O vago olhar de mundo fora do casulo

Tenho a vista de quase toda a cidade aqui de minha sacada, é bom olhar do alto, ver os carros passando ao longe, e esse mundo de luzes acesas nas casas, barracos, restaurantes, hotéis, em cada luz acesa um pensamento diferente.

Em algumas janelas a escuridão quebrada pela luz da televisão, noutras pessoas que assim como eu vigiam a noite, mas elas não se demoram em suas janelas ou sacadas, é inverno e a cidade quase congela a essa hora, preferem somente o vago olhar de mundo fora de seus casulos.

Perco-me por horas observando essas luzes, tentando imaginar tudo o que pode estar acontecendo na vida dessas pessoas.

Quantas delas pensam em dinheiro nesse instante? Nas contas a pagar, no salário pouco, na vontade de mudar. Quantas delas brincam ou brigam com seus filhos, ou os esperam chegar do trabalho, da faculdade. Algumas podem estar cuidando de alguém doente, outras assistem algum programa de televisão em família, onde só a televisão interage, pois eles mal conversam entre si.

O silencio que paira sobre a cidade aqui do alto chega a trazer a sensação de que todos estão dormindo, mas não estão, pois as luzes continuam acesas e algumas delas nunca se apagam, quem sabe por medo do escuro, quem sabe por falta de sono, ou talvez pelo cansaço que consome de tal maneira a fazer esquecer a luz acesa.

Quantas dessas luzes fazem amor nesse momento? Quantas choram de saudade, ou de solidão? Quantas outras ajudam os olhos a percorrer palavras em um livro, ou ainda quantos desses olhos estão fechados escutando uma musica com a mente repleta de lembranças boas, ou sonhos que mais parecem devaneios diante de momentos imaginados que ainda não aconteceram.

Algumas pensam no amanha, no muito a fazer no novo dia que será aceso pela luz do sol, mas o que esperar? O que pensar antes de adormecer? Com o que sonhar?

Alguém aparece na janela falando ao telefone, parece uma conversa animada daquelas que a gente não quer que termine, uma senhora coloca o lixo na rua, um cachorro passa solitário parece estar voltando pra casa, ou procurando uma, uma jovem moça ajoelha a cabeceira de sua cama, parece rezar, esfrega os olhos após derramar algumas lagrimas, levanta-se e apaga a luz, acabo por rezar junto a ela e mesmo sem ter idéia do conteúdo de suas orações rogo aos anjos que as encaminhem a Deus.

Percebo que diante de todo esse vasto mundo de luzes acesas, nessa noite fria de inverno, sou apenas mais uma luz, um pequeno ponto de claridade diante da escuridão do mundo, meus olhos começam a se entregarem ao cansaço, irei adormecer imaginando o quanto dos pensamentos de todas essas luzes serão realidade amanha.

No momento em que nenhuma luz de pensamento estiver acesa, quando o mundo por algum instante adormecer por completo, um instante que seja, todas as estrelas brilharão com mais intensidade, a esta hora creio que Deus inicia seus trabalhos rabiscando o amanha ao ouvir as orações silenciadas pelo sono e adormecidas em esperança, é neste mágico momento que se acendem as luzes invisíveis dos corações que adormecem em fé.

Que todos os dias sejam bons dias, e que ao menos um desses pensamentos se concretizem na manha seguinte, para que assim todas as noites possam adormecer em paz, amor e luz.

D.S.L

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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