Das paradas de ônibus, impossibilidades e sentimentos

Outro dia ao esperar os vários ônibus durante o percurso de ida e vinda para o trabalho, observando pessoas como de costume, chamou-me atenção os vários casais que estavam formados.

O primeiro deles – antes de começar a contar lembro a vocês o quão graças a Deus sou liberta de qualquer preconceito – mas voltando ao assunto, o primeiro casal era o de dois jovens: um negro e uma menina muito branquinha e delicada…

Fiquei a pensar não nas cores que se misturavam, mas sim nos vários obstáculos criados por eles mesmos para ficarem juntos: ele por varias vezes deve ter se indagado: de que maneira chegaria ate ela, deve ter sentido medo, noites ensaiando a melhor forma de dizer estar apaixonado, analisando todas as impossibilidades, deve ter muitas vezes se recusado a falar certo de que era o que deveria fazer, pois sempre, diante de um sentimento maior nos impomos regras, maneiras, nos vendo invadidos muitas vezes por situações passadas que naufragaram submersas em meio aos muros que nos separam de forma monstruosa do muito que acreditamos ser possível.

Imaginei a declaração dela ou dele, repleta do receio tão enorme do “não”, para logo em seguida seus corações acreditarem que um simples “sim” poderia vencer todo o resto.

Em um outro ponto, a espera de um outro ônibus, um casal de jovens, belas dentro dos parâmetros criados pela sociedade, criticava um casal a sua frente: uma mulher de curvas exageradas – sim, curvas exageradas, pois pra mim não existe gente gorda, mas sim dotadas de curvas avantajadas – e um rapaz que mais parecia um “Deus” grego devido as feições suaves de seu rosto e o corpo esculpido, pois bem, o casal de moças estavam inconformadas, pois como alguém tão belo poderia estar com uma pessoa tão desproporcional a sua imagem. As duas seguiam fazendo comentários do tipo: “deve ser por dinheiro”, “mas se fosse por dinheiro não estariam esperando o ônibus”, deve ser… por… E continuaram se indagando, enquanto o tal casal se abraçava e se beijava cada vez mais alheios ao som de qualquer inveja, de qualquer tipo de olhar maldoso que nada sabe do amor.

O que mais me impressionou neste ultimo casal, ou melhor, nos comentários maldosos que as tais moças fizeram, é o fato de que ninguém indagou que eles se amavam e que isso era tudo o que bastava, minha vontade era der ter alteado meu pensamento ate que minha voz gritasse: eles estão juntos suas recalcadas porque se amam.

O que entendo por sentimento é que só o amor une as pessoas, só ele é capaz de fazer essa magia acontecer, não amamos o magro, o perfeito, o belo, não amamos o sexo oposto, o do mesmo sexo, ou os dois sexos, amamos pessoas, amamos aquilo que os olhos não conseguem ver, mas que o coração sabe bem como enxergar e traduzir.

Não somos capazes verdadeiramente de escolher este ou aquele a quem amar, não temos o mínimo de cuidado ao se envolver, a paixão acontece, os olhos se cruzam e as portas se abrem, é por isso que tudo é capaz de ser possível, basta para tanto que o sentimento seja verdadeiro, e que todas as outras impossibilidades monstruosas que criamos sejam menores, tão pequenas quanto o que vão pensar ou dizer, tão pequenas quanto nosso sentimento de ridicularidade, tão pequenas quanto as pessoas pequenas que nos enchem o ouvido quando permitimos que elas destruam nossas esperanças.

Se for verdadeiro, FALE!

D.S.L

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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