Não posso bater nele!

Sinto um medo absurdo dentro de mim, tenho cinco anos, hoje é meu primeiro dia de aula, deixarei tudo o que me cercou durante todo esse tempo pra que afinal de contas? Dizem que vou fazer amiguinhos, e brincar, mas gosto de ver televisão pela manhã, meus desenhos preferidos, e ainda tem a minha chupeta, na escolinha não vou poder levá-la, tão pouco minha boneca preferida que chamo de bebe.Minha mãe segura forte a minha mão, não entendo pra que escolinha, pois já aprendi a escrever meu nome, e eu sei que a maioria das crianças que estão lá não sabem, alguém que não conheço parece estar vindo me buscar, e então eu agarro minha mãe, porque eu não quero ir, choro, grito, esperneio, mas não tem jeito, minha mãe solta a minha mão e tenta me acalmar dizendo que vou gostar, que vai ser bom pra mim.

Algumas outras crianças não choram, outras choram, umas parecem com sono, outras estão encantadas, sem medo algum, enquanto tudo o que mais quero é voltar pra casa.

Hoje sei o por que de tudo isso, não era medo do novo, mas sim das pessoas, queria aprender, mas tinha medo das pessoas que não conhecia, era como se alguém pudesse me fazer um mal horrível, e então quem iria me proteger, minha mãe não estaria ali, e se alguém me batesse ou algo parecido? Como bateram, apanhei algumas vezes, até saber que também podia bater, e então depois de saber que podia revidar, deixei de ter medo.

Passado tanto tempo, é como se o mesmo medo estivesse de volta, mas diante dele não posso revidar, não vou poder bater em ninguém, e assim o medo permanece aqui, batendo em mim, latejando em minha cabeça, bagunçando meu coração. Não posso contar a ninguém, porque cresci e vão me achar muito boba, e mesmo que muitas pessoas amparem minhas mãos, o medo permanece, porque ninguém vai poder sentir esse medo, não posso trocar de lugar, não posso ir embora, não posso desistir, vou ter que seguir em frente, como alguém que caminha no escuro, com o peito acelerado, porque o escuro é o oculto, carrega o desconhecido, e mesmo com algumas luzes acesas, ainda tenho medo, pois meus olhos não sabem o que vou encontrar na claridade quando puder enxergar.

Porque eu cresci, e ainda que de vez em quando, eu tenho medo!

D.S.L

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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