*“É tudo novo de novo”

A poucos dia do encerramento de mais um ano, tento pensar em tudo o que passou, e não me emocionar com tudo o que vivi, mas percebo os olhos quase que involuntariamente rasos d’água, sem saber ao certo o motivo.

É estranho: ora uma sensação de dever cumprido, ora um pensamento de que poderia ter sido melhor; misturado a um cansaço que vamos acumulando durante os vários dias corridos, destes tempos novos acelerados, onde quase nunca podemos parar para respirar e não se preocupar com nada; Há também uma mescla de tristeza por todas as horas penosas, difíceis, escuras; Um misto de saudade dos momentos bons, das conquistas varias, das superações, pessoas que chegaram e foram embora, sentimentos enormes que deixaram de existir.

Para muitos estes dias são de festas, confraternizações, hora de reunir a família e amigos.

Unir os corações e desejar estar cada vez mais próximos uns dos outros por mais um ano. Acredito ser este o sentimento que devemos carregar em nós nessas horas mágicas, onde mesmo não mais acreditando no “bom velhinho”, é sabida a existência de um Ser, chamado Deus, que nos invade de forma ainda mais encantadora, fazendo com que enxergamos através destes dias de harmonia e paz, que a vida pode ser desta forma sempre, basta que nós estejamos plenos de confiança em dias melhores, sentimentos de compaixão, e desejando ao próximo aquilo que queremos para nós mesmos.

Olhando para estes dias, permanece em mim um sentimento de gratidão, pois tudo me parece ter sido valido.

Olhando a mim, vejo o quanto me tornei ainda mais forte, consciente daquilo que quero e do que não quero, inspirada sempre por este otimismo interminável que não me deixa se quer pensar em desistir, ou acreditar ser impossível. Vejo-me como eterna aprendiz de mim mesmo, e da vida.

Olhando o céu, e as coisas que são de Deus, arrependo-me pelos momentos que fraquejei, pelas horas que pensei estar desamparada, pelos dias cabisbaixo onde minha arrogância e imperfeição humana não deixavam-me sentir Suas mãos a guiarem-me, protegendo-me muitas vezes de abismos para os quais por vontade própria corri.

Olhando ao mundo, encho meu coração de luz, cada parte de mim clama por dias mais humanos, felizes e pacíficos; minha fé alcança montanhas de onde vejo a possibilidade de sermos mais justos, honestos, e só então livres deste peso que nos assola cada vez que nos toca a maldade que ajudamos a fabricar.

Olhando a vida, cubro os olhos de esperança, encho as mãos de vontade, e os pensamentos de sonhos. Ciente que virão dias de lutas as quais terei medo, dias de gloria os quais sentirei orgulho e gratidão, e novamente novos dias onde com fé, amor, força e sabedoria, escreverei algumas tantas outras paginas sendo sempre aprendiz deste caminho traçado por Deus.

*Titulo texto em menção a musica de Paulinho Moska – Tudo novo de novo

D.S.L

Ps. Escrever para vocês neste ano de 2009, é algo que levarei para todo sempre, como marco da realização de um sonho apenas se inicia. Sejam felizes!

Feliz Natal a todos, e um 2010 repleto de prosperidade, felicidade e amor!Que Deus os abençoe.

“Eu teria um desgosto profundo, se faltasse o flamengo no mundo”*

Não entendo muito, posso até dizer que não sou fã de futebol, time ao certo nem tenho, gosto mesmo é da festa, da farra, em Copa do mundo até estudo, pois visto uma camisa chamada Brasil.

O que me emociona é o modo como à torcida entra em campo junto a seu time de coração, e se esquece um pouco das dores da vida, das conquistas que não foram possíveis.

É visível no rosto de cada torcedor a paixão ao ver seu time em campo, é como se cada um ali na arquibancada fizesse parte do jogo, hora sendo campeão, hora sofrendo com a perda, empatar também não é bom, felicidade mesmo é sair do estádio, ou seja, lá de onde for, de peito erguido, colorindo a vitória com as cores de seu time.

São milhões de treinadores, jogadores, comentaristas, artistas da vida, que usam a arquibancada como palco.

Xingam, gritam, cantam, extrapolam, e explodem quando chega a hora sublime do gol.

Esse final de semana pude acompanhar pela televisão o show de uma torcida mundialmente conhecida: a torcida do Flamengo.

É de arrepiar ver o Maracanã coberto de um vermelho e preto vibrante e cantante.

Em seu próprio hino eles decretam: “Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo”. De fato, seja para torcer a favor, seja contra, seja para maldizer a marra de todo flamenguista, ela é sem duvida nenhuma uma das torcidas mais bonitas do Brasil e porque não dizer do mundo, portanto é certo que a todos seria um desgosto profundo se nos faltasse o Flamengo no mundo.

Cada Flamenguista parece viver uma espécie de transe quando vê seus onze jogadores, ou guerreiros como eles mesmos gostam de dizer, entrar em campo, vestindo o manto vermelho e preto, clamam pelo suor de seus representantes, transformam cada jogo num campo de batalha, armando os pés com a desenvoltura proveniente de um talento que lembra uma espécie de balé, claro que sem nenhuma classe ou leveza, pois estes vestem a camisa para chutar, atropelar e escalpelar a rede ao fazer gol.

A torcida do Flamengo em especial traz um pouco de tudo o que é Brasil, une o rico ao pobre em um só hino, o negro ao branco em um abraço em meio a torcida enlouquecida gritando gol. Muitos de seus jogadores iniciaram suas carreiras jogando com bolas de meias, com os pés descalços, em algum campinho sem grama no alto do morro de alguma favela, servindo de exemplo para muitos que o esporte liberta, traz cidadania, e que quando se tem paixão, a esperança não morre em meio a pobreza e a falta de oportunidade.

O futebol é um campo onde só com talento e mais nada se pode pisar, ali não há a velha “mutreta” política, não tem dinheiro que faça um jogador permanecer no time se não for bom, não tem cor, não tem nada, o alimento do futebol é a raça.

O Flamengo, ou o flamenguista (acho que não há definição, acredito que eles sejam um só), pertence todo aquele jeitinho brasileiro, aquele molejo, a astúcia, e a facilidade de criar oportunidades em um campo repleto de adversidades, creio que seja assim a historia de vida da maioria de nós, brasileiros. Ele traz o sorriso sem vergonha a quem já perdeu os dentes, ele pinta o rosto do marmanjo que deixou a “nega” em casa e fugiu pro “Maraca” pra ver o “Fla” ser campeão, ele cria melodias para embalar a torcida e desequilibrar o adversário, ele sofre e clama aos céus pelo gol nos acréscimos, o juiz é sempre ladrão quando marca algo contra, a esperança sempre certa na vitória, acreditando dentro do peito que tudo pode ser possível, com luta, garra e vontade.

“Vencer, vencer, vencer”, este lema faz parte do hino de uma torcida, não só a do Flamengo, mas de todos nós brasileiros.

Parabéns a essa torcida que sabe torcer, e emocionar até mesmo quem não é lá muito fã dessa arte chamada futebol.

D.S.L

* Titulo em menção ao Hino do Flamengo, composição de Lamartine Barbo

Guarda e Espera…

As horas em oração não foram suficientes.

As palavras proferidas de um coração esperançoso não tocaram os céus, naufragadas em uma realidade conhecida à tempos, que por alguns dias foi esquecida por este sonho que de tão desejado plantou em meus olhos o brilho de um sentimento que dentro de você jamais existiu.

Não sou aquilo que você desejou ter. Sou o que a vida lhe trouxe e nada mais. Sirvo-lhe de ensinamento, aprendizado, força, sabedoria, esperança, como se Deus estivesse a usar-me para tornar-te pronto, para concretizar algo maior por alguma coisa ou por alguém que talvez não seja eu.

Acolho as tuas lagrimas que exalam com razão, quando lhe digo que mesmo que eu não esteja mais aqui, estarás preparado para viver algo maior do que isso que hoje sentis, e que não é amor.

Talvez por falta de escolha permaneces comigo, quem sabe em nome de toda a segurança obtida em meus braços, pelo carinho que recebes do meu olhar, por todo amor que meu infinito sentimento te dedicas mesmo não tendo desejado amar só, para não estar só, por não querer magoar-me.

Talvez eu seja a brisa leve que acalma os teus momentos solitários cheios de angustia e uma ansiedade proveniente do teu passado.

Quem sabe seja apenas ilusão de tua parte achar que será possível amar-me, ilusão tal sinônimo do meu sonho em conquistar a verdade do teu coração.

Difícil aceitar que ainda resisti em ti o sonho de que ela possa voltar, difícil saber que algo dentro de ti ainda a procura, e ainda ouvir de ti que seria loucura deixar-me por alguém que tanto lhe feriu, loucura, pois isto não é base segura para duas pessoas seguirem juntas.

Sentis encanto por mim, admira-me, gosta de minhas palavras, do meu modo louco e sonhador de encher a vida de cor mesmo em dias chuvosos como este, observa minha sabedoria como se eu fosse capaz de saber todas as respostas (não sabendo eu se quer responder se de fato o teu amor um dia será meu), deseja meu corpo, agrada-te a certeza de me saber tua; tudo isso em ti é transmitido por teus olhos e teu sorriso, mas a mim é clara a certeza de não ser amor, por mim tens todas as coisas, menos a maior delas e a que mais espero e preciso.

Não acredito que conheças o amor, não tens noção do que este sentimento é capaz.

Respira-se, luta-se, perde-se o medo,o pudor, o rubor, perde-se o chão, faz o dia ficar triste apenas com um não proferido do ser amado, magoa-se facilmente, e quando entorpecido de saudade enche os olhos de lagrimas, é uma quase morte estar em seus braços, e encontra-se toda a vida quando enxergado num olhar. É o único sentimento capaz de transformar, mudar, perdoar, e fazer vivo ate mesmo o que já esta morto, é mais do que tudo, profundo, infinito como a primavera que ainda não se encerrou e que em mim guarda e espera a chegada do verdadeiro amor.

D.S.L

Essa é a sua missão!

Vez ou outra é normal olhar a vida e acha-la um tanto sem graça, sem cor, sem algo novo que não nos acontece ao acaso, trazendo um vento diferente que leve nossa embarcação para outros rumos.

É compreensível ter a alma inquieta, almejar mudanças, novas experiências, e sentir-se entediado quando tudo se movimenta da mesma forma.

O que não consigo entender é quem vive, ou melhor, vegeta, tendo como titulo de sua historia: “a vida é sem graça”.

Gente que vive carregado de uma espécie de paralisia, não caminha: se arrasta, não respira: suspira, não enxerga: olha, não senti: percebe. Gente que usa o cotidiano para simplesmente fazer nada, que vive deixando a vida passar: não reagi, não agi, não assume, não assusta, não consome, não briga, não brinca, não sai da linha, não perde a pose, não desequilibra, não cai, não levanta, não ama, não trepa, não broxa, não erra, não acerta.

Incapazes até mesmo de sentir medo, vontade, desejo.

Muitas vezes culpam a falta de dinheiro por não viverem mais; noutras a falta de companhia; a timidez, a violência nas ruas, a vida marginalizada, o apontamento de alguns seres humanos insanos que culpam aqueles que apenas vivem, e são felizes e ponto final!

Digo-lhes: a culpa não é de ninguém, ou de coisa alguma, a culpa é de vocês! É sua! Pois lhe falta algo que move o mundo desde a criação sublime e perfeita de Deus: falta-lhe Vontade!

Vontade de sair, mas a grana anda curta? Meu caro: isso é um problema mundial, gaste no cartão, vá caminhar num parque, numa praça, pela avenida da sua cidade, vá pra “puta que pariu”, mas vá para algum lugar!

Esta sem companhia? Em casa sua solidão só vai piorar, nenhum desconhecido super-interessante que ira acrescentar coisas mágicas a sua vida, batera a sua porta, só porque você o espera. Vá atrás de pessoas edificantes, que discutem poesia, musica, política, moda, religião, que xingam a violência, que crêem no bem, que olham para o céu embriagados pela vida, e agradecem a Deus por estarem vivos, e felizes apesar de todos os impasses do caminho.

Timidez é charme, mas não seja um caramujo, saia do casulo, voe cada vez mais alto e cada vez mais longe. Medo de perder as asas em alguma queda? Acredite quanto maior o sonho maior a realização e não a queda. Mostre-se! Não é fraqueza, é força! Mostre-se ao mundo, sinta você a fundo, viva sem mascaras, transparente a ponto de fazerem visíveis seus ossos.

Violência? Seja mais um a vestir a camisa da paz, saia por ai a propaga-la, faça o bem a todos que covardemente lhe façam mal, pois como dizia o sábio: “Gentileza, gera gentileza”.

Vida marginalizada? Você mata? Você rouba? Você agride? Não! Então, marginais e devassos são aqueles que fazem o mal, que pensam o mal, que tiram de quem nada tem. Vampiros que caminham fantasiados de políticos, de religiosos que ganham dinheiro (muito) pela fé ingênua e alheia, de “malucos que não são beleza”, gente que se faz de amigo pra tirar proveito, que inveja, que se arma de ruindade e atira! Use contra eles o escudo da liberdade, da paz, do amor, da vida!Use contra eles a proteção Divina!

Viva!Viva!Viva! Enquanto todos os que você ama estão vivos, enquanto você caminha com saúde, enquanto seu coração pulsa sem uma veia entupida, enquanto seus pés suportem dançar, conte dinheiro para gastar, abrace, beije, ame, ame, ame!Sonhe!Realize!

Tenha historias para contar, pois até mesmo essa vida que você acha sem graça um dia vai acabar. Não espere pela morte. Viva! Essa é a sua missão!

D.S.L

Pela janela de nosso olhar tão traidor

Acredito que não existem verdades absolutas, a não ser aquelas que nós mesmos criamos como princípios, e que mesmo assim, muitas vezes são derrubadas pela transitoriedade dos acontecimentos que a vida nos impõem, fazendo com essas verdades amanheçam obsoletas.

Percebo que para algumas pessoas, e em muitas situações na vida, encaixa-se bem aquele velho ditado, ou verdade que constata que só damos valor aquilo, ou a quem perdemos. Fugindo a regra de que não existem verdades, infelizmente vejo o grande numero de historias que se fazem seguir por esse caminho vazio e perdido.

Pior do que não conquistar algo que se quer, é perder por não dar valor àquilo que se tem, convivendo com um arrependimento sabido dentro de si, muitas vezes indigno de indulto.

É do ser humano não dar valor aquilo que esta ao alcance de suas mãos, visão, sentido.

Em um namoro, por exemplo; quando de um lado o encanto se perde, percorrendo assim o caminho do termino libertário para um, e doloroso para outro. “O libertário” um dia se arrependera quando verificar que o “lado” que foi machucado, esta com outra, lindo, renascido das lagrimas que causamos, cheio de vida; Nesse encontro nos deparamos não com aquele “farrapo humano” que deixamos, mas com aquela pessoa que nos fez encantar um dia: livre, interessante, feliz, e que nós mesmos muitas vezes matamos com o cansaço, a falta de paciência, ou as aventuras que vemos passar pela janela de nosso olhar tão traidor, enquanto estamos aprisionados pelo coração; assim num impulso explodimos com fúria a porta que nos aprisiona, nos esbaldando então em dias de uma feliz libertaria, que logo mais trará novamente o frio da solidão e a busca pelo aconchego, agora perdido.

Reclamamos de coisas simples, ou melhor, não sabemos dar valor principalmente a elas, que são capazes de nos fazer uma falta absurda.

Seu carro é uma “porcaria velha” que só dá problema: experimente ficar sem ele.

Seu aparelho celular é velho, arranhado, não tira fotos, não tem mp3, é grande: experimente perde-lo, ou ser roubado.

Não quer comer o mesmo prato do almoço: pense em quem daria tudo por um prato de qualquer coisa.

O guarda-roupas esta cheio de roupas velhas, lembre-se de quem não tem se quer um guarda roupas.

Chateado pela gripe que o deixara em casa no feriado, prenda o nariz com as mãos e coloque-se no lugar de quem esta no hospital, e respira com a ajuda de algum aparelho.

Acordar segunda-feira para ir àquele emprego que você acha um “porre”, existe pais de família que se levantam sem saber o que colocarão na mesa ate o meio dia para matar a fome de seus filhos.

Seus pais o chatearão, lembre-se daqueles que sobrevivem apenas com a lembrança do colo de sua mãe já falecida.

Seu filho ainda pequeno derrubou aquele perfume caríssimo, pense nos pais que não tiveram a oportunidade de conhecer a travessura de um filho nascido morto.

Tudo tem seu preço, valor, estima.

Raras são as vezes que paramos para pensar no valor de cada coisa, pessoas ou acontecimentos impressos em nossas vidas. Poucas são as vezes que nos damos conta a tempo do que poderemos perder, daquilo que nos trará uma falta quase que vital se nos deixar.

Sei não sabido as coisas de amanha, porem procuro enxergar tudo o que tenho hoje, amando-as com uma intensidade que talvez possa machucar-me um dia, mas que com certeza não me trará o arrependimento de perde-las por minhas próprias mãos.

Preste atenção ao tempo que dedicas àquilo que amas, pois o próprio tempo é traidor daquilo que não sabes cultivar.

Não transforme a perda em uma verdade absoluta de sua vida!

D.S.L

*Atras da porta

Vejo o sol partir deixando o céu com tons claros, alanrajados, mesclados de um azul sem definição ao final de cada dia. Feito criança pergunto-me ingenuamente para onde vai o sol? Onde ira se esconder? Para que só então a noite chegue, repousando a lua em um céu que contara apenas com o brilho esporádico de cada estrela.

Aonde afinal de contas o sol descansa para amanha retornar?

Assim, pergunto-me para onde vai o amor, seja ele em qualquer tipo de relação, quando tudo acaba, ou muitas vezes aonde ele se esconde, voltando em alguma manha qualquer.

Quando assim como o dia colocamos um ponto final em alguma historia de nossas vidas, aonde por tempos fomos iluminados, aquecidos, alegrados por pessoas que como o sol adorna nossos dias de felicidade, vida, e cores que de repente perdem o brilho, a graça, a intensidade.

Pergunto-me aonde se escondi, ou em qual deposito de lixo se joga tudo o que antes nos parecia vital, tão vivo a ponto de nos fazer sentir o sangue pulsar com ainda mais força dentro das veias.

Onde guardamos, ou simplesmente desovamos os momentos todos, as melodias que juramos ser eternas perante alguma historia; com qual borracha mágica, insana apagamos da memória, do coração, das paginas da vida pessoas, que um dia julgamos ser tão grandes a ponto de completar a felicidade que cultivamos necessária para sorrir, e que em um momento anterior creditamos jamais, nunca esquecer, ou tão somente deixar ir embora.

Em que gaveta será depositada as fotos, lembranças, presentes, pequenos fragmentos de uma etapa a dois, que muitas vezes sem motivo aparente até mesmo para quem decidi ir embora, resolvendo atravessar a próxima etapa sozinho.

Afinal de contas como sentimentos tão sólidos de uma hora para outra se esvaem ao vento feito um punhado de areia que se tenta segurar na palma das mãos.

Então escuta-se: “você é uma pessoa linda, maravilhosa, não merece o que estou fazendo, na verdade eu nem tenho motivos, mas mesmo assim já não há razão em mim para continuarmos”

Como? De que forma? O que afinal de contas não conseguimos vencer para merecer o colo tranqüilo e concreto de um sentimento verdadeiro.

O que afinal deu errado? Em qual momento deixamos de ser necessários na vida daqueles que ainda amamos, como nos fazemos obsoletos numa historia onde no fim, ainda conservamos sonhos de um futuro programado a dois, onde nos resta na alma o desejo louco de continuar, tentando a todo custo fazer com que aquele que teima em ir embora, fique!

Para quem quer partir, tudo é tão simples, tão claro, tamanho o cheiro de liberdade que exalam e feito gás venenoso nos entorpece, quase que a provocar um choque anafilático entre o amor que ainda sobrevive e a realidade feliz de quem esta trancando a porta, e nos dizendo adeus.

Para quem fica, resta erguer a cabeça, tentando esconder os olhos sempre prontos a chorar, a alma sempre prestes a enlouquecer, o agir a explodir sem razão, a vontade louca de quebrar tudo o que ficou, e de acabar com tudo o que restou dentro de si mesmo por não entender, compreender, ou aceitar um amanha sem o sentido que a vida tomou, ao conhecer um sentimento que antes parecia infinito.

Há ainda nos braços o cheiro de um abraço que só será possível agora em sonhos que demoram a chegar, vez que o sono muitas vezes nos trai; há ainda todas as coisas não realizadas: viagens, historias, momentos que seriam contados a dois e que agora sobrevivem na imaginação de um só; há ainda tudo mais o que restou após você ir embora, porem há ainda a vida.

D.S.L

* Titulo em menção da musica de Chico Buarque

Plenitude

No mais agora nada se completa, me falta os teus olhos diante dos meus.

Tudo em vida agora pertence outras lacunas, isoladas daquelas antes de solidão, tudo agora chama pelo teu nome, por nosso amor.

Eu queria ver-te surgir, mesmo sabendo que isso é ilusão.

Não mais venho dizer-te para chegar, pois quero te pedir para nunca mais ir embora.

Não mais quero o teu abraço, desejo tua alma.

Não mais quero teu beijo, na verdade lambuzar teu espírito.

Não quero teu medo, nem teu respeito, jamais tua cordialidade, quero mais; Quero perder essa virgindade de amar enganada, de estar errada, de tentar novamente, contigo eu quero pra sempre.

Teu amor, tua vida!

Apagar de uma vez por todas dos teus olhos essas cicatrizes provenientes do teu passado.

Resgatar tua alegria inocente, ingênua de criança.

Amar-te, sem mais, com tudo, sem nada, quase ao perder a vida e só assim ter-te eternamente em mim.

D.S.L

Aγάπη

Senhoras, senhores, amigos, leitores, mundo, vida, Deus, anjos, Nossa Senhora Aparecida…

Ele existe e eu o encontrei, ele existi!

A vida enfim gratificou-me por todas as lutas, por todas as horas de inquietude e sofrimento, pelos momentos onde olhei para o céu esperando que talvez ele descesse de alguma nuvem, do sol, da lua, num rabo de foguete, ou preso em alguma estrela cadente.

Ele existe!

Hoje meus joelhos e minhas orações antes suplicantes para que ele chegasse, ajoelham-se em suplica para que ele resista a todos os obstáculos, as distancias, as lacunas que a vida criara, aos testes impostos pelo destino para que “ele” os vença provando assim que a tudo de fato suporta, espera, transforma; e que veio pra ficar.

Ele existe!

Hoje o vejo! Tem rosto, cheiro, gosto, sentido, direção.

Hoje o tenho em minhas mãos, em meu corpo.

Deita comigo todas as noites em minha cama, fazendo minhas mãos se juntarem em reza forte para que a saudade me deixe adormecer para com ele sonhar, inebria minhas madrugadas com cheiro doce de rosas enluaradas pelo orvalho, o mesmo cheiro que encontro nos teus abraços, no teu colo onde pretendo um dia morrer adormecida, para que então ele novamente viva em uma outra dimensão.

Traz a mim o brilho das estrelas que parecem bailar sobre minha cabeça antes de deixarem o céu, ao amanhecer o tenho em cada raio de sol, em cada folha que o vento sem lamento derruba das arvores, quanto entardeço não mais amedronta-me as horas sempre perigosas do por do sol, pois hei de te encontrar e em ti não mais sentir nada alem dele.

Senhoras, senhores, amigos, leitores…

Ele existe!

Sempre teve morada em mim, naquilo que sou, em cada sonho, a cada passo, todos os momentos, a cada respiração, a cada ilusão, em tudo em minha vida.

Ele existi!

Não mais em sonhos, não mais em preces, não mais em esperas, decepções, ilusões, sofrimento.

Ele existi!

Veio trazer-me paz, encher-me dele ainda mais, fazendo-me transbordar como uma flor cheia de néctar, pronta para ser bebida por sua abelha rainha.

Ele existi!

Senhoras, senhores, amigos, leitores… Digo-lhes valeu a pena esperar, valeu a pena, por ele viver, em cada instante mesmo distante esperar, valeu a pena o pranto, a vida, pois hoje como balsamo sobre todas as feridas eis que o vejo, eis que o tenho, eis que o percebo em cada parte do mundo, em cada pedaço de terra, em cada palavra por mim desenhada em folhas que agora se colorem por ele!

Sim! Senhores, ele existi! Não mais me faz chorar por dor e sim por felicidade!

Senhoras, senhores, amigos, leitores, mundo, vida, Deus, anjos, Nossa Senhora Aparecida…

Eu o sinto de forma antes não sabida, entontecida, tremula, suada, quente.

Acabam-se todas as outras historias vividas e terminadas.

Abrem-se a minha frente todas portas, janelas, palavras, pois eis que ele esta comigo, em meu peito tatuando meu coração com o teu nome, com a tua vida, com o teu amor que a mim pertence, com teus olhos que agora são meus.

O universo hoje se resume em Deus, em mim e em ti para todo o sempre enfim.

Ele existi e atende pelo nome de Ágape!

D.S.L

Ps.: Amo você e tu me amas enfim!

Eu quero te conhecer melhor!

Olá amigos, leitores, e todos mais que por aqui estejam vez ou outra passeando!

Por não ter noção de quem passa por aqui e muitas vezes não sente-se a vontade para postar comentários, gostaria de lhes conhecer melhor, para tanto vou deixar e-mail para contato, criticas, xingamentos, etc. (risos)

Quero poder saber o que vocês pensam! Sobre os textos, sobre vocês, enfim, estreitar laços!

Entonces :

Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=10713320920641463193

e-mail: ela17g@bol.com.br

Agora é com vocês!

Forte abraço a todos e obrigado!

D.S.L

O convite

Queria amanhecer em um dia de sol, daqueles que de tão iluminados ofuscam os olhos. Dias com pano de fundo azul, e nuvens carregadas de uma transparência que passeiam pelo céu bailando no ritmo da vida, o mesmo das pessoas, que então irradiadas por tamanha beleza saem de casa a procura de calor, alegria, como quem brinda a vida.

São dias que parecem nos cutucar e dizer: “Hei! Você: vem viver, vem aproveitar esse dia lindo! Vem experimentar o que a vida pode lhe trazer em meio a esse azul, transfere para imensidão de cada nuvem um sonho teu, e permita que os raios de luz escureçam tua visão a ponto de não reconheceres o que esta a tua frente, e mesmo assim caminhar!”.

Existem pessoas que não ouvem este chamado da vida, e mesmo diante de dias como estes permanecem na inércia.

O mesmo pode acontecer em uma tarde de verão, onde após um dia árduo de calor a chuva forte que refresca a terra, exala perfume de um solo cansado e seco invadido pela água, temos em nós como se assim fossemos parte desta “terra”, pequenos solos espalhados pela vida, muitas vezes secos e cansados, nos vêem a mesma vontade de ser regados pela água fresca, fluida dos céus, para então voltar a exalar não o perfume da terra, mas renovar o cheiro da vida, que em nós muitas vezes é enfraquecido pelo cansaço e a secura de acontecimentos que nos tira o viço nos fazendo brilhar um pouco menos a cada dia.

Deleito-me em dias de sol, manhas que inauguram o dia com o cantar dos pássaros, tardes enfeitiçadas por uma luz cósmica e adornadas assim por iguais a mim com conversas em praças, campos, montanhas, varandas, embaladas por melodias que disfarçam as dores de uma semana inteira, a vida decorrente do cotidiano sempre tão igual e imenso.

Deleito-me no cair do sol, na vinda veloz da primeira estrela que parece correr da lua, sapeca, chamando-a para pousar sobre o lugar do dia e assim não deixar o céu sem luz com a chegada da noite. Convidando novamente a todos a viver então o mistério da vida sobre o brilho diante da escuridão pontilhada de luz do infinito espaço.

Deleito-me sobre a chuva, exalo o perfume enfraquecido ora pela vida, ora por mim, ora pelo coração; dançando feito louca, tirando som das poças, convidando a todos feito criança a também revigorarem a alma pelo mesmo néctar que a tudo faz florescer.

Muitos não aceitam meu convite, balançam a cabeça de um lado a outro, julgam eu estar louca, embriagada, sem nada de importante a fazer na vida, vagabundagem, molecagem! Outros sorriam timidamente, e nos olhos vejo a vontade de estarem ali comigo, mas são mortos pela falta de coragem. Alguns aplaudem, e sem muito pensar mais o “porque” de tudo, despedem-se de sapatos pesados e logo estão descalços a brincar comigo;

Assim vou deixando os que me julgam, assim vou passando pelos inertes que desperdiçam dias de sol, tardes de chuva, noites enluaradas, loucas e enfeitiçadas pelos mistérios da vida. Assim vou me abandonando dentro de mim, explodindo de melodia, exalando o perfume dos dias, com olhos repletos de uma alegria não minha e sim guardada da criança que fui um dia. Assim vou caminhando, passeando pela vida, trilhando minha historia, sempre convidando a quem queira comigo viver tudo aquilo que Deus nos oferece de todas as formas; e sempre saudando a vida, seja ela num instante de dor, ou em um momento de alegria, com um sorriso que jamais se cansa de esperar.

D.S.L

*Imagem do filme Dançando na chuva