Para recordar um amor do passado – Parte I

Nos encontramos naquele final de dia, onde o amarelo do sol cruzava-se aos poucos com o escuro da noite, uma estrela acompanhava perdida o anuncio do ultimo dia daquele ano, deste modo o céu se transformava em um grande bale de cores e vida, os anjos, o mundo, o futuro e o passado, presentes em meu pensamento e coração pareceram se entregar a todo aquele espetáculo, calando-se por aquele instante, onde a brisa do mar, a areia ainda quente, e minhas pegadas levaram-me para junto de ti. Não sentia pressa, pois havia esperado por aquele momento durante muito tempo, queria vive-lo, inteiro e sólido para que ficasse gravado em meu pensamento cada passo que me levava para você.
Quando a vi, toda a beleza daquela tarde desapareceu, meus olhos só sabiam olhar pra você, só procuravam por ti. Senti medo, pois estes olhos me suplicavam que eu liberasse as lagrimas que guardei durante todo esse tempo que vivemos distantes, porem o riso foi mais forte, a felicidade de esta r ali, caminhando ao teu encontro venceu as lembranças dos momentos em que só a saudade me fez companhia, toda a tristeza e solidão do meu coração deixaram de existir, quando te vi sorrir parei de ter medo.
Ele estava lindo, vestido de branco, mais parecia um anjo, o mesmo ser encantado que via em meus sonhos, não pertencia asas, mas facilmente fazia meus pés saírem do chão. Quando parei diante de seu corpo e vi seu sorriso tão de perto, senti seu cheiro doce e amadeirado como uma tarde de outono, quis libertar-me de toda ânsia que há anos me acompanha na busca de seu abraço, quis lançar-me sobre ele, agarra-lo como alguém que encontra uma chama num quarto escuro, quis falar-lhe em um minuto de toda a ausência, de todo o tempo, das noites, dos dias, dos meses que eu o procurara sem ter idéia de seu verdadeiro paradeiro. Calei-me, nada devia ser declarado naquele instante, não o abracei, mal olhei em seus olhos, temi, temi desfalecer tragada por toda a quela emoção, meu coração batia tão forte que parecia querer involuntariamente dizer algo a ele que nem mesmo eu sabia.
Eu não tinha idéia do que dizer a ela depois de tanto tempo, pensei em contar-lhe de uma só vez que a procurei na intenção de confessar o que já não sabia esconder,m o que eu não conseguia mais mentir pra mim mesmo, pensei em perguntar-lhe naquele instante quanto de mim ainda vivia dentro dela, mas calei-me, temi, afinal de contas ela mal olhou pra mim, parecia nervosa, fadigada, não sei, sei que temi, calei-me. Ela estava tão linda, tão simples como sempre, mas parecia uma princesa, vestida de branco, de um tecido leve que dava maciez a pele só de olhar, a sandália baixa e de cor clara dava a impressão de que estava descalça, os cabelos levemente cacheados, castanhos, com algumas mexas mais claras suavizavam-lhe a face, o rosto mais parecia um quadro, uma musica, uma obra de arte.Calei-me e fiquei a olhar pra ela. Calei-me
Com uma saudação simples, disse-lhe o quanto ele parecia bem, respondeu-me com um sorriso, estava feliz, por um momento pensei que talvez aquele sonho que persistia em mim, dizendo-me que ele ainda me amava, fosse mentiroso. Não havia marcas de dor ou sofrimento em seu rosto, sua face era límpida como aquele mar imenso e infinito diante de nos. Imaginei então que ele havia me procurado para talvez resgatar em nos um sentimento amigo, que com toda certeza é mais estável que o amor, sentimento este que eu não desejava, não vindo daquele coração.
Sentamos num desses quiosques a beira mar, começamos a conversar, falamos dos rumos que a vida tomou, das chances que o destino havia nos dado, cada um a sua maneira, tudo com ela estava muito bem, não contou-me tristezas, conseguira se formar, tornou-se medica como desde a juventude sonhava, falei de meu trabalho como jornalista, ela me revelou sorrindo que havia lido todos os livros que eu escrevera, comentou sobre as musicas de minha autoria, elogiou-me. Neste instante tive vontade de tocar seu rosto, pois ao falar ela sorria, seus olhos se apertavam como no tempo em que era vivo o nosso amor, sua boca, seus dentes perfeitos, senti angustia, queria beija-la, enquanto ela falava, eu me perguntava se o gosto do seu beijo havia mudado, passei a língua sobre os lábios rapidamente, minha boca salivava como quem esta sedento, fiquei tonto ao imaginar o toque de seus lábios nos meus, apenas sorri. Quase não falei, observava cada movimento que fazia ao falar. Parecíamos dois velhos amigos, que não se viam a tempos, nossa cumplicidade ultrapassou as barreiras da distancia e isso a fazia falar de pessoas, acontecimentos, amores, paixões, coisas que ela havia vivido com outro alguém e que não me interessavam em nada, pois maltratavam-me, afinal de contas era eu que devia ter vivido ao lado dela todos aqueles momentos. Ela não parava de falar, não que isso me incomodasse, é que diante tantos assuntos me pareceu não caber mais falar de nós, a conversa parecia não querer tocar naquele assunto, entristeci, senti vontade de correr, correr pra longe dela, ela já não era a mesma pessoa, não era aquela menina que me amava.

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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