“Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”

Outro dia estava pensando na loucura em que se encontra o ser humano e a vida, quando me veio à cabeça esta frase: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!”.
Não quero fazer com que alguém acredite em Deus ou com que céticos comecem a acreditar em alguma coisa, pois o que me chamou a atenção nesta frase não é a minha busca pessoal pela espiritualidade do ser, o que me chamou a atenção foi à força que envolve estas palavras, aparentemente simples.
Eu convido a quem nunca refletiu sobre esta frase a acompanhar meu raciocínio ou simplesmente fechar os olhos e refletir alguns minutos sobre a seguinte pergunta: o que poderia acontecer ao mundo se as pessoas ouvissem ou lembrassem desta frase ao menos uma vez por dia?
Eu não sei a resposta, mas meu pensamento vai ainda mais longe, coloquei-me no lugar dos terroristas que cometeram aquela barbárie na Rússia, com aquelas crianças, enchi meu coração de ódio e revolta, pensei em todas as razões que eles tinham para fazer tudo aquilo e imaginei alguém dizendo a eles: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, não sei se eles deixariam de fazer o tal atentado e pensei: talvez eles não conheçam esta frase, pois nunca sentiram o amor de ninguém, talvez ninguém os tenha amado e lembrei-me de outra frase: “Ame a teu próximo como a ti mesmo”, por que é bem verdade que todo mundo se ama, muito ou pouco a gente se ama!
Parece bobo, mas coloque estas frases em situações mais simples, coloque esta frase na vida de um cara rico, agora imagine que de repente ele se perde em uma rua da periferia dirigindo seu carro importado e ali o camarada morrendo de medo de ser assaltado, surpreende-se com o locutor da radio dizendo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!” Ou então “Ama a teu próximo como a ti mesmo” e este mesmo cara que só olha para o próprio umbigo e para seu rico dinheirinho, por curiosidade, que seja, olha para o lado e vê na calçada uma criança, um idoso, um homem, um ser dormindo na rua, não sei o que aconteceria neste caso, mas eu tenho certeza que algo mudaria. Agora imagine se um filho ouvisse de sua mãe: “Filho não beba, não fume e ama a teu próximo como a ti mesmo”, certamente ele iria pensar duas vezes antes de fumar, antes de beber e antes de se tornar àquele camarada sarado, bonitão e que sai a noite só pra machucar o “mané” mais fraco, só pra bancar o “fortão”.
Eu não sei quantas pessoas absorveram a mensagem, mas a minha conclusão é a seguinte:
O mundo precisa mudar, e isso só vai acontecer quando as pessoas começarem a olhar umas para as outras e a pensar mais no próximo, mas isso só será possível através do amor, por isso pregue o amor, viva por amor; amor do bem; amor de irmão; simplesmente amor.
D.S.L

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Uma nova pagina

É bem verdade que nada se sabe sobre o futuro, ou o presente daqui a alguns segundos, é bem verdade também que não se sabe para onde o passado vai. O ontem pode de repente se transformar numa folha em branco, sem sentido, sem imagens, sem palavras… E este ontem acaba se transformando em algo obsoleto, pois todo mundo acha que o passado deve ser esquecido, independente do peso que ele tenha no futuro ou das lembranças que dele guardamos, boas ou ruins, deve mesmo é ser esquecido, pois como se ouve a todo o momento: “o que passou, passou…”.Mas será que isso é verdade?
Será que somos capazes de apagar e nunca mais lembrar daquele único beijo que deixou tanta saudade e tanta história, do abraço de um amigo que hoje esta distante, daquele momento feliz ou do momento infeliz que na verdade só nos fez crescer, daquela tarde de Domingo que ao seu lado estavam as pessoas mais maravilhosas que você conheceu em sua vida…, Daqueles momentos que deveriam ser eternos, só assim a felicidade ficaria mais perto, logo ali, naquele instante que o tempo deixou pra trás.
Abrir-se para o novo, deixar que as coisas aconteçam, fazer valer a pena, isso é futuro; Abrir-se para o novo, mesmo que este novo aparentemente não seja tão encantador quanto o passado; Deixar que as coisas aconteçam, admitindo que nem tudo está em nossas mãos; deixar que as coisas aconteçam sempre esperando tudo de bom e acreditando que momentos melhores virão! Fazer valer a pena, talvez essa seja a frase mais incrível que eu já ouvi na minha vida…Ao contrário de uma frase muito parecida com ela “vale a pena”, fazer valer a pena é o mesmo que dizer: vá e tente, faça por onde, dê tudo de si, apaixone-se por tudo aquilo que você acredita, reze, chore, lute, sofra se for necessário, lamente, mas, por favor, faça valer a pena.
Faça sua vida valer a pena, faça seus sonhos valerem a pena, faça sua história valer a pena, pois é preciso viver, é necessário continuar respirando…Está certo aquele que encara a vida como as ondas do mar e que não sabe ao menos o que a maré vai trazer em seus altos e baixos.
Iniciei esta historia falando sobre o passado, pois é impossível falar do futuro, sem antes olhar para trás. Não devemos o esquecer completamente, porque o hoje é sim, resultado do ontem, por isso lembre-se: que tudo pode ser modificado e que em um simples ato você é capaz de transformar até mesmo o que já passou, viva o hoje retendo do ontem somente coisas boas; tendo consciência de que nada é perfeito.
A felicidade esta em suas mãos e o final feliz desta grande historia intitulada “vida” pode estar em uma nova pagina, esperando apenas por você.
D.S.L

Sorria!Você esta sendo filmado!

Estou triste, não sei bem porque, mas confesso: estou triste e não saber porque não tem haver com banalidade ou futilidade, tem haver com tudo o que a gente vai acumulando, uma bronca aqui, uma saudade ali, uma frustração acolá, algo que não dá certo mais que a gente deixa passar, porque não se pode parar, é preciso caminhar, mesmo sem saber ao certo pra onde. E um dia, assim meio de repente, quase sem querer a gente acorda com os olhos molhados, ou começa a chorar ainda sem despertar porque sonhou com alguém que não vai voltar, ou com aquilo que esta distante de acontecer, daí nos olhamos no espelho e sentimos ainda mais vontade de chorar, pois há dias em que a própria cara entristece, olhar miúdo, esquecido, alma e cara cansada.
Eu quero desabafar, mas se eu chorar alguém pode escutar e chorar também. Quando alguém chora por nós a tristeza aumenta, por isso é melhor não chorar, pelo contrario é melhor sorrir, mas não é todos os dias que eu consigo sorrir e fazer graça como o palhaço do circo que passa, talvez se eu pintasse a cara como o palhaço eu escondesse no riso a tristeza que sinto. E então fingiria: fingiria não sentir saudades, não sentir falta, não sentir medo, não sentir dor, fingiria não esperar pela carta que não chegou, pelo telefone que não tocou, pela visita que não veio, pelo convite que não foi feito, fingiria que não faz diferença.
A tristeza não é pra sempre, pode durar uma semana, uma hora, um minuto e então saímos pelo mundo, e olhamos pro sol, pro dia, pra vida, pra criança que nos viu passar de cabeça baixa e sorriu, pro velhinho que caminha lento e diz: “bom dia!”, pro passarinho que canta, pra arvore que dança, pra foto que o tempo não conseguiu modificar, pro pote de ouro depois do arco-íris, anjos, arcanjos, querubins que a gente não vê mas sabe que de certa forma existem e pra todas as outras coisas que nos faz, mesmo sem querer sorrir e acreditar que este ainda é o melhor remédio, ou talvez o único.
Sorria!(você está sendo filmado).

D.S.L

Fogo sagrado

Quando não se sabe que caminho seguir è melhor prosseguir naquele que queremos abandonar.
Neste longo caminho, a todo momento, tropeçamos em variadas situações, pessoas e ate mesmo em nossos próprios medos, muitas vezes tropeçamos sem ao menos conhecer o terreno no qual estamos prestes a cair.
Mesmo quando não apaixonados por esta grande viajem, percorremos este caminho com um objetivo, algo que valha a pena. Buscamos tantas coisas, muitas vezes o que nos parece inatingível e assim conhecemos a dor, a perda e ao atingir o ponto maximo do cansaço, percebemos que tudo aquilo que nos parecia distante estava aonde menos esperávamos, pois permaneceu lado a lado a esta busca que perde o encanto no momento em que descobrimos a verdade, esta busca termina com um silencio valioso, pois tudo o que se procurava estava aonde ninguém ousou tocar.
Buscamos amor e nos deparamos com lagrimas, buscamos paz e nos deparamos com fogo, alegrias e nos deparamos com a vaidade, sabedoria e nos vemos submersos em nossa própria arrogância. Mas tudo tem seu momento final e esta busca que parece interminável perde o sentido quando descobrimos que tudo pode estar em nossos olhos, basta abri-los.
Por isso, se tens amor, seja feliz. Se tiveres paz cultive-a ainda mais. Se tiveres sabedoria, mostre-a ao mundo sem medo. Pois muitas vezes procuramos por aquilo que nossos olhos querem ver e assim nos esquecemos de quem somos. Lute contra você, contra a mascara que seus olhos insistem em colocar sobre seu coração e só depois enfrente o mundo, porque quem descobre seus mistérios não se intimida com a fúria imposta àqueles que ousam viver sem sombras ou sem medo de chorar.

D.S.L

Somos todos iguais

Este é um caminho devastador e perigoso, foram estas as palavras! Para entende-las mais profundamente recorro ao dicionário, para ter real noção do quanto elas me assombraram, ou para traduzir o que elas dizem e assim verificar se é de fato verdade.
Não é um caminho fácil, disso não me defendo, muitas vezes solitário, noutras cercado de espinhos, incompreendido pela maioria, de difícil aceitação entre os queridos, e assustador a quem o destino lhe faz seguir. Porem é algo não escolhido, não optado, tão pouco sonhado por quem o vivi, é doloroso muitas vezes ver olhos tortos, envergonhados diante de uma condição imposta pela vida.
Com toda a verdade dentro de mim defendo-me dizendo que ninguém escolhe ser pobre, feio, burro, rejeitado, ninguém esta disposto a estar por “baixo” seja lá qual for a situação, difícil para qualquer ser humano ter que abaixar “a crista” diante de uma maioria gritando e te apontando como um erro. Por mais que nos outros caminhos você se posicione com dignidade, honestidade e compaixão, sempre terá alguém para apontar o que muitos chamam de “defeito”.
Este é um caminho devastador e perigoso, foram estas as palavras!
De fato não é o caminho mais belo, comparado à grinalda no altar.
Deus! Talvez seja por essa condição que lhe peço perdão há quase toda hora, muitas vezes me julgando indigna do teu amor, da tua misericórdia e dos teus olhos voltados a mim. Ninguém sabe quantas vezes já me perguntei: será que esse coração errante é devido a esta escolha da qual eu não tive chance de escolher? Será que este amor que procuro é mais um de meus sonhos, talvez a maior de todas as minhas utopias, pois por ser um amor entre iguais, talvez o maior dos pecados, como muitos julgam.
Jamais lutei contra minha essência, a não ser nas vezes que tentei ser diferente, nunca quis ser outro ser, mas que culpa tenho eu se meu desejo de amar se realiza entre iguais, entre formas equivalentes a minha.
Rodopio diante destes pensamentos, muitas vezes eles me acompanham nas madrugadas afora onde não festejo, mas na cama não consigo dormir.
Dura escolha não sendo minha. Duro caminho, mas sendo este o único pelo qual me imagino feliz, mesmo que para tantos outros, queridos, seja motivo de preocupação, vergonha e porque não dizer asco.
Perdi as contas de quantas pessoas já perdi por nua diante delas confessar essa minha condição, dói perder pessoas bem quistas por falta de tamanha incompreensão, dói ser rejeitado, dói não contar com uma conversa amiga ou com colo de mãe quando tudo acaba.
É um caminho devastador e perigoso! Foram estas as palavras!
Devastador é o mesmo que arruína! Então é mentira, pois o que mais penso é em construir, não prédios, grandes fortunas, ou um impérios, mas sim uma vida feliz, com tudo o que os ditos “normais”, ou até melhor que eles conseguem, pois quero ter como base não o poder ou o dinheiro, mas sim o respeito, a esperança e o amor acima de tudo.
Perigoso é o mesmo que prejudicial! Outra inverdade, pois se já fiz mal, foi com o coração destituído dessa intenção, afinal “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”, prejudicial é este mundo doente, essas mentes doentes, que sem vida, só pensam em matar, roubar, destruir, enquanto eu penso em apenas viver, sorrir e ser feliz da forma que der, da forma que assim Deus quiser que aconteça.
É um caminho! Essas sim são as verdadeiras palavras, e como alguns dos caminhos da vida da gente, que tomam rumo sozinhos, como se preciso fosse acontecer, não digo ser um fado, mas sim um aprendizado, não só aqueles que os protagonizam, como também aos demais que se esquecem, que perante Deus, como Ele mesmo afirmou: “somos todos iguais!”
D.S.L

Para recordar um amor do passado – Parte I

Nos encontramos naquele final de dia, onde o amarelo do sol cruzava-se aos poucos com o escuro da noite, uma estrela acompanhava perdida o anuncio do ultimo dia daquele ano, deste modo o céu se transformava em um grande bale de cores e vida, os anjos, o mundo, o futuro e o passado, presentes em meu pensamento e coração pareceram se entregar a todo aquele espetáculo, calando-se por aquele instante, onde a brisa do mar, a areia ainda quente, e minhas pegadas levaram-me para junto de ti. Não sentia pressa, pois havia esperado por aquele momento durante muito tempo, queria vive-lo, inteiro e sólido para que ficasse gravado em meu pensamento cada passo que me levava para você.
Quando a vi, toda a beleza daquela tarde desapareceu, meus olhos só sabiam olhar pra você, só procuravam por ti. Senti medo, pois estes olhos me suplicavam que eu liberasse as lagrimas que guardei durante todo esse tempo que vivemos distantes, porem o riso foi mais forte, a felicidade de esta r ali, caminhando ao teu encontro venceu as lembranças dos momentos em que só a saudade me fez companhia, toda a tristeza e solidão do meu coração deixaram de existir, quando te vi sorrir parei de ter medo.
Ele estava lindo, vestido de branco, mais parecia um anjo, o mesmo ser encantado que via em meus sonhos, não pertencia asas, mas facilmente fazia meus pés saírem do chão. Quando parei diante de seu corpo e vi seu sorriso tão de perto, senti seu cheiro doce e amadeirado como uma tarde de outono, quis libertar-me de toda ânsia que há anos me acompanha na busca de seu abraço, quis lançar-me sobre ele, agarra-lo como alguém que encontra uma chama num quarto escuro, quis falar-lhe em um minuto de toda a ausência, de todo o tempo, das noites, dos dias, dos meses que eu o procurara sem ter idéia de seu verdadeiro paradeiro. Calei-me, nada devia ser declarado naquele instante, não o abracei, mal olhei em seus olhos, temi, temi desfalecer tragada por toda a quela emoção, meu coração batia tão forte que parecia querer involuntariamente dizer algo a ele que nem mesmo eu sabia.
Eu não tinha idéia do que dizer a ela depois de tanto tempo, pensei em contar-lhe de uma só vez que a procurei na intenção de confessar o que já não sabia esconder,m o que eu não conseguia mais mentir pra mim mesmo, pensei em perguntar-lhe naquele instante quanto de mim ainda vivia dentro dela, mas calei-me, temi, afinal de contas ela mal olhou pra mim, parecia nervosa, fadigada, não sei, sei que temi, calei-me. Ela estava tão linda, tão simples como sempre, mas parecia uma princesa, vestida de branco, de um tecido leve que dava maciez a pele só de olhar, a sandália baixa e de cor clara dava a impressão de que estava descalça, os cabelos levemente cacheados, castanhos, com algumas mexas mais claras suavizavam-lhe a face, o rosto mais parecia um quadro, uma musica, uma obra de arte.Calei-me e fiquei a olhar pra ela. Calei-me
Com uma saudação simples, disse-lhe o quanto ele parecia bem, respondeu-me com um sorriso, estava feliz, por um momento pensei que talvez aquele sonho que persistia em mim, dizendo-me que ele ainda me amava, fosse mentiroso. Não havia marcas de dor ou sofrimento em seu rosto, sua face era límpida como aquele mar imenso e infinito diante de nos. Imaginei então que ele havia me procurado para talvez resgatar em nos um sentimento amigo, que com toda certeza é mais estável que o amor, sentimento este que eu não desejava, não vindo daquele coração.
Sentamos num desses quiosques a beira mar, começamos a conversar, falamos dos rumos que a vida tomou, das chances que o destino havia nos dado, cada um a sua maneira, tudo com ela estava muito bem, não contou-me tristezas, conseguira se formar, tornou-se medica como desde a juventude sonhava, falei de meu trabalho como jornalista, ela me revelou sorrindo que havia lido todos os livros que eu escrevera, comentou sobre as musicas de minha autoria, elogiou-me. Neste instante tive vontade de tocar seu rosto, pois ao falar ela sorria, seus olhos se apertavam como no tempo em que era vivo o nosso amor, sua boca, seus dentes perfeitos, senti angustia, queria beija-la, enquanto ela falava, eu me perguntava se o gosto do seu beijo havia mudado, passei a língua sobre os lábios rapidamente, minha boca salivava como quem esta sedento, fiquei tonto ao imaginar o toque de seus lábios nos meus, apenas sorri. Quase não falei, observava cada movimento que fazia ao falar. Parecíamos dois velhos amigos, que não se viam a tempos, nossa cumplicidade ultrapassou as barreiras da distancia e isso a fazia falar de pessoas, acontecimentos, amores, paixões, coisas que ela havia vivido com outro alguém e que não me interessavam em nada, pois maltratavam-me, afinal de contas era eu que devia ter vivido ao lado dela todos aqueles momentos. Ela não parava de falar, não que isso me incomodasse, é que diante tantos assuntos me pareceu não caber mais falar de nós, a conversa parecia não querer tocar naquele assunto, entristeci, senti vontade de correr, correr pra longe dela, ela já não era a mesma pessoa, não era aquela menina que me amava.

Para recordar um amor do passado – Parte II

Ele estava tão calado, eu não conseguia parar de falar, acho que isso o inibiu, ele sorria e me olhava, queira saber no que ele pensava enquanto sorria, talvez sorrisse descrente, acreditando que poderia estar em um lugar bem melhor, com outra pessoa, ao invés de ficar me ouvindo dizer coisas e mais coisas sobre a minha vida, que é ate bastante interessante, mas que é vazia, vazia por não telo a meu lado. Calei-me na esperança de que talvez o silencio o fizesse começar qualquer conversa sobre nos. Olhei no relógio e lembrei de como o tempo passava rápido quando eu estava com ele, sorri e então ele me perguntou do que ria, porem não quis responder, sorri novamente e então ele arriscou dizendo que eu havia lembrado de c omo o tempo passava rápido quando estávamos junto, não pude negar que ele havia acertado. A conversa sobre nos, foi mais uma vez adiada, pois o relógio marcava dezessete minutos para a meia noite. Hora do espetáculo, disse ele.
Levantamos da mesa. Eu não havia reparado, mas a praia já não estava deserta como na hora em que nos encontramos, as pessoas esperavam pelos fogos que iluminariam o céu anunciando a chegada de mais um ano, dividimos a conta por imposição dela, afinal de contas sou um romântico a moda antiga, sendo inaceitável que uma dama ajude nas despesas de uma passeio. Ela virou-se pra mim e disse que antes de irmos para o centro da praia precisava ir ao banheiro, enquanto eu a esperava pensava numa forma de me aproximar. Quando ela retornou eu nada tinha de concreto em meu pensamento para que tal aproximação acontecesse, porem num impulso, quase que desesperado, ergui minha mão em sua direção e olhando no mais profundo de seus olhos pedi: Venha! Ela veio. Quando sua mão tocou a minha, nossos olhos automaticamente se encontraram, com a mesma magia do começo de nossa historia, o encanto que eu imaginei ter se perdido no tempo, estava ainda mais vivo, ainda mais forte e doce. Os quatro anos passados distante dela não existiam mais.
Quando ele tocou minha mão, sorri, e sem que ele percebesse a caminho do píer, sequei uma lagrima que não pude conter.
Não conseguia pensar em nada para dizer a ela, só sentia minha mão junto a dela, estavam unidas, suadas, tremulas. A única frase que me vinha a cabeça era: eu amo você. Enfim chegamos ao píer, ela parou a minha frente, abracei-a devagar, sem força, a apertei em mim, cerrei os olhos, inalei seu cheiro, toquei seus cabelos, mal podia acreditar, meu corpo se arrepiou, estava em êxtase, ela passou as mãos lentamente em minhas costas enquanto me abraçava, não havia se esquecido do quanto eu gostava desse carinho, voltei a cabeça para o rosto dela e ainda abraçados, beijei-lhe a face, queria sua boca, mas ainda não tinha certeza de que era isso que ela também procurava, quando resolvemos dizer alguma coisa, os fogos subiram ao céu, como as estrelas cadentes que admirávamos juntos em um tempo antigo. Ela deixou meu abraço para admirar melhor os fogos, vi todo aquele colorido do céu passear naqueles olhos, em um momentos ela os fechou, sorriu e rodopiou no tempo, no ar, como um anjo que saúda uma benção, ouvi ela agradecer a Deus, não sei ao certo o que ela agradeceu, mas eu agradeci por estar ali, por estar com ela, por amar aquela criatura tão divina.
Quando abri os olhos e o via a minha frente, me olhando com o mesmo olhar de quanto tinha dezenove anos, a vida novamente pareceu se resumir em nos, naquela nossa historia, nesse nosso amor de sempre. Permiti que a primeira lagrima deixasse meus olhos, o abracei dizendo: Feliz Ano Novo. Passei a mão em seu rosto e então meus dedos se depararam co m uma gota de amor, de saudade, de felicidade. Olhamo-nos mais uma vez e então o beijei, e beijei, e sussurrei em seu ouvido toda a saudade, todo o amor.
Depois que ela me disse tudo o que mantinha em segredo no seu coração, gritei para ela, para o ar, para o tempo, para o mundo, para a distancia que eu a amava, tomei-a em meus braços novamente e rodopiei com ela em riste, toda a noite se iluminou, ela mais parecia um anjo e junto a todas aquelas luzes, imaginei estar no céu por um instante.
Ficamos juntos ate o nascer do sol, sorrimos, sonhamos, traçamos um futuro, novos dias, sem todo aquele sufoco de todas as noites, sem o tormento de não saber um do outro, tudo estava tão perfeito, temi.
Caminhamos para o hotel, não me cansava em sorrir, o brilho nos olhos dela era tudo o que queria ver pro resto da vida, todos os dias. Adormecemos exaustos de tanto amor, de tanta vida, relutei em dormir só pra continuar olhando para ela, mas o sono chegou sor rateiramente, adormeci.
Acordei sorrindo, o procurando na cama, ele não estava. Chamei seu nome, ele não respondeu.
Mal abri os olhos, meus braços a procuraram, a cama estava vazia, sorrindo levantei e caminhei ate a janela, estava em minha casa e a vista não dava para o mar, não estava em hotel, o cheiro dela não existia nos lençóis que cobriam minha cama.
Mais um sonho. Tenho que parar de pensar nele. Vai ver ele nem se lembra de mim, não depois de tudo o que houve.
Ainda na janela chorei desesperado, mais um sonho, lamentei. Nada alem de um sonho
Duas pessoas que ainda se ama, mesmo sem saber, podem sonhar o mesmo sonho.

"Está escrito: As coisas que o olho não viu e o ouvido não ouviu. E não subiram ao coração do homem. São aquelas que Deus preparou para os que o amam" I Corintios 2-9