Tenho evitado as tais “certezas”, não por descrença, mas por decreto dos dias o tempo as apagou de minha história com sua impiedosa borracha de realidade. Tenho evitado certezas, dando lugar ao diálogo sábio com as conclusões, e uma delas em especial tem me libertado: errei com todas as pessoas que conheci, cresci.
Não há exceções: errei com todas as pessoas que fizeram parte da minha vida, todas! Com cada uma, de uma forma diferente, em vários momentos, ou em um único, e o que me causa espanto é que meu sentimento para com a grande maioria delas é amor, portanto, de maneira ainda mais libertadora corrijo-me afirmando que errei com absolutamente todas as pessoas que amei, diante disso, enfim a liberdade da culpa, do medo, do remorso, da dúvida, diante disso adormeço tranquila, liberta, pois todas as pessoas que conheci, e que espantosamente me devotaram amor, também erraram comigo, machucaram-me duramente com palavras, atitudes, abandonos, desvalores, desimportâncias, todas, seja por frustradas expectativas, seja por desconhecimento no manuseio do sentimento, não importa; eis o grande fato de sermos humanos, falhos, que minha consciência e coração remoeram durante tanto tempo, buscando porquês, acreditando que diante do amor teríamos que ser sábios a qualquer custo, mas o amor é uma grande loucura, e para se achar sabedoria na loucura é preciso tempo, mãos calejadas, olhos marejados, coração cicatrizado, costurado, refeito, curado, e hoje liberto.
Perante o que parece uma conclusão triste e cruel, liberto-me, perdoo-me e sigo para que limpa de qualquer dor, e destituída de toda mascara, o amor continue sendo possível.
Se te amei, ou te amo, então te feri ou te machucarei, claramente uma proposição matemática, de raciocínio logico entendo apenas o necessário, da vida, do amor, talvez nem isso, nem mesmo o necessário, mas tenho tentando colher menos aprendizado e mais sentimento, pois sentir é distante de qualquer logica perfeita, completa, finda. Errei com absolutamente todas as pessoas que amei, e algumas delas, tal qual a mim, não souberam voltar, a outros fechei a porta para irem embora, ainda assim, libertos, em algum lugar do tempo que conta nossa história, eu os amei, fui amada, e isso é maior que tudo, é infinito. Outro dia ouvi que o infinito é mais uma pobreza da palavra humana, a qual é incapaz de traduzir a magnitude de qualquer sentimento.
D.S.L.A