Por entre ruas estreitas

Outro dia me peguei pensando e sonhando o sonho dos outros, me imaginei em uma outra realidade, onde todos a minha volta tinham quase tudo o que queriam.

“Quase tudo”, por que neste meu sonho ou devaneio, havia algumas regras tais como: não desejar o que é do outro, não querer destruir ninguém, não desejar algo que servisse de trampolim para saltar sobre o outro esmagando-o, e principalmente não deixar que o sonho o transformasse em alguém incapaz de sonhar mais.

Nesse meu “sonho” era possível ter tudo o que se pudesse sonhar, desde que o desejo fosse motivado por paixão, alegria, vitória, o sonho só seria possível diante de bons sentimentos.

É confuso imaginar certas coisas, afinal de contas o que você faria se a vida lhe desse aquilo que você mais sonha?

Fui caminhando pelas estreitas ruas desta minha imaginação, na penumbra da noite avistei uma mansão em festa, um amigo havia acertado na loteria, seu sonho era ser rico, ter bons carros, casas, quando ainda desprovido desta condição dizia que queria ajudar ao próximo, enriquecer a vida alheia de uma esperança gratuita que só faz fazer bem ao coração de quem a distribui; quando me avistou a porta me abraçou dizendo: “Entre minha cara! Coma, beba, é tudo por minha conta, é tudo meu!”; era nítida a arrogância e prepotência que o dinheiro havia lhe dado, rodeado por falsos amigos que só estavam ali por interesse tratava a todos como mais uma das “coisas” que seu brinquedo de papel timbrado pode comprar, quando o indaguei sobre suas obras em prol do outro, ele gargalhou dizendo: “ora que outro?”, olhando fundo em seus olhos em silencio, com o desapontamento estampado na face, o fiz lembrar das promessas que seu próprio sonho havia lhe tirado, ao derramar uma lagrima, estava novamente na rua estreita, e no local da casa onde acontecia a festa não existia mais nada.

Atravessei mais algumas ruas, e ao dobrar uma esquina me deparei com um rosto amigo estampando em um outdoor, a placa abaixo da casa de shows indicava que o espetáculo iria começar, corri para o guichê onde a atendente me informou: “você teve sorte, a casa esta lotada, esse era o ultimo lugar”. O deslumbre por aquele sonho realizado era nítido em meus olhos, quantas e quantas lutas haviam sido travadas até aquele instante onde ao abrir das cortinas tudo parecia ter acontecido como em um passe de mágica. A platéia aplaudiu de pé, fotógrafos correram para o camarim, fãs se amontoavam para conseguir ao menos lhe ver de perto, queria apenas lhe dar um abraço que lhe diria o quão orgulhosa eu estava, porem um de seus assessores ao retornar do camarim depois lhe dizer que eu estava ali, me entregou apenas uma foto com um autografo, lembrei de seu antigo “eu” que me prometeu que estaríamos sempre juntos, mais uma lagrima voltou a cair de meu olhar, com isso retornei a rua estreita, no lugar da casa de shows não existia mais nada, e o outdoor que antes estampava seu rosto estava em branco.

Passei por mais algumas ruas, casas, luzes acesas, deparei com alguns amigos que continuavam do mesmo jeito e pensei: porque eles não haviam realizado seus sonhos, querendo esquecer-me das regras primarias sabiamente impostas para aquela concessão maluca.

Continuei caminhando, quando me deparei com uma rua sem saída, onde havia uma única casa com um vasto jardim de frente, repleto de bancos, estatuas, flores, quando você me avistou correu ao encontro do meu abraço, agradecendo-me por eu ter sonhado, por eu ter mantido em mim, em minhas orações o desejo de aquele seu sonho se realizar, na verdade não sabia qual era seu maior sonho, cada um que havia sido agraciado por sua conquista havia se perdido, mas você não, continuara o mesmo, foi quando o indaguei, e então desta vez a lagrima não partiu de meus olhos, mas sim do seu choro agradecido que respondeu a minha pergunta com um sorriso emocionado:

_ Meu maior sonho era o de encontrar o verdadeiro amor, eis que estou diante dele, pois ao amar verdadeiramente desejamos apenas que todos os sonhos do ser amado se tornem realidade. O seu amor realizou o meu maior sonho, o sonho de se saber ser amado.

Sublime seja o amor, que de tão generoso deseja que o outro conquiste a felicidade de ter seus sonhos realizados.

D.S.L

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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