mais possa chegar.

Tens me dado sentido ao que andava tão distante e perdido. Em tempo, mergulho neste azul de mar, sabendo ser o mar amigo, e ainda traiçoeiro, eis que não terei medo da profundidade, para tanto precisas apenas estar a meu lado.Sempre.

Seremos felizes, todos!

D.S.L

Toda minha riqueza

Pessoas quando compram “coisas”, como carros, motos, imoveis, saem pelo mundo ostentando suas “conquistas”.Tudo tão efémero, tudo tão material, tudo tão vulnerável, tudo na verdade tão sem valor.
Quando eu te encontrar, eu vou ostentar você para o meu coração, te guardarei pra mim, pois seras toda minha riqueza, e tudo o que sempre almejei ter como meu.
Vem!

D.S.L

“E alguém igual não há de ter”. *

Pessoas boas desejam pessoas boas.

Não saberia contar quantas vezes olhei para céu, ou quantas vezes antes de adormecer solicitei em oração que Ele colocasse com suas próprias mãos em meu caminho, alguém de bem, que chegasse sem nada, ou melhor, que chegasse sentindo a mesma fé, carregando nos olhos: otimismo e esperança mesmo que um tanto quanto apagadas pela vida, que chegasse sem obstáculos, sem barreiras, pois meus pés estão calejados e cansados, machucados de pisar espinhos, sei que não fácil, mas Ele pode facilitar e muito a tudo, portanto não custa pedir.

Tantas foram às vezes que clamei por alguém que acreditasse que dias melhores estavam guardados no amanha, ou quem sabe no próprio hoje, alguém que chegasse por acaso, sem anuncio, e que fosse ficando assim também do nada, e que ficasse cada vez mais, e mais ao ponto de já não saber e não querer ir embora.

Desejo alguém que queira ficar.

Que não faça questão do mundo lá fora.

Que se importe, que saiba cuidar e ser cuidado, de sorriso fácil, largo,um tanto bobo, coração puro, e uma elegância na vida incomum nesses tempos de tamanha ignorância.

Desejo alguém que queira ficar, e lute, caso alguma coisa o queira fazer ir embora.

Raramente podemos ser. Ser é sinônimo de critica, mas quero ser eu mesma, sem temer, e quando o mundo lá fora me assustar quero ter um abraço capaz de guardar tudo o que é de bem, um abraço que me faça parar de tremer, não me deixando esquecer o quão o nosso mundo é bem mais bonito.

Quero alguém capaz de sentir, de se encantar, que esteja ao meu lado: na paz, na guerra, nas tempestades dentro mim. Que me saiba com os olhos, que me sinta a quilômetros de distancia, que interprete meus sonhos e viaje sem medo para dentro da minha alma.

Quero alguém de conversa simples, imaginação fértil, capaz de sobrevoar o mundo junto com minhas idéias malucas, que ria de todas as minhas bobagens, que perdoe as minhas malandragens e noites boemias, ou melhor, que esteja a meu lado nessas noites, que se cale e se derrame de amor diante das minhas palavras.

Que não se importe com meu estilo, com meus sapatos, com minhas unhas pequenas, com meus cachos amarrados, com minha visão através de vidros, com minha cara sempre lavada, minha transparência que chega a ser descarada, meus silêncios e espaços que só cabem dentro de mim.

Que conheça a mim, e mesmo assim delire de encanto.

Alguém que mime meu ego, que seja de verdade, que seja assim como você, que tenha cada pedacinho seu, cada parte sua que tanto aprendi a gostar, mas que saiba, queira e possa amar-me por inteira.

D.S.L

*titulo em menção da musica No Recreio (Nando Reis)

Gente humilde*

Essa noite tive um pesadelo, onde caminhava por uma cidade destruída, devastada, arvores caídas no chão, coisas e mais coisas amontoadas pelas ruas, pessoas tristes, com o rosto repleto de um sofrimento desesperador, mau cheiro, poeira, lama.

Quase sem ar, despertei, e só então me dei conta de que não se tratava de um pesadelo, sentada a cama, relembrando tudo o que vi e senti ao visitar aquela cidade – fora de meus pesadelos – chorei copiosamente durante alguns minutos daquela madrugada, com o coração naufragado em dor quando ciente de que muitos estão a chorar a vários dias e constantemente.

Voltei a adormecer quando os primeiros raios de sol adornavam a cortina, ainda restava-me algumas poucas horas de sono.

Por fim despertei triste, cansada, imaginando como estava sendo despertar em uma cidade a quase nove dias, sem água, com medo de uma nova chuva, contando o que restava da vida que já não existe, lembrando os que se foram e que nem ao menos terão a chance de recomeçar.

Infinitas são as perguntas em minha cabeça, e a mais cruel de todas elas é: por quê?

Será a natureza se vingando do homem, castigo de Deus, o inicio de um fim anunciado e que ninguém crê, será…

Minhas perguntas são interrompidas por lagrimas. Não perdi ninguém, minha família não foi atingida, mas é como se alguma coisa dentro de mim houvesse despertado, sei que pra melhor, pois já não penso em reclamar por coisas pequenas: uma lâmpada que queima, um encanamento que entope, falta de dinheiro, a internet que não funciona, tudo se torna secundário quando se tem, ou melhor, quando nos vemos diante de problemas tão maiores, insolúveis nas mãos dos homens, possíveis de resolução apenas nas mãos misericordiosas de Deus.

Minha solidariedade aumentou, meu olhar para o mundo, a sensibilidade anda a flor da pele, o coração cheio de amor, minha visão dentro dos olhos de cada e qualquer ser humano já era grande agora parecem ter lentes de aumento, minha compaixão transborda, enquanto minha consciência não cansa em dizer que é preciso fazer mais e mais por toda aquela gente, por todo o mundo, por cada vida, incansavelmente temos que lutar pela vida, pelas historias das pessoas.

Lutar pelos que estão entregues as drogas, álcool, pelos que permitiram que o coração se enchesse de ódio, lutar pelo humano, por cada alma que encontrarmos em nossos caminhos e que muitas vezes estão perdidas, abatidas, desenganadas, lutar por nós, por nossos sonhos, não aqueles materiais que se perdem tão fragilmente, mas sim por aqueles que podemos carregar na memória: aquela viagem que não fizemos para consertarmos alguma coisa em casa, um sorriso que se sonha conquistar, um coração que mereça ter de nos amor, um abraço naquele amigo que a decepção deixou levar embora mas que nunca esquecemos, lutar pelo perdão, pela compreensão, lutar em nome de Deus por tudo o que cremos e principalmente por todos que amamos.

Esse texto é dedicado a todos da Zona da Mata Mineira e região que sofreram e ainda sofrem com as chuvas e suas conseqüências, em especial as cidades de Sapucaia(RJ), Jamapará (RJ) e minha guerreira Além Paraíba!

Recomeçar minha gente tão humilde!

Recomeçar!

Deus nos deu essa chance!Aproveitem e recomecem melhores, olhando mais para o próximo, valorizando mais os sentimentos, deslumbrem-se com o ser e não com o ter, sejam livres para amar, dispensem preconceitos, olhares cruéis repletos de julgamento, talvez uma das explicações que possa existir para toda essa dor seja para que nos vejamos enfim como iguais frágeis da mesma maneira, da mesma forma que Ele nos vê!

Recomeçar!

Que Deus abençoe a todos!Fé,força e esperança nos corações!

D.S.L

* Titulo em menção a musica Gente Humilde (Vinicius de Moraes)

http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/1287345/