Travessia

O que sei é quase nada, pouco, pouquíssimo, coisa rasinha, feito poça em calçada formada por chuva brava de verão, agua que logo evapora, tornando-se frágil após ter sido tempestade… As certezas que tive, ou que acreditei possuir foram todas embora, dolorosos adeuses que se despendem em uma espécie de raios luminosos de sabedoria e fé.

Meus cabelos, há algum tempo decretaram nascer brancos, fluem na fiel saga sagrada ordenada pelo rei tempo, não o temo, pois mutuamente nos respeitamos, ainda que em prece o peço que passe sem pressa, que me permita brincar e viver, e amar, e sonhar. Em oração peço que seja leve, enquanto me curvo as marcas que surgem por sua ordem natural e humana, estou morrendo diariamente, mas isso não me soa triste, pois a reza sussurra que não termina aqui, vida grande, enorme, incrível; o tempo me parece sorrir, dando-me amparo, fazendo-me crer que esta minha oração será atendida, pois ele pertence à sabedoria e o amor de um Deus.

Da vida, ah essa amiga louca, desvairada, que encanta, desespera, que passa gargalhando e sussurrando a cada novo dia que não sei nada. Sobre ela: mistério, magia, mesclados ao silêncio do amanhã, do tempo que abraça o instante presente. Às vezes, essa amiga louca me acalenta, noutras com toda força e crueldade estapeia-me ao chão, cuspindo, chutando, berrando minha ingratidão, apagando as luzes, pois por muitas vezes eu mesmo me lanço na escuridão, nos labirintos de meus pensamentos que ferem feito espinho, ela me deixa ali, e só me estende a mão quando recobro a consciência perdida por ilusões que alimento feito criança birrenta. Ao me redescobrir, ela me abraça, e juntas voltamos a iluminar os dias, a enfeitá-los, e então ela me confidencia seu grande segredo: um dia, minha criança, todos os sinais estarão verdes, todos os caminhos estarão abertos, não haverá dúvidas nas encruzilhadas, pois todas as estradas serão bonitas, basta esperar o momento certo para atravessar, meu grande mistério é aguardar a travessia.

D.S.L.A 

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Autor: ela...

Elaine. Ela. Helena. 17. Setembro. Há alguns anos atrás. Ascendente em peixes. Brasil. Santista de nascimento. Baiana de descendência. Mineira de coração e endereço. Muitas e de muitos tamanhos. Letras, palavras, frases. Nossa Senhora Aparecida. Família. Música. Sol. Brisa. Luar. Prefiro mar. Branco. Tenho uma irmã mais nova. Minha maior paixão tem mais de 100 anos. Abraço. Meu pensamento é hiperativo. Tenho os melhores amigos. Cometo ao menos um erro todos os dias. Converso com Deus. Já mudei de emprego três vezes, já mudei de vida outras varias. Por do sol. Não faço nada sem dois ingredientes: paixão e entusiasmo. Primavera. Beijo. Horizonte. Esperança. Cinema, quadros, composições. Já machuquei quem não merecia. Olhar. Exagerada e sensível. Carente. Bagunceira. Transparente. Meu primeiro livro publicado e grande orgulho: Quando Florescem as Orquídeas. Tenho um blog e uma coluna semanal em um jornal do interior. No mais sou abençoada. Sei dizer apenas que tudo passa!E que eu sou bem feliz! D.S.L

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