Para a solução de alguns problemas: use fones de ouvido!

Sempre abominei este sentimento, mas outro dia por mais que lutasse contra ser invadida por ele, eu “o” senti com uma força quase que absurda.

Senti inveja! Mas calma, não é daquelas invejas feias de querer ter o que é do outro, não sei bem também se ao certo posso chamar este sentimento de inveja, pois ele mais se parece com aqueles momentos nostálgicos que vez ou outra sentimos ao longo dos anos.

Era tarde de sexta feira, fim de mês, dia de fechamento de relatórios, notas, pagamentos e demais estresses no trabalho, aquela correria para iniciar o mês seguinte sem pendências, etc.; atrelado a isso tudo, preocupações como: faturas de cartões de créditos, prestação de carro, mensalidade da faculdade, e ainda um turbilhão de emoções, sentimentos e acontecimentos novos, enfim…

Certa hora sentindo-me sufocada de tanta pressão decidi parar tudo, e respirar um pouco, desci os dezoito andares do prédio comercial onde trabalho, ouvindo a voz eletrônica do elevador informar andar por andar (ninguém merece todos os dias ouvir essa voz, ainda mais quando tudo parece lhe irritar).

Chegando a portaria recostei-me na pilastra do jardim, passando a observar o que estava ao meu redor: uma construção barulhenta à minha frente, com seus trabalhadores rezando para o relógio enlouquecer e apitar a tão esperada dezoito horas da sexta feira, carros apressados com suas buzinas chatas pra lá e para cá, pessoas e mais pessoas, idosos, jovens, adultos, mulheres, crianças, uns aflitos, outros carrancudos, alguns sorridentes, tristes, muitos com aparência cansada, alguns com pressa, outros pacientes, e por ai vai.

Nenhum desses haviam despertado em mim qualquer sentimento alem do desejo de observação, foi quando um grupo de adolescentes se aproximou de onde eu estava.

A turminha devia contar com uns tres garotos e quatro garotas, calçados de tênis bem confortáveis, jeans, camisas de algodão com estampas de bandas e ídolos da juventude atual, óculos escuros com armações coloridas, relógios grandes de diversas cores e modelos, dois deles estavam ainda com fones de ouvido, certamente ouvindo algo da modinha musical, tão tranqüilos em suas vidinhas, tão sorridentes, tão sem grandes e graves problemas, cheios do frescor da vida, cheios de tantas novas emoções, cheios de algo que naquela tarde estava tão distante de mim, cheios de uma “cuca fresca”!

Quando se é adolescente em geral se tem três grandes problemas apenas: as espinhas, a aceitação em algum grupo, e o primeiro beijo.

A escola não é motivo de preocupação, afinal de contas, papai e mamãe sempre estão prontos a perdoarem uma dependência ou notinha vermelha recuperável no período seguinte.

Contas? Nada que uma solicitação de aumento de “mesada” não resolva.

Crise financeira mundial, ascensão profissional, mestrado, doutorado, guerras, maldade, violência, política, solidão; “Poxa! Me da um descanso eu tenho apenas quatorze anos, meu mundo ainda é diferente desse que vocês construíram, vou pensar nisso mais pra frente, quando eu tiver que me preocupar de fato…”.

Se eu pudesse dar um conselho a todos estes adolescentes ou pré-adolescentes… Eu lhes diria que este é o momento de manter mesmo a cuca fresca, claro que atentos aos estudos e demais pequenas responsabilidades impostas, diria também para construírem desde essa época um laço forte de amizade principalmente com seus pais pois senão eles podem se tornar estranhos, para procurarem cultura em musica, pintura, cinema, literatura, abrindo a mente para que  cresçam e se transformem em adultos mais belos, sensíveis, dotados de sabedoria e educação. Aconselharia a tirarem fotos, muitas fotos, de todos os momentos vividos nessa fase, registrem esse frescor em seus rostos, esses sorrisos que mudam tanto com os anos… Respeitem e escutem as historias de seus avos e de todos os idosos que encontrarem, pois um dia eles deixarão saudades.

Experimentem, provem, sejam exagerados ao encontrar o primeiro amor, apaixonem-se ao deliciarem-se com o primeiro beijo, imaginem o fim da vida e a morte social por estarem de castigo (merecido) impossibilitando a curtição naquela festa em que todo o resto da turma vai, jurem amor eterno, jurem ódio mortal, mas prometam para si mesmos que diante de todas essas novas sensações, emoções e acontecimentos, decidirão pelo bem, por viver em paz, ao errarem analisem o erro, peçam ajuda, peçam conselhos, escute-os, pois não se deve esquecer que é nessa fase que construímos a estrutura para uma vida adulta mais feliz.

Mas voltando ao assunto inicial, a motivação da minha inveja foram os tênis coloridos, os relógios da moda, o jeans rasgado, os fones de ouvidos e principalmente a cuca fresca tão distante de grandes e graves problemas que caminham lado a lado com a vida adulta.

Ao retornar para minha sala, ouvindo a voz eletrônica do elevador por dezoito andares, sorri ao chegar a minha mesa, decidida a solucionar esse problema com um ipod novinho e fones de ouvidos.

Essa molecada tem mesmo muito a nos ensinar (risos)!

D.S.L

 

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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