Quem imita quem?

Há quem não goste de modo algum, ache uma espécie de arte pobre, alguns nem a consideram arte, mas a verdade é que o Brasil quase que inteiro se rendeu a pelo menos dar uma espiada no que estava acontecendo no folhetim Avenida Brasil.

A historia começou de modo trágico com mortes, abandono e a falta de escrúpulos de dois dos personagens centrais, até então nada muito diferente do que se passa em quase todas as novelas, não fosse a coragem da “mocinha” desde muito nova para enfrentar seus algozes.

A vingança desmedida foi o tema central do enredo, pouco a pouco, a mocinha não tão “mocinha” assim começou a mostrar suas garras em prol de tirar o sossego daqueles que ela julgava merecer uma lição, sua sede era tão grande que não se limitou quando precisou “abrir mão” de seu amor de infância, ou de qualquer outro que fosse contrario a sua vingança, por mais falta de amor que a mesma viesse a padecer.

Muitos são os fatores que “prenderam” os telespectadores ao folhetim durante todos esses meses que permaneceu “no ar”, todos os personagens eram um tanto quanto caricatos, remetiam historias simples, cotidianas, podíamos identificar neles nos mesmos, e acredito que assim se fazem grandes historias, pois afinal a arte imita a vida, tudo bem que sempre recheada de muito mais emoção, lirismo, delírios, e belas paisagens, com direito a passagens no tempo que muitas vezes poderiam acontecer também na vida real, para que mais rápido o tempo levasse de nos tudo o que nos separa do final feliz sempre tão aguardado.

Trazendo muito da novela para nossas próprias vidas, quem é que não se pergunta o que vai acontecer quando um problema ou outro deixar de existir, quem não quer que o tempo se apresse para que as férias aconteçam, aquela promoção na empresa, uma mudança brusca diante de um sonho realizado, quem é que não sonha com um: “e foram felizes…”.

A expectativa para o final é apaixonante, porque assim como na vida, nos também ficamos a imaginar, e sonhar, e querer justiça, e vivenciar amores que dão certo, pessoas que vencem seus limites e conquistam suas vitórias, ficamos ali depois de algum tempo ainda suspirando e imaginando o quão melhor poderia ser a vida se ela imitasse a arte, mesmo quando temos no coração a sapiência de que o autor nos ama, e escrevera tudo da melhor maneira, não tem jeito: como meros telespectadores ficamos a frente da vida querendo dar palpites em uma obra que tão pouco nos pertence.

O final desse folhetim foi surpreendente pra quem soube enxergar a verdadeira essencial do que o autor quis dizer. A mocinha na verdade não queria apenas vingança, o que ela esperava de sua algoz era que a mesma enxergasse um caminho diferente e honesto para a própria vida. Para os que conseguiram olhar a historia por esse ângulo vale a pena refletir, pois talvez seja o que esta faltando as pessoas: desejar que o outro cresça, e se torne melhor, com novos pensamentos, sentimentos e valores de humanidade, compaixão e união.

Tivemos uma vilã e tanto, que com toda certeza chamou mais atenção do que a mocinha, pois fomos descobrindo que as chances para que ela fosse diferente eram poucas diante do histórico de sua vida, pois é tipo de pessoa que desde muito cedo precisou aprender da pior maneira que a vida não é cor de rosa.

O grande final superou todas as especulações: a vilã como em tantas outras historias, poderia ter terminado louca, presa, morta, sozinha, derrotada, poderia ter fugido do país, libertando-se de seus crimes passados e pronta para cometer outros mais, mas não!Nada disso aconteceu, e a vilã terminou perdoada, abraçada a sua vitima em um choro compulsivo que remetia paz de espírito por estar liberta da falta de amor que sempre blindou seu coração.

Avenida Brasil deixou em nós a sensação de que tudo pode ser perdoado, haja o que houver, por mais difícil que seja, e perdoado da melhor maneira: selado com um abraço firme e verdadeiro.

D.S.L

*Imagem Rede Globo

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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