Você colocou cordas no meu violão

Faltavam cordas, é fácil imaginar um violão sem cordas, guardado num canto qualquer, inutilizado, sem vida, sem cor, sem musica, sendo que este é feito pra fazer som, transformar momentos em grandes acontecimentos, trazer vida, alegria, desabafo. Eu tinha um violão obsoleto, sem cordas, e mesmo com toda a vontade de toca-lo, senti-lo entre meus dedos, rente a meu corpo, prometendo sempre arrumar alguém para colocar as benditas cordas que lhe faltavam, e daí então quem sabe encarar horas de aprendizado pra toca-lo, com maestria, e sair por ai, pela vida, pela noite, com a viola debaixo do braço, a lua a iluminar meus dedos, o coração a ritmar o som… Mas é impossível tocar um violão sem cordas, e por mais que fosse triste vê-lo ali naquele canto, dentro de uma caixa velha, empoeirada, rasgada, obsoleto, não fazendo jus a toda a sua beleza, a todo encanto, a tudo o que ele era destinado a oferecer a vida, era necessário colocar cordas antes de mais nada!
E assim como quase tudo em minha vida, eu esperava, mesmo quase que gritando a todos: “alguém, por favor, coloque cordas em meu violão novo!”, ninguém nunca o que quis fazer, promessas foram feitas, quem sabe de uma próxima vez pensava eu, afinal todos achavam triste ter um violão tão bonito, novo, pronto, mas sem cordas.
Eu apenas esperava! Muitas vezes o tirava da caixa e ficava a encara-lo, e pensava comigo: sozinha eu não consigo, de fato colocar cordas em um violão é algo muito difícil, preciso de alguém que me ajude, sozinha eu não dou conta.
Minha mãe uma vez chegou a me dizer: “Elaine, dá esse violão pra alguém, já que você não sabe tocar! Ele é tão bonito, novo, é um desperdiço deixa-lo jogado, sem cordas, violão não empena? _ Não sei mãe, eu pedi pra alguém colocar cordas! E daí quando ele estiver pronto, vou entrar na aula e aprender a tocar!
Mas eu esperava, não sei ao certo porque, ou pelo que!
Eis que quase sem querer, sem perceber, sem sonhar;
Acompanho seus passos na subida da escada, e de repente, como quem brinca, você me pergunta:
Cadê seu violão sem cordas?
_ Ta lá em baixo! Guardado!
Pega ele!
_ Pra que? Ta sem cordas!
Pega!
Eu te vejo toca-lo com suas mãos pequenas, brancas, tremulas, tímidas como quase tudo em você parece ser, eu parei os olhos naquele momento pra observar teu toque cuidadoso, medroso, como quem caminha por uma estrada cheia de curvas, como quem já não acredita que pode, sem mapa, assombro diante de tudo, riso tímido em meio a esse meu mundo, tão louco, tão vivo e intenso.
Parei meus olhos naquele momento, e tuas mãos pequenas, brancas e quentes deslizavam entre as curvas daquele corpo tão pronto, mas sem vida, o teu silencio fez musica naquele instante, e eu, quase que sem acreditar vi você colocar cordas no meu violão, uma por uma, sorrindo muitas vezes, virando os olhos noutras, fechando os mesmos para lembrar do jeito correto, pacientemente, sabiamente, precisamente.
Você não sabe o que fez!
Hoje o dia enlouqueceu! Deus assim como eu, comemora! Transformando o céu num palco, com luz, chuva, calor, sol, lua, brisa, raios, trovões, estrelas, tudo ao mesmo tempo, tudo o que é belo, forte, sentido, sem porque, sem saber, como um quadro, como cena de filme, final de novela; Deus comemora comigo!
E o violão, agora será tocado, enfim pronto, vivo, cheio de luz, ainda sem som, mas perfeito para ser tocado, ciente de que não será fácil, mas encantado, e pronto, para sem mais demora, viver aquilo para que ele foi destinado.
Você colocou cordas no meu violão, e até dedilhou algumas notas, sem perceber tocou bem mais, muito mais, quase sem saber, meio que sem jeito ainda, pois dá medo começar de novo, sentir de novo, viver de novo, ainda mais quando tudo surge assim, como uma musica sem partitura! Eu te peço cuidado, mas ouça o chamado, feche os olhos e toque apenas as notas que partirem do teu coração ritmado…
D.S.L

E.T: Você colocou as cordas, e agora pronto ele precisa ser tocado, mesmo que não seja por ti

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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