Da fé, das asas, dos sonhos, do tempo.

As asas não perderam as forças, continuam firmes, e maiores.

Deixaram de voar por algum tempo, pois o vento não era favorável, e desrespeitar a natureza pode ser perigoso, alem do mais era preciso descansar, quando mais jovem e consequentemente imatura, voava sem cessar, não havia tempo ruim, e isso a fez enfrentar tempestades, chuvas, dias quentes, noites frias, foi preciso parar na montanha mais alta, e só então contemplar o horizonte e decidir para onde ir novamente.

Talvez esperar uma nova primavera fosse a melhor opção, porem dessa vez não se deixaria cegar pela aparente beleza e tranqüilidade de um jardim florido, recordou-se que outrora despencou em meio a flores, e os espinhos que lhe feriram de modo a lhe fazer sentir medo, por muito pouco não lhe fizeram deixar de acreditar, tal situação lhe fez pensar que não voltaria a ter fé, tamanha as feridas que lhe fizeram adoecer.

Adoeceu da alma, tamanha a dor chorou lagrimas silenciosas, que de tão fortes não se permitiam molhar o rosto, pois poderiam esfacelar a face em cortes profundos.

Descreu do mundo, por dias esteve diante de brancos, nada parecia ter lhe restado a não ser o grande vazio de sua existência, todas as suas lembranças, as melhores delas cultivadas há anos por uma vida cheia de encantos, eram então tachadas como ilusão.

Descreu de sentimentos, tudo e todos pareciam pertencer a um planeta distante, onde ninguém tinha importância, ninguém entendia, e a vida era algo desolador, pois passou a acreditar que tudo era aquilo que parecia ser e nada mais.

A rosa deixou de ser vida, o céu era apenas um espaço azul manchado de branco, as folhas secas pelo chão eram apenas folhas secas, o companheirismo mera moeda de troca, o ninho mais um desencanto: você é pouco demais.

O amor, este sim, lhe feriu mais do que qualquer espinho, foi ele o culpado de todo o resto, foi ele o algoz que lhe trancara nesta anti-vida, a falta dele lhe tirara o desejo de sorrir, o sonho de se encantar e de se entregar a paixão de viver tudo, a falta dele quis lhe arrastar pelo chão, sua ausência se tornou mais forte do que o desejo de encontrá-lo.

Ninguém conseguiu entender, ninguém consegui enxergar o quanto tudo doía, o tamanho do vazio e da distancia que se agigantou entre sua alma e sua vida, não se permitiu tocar por mais ninguém, como um bicho acuado afastou-se de tudo, desejando ser outra criatura, querendo não mais ter asas, enquanto quase que ironicamente todos desejavam apenas o seu retorno, queriam novamente sua força, seus sonhos cegos, sua fé inabalável naquilo que nunca existiu, ninguém desejara de verdade que seu sofrimento cessasse, desejavam somente que ela voltasse a voar, mostrando-lhes assim tudo o que suas enormes asas contemplavam.

Sentia-se prisioneira de seus dias, a noite lhe caia como alivio: tinha pressa para adormecer e vontade de não acordar.

Muitas foram as vezes que caminhou a passos lentos em direção ao abismo, inúmeras as chances de se deixar cair, pois se mantinha distante sua vontade de sentir vontade.

Ate este momento mesmo as palavras sempre tão amadas estiveram mudas, difícil tarefa traduzir situação tão triste, esforçava-se para ver, mas as lagrimas secas cegavam a beleza de seu olhar.

Questionou-se!

Todas as respostas a quais parecia ser dona, não tinham mais os mesmos fundamentos, precisava entender, descobrir a verdade, e a vida lhe trazia na bandeja apenas mais uma ilusão, teimando em sussurrar ao seu ouvido que tudo passaria, e que seu encanto era inabalável, ela lhe queria como fortaleza, como estrutura concreta para seus sonhos mais belos, e a cada passo sua busca pela verdade se tornava cada vez mais obsessiva.

A verdade lhe foi dada, se desfez da armadura de guerra que havia adquirido para lutar contra seu sentimento de ser feliz, livrou-se do desejo de não desejar, incumbindo ao tempo que lhe respondesse amanha as duvidas de ontem.

Diante da fé recuperada, do céu azul cheio de magia, da rosa vaidosa de encanto, do abraço protetor, do olhar que silenciosamente entende, das folhas secas que servem de barquinhos para as gotas de chuva, do ninho quente o qual sempre se é esperado de braços abertos, seu primeiro desejo foi o de cerrar os olhos, tomar o ar como laço, e levantar voou em busca de tudo aquilo que sempre esteve a sua espera, onde sua chegada é aguardada em festa por anjos que lhe saudarão.

D.S.L

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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