Mãe é uma só, e pai não pode ser qualquer um

Ter um filho com toda certeza é a maior das obras que um ser humano pode vir a realizar na vida, a mais trabalhosa, dedicada e complexa também.
É como lançar no mundo um pedaço seu, que percorrera caminhos onde só seu coração muitas vezes poderá estar, viver experiências onde seus pés não alcançarão.
Imagino quão difícil é aceitar que aquele ser proveniente de uma união sua com outrem, que abriga traços diversos de sua aparência física e personalidade, na verdade é uma outra pessoa, que seguira caminhos que não serão como os traços desenhados por você.
Para as mães a ligação com um filho vem deste o útero, desde o primeiro momento em que se sabe estar realizando o grande milagre da vida, não só cheias de vida, as mães ficam cheias de algo bem maior, um bem querer infinito, um amor incondicional, iluminado. Carregam dentro de si algo proveniente da permissão divina.
Enquanto aos pais, resta esperar do lado de fora, tentando sentir através do amor que nasce no peito quando se descobre pai, ligar-se de alguma forma desde o ventre com aquela criatura.
Com toda certeza ser pai é bem mais difícil, pois esta ligação precisa ser construída, com detalhes talhados e iluminados por ambas as partes, ser pai e filho, é uma relação que necessita de algo alem do sangue, dos traços, da historia, do cotidiano.
A sociedade diz que pai pode ser qualquer um, mas não é assim tão simples.
Pai tem que ser aquele que enche-se de orgulho ao ter o filho nos braços na saída da maternidade, após esperar nove meses para senti-lo; lá vai ele, mostrando ao mundo enfim, sua participação naquela vida.
Pai é aquele que senti vontade de chorar quando vê o filho em prantos, sabendo que assim será pelo resto da vida; que ao carregar-lo nas costas ainda menino ou menina, apontado-lhe as coisas do mundo, as curiosidades da vida, compartilhando aquilo que um dia lhe foi também ensinado. É perceber-se criança novamente ao correr para casa depois de um dia cheio de trabalho, louco de vontade de brincar; descobrir-se encantado ao segurar uma boneca brincando de casinha, ou mesmo técnico de futebol para acompanhar o sonho de seu menino, é lambuzar-se de sorvete, e sem medo de parecer criança ver-se menino novamente.
Ser pai é deixar que lhe roubem a vida, com um sorriso cheio de uma inocência qual pertencente a um anjo, é deixar-se parecer tolo, dominado, de homem criado permitir-se ludibriado por alguém que ainda faz xixi nas calças; e que corre para os seus braços quando senti medo do escuro, do bicho que mora no armário; ser pai é entregar-se ao filho durante toda vida, desde a infância ensina-lo a caminhar, com a ilusão de que ele jamais deixe de procurar sua mão para conduzi-lo.
Sabe-se que isso logo se transforma na mais cruel realidade, pois eis que chega o momento onde tudo deixa de ser conhecido, onde sem perder seu papel de pai, é preciso acima de tudo transformar-se no mais verdadeiro e cuidadoso amigo.
É um momento perigoso, pois de melhor pessoa do mundo, do cara mais forte, o pai mais legal, herói, palhaço, mágico, engraçado, passa-se a bandido, ditador de horas e limites, cabeça quadrada, idéias ultrapassadas, descobre-se que sua mão que o conduzira por longos anos hoje é dispensada, entende-se que é hora de transforma-se em amigo, companheiro, sem nunca deixar de ser pai. Muitos se perdem.
Chega a ser desesperador, pois agora é necessário cuidado para poder participar daquela mesma vida que por tanto tempo dependeu de você para crescer, e cresceu.
É difícil não mais poder segura-lo nos braços e acalenta-lo, pois agora seus tombos são provenientes dos caminhos da vida, não se tem mais controle sobre aquilo que ele deve ou não fazer, não se pode interferir em suas escolhas e ao aconselhar conformar-se caso não seja ouvido, porem como amigo ajuda-lo a erguer-se quantas vezes for preciso, participar de suas vitórias e caminhar pelo mundo não mais com ele em seus braços como na saída da maternidade, mas a seu lado, sentindo o mesmo orgulho.
Ser pai é representar Deus na vida de um filho, independente do sangue, ou da forma que a vida lhe der esta oportunidade, dependente apenas do amor de pai para filho.
D.S.L

Ao meu pai todo o meu amor! A todos os outros um Feliz dia dos Pais!

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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