3.0

Ainda demorara um tempo até que ele de fato chegue, mas a analise e a critica sobre esse tal “peso” que todos dizem que ele acarretara sobre minha vida, já começou a ser feita.

Tudo bem, ainda tenho alguns meses pela frente, mas já comecei a pensar, analisar e porque não dizer a gostar desses meus trinta anos que vira na próxima primavera.

Uma coisa me é certa, ainda que um pouco insegura e temerosa sobre essa tal crise dos trinta: eu não a terei.

Minha crise dos trinta como quase tudo em minha vida, chegou precocemente: um ano mais cedo, eu tive a crise dos vinte e nove. E lhes garanto foi uma crise e tanto.

A passagem desse ano em minha vida até a chegada dos vinte nove foi profunda, densa, triste e devastadora. Pensei em desistir, em não mais querer, em desacreditar, em parar de sonhar, quis parar de sorrir, de desenhar-me em telas brancas que com palavras pareço mancha-las com meu próprio sangue; Eu quis deixar de ser.

Culpa minha talvez, da vida quem sabe? De todos os que de alguma forma, em algum momento eu tenha permitido me ferir. Culpa de sonhos maiores do que eu, que não se realizaram, culpa dos amores tantos e de tão variados tamanhos que sempre terminaram da mesma forma: naufragando-me em solidão, dor e palavras tristes, para logo em seguida a própria vida encher-me de uma esperança desesperada que sempre me fez voltar a crer que de uma próxima vez nada terminaria, mas sim continuaria feliz.

Eu acredito no eterno.

Ainda não conquistei tudo o que sonho, tão pouco tudo o que preciso, mas esse “ainda” é o mesmo que dizer: com calma você chegara lá.

Não tenho meu tão sonhado “canto” próprio, um lugar pra chamar de meu, sendo mais clara: não tenho um apartamento, ou casa, quiçá um terreno para construir algo, mas conquistei terras e lugares que o dinheiro jamais será capaz de comprar, tenho em vários cantos do mundo, habitações em corações que sempre me acolhem mais do que um teto sobre minha cabeça.

Não tenho carro, bicicleta, charrete, moto, mas tenho amigos e pessoas que sempre me levam a lugares onde existem horizontes infinitos de belos momentos e sensações incríveis.

Não juntei em minha conta bancaria um real se quer (pelo contrario as vezes, muitas vezes ela vive no vermelho), mas ao longo desses anos adquiri riquezas incontáveis, verdadeiras preciosidades que ao deparar-me com elas me deixam boquiaberta como se estivesse diante de todo o ouro do mundo.

Não tenho um grande emprego, ainda não construí uma carreira promissora, não tenho um salário seguro, não cursei uma grande faculdade, mas a vida, ah!A vida me deu a promessa de que será sempre imensa, intensa e forte.

A vida me deu a esperança de que tudo a todo instante muda, nessa mesma velocidade a qual cheguei a meus trinta anos, afinal de contas até pouco tempo atrás eu era uma menina tímida, que andava cabisbaixa, que se espantava encantada com as flores, com o sol, com beleza de todas as coisas. Ainda ontem fui aquela adolescente cheia de medos, insegura com quem de fato habitava meu ser, vendo a cada tropeço o fim do mundo, da vida; Ainda ontem eu fazia de dezoito anos acreditando que tudo mudaria como num passe de mágica; Ainda ontem me tornara adulta, sendo empurrada pela vida, para viver e enfim crescer, tendo que assumir a responsabilidade dos vinte e poucos anos; Ainda ontem isso tudo acontecia.

A menina cresceu, a adolescente foi embora deixando alguns medos, a adulta as vezes vira menina, as vezes volta a ter sonhos adolescentes, mas a mulher que sempre habitou em mim, sente orgulho de ter chegado até aqui, aos trinta, é como debutar novamente sem varias inseguras cruéis que temos aos quinze anos. A valsa que dançarei será a de uma bela melodia, entre as mesma flores que ainda me encantam desde a meninice, o par, será o amor que me chegou a pouco tempo e que vem se aconchegando em minha vida, aos trinta tenho até pensado em casamento, sendo esse um velho sonho de menina.

Somando tudo o resultado é a visão de que em essência pouca coisa mudou, o corpo já não é mais o mesmo, os pensamentos são cada dia mais complexos e completos, mas o coração, esse sim, chega aos trinta forte, vitorioso, cheio de novas esperanças em conquistar tudo aquilo que a vida ainda não me deu, e essa segurança me vem da fé, desse Deus amigo o qual sirvo irrestritamente. O coração chega aos trinta repleto da sabedoria de que tudo o que de fato me era importante conquistar: eu conquistei.

Que me venha os trinta, sem crise.

D.S.L

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

Uma consideração sobre “3.0”

  1. Nossa ao ler esse texto pude voltar ao tempo refletir, refletir e muito sobre minha vida! Ao contrário de você essa pré crise já está instaurada! rs! Que Dom muito obrigada por não ser egoísta, muito obrigada por nos privilegiar com seu talento! Você escreve muiiito! Adoro você!

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