“Eu teria um desgosto profundo, se faltasse o flamengo no mundo”*

Não entendo muito, posso até dizer que não sou fã de futebol, time ao certo nem tenho, gosto mesmo é da festa, da farra, em Copa do mundo até estudo, pois visto uma camisa chamada Brasil.

O que me emociona é o modo como à torcida entra em campo junto a seu time de coração, e se esquece um pouco das dores da vida, das conquistas que não foram possíveis.

É visível no rosto de cada torcedor a paixão ao ver seu time em campo, é como se cada um ali na arquibancada fizesse parte do jogo, hora sendo campeão, hora sofrendo com a perda, empatar também não é bom, felicidade mesmo é sair do estádio, ou seja, lá de onde for, de peito erguido, colorindo a vitória com as cores de seu time.

São milhões de treinadores, jogadores, comentaristas, artistas da vida, que usam a arquibancada como palco.

Xingam, gritam, cantam, extrapolam, e explodem quando chega a hora sublime do gol.

Esse final de semana pude acompanhar pela televisão o show de uma torcida mundialmente conhecida: a torcida do Flamengo.

É de arrepiar ver o Maracanã coberto de um vermelho e preto vibrante e cantante.

Em seu próprio hino eles decretam: “Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo”. De fato, seja para torcer a favor, seja contra, seja para maldizer a marra de todo flamenguista, ela é sem duvida nenhuma uma das torcidas mais bonitas do Brasil e porque não dizer do mundo, portanto é certo que a todos seria um desgosto profundo se nos faltasse o Flamengo no mundo.

Cada Flamenguista parece viver uma espécie de transe quando vê seus onze jogadores, ou guerreiros como eles mesmos gostam de dizer, entrar em campo, vestindo o manto vermelho e preto, clamam pelo suor de seus representantes, transformam cada jogo num campo de batalha, armando os pés com a desenvoltura proveniente de um talento que lembra uma espécie de balé, claro que sem nenhuma classe ou leveza, pois estes vestem a camisa para chutar, atropelar e escalpelar a rede ao fazer gol.

A torcida do Flamengo em especial traz um pouco de tudo o que é Brasil, une o rico ao pobre em um só hino, o negro ao branco em um abraço em meio a torcida enlouquecida gritando gol. Muitos de seus jogadores iniciaram suas carreiras jogando com bolas de meias, com os pés descalços, em algum campinho sem grama no alto do morro de alguma favela, servindo de exemplo para muitos que o esporte liberta, traz cidadania, e que quando se tem paixão, a esperança não morre em meio a pobreza e a falta de oportunidade.

O futebol é um campo onde só com talento e mais nada se pode pisar, ali não há a velha “mutreta” política, não tem dinheiro que faça um jogador permanecer no time se não for bom, não tem cor, não tem nada, o alimento do futebol é a raça.

O Flamengo, ou o flamenguista (acho que não há definição, acredito que eles sejam um só), pertence todo aquele jeitinho brasileiro, aquele molejo, a astúcia, e a facilidade de criar oportunidades em um campo repleto de adversidades, creio que seja assim a historia de vida da maioria de nós, brasileiros. Ele traz o sorriso sem vergonha a quem já perdeu os dentes, ele pinta o rosto do marmanjo que deixou a “nega” em casa e fugiu pro “Maraca” pra ver o “Fla” ser campeão, ele cria melodias para embalar a torcida e desequilibrar o adversário, ele sofre e clama aos céus pelo gol nos acréscimos, o juiz é sempre ladrão quando marca algo contra, a esperança sempre certa na vitória, acreditando dentro do peito que tudo pode ser possível, com luta, garra e vontade.

“Vencer, vencer, vencer”, este lema faz parte do hino de uma torcida, não só a do Flamengo, mas de todos nós brasileiros.

Parabéns a essa torcida que sabe torcer, e emocionar até mesmo quem não é lá muito fã dessa arte chamada futebol.

D.S.L

* Titulo em menção ao Hino do Flamengo, composição de Lamartine Barbo

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

Uma consideração sobre ““Eu teria um desgosto profundo, se faltasse o flamengo no mundo”*”

  1. Nossa, me emocionei ao ler esse texto lindoo, esse texto exprime muito bem a paixão dos torcedores por seus clubes. Eles cantam, vibram, choram por amor ao seu clube, e a torcida do Flamengo sem comparação sabe fazer uma grande festa nas arquibancadas para apoiar os seus guerreiros que ali no campo entram para suar e honrar o manto Rubro-Negro. Psrabéns a todos os torcedores que sabe torcer com amor e sem violência. 😀 o/

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