Um bom conselho

Dificilmente nos acalmamos com um conselho, dizem até que se fosse bom era vendido, porem se pudesse dizer algo a todas as pessoas diria para que não perdessem o espetáculo do começo, o inicio de tudo!

As primícias de um romance, o momento exato da realização de um sonho, a esperança comovida diante da fé de quem não desisti, daqueles que tentam burlar a realidade e o desanimo e continuar caminhando ainda que com os pés escalpelados e cansados da luta diária para se reinventar, e tornar a vida mais bonita e desejável.

A realidade esta ai, não há como fugir, o jeito é olhar as coisas como elas realmente são: belas, findas, e transformadoras, quem consegue essa dádiva sempre estará a salvo da maldade, do egocentrismo, da desumanidade tão avassaladora e tristemente contagiante que nos assola, estará salvo ainda que o resto do mundo enlouqueça.

O inicio é aquele ponto de partida onde não existem erros, magoas, obstáculos, o inicio é o sonho, a poesia, por isso é tão bonito o nascimento e sempre tão triste a morte…

O inicio de uma amizade, aquele primeiro sorriso, a conversa que jamais será esquecida, ou a briga, a discussão que levou ambos a estarem nessa relação universal e completa, o primeiro arrepiar de pele diante de uma paixão, os olhares, as mãos que não conhecem outro caminho que não seja o corpo do outro, o estar perto.

O começo da vida, o olhar quieto e sereno de um recém nascido, a paz no olhar de uma mãe ao reconhecer este amor eterno. Areia nos pés e mar a vista, o primeiro sopro de brisa leve na face, na alma, alguns dias no paraíso e lembranças para a vida inteira.

O inicio, ainda que a decepção lhe enforque pela manhã, o começo, afinal sabemos que tudo passa, e que viver um sonho, um encantamento, uma ilusão aqui e ali é o que nos faz resistir ao resto dos dias onde a poesia do inicio não existe mais.

D.S.L

 

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Apenas mais uma…

Sabe aquela ali, caminhando com aquele tênis que definitivamente não combina com a roupa? Fones de ouvido, olhar que parece perdido, vez ou outra ao piscar ela fecha os olhos, respira fundo, pode ser saudade de alguma coisa ou de alguém, pode ser cansaço, pode ser mais uma na multidão, clichê bem verdade, mas “essa mais uma” entre tantas outras se encanta facilmente e às vezes se deixa levar pela ilusão de que é única, de alguém se importa.

Apenas mais uma a caminhar por calçadas esburacadas, solitária a roer unhas em uma mesa de bar, fingindo não temer a maldade, sussurrando para espantar maus pensamentos, olhando o céu e admirando os vários nuances desse azul celeste, sonhando: quem sabe um anjo não aparece. Ela carrega a certeza de que eles existem.

Mais uma a sorrir das próprias idéias, cruzando os dedos, torcendo para que os sonhos fiquem mais perto, ela os pode sentir, mas isso para a realidade não basta.

Uma menina e suas paginas em branco, as quais não a livram da solidão, mas lhe despi a alma, ainda que o coração esteja triste, talvez tenha sido alegre algum dia, por poucas horas quem sabe, conclui em palavras que tudo é vasto demais, ainda que busque apenas um olhar que a liberte, ela deseja encontrar uma espécie de paz.

Apenas mais uma na multidão, mas essa uma ira permanecer tentando dançar, observando, rindo, cantando, e seja lá como for aplaudindo de pé esse espetáculo que é viver.

Ainda que a vida canse, enjoe, para logo mais triunfante brilhar, nos surpreendendo e apaziguando o coração que por tantas coisas acelera, dilacera e entristece.

Ainda que mais uma na multidão, vezes a vida brinda comigo essa ilusão de ser única, e não mais uma qualquer.

O nascer do sol, ninguém no mar, o espetáculo de luzes particular, apenas meus olhos, ouvidos e lágrimas, a borboleta de asas azuis que corta o ar em minha direção, a estrela no céu naquele instante em que somente meus pensamentos a alcançam, o sol que parece tremular a luz para dizer-me ola, o riso involuntário da criança que passa depositando em mim a esperança de dias melhores, ainda assim apenas mais uma na multidão.

D.S.L

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